— É, eu sei...mas isso não é exatamente muito animador, não acha?

Beyond soltou um riso fraco.

— Não é pra ser animador, é pra ser verídico.

— Tá. — disse bufando.

Ele ergueu sua mão aproximando do rosto da menina, dando um peteleco em sua testa.

— Volta pra dentro Uki. — se despediu andando pela rua como se não estivesse acontecendo.

Quando ele foi se afastando, fazendo-a perde-lo de vista, ela entrou. Abriu a porta entrando na casa, e a fechou se encostando sobre a mesma. Suavizou seu corpo escorregando aos poucos, até se sentar ao chão. Abraçou suas pernas como uma criança assustada, queria não se importar tanto, agir como Beyond as vezes. Se lembrou quando ele disse "Um dia você pode acabar se derramando sobre seus próprios desejos"...isso parecia fazer sentido agora, mesmo que involuntariamente.

Nem Misa, nem Beyond. Não havia ninguém ali no momento, tudo o que podia ouvir era os noticiários. Alguns programas dizendo apoiar Kira e outros temendo seu hipotético reinado, era clichê para a indústria televisiva, mas independente da tecnologia utilizada para conter informações, tudo o que falavam era sobre o recado nas fitas enviadas. Em seu tempo de convivência com Misa nunca imaginou que ela fosse tão longe por causa de alguém, tão menos quando esse individuo era Kira. Mas isso não importava agora...estava fora de seu alcance, tanto esforço pra manter as coisas equilibradas e por fim elas seguiram um curso diferente. Era como ter sua vida definida em sua frente, e pra mudar isso teria que arriscar tudo o que restara.

Um jogo...para Kira, não passava disso. Mas pra ela, ia além de qualquer jogabilidade.

"Estamos ao vivo e um veículo acabou de passar pela porta da emissora."

Se levantou surpresa ao ouvir o que a repórter dissera, aumentando o volume de sua tv.

Droga! Se alguém está invadindo assim só pode estar querendo as fitas...isso não é nada bom...— pensou frenética.

***

— É um jeito de entrar no prédio sem ser visto pelo Kira... — comentou L.

— Mas quem...?

"Ainda estamos ao vivo da TV Sakura, como podem ver um carro de policia acabou de chegar."

— Então não estamos sozinhos, existem outros policiais por aqui prontos pra enfrentar o Kira.

— Aizawa, sabe o número do celular do subdelegado Kitamura, não sabe?

Aizawa assentiu entregando o celular.

— Aqui é o L. Tem uma coisa que preciso que faça pra mim. Pode ser que alguns policiais vejam essa transmissão e se sintam levados a agir em nome da justiça, se não assumir o controle da situação agora vai haver um desastre.

— Mas...tecnicamente não devemos nos envolver nesse caso, não é?

"Dois policiais acabaram de cair na calçada, acho que estamos correndo perigo...estamos nos retirando do local!"

— Eu entendo L. Entendo seu ponto de vista.— concordou o subdelegado. — Me diz o que fazer!

O celular de Watari tocou.

— É o detetive superintendente Yagami.

— Liga pra ele imediatamente e me dá o telefone. — pediu L.

— Preciso falar com Ryuzaki!

— Sou eu que falo! Senhor Yagami, era o senhor que dirigia o carro da policia?

— É isso mesmo. Eu não podia ficar sentado e assistindo. Confisquei todas as fitas, estou levando elas a você!

— Mas e quanto a sua saúde? Está tudo bem?

— Estou me sentindo bem, pra ser sincero acho que nunca me senti tão vivo. Então o que acha que devo fazer agora? Lá na porta vai ser perigoso, mas eu posso usar um carro da polícia.

— Por favor espere. — disse afastando o celular em que falava com Yagami e erguendo o que estava com o subdelegado na linha — Subdelegado Kitamura, foi o senhor Yagami que entrou no prédio. Está tudo confirmado da sua parte?

— Está tudo confirmado, como você pediu.

— Senhor Yagami! Por favor ouça com atenção: Em exatamente 5 minutos quero que saia pela porta da frente.

— Quer que eu saia pela porta da frente?

***

Passado um tempo a frente do prédio estava lotada por policiais e com tendas para que possassem sair de dentro da emissora sem serem vistos por Kira, ou como Tsuki já sabia, por Misa.

E ela dizendo que pensou em tudo... — pensava revirando os olhos.

Agora o que mais a preocupava era com quem as fitas iriam parar. Apesar de não ter a visão do rosto de quem invadiu o prédio, se essa pessoa conseguiu as fitas só poderia ter os ameaçado, provavelmente com uma arma, sendo assim um policial. Ao julgar pela quantidade de reforços em frente ao prédio, só L poderia ter esse poder sobre a polícia japonesa. Conhecendo L tão bem quanto ela, era sensato se preocupar com Misa, o maior detetive do mundo com certeza não era alguém com que Amane pudesse competir. Isso a deixava apreensiva, e desde que o pai de Raito foi hospitalizado não teve nenhuma notícia sobre ele ou Ryuga, que seria sua fonte de informações sobre a investigação.

***

— Chefe Yagami! — disse Matsuda, vendo Soichiro chegar ao local com ajuda de Watari.

— Bem vindo, chefe.

— Ryuzaki, peço desculpas por ter tomado atitudes por minha conta. E eu admito que me deixei levar...

— Não...

— Tome, aqui estão todas as fitas e o envelope, tudo o que Kira enviou pra emissora está aqui.

— Eu não sei como agradecer... — disse L pegando a sacola.

— Acho melhor eu descansar um pouco... — disse cansado.

Senhor Yagami, isso não vai ser em vão.— pensava, olhando as fitas. — O carimbo postal é de Osaka, mas Kira pode controlar suas vítimas antes delas morrerem, então ele pode ter enviado de Osaka sem ter ido lá pessoalmente.

— Aizawa, pode levar isso ao laboratório de criminalística?

— Eu ainda tenho alguns amigos por lá, posso pedir que eles verifiquem cada milímetro delas.

— Por favor, faça isso. Enquanto faz isso vou ver essas fitas pra ver se elas nos dizem alguma coisa.

***

— Foi um dia e tanto... — falava Tsuki, jogando-se sobre o sofá — Finalmente estão falando sobre algo que não seja relacionado ao Kira.

Levantou seu rosto ao ver alguém abrindo a porta, vendo Misa e Remu adentrando. A loira aproximou cabisbaixa se sentando, colocando sua bolsa na mesinha da sala e virando seu rosto à Tsuki.

— Eu sei o que você vai dizer Uki... — falou em um tom sério.

— Estou cansada demais pra dizer tudo o que você merece ouvir, Misa.

— Olha, me desculpa, eu sei que é errado matar as pessoas...

— Tem certeza que sabe? Hoje você se mostrou muito disposta a matar qualquer pessoa que se aproximasse daquele prédio, sendo criminoso ou não.

— Eu sei disso! Mas eu preciso fazer isso para...

— Conhecer o Kira? Ótimo motivo pra começar uma matança! — ironizou a menina.

— Eu não vou discutir com você Uki, você não entende...

— Mas eu tento Misa, você não faz ideia o quanto eu tenho tentado nos últimos dias.

— Uki...

— No final você irá se orgulhar do que fez, Misa?

Continua...