Lost In The World Of Holidays
5 Você pode entrar e viver, ou ficar e morrer!
Notas iniciais
— Você tá de sacanagem com a minha cara, né? — a Grace sibilou sem voz, evitando falar alguma coisa que pudesse ofender Nico. — Eu não vou brincar de casinha com o Nico!
Bianca franziu os olhos, tentando fazer leitura labial enquanto a cupido gesticulava de um modo quase desesperado, negando até sua morte isso. E, quando Nico olhou por cima do ombro, desconfiado, Thalia sorriu forçado e juntou as mãos atrás das costas, como se não estivesse fazendo nada até tal momento.
— Está tudo bem? — Nico questionou para a garota, que franziu o cenho meio sem entender a pergunta, mesmo assim assentiu, tentando parecer o mais natural possível.
— Eu vou ter que entrar em um carrinho de bebê? — Leo questionou. Era claro a indignação em seu timbre de voz, o que fez Annabeth prender a risada e acabar soltando um barulho estranho que se assemelhava a um porco rouco.
— Você pode entrar e viver, ou ficar e morrer! — Bianca foi a que respondeu, fazendo o latino levar a mão para o coração, arregalando os olhos, assustado. Para uma garota de onze anos, a Di Ângelo tinha um linguajar avançado e sombrio demais para o pobre coraçãozinho inocente do humano.
Foi assim que Leo se viu tendo um rabinho costurado contra sua calça de um modo ala Annabeth – vulgo envolvendo magia para que não parecesse tanto com um de pelúcia -, junto de um arquinho com orelhas rajadas de laranja e branco, o que o fez franzir o cenho ao notar a semelhança com um tigre. Era para ele se parecer com um coelho ou um felino?
Essa na verdade não foi nem a pior parte, tudo começou a piorar quando ele teve que mergulhar para entrar dentro de um carrinho de bebê que era um pouco menor para seu tamanho, o que o fez ter que encolher as pernas de um jeito desconfortável e ainda ter que se cobrir com uma mantinha, com direito a chupeta e um chocalho em formato de cenoura.
— Que bebê mais fofo — Thalia ironizou, cruzando os braços ao parar na frente do carrinho com um sorriso de canto em deboche.
— Não fala muito não que é seu filho, hein — Percy respondeu, não se tocando do quanto havia sido grosso e levado ao pé da letra o negócio “não mentir em nenhuma ocasião”. — Pois é.
— Ah, galera — Nico chamou a atenção dos amigos presentes. — Vocês lembraram que temos a presença do Percy aqui, né? Ou seja, se perguntarem pra ele algo em relação a um humano, ele não vai poder abrir a boca, já que, né...Eles não mentem.
— Isso é só uma fachada, Nico — Annabeth disse com seu tom transbordando pouco caso. — Vamos, vocês dois precisam ir juntos e agora.
Thalia se colocou atrás do carrinho a contragosto, logo tendo a presença do Di Ângelo ao seu lado, que colocou uma das mãos no carrinho para ajudar a garota a empurra-lo, franzindo o cenho ao notar que Leo era mais pesado do que ambos haviam pensado.
— Se isso der errado, eu mato vocês — Thalia inquiriu segundos antes de começar a empurrar (com muito esforço) o carrinho porta a fora, indo em direção as infinitas escadas da toca dos coelhos. — Ah, claro, eu vou soltar o carrinho e deixar ele ir na fé, se ele se estatelar no final...Fazer o que, vai me poupar o trabalho de ter que esconder ele se der merda no final. Se bem que...
E antes que qualquer um ali pudesse impedir a cupido, ela tirou suas mãos do carrinho, que ficou sem a sustentação de algo — já que Nico havia o soltado para que Thalia fosse para fora do quarto — e pendeu para frente. E foi.
Ao fundo, se você parasse bem para escutar, além dos arquejos das crianças, você conseguiria ouvir um gritinho agudo vindo de dentro do carrinho, onde Leo tinha os olhos arregalados, os lábios entreabertos — por onde saiam os gritos — com a chupeta presa entre seus dentes e as mãos agarrando qualquer lugar que o mantivesse firme e não o empurrasse para fora do carrinho.
A Grace olhou com tédio para o fim da escadaria, onde Nico já estava à espera do carrinho, já que havia passado ao lado sem nem pestanejar, planejando parar o “trem” antes que o humano virasse cenoupó.
E quando o carrinho parou, Thalia olhou por cima do ombro e fitou seus amigos apreensivos, sorrindo de canto e abrindo suas asas de súbito, impulsionando-se para frente e descendo as escadarias planando, pousando com graça ao lado de Nico e só aí notando que havia dado um baque em Annabeth, que tinha caído sentada no topo e tinha os lábios franzidos em reprovação.
— Você é louca! — a bruxa resmungou, aceitando a mão de Bianca para se levantar e começando a descer devagar as escadas, degrau por degrau. — Eu sempre sou o alvo das suas asas! Já pensou que elas podem não gostar de mim? Tipo, elas mesmo?
— Eu não acho que elas tenham vida, Anne — Thalia comentou descontraída, baixando os olhos para o humano, que parecia estar enxergando estrelas.
— Alguém quer ser minha mãe? — Leo questionou baixinho, levando um olhar repreensivo da cupido que quase voou para cima do garoto. Afinal, eles estavam querendo o esconder, e para Hades ou Hazel aparecerem ali, era daqui fácil.
Eles voltaram a formação assim que estavam na sala, indo Percy e Annabeth bem à frente do carrinho; Bianca um pouco mais para o lado e Nico e Thalia juntos atrás do objeto, guiando-o.
Foi quando ao longe, Hades começou a chamar pelo filho do meio, que arregalou os olhos e começou a entrar em um claro desespero, já que eles tinham um humano ali mesmo que poderia ser assassinado se fosse descoberto, e claro que isso era algo que o pressionava tratando de um psicológico de uma criança de dez anos.
Contudo, não foi isso que o fez quase entrar em colapso. Não foi isso que o fez parar tudo que estava acontecendo. Não foi isso que o fez prender a respiração.
E, em um piscar de olhos, os lábios de Thalia Grace pressionavam os seus.
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