— Tsuki? — perguntou surpreso, tentando não demonstrar certo nervosismo.

— Creio que pelo tempo que se conhecem nem precisaremos de formalidades, é notável a aproximação de vocês dois, são amigos bem chegados, não é? — perguntou o detetive, os encarando.

— Claro. — sorriu — Eu e Tsuki sempre tivemos uma boa relação juntos, não pensei que ela estivesse envolvida no caso Kira, mas já que é assim será um prazer trabalhar com você. — a olhou.

Restringiu o olhar, incomodada com tal desaforo.

— Sim, Raito. Será um imenso prazer trabalhar com você nesse caso. — retribuiu o sorriso, jogando o mesmo jogo que ele.

— Fico feliz de ouvir isso. — estendeu a mão para cumprimentá-la.

Ela olhou para a mão dele que esperava um aperto, mas se virou olhando pra tv ao lado de L, o ignorando por completo. Raito cerrou o cenho, tentando manter-se calmo.

— E então, Ryuzaki, você dizia que o segundo Kira nos enviou outra mensagem. Estou certo? — mudou de assunto, se aproximando.

— É, e eu acredito que seja a última. — respondeu pegando o controle. — Dá uma olhada nisso.

"Eu decidi parar de procurar você, Kira. E quero agradecer ao departamento de polícia pelo conselho, mas ainda planejo ajudar Kira em sua missão, espero que com o tempo ele passe a me ver como aliado. Vou começar punindo criminosos que Kira ainda não julgou, também vou dividir meu poder com outros que achar importantes e vou encorajá-los a fazer o mesmo. Juntos, vamos tornar esse mundo um lugar melhor."

L desligou, colocando o controle sobre a mesa e se pronunciando.

— Depois de assistir isso, eu acho que Kira e o segundo Kira conseguiram fazer contato.

Tsuki sorriu de lado, admirando as deduções do rapaz.

— Por que você diz isso?

— Ué, você não percebeu? — se virou, o encarando. — Eu tinha certeza que você chegaria a mesma conclusão depois de assistir isso. Primeiro: pense em como ele estava determinado a conhecer o Kira, e então de repente muda de ideia? E agora quer punir criminosos que o Kira não puniu? E com isso ele só quer que Kira o reconheça como aliado? Merece a pergunta: por que ele não fez isso desde o início? Eu acho que é porquê não pensou tão longe. Deve ter conhecido o Kira e soube que criminosos deve julgar. — levou o dedo até a boca, lambendo os restos de doces que ficavam sobre ele. — Suspeito que o propósito dessa mensagem seja esconder o fato de que se conheceram.

— Sei. O que eu acho estranho mesmo, é que Kira não costuma ser tão descuidado.

— De fato. Mas dessa vez ele parece não ter pensado em alguns detalhes, concorda, Raito? — encarou a garota, cruzando os braços.

— Nós devemos acreditar que Kira cometeu um erro dessa vez? Ou isso é só um jeito de sabermos que eles fizeram contato? Deve ser um meio efetivo de nos provocar, a ideia da união deles é bem ameaçadora, mas também é um motivo a menos pra se suspeitar que Raito é Kira.

L não pode estar falando sério...aposto que a ideia inicial de pedir a mim para entrar na investigação foi também uma forma de afrontar o Raito, testar seu comportamento comparando com a possível reação de Kira ao me ver... — pensava, com o dedo na boca.

— Ahn...Ryuzaki, o que quer dizer com isso? — perguntou Soichiro, surpreso.

— Se Raito fosse o Kira, eu acho que ele não faria o segundo Kira enviar essa mensagem, isso não se encaixa. Ele faria o segundo Kira seguir com seu plano de me fazer aparecer na tv e depois negar que fizeram contato deixando o segundo Kira levar a culpa pela minha morte. Faria ele dizer uma coisa do tipo "Apesar de ter concordado em não seguir com isso, percebi que não era a verdadeira intenção de Kira que eu parasse. Tenho certeza que o Kira de verdade quer que o L morra, não há como ele me fazer parar ."

— Ryuzaki?

— Pode falar.

— Eu acho que enganou. — disse naturalmente. — Eu nunca faria isso se fosse o Kira.

