Notas iniciais
Olá, amores! Primeiro tenho que agradecer aos comentários lindos e a todos que estão favoritando a fic. Sério, vocês estão me motivando muito, obrigada de coração. O capítulo ficou menor do que planejei (e a falta de tempo tá complicando as atualizações) mas espero que gostem, posso dizer que MUITA coisa acontecerá nos capítulos seguintes heheh. Bem, é isso. Boa leitura! :3

Apesar do choque inicial, tentou mostrar-se calma perante a criatura.

— Eu imagino que ele tenha pedido a você para matar o L...

— Correto.

Suas mãos se fecharam em punhos, evitando a todo custo demonstrar seu nervosismo. "Não é hora pra perder a cabeça..." — repetia em sua mente, buscando se acalmar conforme controlava sua respiração. Já estivera em uma situação difícil como aquela, mas por algum motivo, isso a provocou de um jeito que não conseguira entender.

— Então por que veio aqui, Remu? Que eu saiba você faria qualquer coisa pela Misa, com ou sem minha permissão você executaria o L a pedido do Raito, então qual a razão de ter vindo até aqui?

— Eu vim te avisar pois sei que se preocupa com L, e que fará algo pra tentar reverter a situação.

— No momento isso está longe do meu alcance, não acha? — Suspirou, desanimada.

— Você normalmente é confiante, deveria aspirar ter isso. Por que está tão desanimada?

— Por que eu já perdi muitas pessoas que amava, Remu... — Aproximou-se da cama, se sentando. — Eu não sei o que fazer mais...

— Você sempre deu um jeito, se parar pra pensar pode encontrar uma solução.

— Bem...pode até ser. Mas eu posso colocar tudo a perder, então tenho que evitar qualquer erro.

— Tudo bem, mas você não tem muito tempo, terá que ser rápida. — Alertou o shinigami, observando-a tornar sua expressão pensativa. Era curioso vê-la daquele modo, enquanto se concentrava ela mantinha suas mãos próximas aos seus joelhos, movimentando seus dedos em gestos que assimilaram digitações. Nunca tinha visto ela fazer aquilo, o que era, afinal?

Alguns minutos depois ela parou, mantendo seu silêncio. Remu, ainda sem puxar assunto, a encarou, esperando uma explicação. Viu sua boca se mover formando um sorriso no canto de seus lábios, em seguida conduzindo seu olhar em sua direção.

— Remu.

— Sim?

— Vá em frente.

— Como? — Perguntou confuso, e um tanto intrigado com sua iniciativa.

— Deixe Raito prosseguir com seu plano, eu já tenho uma ideia do que possa acontecer, portanto, quero que prometa não apagar minhas lembranças do Death Note.

— Não entendo...por que eu faria isso?

— Na hora certa você entenderá. Mas mesmo se Raito fizer algo que não previ, manter minha memória sobre o caderno será essencial.

— Se você diz...

— Sim, faça o que Raito quiser, eu já sei por onde começar.

— O que pretende fazer, Tsuki? — Perguntou, curioso.

— Com o tempo descobrirá, Remu. Tenha paciência. — Riu baixo.

— Como queira. — Se afastou, transpassando as paredes do cômodo.

Ficou um tempo parada no mesmo local, pensando nas escolhas que havia tomado. Raito seria uma pessoa difícil de lidar, mas não podia permitir que seu plano de executar o L viesse a acontecer. Não. Definitivamente, não poderia ficar de braços cruzados sabendo que o rapaz correria risco de vida, por isso faria o possível para salvá-lo e dar fim ao caso, mesmo isso durando um longo período. Um abafado suspiro se espalhou, duradouro e lamentador. Fechou seus olhos, lembrando que por tão pouco não chegou a beijar o tão renomado detetive L. Raito, Beyond...nenhum deles a fez sentir o mesmo que havia sentido naquele momento, a tensão que se espalhava por seu corpo em fração de segundos era inevitável. Gostaria de saber o que aconteceria depois, mas o beijo infelizmente foi interrompido. Embora, que, estivera extremamente confusa em relação a essa atitude vinda de Ryuzaki, nunca imaginou ele tomando tal iniciativa, e seu rosto corado foi o suficiente para anunciar o quanto ele ficou envergonhado com aquilo, fazendo-a rir ao lembrar.

