Lost In Paradise
17 Instabilidade
Notas iniciais

— Me larga B! Por que ta me tratando assim?
— Lamento, mas você não me dá outra escolha, Amane. 06:00 em ponto quero você no quarto de Tsuki, você irá contar tudo o que sabe pra provar a boa amiga que você é. — disse sarcasticamente.
— O quê? Mas eu acabei de chegar não vou acordar tão...
— Eu não estou nem aí, ou você chega naquele quarto na hora em que combinamos ou eu vou até o seu e te arrasto até lá. Estamos entendidos?
Misa concordou com a cabeça, assustada.
Beyond foi até o quarto em que hospedara, fechou a porta e se jogou na cama. Não que ele fosse dormir, ultimamente não poderia se dar ao luxo de ter uma longa noite de sono. Fitava o teto se lembrando da Wammy's House, teve uma boa vida por lá durante sua infância. Nem mesmo ele imaginaria que ele e seus colegas, L e A, teriam destinos tão distintos. O que A faria se ainda estivesse vivo?
Começou a se lembrar de como conheceu A, e o dia em que ele se matou...
*
Beyond tinha chegado a Wammy's House à um ano e meio após perder seus pais de forma trágica, quando chegou pediram pro garoto responder algumas perguntas em um teste que lhe entregaram. Segundo Watari, ele era superdotado, e um dos órfãos com a maior pontuação ficando ao lado de L entre os mais inteligentes. Passaram a chamar Beyond de Backup, B ou BB, já que o orfanato usava pseudônimos por motivos de segurança.
Durante seu tempo no orfanato ele passou a demonstrar uma personalidade difícil, tendo dificuldades ao se socializar com as outras crianças. Começou desde cedo a mostrar insatisfação em relação à L e como o tratavam, que pelo ponto de vista de Beyond, tinha mais privilégios por ser o mais inteligente.
O pequeno B estava parado, sentado em um balanço vendo as crianças brincando de longe. Ele gostava de observar o comportamento das pessoas, mas não de se aproximar delas. Viu o carro de Watari parar em frente ao orfanato, provavelmente com mais um superdotado que viveria por ali. Saindo do carro teve a visão de um garoto de aproximadamente 7 anos, que era um ano mais novo que ele. Tinha cabelos escuros e vestia roupas simples, que lembrava a vestimenta de L.
— Backup, esse é An... — dizia Watari.
O garoto o interrompeu puxando a manga de Watari, fazendo ele se abaixar.
— Moço tem algum problema se me chamarem só de A ? Não quero ter um nome novo... — cochichou o menino.
Watari soltou um riso fraco e colocou as mãos nas costas do pequeno.
— Tudo bem. Backup, esse é A, ele irá dividir o quarto com você.
— Vou ter que dividir meu quarto?
— Sim, Backup. Vou deixa-los se conhecerem, com licença. — disse Watari entrando pro orfanato.
— Então você é B né?
— Sou.
— Eu sou A. — disse estendendo sua mão para cumprimenta-lo — Podemos ser amigos.
— Podemos?
— Claro, posso te emprestar meus brinquedos se quiser.
— Ninguém nunca quer brincar comigo...
A olhou pra Beyond e depois abriu um pequeno sorriso.
— Por que não são seus amigos, mas agora iremos dividir o quarto, somos amigos não somos?
— Acho que sim.
— Seus olhos são vermelhos mesmo?
— São...
— Que maneiro.
— Obrigado.
— Vem B, vamos até o parque.
O pequeno deu meio sorriso e foi com A até o parquinho, eles ficaram longe das outras crianças, sentaram-se no chão e pegaram alguns brinquedos. Daquele dia em diante, eles começaram a brincar juntos todos os dias. A procurava por L as vezes, que nunca demonstrou interesse em brincar ao lado deles, sempre optou por ficar sozinho, aproveitando o silêncio.
—
Anos depois, Beyond e A já estavam saindo da adolescência, depois de tantas brigas entre eles em relação ao quarto que dividiam, B finalmente começou a simpatizar com o rapaz, tornando-se seu melhor e único amigo. L era o superdotado mais talentoso que a Wammy's já tivera, estava em sua melhor época quando anunciou que sairia do orfanato. Meses depois, Watari visitou o orfanato comunicando que a partir daquele dia o objetivo da Wammy's House seria de treinar sucessores à L, que havia se tornado em pouco tempo, o melhor detetive do mundo. Isso foi muita pressão para as crianças, que além de não poderem mais ser adotadas, viam aquilo como uma lei, algo que eram obrigadas a fazer. Isso era o fim pra Beyond, que já não gostava de L. Passou a ter ódio do detetive, mas na época sua raiva em relação a ele não o levava a loucura. Começou a sair todas as noites indo ao centro da cidade pra se distrair, muitas vezes arrumando confusão e fazendo coisas que não deveria. Em uma dessas saídas, conheceu Tsuki, a única pessoa que o fazia esquecer de tudo que passava no orfanato. B estava em segundo na linha de sucessão ao L, perdendo apenas para A, que parecia estar se dedicando mais que o necessário.
