Lost In Paradise
3 03 - She.
Notas iniciais

Lost In Paradise
03 — She.
Cantarolou enquanto sorria feliz. O avental bege frente ao corpo protegia o vestido de alça preto contra quais quer manchas de alimentos enquanto dava os últimos retoques para o jantar.
Chegou a bater palmas de alegria, como uma linda criança em sua primeira festa do chá.
Dá porta o restante dos integrantes que moravam na casa apenas observavam — assustados — Adelheid cantarolar feliz e arrumar perfeitamente a mesa.
Logo a morena virou-se para o grupo de rapazes que a fitavam numa mistura tangível de curiosidade e medo.
– O que ainda estão fazendo aqui? — questionou, recordando-se de que despachara todos daquela casa para fora até o dia seguinte. — Pensei que houvesse dito para não aparecerem aqui até depois do almoço de amanha... — e assim os olhos rubros estreitaram-se para o grupo. Shitt-P era a única que aproveitara aquela oportunidade para conseguir abrigo com Gokudera a fim de 'estudá-lo' melhor.
– J-Já estamos de saída... — e as palavras de Enma foram suficientes para que todos corressem para fora da casa. Todos menos Julie que fitava a morena com arrependimento.
– Adel... Quem... Para quem é... Tudo isso? — questionou engasgado. — Eu pensei...
– Pensou que depois do que fez eu ainda iria amá-lo? — ironizou. — Você esperava que depois de saber que estava me traindo com uma vagabunda qualquer eu ainda iria querer ficar ao seu lado? — a voz elevou-se. — Eu não sou idiota, agora saia daqui!
O homem recuou baixando o olhar com arrependimento.
– Ao menos...
– Saia!!
Suspirou quando o bater da porta ecoou pela cozinha. Baixou o olhar por alguns segundos sentindo os olhos marejarem. As orbes carmins fitavam o chão num ódio contido enquanto o sangue da Suzuki borbulhava em suas veias.
Piscou notando o quão idiota estava sendo. Aquela seria sua noite com Kyoya, mesmo que não houvesse nada entre eles — nada sentimental — aproveitaria cada minuto e cada contato.
Voltou a sorrir largamente dançando sob as sapatilhas negras de salto baixo. O que importava era aproveitar o momento.
Em poucos minutos a campainha tocou anunciando a chegada de seu querido convidado.
Correu para a porta parando apenas uma última vez frente ao espelho para arrumar uma madeixa negra de seu cabelo que teimava em manter-se solta.
E quando abriu a porta deparou-se com uma visão que jamais pensou ter. Um visual despojado, mas não deixava de ser belo e, talvez, até fofo.
Primeiramente seu cabelo era uma mistura incompreensível de fios o que dava certo charme aos metálicos olhos sérios do rapaz. Havia uma gravata branco-gelo frouxa envolta do pescoço está que destacava o colete social negro e contrastava parcialmente com a camisa social branca de mangas dobradas até os cotovelos. A calça jeans do rapaz estava rasgada em algumas partes, o que insinuava que Hibari já usara aquela vestimenta em meio a alguma briga e acabara provocando alguns rasgões na mesma – apesar de que aquilo apenas deixava a vestimenta mais... Na moda -, e por fim, para completar um visual que o Kyoya jamais pensaria em vestir, um sapatênis branco com preto num perfeito xadrez.
Deu espaço para que o rapaz entrasse, não pronunciando nada a respeito da vestimenta do mesmo – exatamente como ele fizera ao não dizer nada sobre como a mesma se vestia.
A noite se seguiu calma, tal como o jantar, apesar de que este não fora tão silencioso assim já que – ao menos dessa vez – o moreno engoliu o orgulho e agradeceu pela comida e também elogiou a culinária da garota.
E não fora apenas isso.
Havia algo diferente, e Adel sentia isso em algum canto de si. Ela notara, mesmo que de forma inconsciente, que Hibari estava diferente, que ele tentava dizer algo sem pronunciar nada, mas aparentemente a mensagem ainda não havia chego até a Rainha da Geleira.
A Suzuki percebera as mínimas mudanças nos toques. Naquela noite não foi apenas sexo, havia algo mais. Algo que nem ela compreendia, mas sabia que existia.
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