Ainda na sala, acordado, o detetive se sentara na cadeira, encarando a xícara de café que se mantinha na mesa à frente. Desde que a garota foi ao seu quarto, continuou inquieto, movendo seus dedos do pé enquanto encarava um ponto fixo. Quando parou pra analisar o que fez com clareza, considerou sua atitude imprudente. Como pôde ter sido tão precipitado ao ponto de abandonar a lógica? Não era a hora e nem o lugar para permitir que alguém o deixasse confuso, logo agora que o caso estava indo tão bem...

Mesmo querendo ignorar essa hipótese, se perguntou se Tsuki estava colaborando com Kira ao fazê-lo se sentir tão vulnerável em determinada situação. Havia meros 2% de chance, mas era melhor não se envolver...e nem sabia o real motivo para ter feito o que fez, mas isso o deixou um tanto encabulado. Todavia, tinha assuntos mais necessários para tratar, começando pelas provas físicas que deveria analisar.

"Kira...essa aposta será minha!"

—

Algumas horas depois, e o sol já atingia o cômodo iluminando-o conforme se espalhara. Ficou em seu quarto desde que L se reuniu com os outros investigadores, ele pediu para que ela o esperasse em seu quarto, sem justificar seu pedido. Mas assim fez, embora estivesse ficando impaciente depois de um tempo.

— Tsuki? — Chamou, abrindo a porta.

— Ah, oi Ryuzaki. — Sorriu. — Você queria falar comigo?

— Sim. Quero que venha comigo até a universidade.

— Agora? — Indagou, hesitante.

— Sim, por favor.

— Tudo bem mas...por que isso agora?

— Imaginei que fosse gostar de sair um pouco. — Colocou o dedão entre os dentes, mordendo-o levemente.

— É só por isso mesmo? — Arqueou a sobrancelha, sabendo que era mentira.

— Sim.

— Ok então...

— Eu agradeço. Por favor, se arrume. Estarei esperando na sala. — Se retirou do quarto, a deixando confusa.

Se arrumou rápido, sem se preocupar muito com sua vestimenta. Colocou uma blusa de frio branca, deixando-a aberta, e pegou sua mochila a carregando sob seu ombro. Sem mais delongas, foi até a sala, onde Ryuzaki que nem ao mesmo se deu ao trabalho de colocar um sapato descente, a esperava perto da porta entreaberta. Saíram do prédio indo até o veículo que os levou até a universidade. Durante o percurso não trocaram muitas palavras, assim como anteriormente, estavam envergonhados com a situação, mesmo o detetive sabendo disfarçar bem melhor que a jovem.

Ao chegar na universidade, ambos saíram do carro, andando pelo local. Por vezes, alguns universitários paravam para cumprimentá-los, mas na maioria dos casos passavam despercebidos, algo que preferiam. Caminharam um ao lado do outro, enquanto ela observava os ombros encolhidos do moreno que permanecera com as mãos nos bolsos de seu jeans desgastado. Em uma área não tão distante, avistou um banco de madeira que era atingido pela sombra que a árvore alta fazia, enquanto o vento soprava as folhas as levando até o chão. O clima estava agradável, e o ambiente ainda mais harmonioso.

Ryuzaki logo tratou de se sentar ao banco, tirando seus sapatos de modo que se sentisse confortável, apesar de não gostar de fazer aparições publicas. Tsuki preferiu ficar em pé ainda perto do rapaz que lia um panfleto qualquer, segurando-o com o polegar e o indicador.

Não demorou muito para reconhecer de longe a cabeleira castanha de Raito que andava ao lado de Takada.

— Ah, oi Raito. — Cumprimentou L, acenando para Yagami. — Tudo bem com você?

Assim que os avistou, a expressão dele mudou instantaneamente, tornando-se mais séria. Ao se despedir de Takada, ele se aproximou.

— Espero que ela não fique chateada. — Comentou o moreno.

— Esquenta não. É seguro vocês estarem aqui? Ryuga, você não disse que tinha medo de aparecer em público?

— Eu disse, mas aí percebi que desde que você não seja o Kira, eu estou seguro. O fato é que você é o único de fora, além de Tsuki, que me conhecesse como o L. E ela está sobre meu alcance para monitorá-la a hora que eu quiser, o que já tira minhas suspeitas. Mas se por acaso eu morrer nos próximos dias, eu instrui ao seu pai e todos os outros a considerar que você é o Kira.

Raito mesmo fazendo um esforço notável para não aparentar sua raiva, ainda ficou visível para a garota, que sentiu vontade de gargalhar naquele mesmo local.

— Além do mais, você mesmo me disse que sentia minha falta na universidade. — Continuou o detetive. — Então eu pensei: por que não agitar um pouco? Desde que eu não morra, a universidade é bem divertida.

