— Mais pra direita... isso, assim tá ótimo — Justin disse enquanto me fotografava pela décima vez em frente ao aeroporto do Canadá

— Justin, chega de fotos, seus avós já devem estar mofando de tanto nos esperar — eu disse pegando minha mala e arrastando até o ponto de taxi

— Ah qual é amor, só mais uma, de nós dois — ele se aproximou colocando seu celular em nossa direção e eu sorri pra foto

— Satisfeito? Agora vamos — segui andando até o ponto de taxi e Justin ficou de frente pra mim — Justin? Por que está fazendo isso? Nós temos que pegar um taxi e ir logo!

— Não temos — ele disse dando pulinhos de ré e sorrindo feito um bobo — Sabe por que? Porque meus avós me ligaram e — ele começou a andar em círculos como sempre — fizeram questão de virem buscar a gente

— Hmm, e precisa dar a notícia pulando e andando em círculos? — eu disse querendo rir

— Precisa — ele me pegou no colo e me deu um selinho demorado

— Por que?

— Porque eu nunca estive tão feliz — ele me colocou sentada no meio-fio e se sentou ao meu lado

Eu entendi tudo. Faz tempo que não temos sossego, que não temos um tempinho pra ficar juntos e em família. Nossa vida sempre foi conturbada, aliás, nos conhecemos de uma forma conturbada há três anos....

FLASHBACK ON

— Ei menininha, vem aqui, não precisa correr tanto, me mostre oque você tem embaixo dessa roupinha – ele disse

Eu conseguia sentir o homem da voz assustadora me seguindo com passos rápidos. Minha respiração estava descompassada e estava ficando cada vez mais difícil de correr por conta dos meus problemas respiratórios.

— Me deixa em paz – eu disse com o tom de voz amedrontado enquanto corria em direção a um lugar que eu não sabia aonde era. Eu não sabia pra onde eu estava indo. Só seguia em frente

— Ah mas eu vou te pegar – ele disse em um tom de voz brincalhona e isso me deixava cada vez mais assustada – vem aqui menininha

Eu escutei passos mais rápidos e em questão de segundos eu senti um braço em volta da minha cintura e quando virei a cabeça vi um garoto. Um garoto bonito. Meu coração começou a bater cada vez mais forte. Não estava entendendo... Como um garoto tão bonito tem uma voz horrorosa daquela?

— Finja que sou seu namorado – ele sussurrou perto do meu ouvido direito e no mesmo instante eu senti meu corpo inteiro se arrepiar. Pelo visto a voz horrorosa não é dele.

Que ótimo. Estou cercada por um cara totalmente estranho me tratando como se eu fosse um cachorrinho que ele está prestes a capturar e um garoto super bonito que eu não sei quem é e muito menos se devo confiar. E se eles estão juntos nessa? Permaneci calada e percebi que o garoto olhou pra trás e logo depois me soltou.

— Por que fez isso? – eu olhava pra ele com uma cara de interrogação

— De nada! Eu acabei de salvar sua vida! Aliás eu acabei de te dar uma nova vida, e exatamente por isso eu preciso saber o seu nome – ele pegou uma mecha de meus cabelos com um dedo e soltou logo depois – Ou será que eu deveria te dar um nome?

— Obrigada – sorri falso – Eu não vou responder essa sua pergunta ridícula e idiota, mas eu quero que você responda a minha. Por que fez isso?

— Porque eu vi que aquele velho nojento era uma trágica ameaça pra você – ele começou a andar em círculos – Então cheguei discretamente, como se eu fosse seu namorado. E ele foi embora. Ta bom assim? Ou você quer uma narrativa melhor? – ele parou na minha frente olhando fixo em meus olhos

— Não precisa, eu já entendi. Agora com licença, eu preciso ir embora, você é estranho e irritante – passei por ele andando rápido, voltando pro lugar de onde eu vim

Senti seus leves passos se aproximando e revirei os olhos. Virei pra trás e vi que ele realmente estava me seguindo.

— Virou meu segurança agora? – disse andando de ré e olhando pra ele

— Sabia que se você andar de costas pode matar sua mãe?

— O que? Não entendi

— Nunca ouviu falar em superstições? – ele pegou em meu braço me fazendo parar

— Não acredito nessas coisas

— Qual é o seu nome?

— Mas nós não estávamos falando de superstições?

— Qual é o seu nome? – ele repetiu a pergunta sorrindo

— Claire, e o seu?

— Justin – ele disse e permaneceu sorrindo olhando pra mim

FLASHBACK OFF

Amor? Tá aí? – ele disse sacudindo uma de suas mãos na frente do meu rosto

— Ah, estou sim amor desculpa, eu acabei dormindo de olhos abertos – ri fraco

— Jura? Não parecia... – ele disse abaixando a cabeça e brincando com seus dedos

É incrível o fato de eu me apaixonar cada vez mais por Justin a cada segundo e a cada movimento que ele faz... Ele permanecia cabisbaixo brincando com seus dedos e eu observava cada detalhe seu. Suas bochechas rosadinhas, seu nariz perfeitamente reto, sua boca meio carnuda e vermelhinha, as pintinhas que ele tem espalhadas por seu rosto, o jeito dele, ELE, tudo...