A garota defrontou L, esperando que puxasse assunto para ver até onde ele e Raito chegariam.

— Por que não?

— Bom, se você é o L e se eu fosse o Kira, eu já conheceria bem a sua personalidade. L nunca concordaria em aparecer na televisão não importa que ameaça fizessem à ele. E ele não permitiria que alguém morresse em seu lugar, o L que eu conheço acharia um jeito de escapar dessa situação.

O moreno virou seu rosto, encarando o rapaz confiante.

— Então você acertou.

— Olha Raito, você tem que parar com isso. Não gosto de ouvir você dizer "eu sou o Kira" nem em hipótese.

— Ah pai, desculpa. É que eu só queria mostrar ao Ryuzaki exatamente o que eu achei do plano dele. E eu pensei nessa situação porque eu quero ajudar a resolver esse caso, é a única chance que tenho de limpar o meu nome. Além do mais, o único motivo de eu me sentir confortável dizendo essas coisas é porque eu não sou mesmo o Kira.

Ver Raito falando com seu pai a deprimia. Soichiro acreditara com todas as forças na inocência do filho, e a facilidade do mesmo em mentir era impressionante, apesar de desonesto. O pai dele era um homem bom...não merecia alimentar suas mentiras por tanto tempo.

— É um bom argumento. — colocou cubos de açúcar na xícara — Você não é o Kira...seria um problema se você fosse o Kira. Porque...eu sinto que você é o primeiro amigo que eu já tive.

Não só Raito e Tsuki ficaram abismados, como Ryuuku. Seja verdade ou não, o que L disse os pegou de surpresa.

— A-amigo...? — perguntou, hesitante.

— Sim. — mantinha sua atenção no café.

— E-er...é, eu entendo o que você quer dizer. Nós dois temos muito em comum.

— Obrigado.

— Eu sinto falta de ter você por perto na universidade. — sorriu — Devíamos jogar tênis de novo.

— É, devíamos.

Ele fechou os olhos, abrindo um sorriso simpático.

— Mas além de mim, você tem a Tsuki agora. Ela é uma amiga confiável, e suas habilidades serão muito úteis pra nossa investigação.

Ryuuku riu, a olhando.

— É... — deu um sorriso de canto, envergonhada ao vê-los a encarando.

— Não tenho duvidas disso. — disse L, desviando o olhar.

— O-obrigada... — mirou o chão.

Após os policiais continuarem conversando a respeito de Kira, Raito logo se retirou, se despedindo. Os policiais já tinham seguido todos os procedimentos que L pediu, sendo liberados aos poucos para irem até suas moradias descansarem. Estivera parada, encostada na parede próxima à porta de saída na suíte, sem saber ao certo o que fazer.

— Tsuki. — chamou Matsuda, aproximando-se.

O encarou, confusa.

— Sim?

— Eu queria te dar boas vindas a nossa investigação... — riu sem graça, com a mão atrás da nuca.

— Obrigada. — sorriu.

— Er...você...

Observou o rosto do jovem corar, rindo baixo.

— Pode falar, Matsuda.

— Você...gostaria de sair comigo? — fechou seus olhos, sorrindo exageradamente.

— O-o quê? — arregalou os olhos, envergonhada.

— Matsuda, pare de incomodá-la. — disse L, se aproximando.

— O quê?! D-desculpe...eu não queria te incomodar Uki.

"Uki..." — repetiu em sua mente, lembrando de como Misa pronunciava aquele apelido que tanto redizia.

— Tudo bem, Matsuda... — abriu um sorriso falso — Você não me incomodou, não se preocupe.

— É mesmo? — disse em um tom animado — Então você gostaria de s-sair...

Antes de terminar de falar, o detetive voltou a cortá-lo.

— Matsuda, seu horário já foi concluído. — o encarara sem expressão, o que já era costumário.

— Ah, tudo bem Ryuzaki. — disse indo até a porta — Até amanhã Tsuki.

Riu do jeito atrapalhado dele.

— Ele é sempre assim?

— Infelizmente, sim. — o observou saindo.

