Lost In Paradise
34 Jogada
Notas iniciais

Mesmo surpresa, era melhor manter a falta de expressão quando lidava com L, ele era cuidadoso demais para analisar apenas uma resposta de sua parte, uma mínima demonstração de aflição poderia pôr tudo a perder. Claro, vindo dele não esperaria menos.
— Resolveu me contar seu nome, Ryuzaki? Estou curiosa para saber o está pretendendo me revelando isso. Esse foi o real motivo para ter se livrado de Raito por um momento e vindo até aqui?
— Oh, não. Vim ver se o bichano estava bem também. — Respondeu calmamente, e nem mesmo ela identificou se havia uma ponta de sarcasmo em sua resposta, mas prosseguiu a conversa.
— Você está fugindo do assunto.
— De modo algum, não sou de fugir até que o problema em questão seja resolvido. — Colocou o gato na cama, que logo voltou a brincar com a bola de lã rolando pelo colchão macio.
— Se ainda suspeitasse de mim não revelaria seu nome, a menos que sua intensão fosse de testar minha confiança, mas certamente você iria prever que eu perceberia isso então um teste como esse não resultaria em nada. O que está tentando fazer?
— Andei analisando tudo o que estava acontecendo e por fim, tudo não passa de um teste, uma experiência. Mas ao todo, são executados de maneiras diferentes. Cada pessoa envolvida no caso Kira está sendo testado de algum jeito, principalmente eu que o lidero e ando questionando absolutamente tudo o que toco ou sinto em relação à essa investigação. — Disse, tirando dela uma expressão confusa.
— Tudo o que você disse faz sentido, L. Mas ainda assim...não entendo o que tudo isso que você me disse tem a ver com o fato de você ter me revelado seu nome. Até mesmo pra mim saber seu nome seria arriscado, então por que está me contando isso?E por que tantos rodeios? Não pode me dizer tudo de uma vez agora? Ou sua intensão é que eu descubra por conta própria?
— É, talvez.
— Eu sei que andei prevendo muitas de suas ações, mas isso não faz de mim inteligente ou esperta o bastante para resolver todos os seus enigmas. É mais por questões de sobrevivência, também estou tão envolvida nisso quanto você e posso ser morta a qualquer momento, ou pior, alguém com quem me importo ser ferido, o que pra mim é pior. — Suspirou cansada, fechando os olhos brevemente. — Olhe pra mim, L! Eu não sou capaz disso tudo, parece que você vê em mim mais do que eu mesma consigo ver, é muita pressão...
Assim que terminou de falar, o rapaz com as mãos no bolso de seu jeans virou seu rosto em direção à ela encarando de imediato. Embora não soubesse interpretar o olhar do mesmo, não chegou a questionar ou tentar sair de seu campo de visão, apenas mirou os olhos grandes e indecifráveis focando exclusivamente nos seus, o que estava sendo um incômodo. Um minuto. Dois minutos. Três minutos... por que ele estava tão quieto? Por que insistia em encará-la do modo mais constrangedor possível? No momento, o único barulho ouvido era do miado abafado do gatinho, mas dos jovens presentes nenhum som havia sido emitido e nenhum outro foco foi tomado além de seus olhares.
— Tem razão, Tsuki. — Manifestou-se por fim, indo até a porta agora aberta.
— N-no quê?
— Eu vejo mais em você do que si mesma. — Pousou a mão na maçaneta por um instante, abrindo a porta e olhando para o quarto rapidamente antes de se retirar deixando-a com um novo desafio em mãos: decifrar mais um de seus termos obscuros.
Abriu um sorriso alinhado sentando em sua cama. Embora não se achasse capaz de entender tudo o que L, ou melhor, Lawliet dizia, saber que ele via potencial nela era de extrema importância e sem duvidas a motivaria a tentar entender o porquê da revelação de seu nome. Lawliet. Era um nome tão belo, embora não pudesse pronunciá-lo, em sua mente ele soava docilmente.
O felino estranhando a quietes da garota, tratou de subir com dificuldade em seu colo, fazendo carinho enquanto se deitava em suas pernas. Com os dedos ela acariciou atrás da orelha do animal, ouvindo seu ronrono.
— Acho que sei como te chamarei agora... — Comentava olhando-o. — Bey. — Sorriu.