— Ei... Por que ficou assim? – disse chegando mais perto dele e comecei a fazer carinho em seu rosto – Eu só estava lembrando do dia em que nós nos conhecemos

— Estava? – ele disse levantando a cabeça e sorrindo – Foi bem estranho, eu parecia um psicopata

— Um psicopata bem simpático, não acha? – nós rimos

— Eu te amo – ele disse me abraçando de lado e eu deitei minha cabeça em seu ombro e pude sentir seu cheiro esplendidamente gostoso

— Eu também te amo. Muito

Ficamos ali sentados olhando pro nada até eu avistar um carro vindo em nossa direção

— Acho que são meus avós, vem, levanta – ele estendeu a mão pra me ajudar a levantar

O carro parou em nossa frente e logo Diane saiu do carro

— Justin! Claire! Vocês estão tão diferentes – ela veio em nossa direção me abraçando e abraçando Justin

— Oi vó, que saudades – Justin disse abraçando-a apertado com os olhos fechados. Dá pra ver o quanto ele sente falta de sua família – O vovô não veio?

— Não.. Ele teve que ficar em casa resolvendo uns negócios

— Que negócios? – eu perguntei enquanto colocava nossas malas no porta-mala

— Nem eu sei minha querida, ele disse que é surpresa

— Ah.. Bruce e seus negócios.. – eu disse e nós três rimos

— Então.. vamos? – Diane disse entregando a chave na mão de Justin

— Vamos! – eu disse

— Mas por quê eu tenho que dirigir?

— Fique quietinho e vamos logo – Diane disse empurrando Justin em direção ao carro

— Vó, você cheira a baunilha – Justin disse

— Não comece com as suas maluquices querido, entre logo – Diane disse enquanto entrava na parte de trás do carro

Entramos no carro e Justin começou a dirigir. Ele dirige muito rápido e isso me deixa cheia de adrenalina e medo.

— Está com medo amor? – ele disse olhando pra mim e sorrindo enquanto dirigia

— N-não... Estou bem – sorri fraco

— Mas eu estou Justin, será que pode dirigir um pouquinho mais devagar? – Diane disse com um tom de voz um pouco alterado

— Desculpa vó, eu costumo dirigir rápido mesmo – ele disse enquano reduzia a velocidade

— Vocês jovens acham que nada vai acontecer com vocês..

— Claire não acha isso, ela dirige feito uma tartaruga

— Ei – disse dando um tapinha em seu ombro – não sou tão devagar assim

Chegamos na cada dos avós do Justin e tudo permanecia do jeito que sempre foi. Aquela casa nos trazia paz e tranquilidade. Nós nos sentimos bem nessa casa porque foi aonde nós tivemos nosso primeiro encontro. Sim, Justin me convidou pra comer biscoitos com leite na casa de seus avós. Ele tinha 17 anos e eu tinha 12, mas Justin nunca ligou pra diferença de idade, aliás, a pergunta ‘Quantos anos você tem?’ não estava presente na lista de perguntas dele.

— Olha só quem apareceu – Bruce disse empolgado enquanto mexia as carnes na churrasqueira

— Ahhh então esses eram os seus negócios não é, vô? – Justin disse abraçando Bruce – Eu já deveria ter desconfiado

— Bruce! – eu disse indo em direção a ele abraçando-o também

— Minhas duas crianças, aliás, meus dois pombinhos – Bruce disse enquanto nos abraçava

— Estou decepcionada com você – eu disse

— Comigo? Oque eu fiz, Claire? – Bruce disse preocupado

— Você sabe que eu não como carne de porco – eu disse e fiz uma cara triste

— Ahh não seja por isso, eu comprei frango também, você gosta? – ele disse enquanto pegava a bolsa e me mostrava

— Eu adoro frango!

— Mas não vai comer agora porque nós temos uma coisinha importante pra fazer – Justin disse me pegando no colo e andando em direção à porta

— Por que fez isso? Eu ainda estou com fome – eu disse fazendo uma cara triste

— Vô, leva comida pra gente lá em cima? – Justin gritou pra Bruce e logo ele acentiu – Resolvido

Ele sorriu e subiu as escadas com pressa e quando chegamos no corredor ele me colocou no chão

— Te dou um pacote de jujubas se ainda lembrar qual desses quartos é o meu – ele disse

— Fácil – eu disse indo até o terceiro quarto à direita do corredor e abri a porta – Me dê as jujubas

— Não tenho jujubas – ele disse se aproximando – Mas tenho outra coisa

Ele me empurrou até o quarto, fechou a porta e me guiou até a cama me fazendo deitar ali. Justin deitou-se ao meu lado e grudou seu corpo no meu puxando minha perna direita e colocando em cima de seu quadril

— Você é tão linda – ele disse começando a acariciar minha perna com uma mão e fazer carinho em minha nuca com a outra – Eu sou completamente apaixonado por você

— Eu sou completamente apaixonada por você – eu disse enquanto fazia carinho em seu rosto e olhava em seus olhos

Eu tirei minha perna de cima de seu quadril e deitei em cima de seu peitoral fazendo desenhos imaginários ali. Justin continuava fazendo carinho em minha nunca e eu fechei meus olhos e sorri. Estava me sentindo no paraíso

— Gosta do meu carinho? – ele disse aproximando seu rosto do meu

— Com certeza isso é melhor do que jujubas

Justin colocou suas duas mãos em meu rosto e me puxou pra um beijo calmo e apaixonado. É o melhor beijo do mundo. É o melhor namorado do mundo. Eu sou a menina mais feliz desse mundo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.