Se afastou da porta, achando o comportamento de Ryuzaki com Matsuda no mínimo curioso. Eles sempre se tratavam assim? Bom, que seja...já havia gostado de trabalhar em seu primeiro dia ao lado de policiais e detetives tão competentes. Tinha muito o que aprender com L, que estivera a surpreendendo muito positivamente em tão pouco tempo.

— Ryuzaki... — assistiu ele se direcionar até sua poltrona, agachado-se.

— Sim? — ergueu seu olhar atento.

— Sei que não é uma boa hora pra tocar no assunto, e que devo estar te incomodando com isso mas...eu estava pensando em divulgar a morte de Beyond, mesmo não sabendo se algo tão horrível aconteceu com ele. — lamentou, com as mãos sobre o colo, trêmulas.

— Entendo. — colocou o dedo na boca, o deslizando de um lado para o outro entre seu lábio inferior. — Você acha que se ele estiver morto será um tributo, e se estiver vivo e for dado como morto Kira não chegará nem perto de pensar em matá-lo, achando que já o eliminou, e em outras palavras, estará o protegendo.

— Isso mesmo...

— Por que está defendendo um assassino?

— Pra você ele pode ser isso, mas não pra mim. Não concordo com as coisas que ele fazia, com os erros que cometia...mas eu o conheci de verdade, sei que ele é bem mais do que isso.

— Vocês tinham alguma relação?

— Depende do que você está interpretando como "relação". — arqueou a sobrancelha.

— Vou me expressar melhor: vocês já tiveram contato sexu...

— Não. — protestou, antes de deixá-lo terminar a frase. — Não tivemos esse tipo de relação.

Sentia seu rosto queimando.

— Desculpe, isso te deixa desconfortável?

— N-não...é que...

— Então vocês já... — foi interrompido novamente.

— Ryuzaki, agora está me deixando desconfortável! — virou seu rosto, procurando não encará-lo.

— Você tem razão. Desculpe pelo mal entendido. — olhou para os papéis sobre a mesinha de centro. — Mudando completamente o nosso foco, gostaria de me ajudar com outras investigações?

— Você trabalha em mais de uma investigação por vez?

— Sim.

— Uau...

— E então, gostaria de trabalhar comigo? Seria de grande ajuda.

— Seria um prazer.

Ele abriu um pequeno sorriso que logo sumiu, mas que foi algo mais do que raro vindo dele, pelo qual a alegrou. Não podia deixar de pensar no como ele ficava bonito com aquele sorriso que ocasionalmente expusera, com os cabeleira tão desgrenhada quanto à de Beyond, com olhos grandes o suficiente para se perder nos mistérios ali escondidos.

Depois de um tempo o ajudando a investigar, já estava se esgotando, com seu corpo chegando ao seus limites. L não demonstrava nenhum cansaço, e obviamente tomava café a cada cinco minutos se possível. Sua mente trabalhara em uma velocidade empolgante, e doces eram consumidos por todo esse período trabalhoso.

— Estamos terminando. — comentou, quebrando o silêncio.

— Sim... — tentava manter seus olhos abertos.

— Você parece exausta, deveria descansar.

— Não, tudo bem...

— Tem certeza?

— Tenho sim...

— Pois bem. Vou buscar meu laptop. — levantou-se, saindo.

— Ok.

L já não estava no mesmo local que ela para puxar assunto e a manter acordada, logo seu corpo estivera caindo pro lado, deitando-se no sofá. Seus olhos já não se mantinham abertos, e a exaustão acabou vencendo.

Voltou em direção à sua poltrona com o computador portátil em mãos. Viu a menina dormindo serenamente, e não pôde deixar de se colocar no lugar de Beyond querendo protegê-la. Há dois dias atrás estava investigando a vida dela. Seu passado, presente, seus medos e conquistas. Tudo parecia fascinante, mas sempre sentia um mistério a mais, um elo perdido que parecia não se revelar entre todas as suas averiguações. Nem ele entendia ao certo como ela se envolveu entre Kira, o segundo Kira, e até mesmo com Beyond Birthday. E isso o chamava atenção...ela esteve presente esse tempo inteiro, e ainda saiu viva da mesma forma que ele estava após confrontar Kira.

Se aproximou, pegando-a no colo.

— Acho que eu não deveria ter a feito trabalhar tanto... — murmurou, levando-a até o quarto.

Continua...