{...}
Estava a completar dois meses em menos de uma semana, e sinceramente, nenhum resultado considerável havia sido encontrado. As mortes procediam, as evidências que apontassem para o atual culpado pelas mortes, não. L estava mais desanimado do que nunca, e pouco tempo havia se passado junto com Tsuki desde a última vez em que tiveram uma conversa séria em seu quarto. Raito, como já era de se esperar de sua atual personalidade, não desanimava de modo algum. Continuara vidrado na tela do computador fazendo pesquisas seguidas e incansáveis, provavelmente já estava exausto de ser perseguido pelo detetive não importa para onde fosse. Misa também não era fácil de lidar, sempre havia uma queixa nova, seja por sua falta de liberdade ou pela falta de tempo com seu possível namorado, Yagami. Por sorte Tsuki conseguia mantê-la distraída boa parte do tempo, e a própria estava se dedicando muito aos estudos da faculdade, mesmo que não a frequentasse mais, provavelmente exercitando o cérebro com atividades particulares. Mesmo gostando de agir diferente na hora de manter seu foco, Lawliet entendia perfeitamente como era ter que estar se preparando para tudo e qualquer coisa que viesse a acontecer, todos ali estavam se preparando com o que tivessem em seus alcances. Mas nesse exato momento, passava em sua mente a seguinte pergunta: Qual resultado Tsuki obteve baseada na revelação de seu dito nome?
— Ryuzaki, eu sei que você não tá muito afim mas dá um pulinho aqui e dá uma olhada nessas informações, não pode ser coincidência! — Pediu Raito, tirando-o de suas dúvidas e fazendo-o balançar a cadeira giratória até onde Raito estava. No mesmo momento em que bateu o olhar, não pôde deixar de parecer surpreso, e de certo modo, mais motivado. Não que fosse o melhor que já tivesse conseguido durante todo o caso, mas dada as circunstâncias, era até demais. — Todos eles eram executivos importantes de companhias, lideres no ramo empresarial japonês. E em um mês só, todos morreram de paradas cardíacas. Como o esperado, houve um abalo geral no mercado, com exceção da Yotsuba. Em outras palavras, as mortes funcionaram a favor da Yotsuba. Pesquisando, houve treze mortes parecidas nos últimos três meses. O que acha? Baseado nisso só posso concluir que Kira está apoiando à Yotsuba.
— Pode ser! — Concordou afastando o dedo indicador de sua boca. — Mas se o que você diz é verdade podemos imaginar que punir criminosos não é a verdadeira intenção desse Kira.
— Isso. Punir criminosos é um passa-tempo pra ele, isso esconde o fato de que ele está matando em benefício à sua empresa. — Abriu um sorriso animador. — E aí? Está se sentindo mais motivado agora?
É, embora não fosse admitir ou comentar a respeito, L estava mais motivado. Era uma pista importante, e melhor ainda, juntando o que Tsuki poderia descobrir, seria um passo preciso para sua investigação. Claro, nunca deixou de concluir um caso, não seria agora que isso viria a acontecer, mesmo que pra isso sua vida fosse tirada no final.
Em um quarto não tão distante naquele pouco movimentado edifício, Misa balançava suas pernas lendo revista, deitada na cama de sua amiga que andava de um lado para o outro após ter voltado do andar à baixo e falado com os policiais.
— O que é Uki? Você não parou quieta desde que voltou.
— O atual Kira está se camuflando, matando criminosos para esconder as mortes que causa em benefício aos seus negócios... — Sussurrava baixo, inquieta. "Raito jamais dividiria o poder com alguém tão ambicioso. Se ele fez isso, também está acobertando algo." — Completou mentalmente.
— Uki, esquece essa chatice por um momento. — Bufou a loira com uma expressão entediada.
— Desculpa Misa, mas não descobri nada considerável e já se passaram quase dois meses, isso é agoniante pra mim, meu raciocínio nunca foi tão lento.
— Você só está estressada, precisa relaxar.
— Eu sei que estou, ando até mesmo tendo pesadelos como os anteriores, e também alguns envolvendo meu pai e toda aquela história confusa...
— E se você tomasse um remédio? Isso ajuda a dormir, não é?
— É... pensando bem, um calmante não seria má ideia. Mas ainda tenho que resolver algumas coisas antes de ir dormir, prefiro manter-me acordada.
Misa transpareceu ainda mais sua expressão enfadada, se levantando e colocando a revista em um ponto qualquer antes de se dirigir até a porta.
— Eu vou falar com Raito e volto quando você estiver mais calma, tá bem?
— Tá. — Revirou os olhos, vendo-a fechar a porta e desaparecer pelo corredor com seus passos apressados.
