Lost In Paradise
21 21 - She.
Notas iniciais

Lost In Paradise
21 – She.
Um mês passou-se como um flash para a mulher que se encarregara, pessoalmente, de limpar o lixo de bullyings do colégio – e quando estava feito Kyoya quase brandiu de orgulho pelo feito de sua fêmea.
Um problema já havia sido resolvido, mas, naquele momento, um maior formulava-se frente à moça de cabelos negros que fitava, de testa franzida, o calendário a sua frente. Desviando seus olhos scarlets para o chão, a Suzuki pôs-se a pensar.
Piscou, logo ao dar-se conta de que estava atrasada. Não para a escola ou para ir a algum encontro. Sua menstruação estava atrasada e, pelos seus cálculos, isso tinha quase dois meses. Como não havia notado!?
Desabou sobre o sofá no escritório de Disciplina. Seus olhos lacrimejaram instantaneamente e a morena sequer conseguia identificar as emoções que a consumiam. Mas o problema agora não era apenas isso. Não envolvia apenas a si, mas também a Kyoya e a família do mesmo.
Mas, diante de tudo que ela tinha certeza que viria futuramente numa enxurrada de perguntas, a única coisa que estava – profundamente – incomodando a morena era: como pudera ser tão descuidada?
(...)
Ouviu a campainha soando distante marcando o fim do intervalo, sabia que tinha de ir ajudar Kyoya; mas mesmo isso fora desculpa o suficiente para lhe tirar do torpor que se encontrava enquanto fitava, tremula, o pequeno objeto em suas mãos.
Sob possibilidade alguma a Rainha de Gelo se imaginou naquela situação tão... Caótica.
Seus leques metálicos encontravam-se ao chão, largados sem jeito. A moça em si encontrava-se sentada sobre o sanitário de uma das cabines do banheiro feminino enquanto seus olhos carmins, opacos devidos as diversas lágrimas soltas – e as que ainda se mostravam – que banhavam-lhe as belas feições; e por fim, mas não menos importante, entre suas mãos desprovidas de suas preciosas luvas – mas não sem a recente aliança adquirida -, um pequeno objeto de formato singular se encontrava.
Os pequenos três círculos que se mostravam na peça branca continham, cada um, um par de linhas iguais indicando a positividade do teste.
Ela estava, sem sombra de duvida, grávida. Seria mãe. Teria um filho.
Um filho de Kyoya.
A mulher mal pode conter-se quando largou a peça e levou as mãos aos lábios abertos. E apesar da reação, os pensamentos lhe traiam. Em sua imaginação a morena não conseguia deixar de imaginar uma figura pequena de cabelos curtos e escuros correndo, se divertindo e lutando, como o pai.
Como Hibari Kyoya.
Mas no mesmo segundo que tais pensamentos vinham a si, Adel se repreendia, pois sabia que aquilo era passageiro, aquele relacionamento, aquele suposto envolvimento. Era passageiro. Era apenas uma súbita tentação pecaminosa que o moreno sentia. Claro que havia a possibilidade de não ser assim. Havia chances de o disciplinador amar – verdadeiramente – ela; mas a Guardiã Shimon não queria, ela sabia que não podia, nem deveria, criar esperanças a respeito disso; por que, acima de qualquer coisa, Kyoya era imprevisível, como uma Nuvem livre que subitamente mudava seus caminhos e escolhas. E ela, Adelheid, temia contar a verdade.
Gemendo, desolada, a mulher recolheu-se, arrumou-se e saiu do banheiro.
Seus passos eram rápidos e fortes. Sua face era neutra, mas os anéis avermelhados que circundavam seus olhos scarlets parcialmente inchados entregavam parte do que a moça sentia com referencia a recente descoberta.
Abandonou as dependências da escola em pleno período de aula, e sabia que, quando Kyoya descobrisse isso – e ele descobriria cedo ou tarde – ele ficaria extremamente furioso e, com uma certeza surpreendente, frustrado. Mas mesmo as possíveis reações do moreno poderiam fazer com que a mulher retornasse, ou mesmo que a impedisse de sair, se afastar, para pensar melhor a respeito de tudo.
Caminhou por tanto tempo quanto achou possível. Passou por lojas, pelo shopping, pelo mercado e por vários outros percursos – até Kokuyo Land entrou em seu percurso de reflexão. Mas o pior é que cada lugar a lembravam dele, do homem que ela queria esquecer ao menos por cinco minutos.
Respirando fundo ela cessou os passos de uma vez por todas. Estava sendo uma idiota. Estava agindo como uma completa idiota e, como o atual namorado gosta de dizer, uma herbívora. Ergueu o olhar avistando ao longe o prédio do colégio sob os últimos raios do sol. A esse horário provavelmente apenas alguns poucos membros do conselho de disciplina se encontravam no recinto estudantil e isso seria bom para si.
Um mínimo sorriso lhe veio aos lábios, este que logo foi substituído por uma face dolorida quando um disparo veio de trás de si.
O ar prendeu-se em sua garganta semi-aberta e seus joelhos fraquejaram, já indo ao chão. Sentiu as mãos empapadas e quando baixou o olhar pode vê-las embebidas num liquido que reluzia da mesma forma que seus olhos.
Sangue, sua própria voz ecoou no vazio de sua mente.
E por fim seu corpo foi de encontro com o chão abaixo de si, a dor se fazendo mais presente do que em qualquer outro momento, mas o pior de tudo era o local onde a mulher havia sido atingida.
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