Lost In Paradise
12 12 - He.
Notas iniciais

Lost In Paradise
12 — He.
A tarde veio rápida e intranqüila, para a infelicidade de Kyoya. Antes que se desse conta já estava vestindo-se – após um longo e refletivo banho – para o irritante e forçado jantar; esperava ao menos que Adelheid viesse no horário em que havia mencionado.
Abandonou o próprio quarto, praguejando por ter alguns papeis do conselho disciplinar para assinar e organizar mais tarde. Perdido em devaneios, notou o olhar que sua mãe lhe mandava apenas quando havia chego ao fim da escada onde Hibari Mayumi o fitava a beira de um ataque de nervos.
Era para tudo estar nos conformes e, principalmente, era para o disciplinador vestir-se o mais belo e formal possível – coisa que Kyoya achava irritante por demais. Então, abandonando o terno social o moreno surgiu trajando um jeans velho com alguns poucos enfeites metálicos e um cinto de spikes; uma camisa negra lisa e por sobre a mesma uma camisa social branca, desabotoada, e com as mangas dobradas até os cotovelos.
E mesmo que o visual do rapaz pudesse arrancar suspiros e o fôlego de qualquer moça, a senhora Hibari ainda sim ficara irritada com o desacatamento de sua ordem – não que em algum momento Kyoya fosse mesmo obedecê-la.
Poucos segundos antes de Mayumi tentar argumentar para que seu filho fosse logo trocar-se, a campainha soou.
Suspirando, a mulher foi atender a porta mudando seu descontentamento para alegria. Fitou sua mãe abraçar a garota de cabelos escuros, esta que vestia um quimono simples e sorria em retorno a mulher mais velha.
Rangeu os dentes ao reconhecê-la enquanto segurava a imensa vontade que tinha de matar, não apenas a garota, mas também seus pais no processo. Afinal, de tantas garotas e mulheres que eles poderiam escolher, tinha de ser logo ela.
Bufou em desgosto, pegando o celular no bolso de sua calça e checando as horas. Dezoito e quarenta e cinco. Quinze minutos antes havia recebido uma mensagem da Suzuki informando que esta passaria em sua casa as dezenove para poder conversar.
Logo quando ergueu o olhar fora se deparar com um par de onixes o fitando intensamente.
– Kyo-kun, você se lembra da Izune-chan? – ambas as mulheres sorriram para Kyoya que apenas rosnou em resposta antes de dar as costas e se afastar daquela garota repulsiva, claro que isso apenas para si.
Os minutos se seguiram cada vez maus lentos. A paciência, tolerância e o autocontrole do moreno pareciam estar sendo testadas aos poucos enquanto o jantar se seguia banhado em perguntas da Hibari a sua convidada – fato que Kyoya ignorava com o maior prazer.
A paciência já estava se esgotando e, a tal ponto, seus dedos já coçavam para pegar as tonfas e aplicar uma boa disciplina em sua mãe e na garota que teimava em roçar as pernas nuas em sua calça.
Largou, numa sutileza banhada em ódio, os talheres ao lado do prato. Com delicadeza limpou os cantos da boca, e diante disso quase suspirou de alivio quando o som da porta sendo aberta e os passos das botas agulha de Adelheid ecoaram pelo corredor.
– Kyoya, desculpe, acabei vindo um pouco mais cedo, mas eu realmente preciso falar com você sobre o que está acontecendo. – As mulheres a mesa se entreolharam enquanto fitavam o Hibari mais novo, já o pai de Kyoya cerrava o olhar em direção ao filho. – Kusakabe me informou que você estava tendo problemas com a papelada do Conselho Disciplinar, então pensei em... – E quando a Suzuki chegou à porta da sala de jantar pode ver a mesa ocupada. Três indivíduos sentados, sendo um destes o pai do moreno, já o quarto era o próprio Kyoya que se erguera de seu lugar. — ...ajudar.
Tranquilamente o Disciplinador voltou-se para a única mulher que lhe roubava a atenção e, naquele momento mais do que em qualquer outro, não pode deixar de admirar o quão bela Adelheid Suzuki estava usando uma calça de couro negro com suas botas de salto fino, uma camisa de alça vermelho-sangue e por sobre uma jaqueta – também de couro – negra.
– Quem é ela? – fora Izune quem se pronunciara, sua voz desgostosa diante da figura imponente e bela que estava a chamar a atenção do casal Hibari e, também, que dispunha de toda atenção e intimidade com Kyoya.
O moreno sorriu, estendendo a mão para que Adel a pegasse mesmo que não compreendendo a situação; apenas confiando nas próximas palavras de Kyoya.
– Minha namorada, Adelheid Suzuki.
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