Lost Blue

39 Capítulo 39 - Tarde demais


Notas iniciais
Olá meus amores! Espero que tenham tido uma boa virada de ano. Quero agradecer a todos que leem minhas histórias e comentam, vocês são um amor ♥ Feliz 2019! Tomara que gostem do capitulo! Lost Blue está se encaminhando para o final, mas ainda faltam alguns capítulos ;D Boa leitura!

As ameaças da rainha Wenda já não importavam. Ninguém mais importava.

A necessidade… não, a obrigação de proteger seu filho veio acima de tudo. Aquantis nunca sentiu um teor de superproteção como naquele instante. Seus dentes cerraram com tanta força que destruiu a mordaça. Seu grito assustou os cientistas e as amarras em seus braços explodiram.

O enfermeiro caiu em seu traseiro, com medo. E assim que eles tentaram prendê-lo novamente, foi quando o inferno eclodiu.

Por um momento, seus ouvidos pareciam conter chumaços de algodão, e ainda assim foi capaz de ouvir o estalo da rachadura, em seguida a explosão do vidro por toda parte e os alarmes tocarem. Pessoas correram por suas vidas, ou talvez para chamar apoio, mas um permaneceu para tentar proteger a rainha. Wenda tinha escorregado no vidro e caído em sua bunda.

Aquantis sentiu a ameaça da arma com sedativos sendo apontada para ele, mas a bala nunca chegou até seu corpo, se desfez a centímetros de sua pele.

Acima dele os enormes cristais começaram a reluzir.

E em vez de Wenda parecer com medo, ela estava sorrindo de uma forma medonha.

— Continue Aquantis! Isso mesmo garoto! — Ela dizia como se estivesse fazendo exatamente o que ela queria, gerando energia nos cristais. Mas ela estava bem enganada se isso serviria para o seu benefício.

Estava com tanta raiva, tanto ódio. Essa mulher morreria ali, nas suas mãos. Seus planos estavam prestes a ter um fim pelas mãos de um Blue. Jamais a perdoaria pelo que tinha feito com ele, por ferir seus amigos, por prendê-los como se fossem ratos de laboratório, por tentar assassinar seu bebê.

Aquantis ergueu uma mão e seu poder foi suficiente para sufocar o maldito enfermeiro que tinha sobrado sem nem mesmo tocá-lo, fazendo-o cair desfalecido no piso frio com os olhos arregalados. Sangue derramou da boca dele e gotejou no chão.

— Você se esqueceu de seu irmão?! — Wenda gritou quando se levantou, afastando-se mais um passo, agora finalmente parecendo assustada depois de ver sua demonstração do que poderia fazer com ela. — Lucy, você sabe o que fazer!

— Sim senhora. — Respondeu a androide.

Aquantis torceu a cabeça sobre o ombro com uma facilidade sobrenatural. Sentia-se estranho, mas não tinha a ver com o tratamento pelo qual foi submetido ali. Era algo primitivo vindo de dentro de seu ser. Tinha sido ameaçado, não apenas ele, mas quem amava e a nova vida sendo gerada dele.

Sua visão estava um pouco vermelha nos cantos, seu coração estava batendo forte no peito em um ritmo totalmente novo, suava frio e tinha uma energia anormal percorrendo suas veias.

Embora Wenda tivesse ordenado que Lucy, a androide, fizesse seu trabalho matando Sully, ela continuou parada com seu olhar focado em Aquantis, sem piscar.

— O que está fazendo parada, sua inútil?! — Wenda gritou com uma nota de desespero em sua voz. — Mate-o.

— Sim, senhora. — Mas ela continuou parada sem fazer absolutamente nada. Estava protegendo Sully?

Os cristais acima deles oscilavam entre brilhar e apagar, repetidas vezes.