— Eu nem mesmo descobri o por que do L ter me revelado seu nome, e agora estou aqui tentando entender os movimentos do atual dono do Death Note, e sem sucesso ainda... Nunca estive tão inútil. — Voltou a reclamar consigo mesma, cobrindo seu rosto com as palmas de suas mãos. Estava tentando checar em sua memória qualquer informação sobre as regras do caderno que se aplicassem aos métodos que o falso Kira utilizava. Não...nas regras que conhecia nada explicava, por que estava tão diferente? Tinha algo a mais, obviamente. Mas era agoniante não saber sobre esse elo perdido. Conhecer a personalidade dele seria importante. Ele estava usando o Death Note de Remu. Se o shinigami tivesse retirado-se do mundo dos humanos, teria a falado algo, afinal, poderia apostar que ele gostaria de estar perto para ter certeza que Misa estaria bem, ele realmente se preocupava com ela.
Onde Raito teria escondido o seu próprio Death Note? Esconder o caderno sabendo que iria perder as lembranças dele depois seria estupidez, por isso em hipótese alguma poderia desconsiderar a ideia de que, ele estaria planejando voltar a exercer a posse do caderno. Quem estava executando os criminosos provavelmente não usava nenhum intermediário, já que pra ter tanto conhecimento das ações das empresas adversárias só poderia estar no meio desse ramo, o que dá a entender que ele seja um dos executivos da Yotsuba. Certo...agora é só se aproximar dos responsáveis pela empresa e ver Remu ao lado de um deles pra confirmar essa teoria. Não que isso fosse ser fácil tendo Ryuzaki por perto...seria quase impossível.
Ignorando por hora esse assunto, voltou a pensar em Lawliet, o nome misterioso e revelado por alguma razão. Caiu na cama de bruços, olhando para Bey que dormia tranquilamente, estava bem mais saudável desde que esteve sob seus cuidados, e não corria perigo algum. Seria a hora de deixar que o levassem para a adoção, mas preferiu esperar o momento certo pois cogitou a ideia de dá-lo à Sayu que cuidaria muito bem dele, mas por não poder vê-la tão cedo iria aguardar a hora mais apropriada.
— Bey... — Disse se lembrando do período em que morou com Beyond. Normalmente se sentiria mal, mas algo a incomodou profundamente quando algumas lembranças passaram por sua mente em questão de segundos. Se levantou com urgência, cismada. — Por que algo me diz que L ter revelado seu nome tem envolvimento com algo que aconteceu há um bom tempo atrás?! — Colocou o dedo na boca, mordendo-o nervosa. Via como necessidade se lembrar de algo importante, talvez fosse justamente por isso que L precisava contar seu nome, algo que aconteceu fez ele obter alguma pista...
Quando as pálpebras ardentes começaram a abrir e fechar rapidamente, voltou a olhar na cama, onde Bey dormindo acabou a ajudando a se lembrar de algo que talvez fizesse mais sentido agora.
— Bey... Bey... — Repetia pausadamente. — Beyond... É isso! Foi algo que o Beyond fez! — Afirmou baixo para que nenhum ponto falso naquele quarto fosse capaz de ouvir, embora as câmeras em seu quarto já tivessem sido removidas há um bom tempo, todo cuidado era pouco. — Quando Beyond realizava suas saídas há noite ele esperava o momento certo para matar quase no mesmo horário em que Kira executava suas vítimas... Ele fez isso antes de Misa começar a matar também, e se ele se descuidou então L percebeu isso e soube que havia uma outra pessoa. E provavelmente eu fui a suspeita por isso também, mas...se as suspeitas dele sobre mim se foram, então ele realmente acredita que tem outra pessoa, não uma que seja como Kira, mas sim independente em seus atos e do poder de matar. — Arregalou os olhos, surpresa. — Beyond matou para jogar as suspeitas em cima de Remu! L não pode confirmar a existência de um shinigami, e ele acreditando que o assassino era humano não parece vê-lo como perigo, já que Beyond só matou por um curto tempo e estrategicamente. Então L deve ter me contado seu nome porque sabe que eu tenho contato com Remu, e acredita que ele venha a ser o responsável por sua morte futuramente. Então é isso...L está jogando novamente, ele não parou durante esses meses, ele estava calculando tudo. Ele acredita que se Kira voltar com o poder de matar e se ele for mesmo Raito, não poderá matá-lo pois obviamente as suspeitas cairiam sobre ele novamente, sendo assim quem o mataria seria alguém que a polícia japonesa não tivesse conhecimento durante toda a investigação. Remu. L está contando com uma ameaça desconhecida...e mesmo ele não sabendo disso, agora fica claro pra mim que Raito envolverá Remu em seu plano assim que recuperar as lembranças do caderno.
Continua...
Fale com o autor