Diferente de Beyond, A levava o fato de suceder L muito a sério, e com o tempo começou a acompanhar as notícias em relação ao detetive e se descontrolou completamente. O que o levou ao suicídio.
Beyond tinha acabado de voltar de uma de suas fugas quando encontrou sangue em seu quarto, indo procurar por Watari que o informou sobre a morte de seu amigo. Naquele momento toda culpa pela morte de A caiu sobre L, fazendo Beyond fugir do orfanato com o objetivo de superar o detetive criando um caso impossível de resolver.
*
Suas lembranças sobre o orfanato sempre o assombravam, e tudo aconteceu na época em que conheceu Tsuki, que ao sofrer o acidente também corria risco de morte. Depois disso, Beyond passou a querer protege-la, como se quisesse impedir a morte dela pra que não a acontecesse o mesmo que aconteceu ao seu melhor amigo. Era irônico pensar que um assassino como ele poderia ter essas intenções por uma pessoa, e as vezes até ele se pegava rindo por conta disso.
L...seu inimigo pelo qual despertava o interesse da única mulher que já o despertou certa curiosidade. Poderia Beyond permitir isso?
—
Tsuki despertou ao sentir alguém a balançando quase a derrubando da cama.
— Mas que saco! — falou irritada escondendo seu rosto no travesseiro — Por que me acordou a essa hora B? Quer morrer é?
— Talvez, mas não agora. Acordei você pois temos que ter uma conversa urgente.
— E essa conversa não pode esperar até 11:00?
— Negativo, agora levante-se por favor, tem alguém aqui que precisa muito falar com você.
Ela coçou o olho sentando-se na cama, passando a mão pelo seu cabelo levemente bagunçado.
— Ah é? Quem está aqui? — perguntou preguiçosamente.
— Amane, queira entrar por gentileza.
— Misa? Chegou cedo...
— Oi Uki...
A menina começou a perceber algo estranho quando percebeu Beyond mais irritado que o normal e Misa em um tom desanimador, coisa que nunca a viu fazer.
— Aconteceu alguma coisa?
— Precisamos conversar...
— Sim Uki, vocês precisam muito conversar. — falou Beyond ironicamente.
Tsuki suspirou.
— O que quer me contar Misa?
— Eu enviei umas fitas...pra uns programas de tv e...
— Para de enrolar Misa, fala logo.
— Bem...você sabe que eu tenho uma amiga que gosta de ocultismo não e?
— Sim, nunca gostei dela. Mas fala logo, estou começando a ficar agoniada...
— Eu sugeri que enviássemos vídeos falsos para vários programas de tv diferentes, como um trote sabe? Então eu peguei e coloquei o nome de Kira e...fiz...uma gravação usando um efeito de voz...
— Misa o que você...
— Fala logo Amane!
— Eu...me passei pelo Kira pra poder encontra-lo e...a gravação vai ao ar hoje. Desculpa Uki...eu...lamento...
Tsuki ficou pasma, já era difícil saber o que Beyond a contara, mas agora ver Misa confessando algo ainda pior em sua frente, era demais pra menina que se enfureceu.
— Misa sua idiota. — disse indo pra cima de Misa, mas Beyond a segurou — Você tem ideia do que está fazendo? O que quer ganhar com isso? Provocar L? Chamar a atenção de Kira? O quê? Que motivos você tem pra fazer algo tão estúpido? — gritava irritada.
— Uki eu...
— Você o que Misa? Me solta B!
— Perdão Tsuki, mas tenho que evitar que cometa um homicídio.
— Uki...eu precisava te contar porque...
— Porque eu te ameacei. — interrompeu B.
— Eu...sinto muito...por favor, me perdoe, eu preciso...fazer isso...eu sei que você faria o mesmo pelo L... — dizia choramingando.
Beyond revirou os olhos, enquanto Tsuki foi se acalmando.
— Misa...o que você pensa que está fazendo...?
— Eu...pensei em tudo Uki, sempre quis ser esperta como você...quando planejei isso eu juro que fiz tudo certo, confia em mim.
— É difícil confiar em você sabendo que anda me escondendo coisas assim...
— Eu... — disse chorando ao se ajoelhar no chão — Por favor, não irei te esconder mais nada eu prometo...você é a única família que tenho, não me abandone...você é uma irmã pra mim.
Tsuki se ajoelhou ficando em frente à Misa, ergueu o rosto da loira fazendo ela encara-la.
— Misa...vamos desfazer isso ok? Vamos arrumar um jeito...você também é a única pessoa que eu tenho, e mesmo que eu esteja irritada pelo o que você fez, jamais lhe abandonaria. Mas...me diga, por que isso agora? Por que fez isso? As coisas não vão acabar bem...
— Eu quero encontrar Kira, Uki...eu vou encontrar Kira não importa o que eu tenha que fazer.
Continua...
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