— Maldita hora em que dá defeito! Robô maldita! — Wenda pegou a arma jogada perto do corpo de um cientista e atirou na cabeça da androide que caiu como uma pilha de sucata. Aquantis não sentiu pena por ela, se ela tivesse tentado algo contra Sully, a teria destruído primeiro. — E você… Blue… não pense que venceu só porque estamos sozinhos. Você ainda é fraco contra mim, sabe que não pode me derrotar. Não importa para onde vá, eu o encontrarei. Afinal você é meu.

— Eu não sou seu. — Aquantis respondeu instintivamente, sua voz soando perigosa. — Eu serei livre e você não poderá correr atrás de mim outra vez.

Wenda cuspiu uma risada, mas jurava ter visto uma faísca de medo em seus olhos. Ela afastou mais um passo quando Aquantis deu outro em direção a ela. A aura em torno dele estava estranha e distorcida. Sentia que podia levar todo o laboratório abaixo, que podia transformar Wenda em uma pilha de ossos e carne se quisesse, mas não sabia por que ainda estava se segurando.

— Não ouse se aproximar, ou quem morrerá não será seu irmãozinho, mas sim quem mais ama. — Ela cuspiu ao lado como se tivesse nojo de admitir as palavras.

No momento seguinte, uma enxurrada de guardas da Federação invadiram o laboratório com seus uniformes brancos que cobriam todo o corpo, até mesmo seus rostos com seus capacetes especiais. O que temia estava acontecendo, Trey estava sendo arrastado, lutando e sangrando por toda parte.

Os olhos de Aquantis se arregalaram quando seu amante caiu ao ser chutado na barriga, se contorcendo no chão. Ele ergueu seus olhos para Aquantis, seu rosto desfigurado por uma surra anterior, sangue escorrendo e pingando sobre o chão coberto de vidro.

Os cristais gigantescos acima dele começaram a brilhar de forma singular conforme sentir o ódio líquido deslizar por suas veias como labaredas de fogo, queimando tudo pelo caminho. Lágrimas inundaram seus olhos, mas recusou a deixá-las cair.

— Por isso… não ouse tentar nada, ou ele pode morrer, bem diante de seus olhos.

— Eu sabia que você era capaz disso. — Aquantis falou entre os dentes, vendo o sorriso de Wenda vacilar. Atrás dele, Sully se sentou na maca como um zumbi, seus olhos desfocados e cabeça pendida para um lado. — Você acha que me engana? — Aquantis deu uma risada que fez todos naquele lugar ficarem em silêncio. — E agora o quê? Espera que eu colabore para seus planos mirabolantes? Você é tão lamentável, Wenda. — Aproximou-se mais um passo e dezenas de armas se levantaram em sua direção.

Sully ergueu a cabeça atrás dele com olhos arregalados e sem brilho, como se estivesse hipnotizado pelo poder de Aquantis. Imediatamente cristais se formaram em todas as armas presentes, e aqueles que tentaram atirar lasers, explodiram a si mesmos.

Wenda deu um grito de pavor, esbarrando em uma mesa e pegando a primeira ferramenta que encontrou, um bisturi. Guardas tentaram fugir por suas vidas, mas eram atacados por lasers no corredor. A gritaria começou, o barulho alto de explosões e o chão tremendo disse a Aquantis que seus amigos tinham encontrado uma maneira de chegar até ele. Logo estariam ali. Por isso não tinha muito tempo e precisava terminar aquilo logo, antes que fosse tarde demais.

— Vo-você não pode! Não ouse se aproximar! — Ela apontou o bisturi.

Aquantis olhou indiferente para ela e em seguida para a figura de Trey no chão. O homem ensanguentado mudou sua aparência para outro ser, exibindo a mentira de Wenda.

— Sabia que tentaria me enganar. Acha que eu cairia nessa? Criou um clone de Trey?

— Ele está muito pior, acredite. Preso onde você jamais o encontrará! — Ela gritou, ainda se afastando, com o bisturi apontado para ele. — Não se aproxime!