— Tenho que admitir que sem vocês é difícil arranjar uma conversa inteligente por aqui.

— Sei. Por sorte Kiyomi está aí pra preencher o vazio.

— É, mais ou menos né? — Riu.

O sorriso de Tsuki se alongou, sabendo que pelo menos por aquele momento, não precisara se preocupar com a morte de L. Faltava elogios para definir o quão lógico e bem centrado ele era.

— Olha, o que acham de um bolo na lanchonete? — Perguntou Ryuzaki, se levantando e colocando seus sapatos.

— Claro, eu tenho um intervalo agora mesmo. — Respondeu Raito, andando ao lado da garota, que parecia entediada.

— Raito está aí! — Ouviram uma voz feminina e meiga vindo de trás. — Eu tive uma sessão de fotos aqui perto e então eu pensei em vir te ver. — Falou Misa, sendo encarada pelos três que, no exato momento, mantinham expressões completamente diferentes. A loira ignorou a presença de Tsuki que a causava grande ciúmes ao lado de Raito. — Ah, esse deve ser um amigo seu. — Se aproximou de Ryuzaki. — Ele é tão diferente...ele é único! Oi, sou namorada do Raito, Misa Amane. Prazer te conhecer.

— Eu sou Hideki Ryuga.

— Ahn? — Disse confusa. — Hideki Ryuga...?

Misa já deve saber o verdadeiro nome de L...mas não muda o fato de que Raito possivelmente será acusado de ser o Kira caso Ryuzaki morra. Mesmo se os policiais acreditarem que foi obra do segundo Kira, ainda poderão fazer a ligação entre o Kira original... — raciocinava, tentando não perder a calma.

— É, ele tem o nome igualzinho ao do artista famoso. Não é estranho? — Falou Raito, colocando as mãos sobre os ombros de Misa, que não desviara o olhar do garoto.

Sem se dar conta, ouviu uma risada baixa, virando ao se deparar com L colocando o indicador sobre seus lábios, soltando uma risada baixa que trouxe a todos presentes, a desesperadora curiosidade.

— Raito... — Pronunciou, pausadamente. — Você é um cara de sorte.

— Uh?

— Sou grande fã seu desde a revista de 18 de março. — Olhou para Misa.

— O quê? É mesmo? Quanta gentileza! — Sorriu, agradecendo.

"Cara de sorte?!" — murmurou, aborrecida.

Ao ouvir algumas garotas se aproximando para falar com a famosa Misa Amane, se distanciou, ficando longe do tumulto. Mesmo não querendo admitir, aquele sutil elogio que ele lançou para Misa, conseguiu incomoda-la. Ficou perto da lanchonete, esperando que o assunto entre eles acabasse. Ryuzaki parecia bem mais humorado do que de costume, fazendo todos em volta rirem enquanto Raito continuara a encará-lo. Alguns minutos depois uma mulher surgiu puxando Misa para não se atrasar aos seus compromissos. Sentia falta de sua amiga, mas não queria bater na mesma tecla tentando convencê-la sobre o mal-entendido.

Quando pensou que finalmente Ryuzaki havia feito o que veio fazer na universidade, o viu segurando um celular, que pelo o que reconhecia, pertencia à Misa. Sua expressão era divertida, enquanto olhava o aparelho tocando antes de resolver atendê-lo. Nunca viu Raito tão nervoso, mas nem mesmo ela estava conseguindo compreender.

E a cena se repetia. Novamente, L atendia o celular, mas dessa vez parecia estar realmente falando com alguém, e ao terminar a ligação, fez um sinal para que ela se aproximasse, pelo o que parecia tinha algo que ele gostaria de compartilhar com Tsuki e Raito...

— O que foi, Ryuga? — Perguntou, ao lado dele.

— Não tenho certeza de como vocês vão reagir mas tem uma coisa que vocês deveriam saber sobre Misa Amane.

Misa?!

— O que tem a Amane? — O encarou.

— Nós a prendemos sob suspeita de ser o segundo Kira. Nós reunimos provas físicas dos envelopes enviados pelo segundo Kira, em particular, recuperamos cabelo e fibras da fita adesiva usada para fechar. Eles batiam com o que achamos no quarto de Misa. Haveria um clamor público se fosse divulgado que ela foi presa como o segundo Kira, então oficialmente, acusamos a agente dela por posse de drogas e ela é testemunha. Duvido que isso vaze.

Continua...