— Você é tão mentirosa. — Um sorriso infeliz se formou em seu rosto. — Como eu pude ter medo de alguém tão fraca como você, Wenda? Sem seus homens covardes aqui, você não é nada, além de uma simples vettoreana.

O semblante dela se contorceu em raiva e ela avançou em sua direção, mas Aqua usou seu poder para derrubá-la longe, fazendo-a bater contra os maquinários, derrubando várias telas e desconectando fios. Ela gritou e tentou se levantar, entretanto, antes que a atacasse novamente, a voz do verdadeiro Trey o parou.

— Aquantis!

— Fique aí! — Gritou sem olhar para ele. Caso olhasse, não conseguiria fazer o que estava prestes a fazer. Estava começando a achar aquilo divertido. — Ou melhor, vá embora. Eu vou resolver isso!

— Tem certeza?

Certeza como ele nunca teve em sua vida.

— Você nunca mais vai me ameaçar de novo ou a qualquer um dos meus amigos. — Wenda foi erguida por um poder sobrenatural, sendo exposta ao brilho cegante dos cristais. — Perderá tudo o que tem, poder, riqueza, controle, tudo o que conquistou. Viverá como um rato nos cantos dos lugares mais sujos e imundos, lembrará de cada crime cometido, de cada vida tomada. Você não merece nada e nunca merecerá, se arrependerá sempre de tudo o que fez, e será comida pela culpa pelo resto de sua vida, que será longa e cruel, repleta de sofrimento, pois dar-lhe a morte seria bondade demais da minha parte.

Os olhos de Wenda estavam dourados enquanto o brilho dos cristais parecia penetrar no mais profundo de sua mente. Ela estava completamente paralisada e hipnotizada. E quando Aquantis terminou, ela caiu com olhos abertos, lágrimas de sangue escorrendo pela face e tremendo inteira.

Aquantis finalmente respirou, seguro de que o que tinha feito estava terminado.

Os cristais voltaram ao normal e Sully sacudiu a cabeça.

— O que houve? — Ele olhou ao redor, soltando um grito ao ver Wenda puxando suas roupas, implorando por perdão. — Sai! Saia daqui!

— Você está bem? — Aqua indagou a Sully que assentiu. — Desculpe, eu acabei assumindo o controle de tudo, até de você.

— Uau. Não sabia que era capaz disso.

— Nem eu.

— Aquantis! — Trey atravessou todo o caminho para puxá-lo para um abraço apertado. — Você está bem? Está machucado? — Ele começou a verificar por toda parte a procura de feridas.

— Eu estou bem… estou mais preocupado com você. — Tocou no rosto de Trey, doendo em seu coração ver como seu amante estava machucado. Havia hematomas e cortes pelo rosto e pescoço, mas não parecia nada sério. Ele quase tinha acreditado em Wenda antes, era tão bom saber que foi apenas uma enganação, que Trey estava bem.

— Não chore, meu amor. — Ele o abraçou com carinho, seu aperto não deixando espaço para nada. — Já passou… nós vencemos.

Nem tinha percebido que as lágrimas estavam descendo sem controle pela face.

— Ela queria tirar meu bebê, queria matá-lo, Trey... — Disse entre soluços, se aferrando a ele como se pudesse perdê-lo novamente. — Tive medo… muito medo.

— Você disse…

— Ela me enganou, trouxe um clone seu todo machucado, pensei que estava morrendo! Ela ia matar Sully, quase conseguiu, eu quase desisti… quase…

— Aqua… — Trey segurou seu rosto, seus olhos iluminados e lacrimosos. — Acalme-se! É você quem está grávido?

O quê? Quem mais seria…?

Aquantis mordeu o lábio inferior e assentiu, olhando para baixo.

— Eu descobri hoje.

A reação de Trey foi cômica. Ele realmente ficou olhando para ele sem piscar por um longo tempo, seu queixo caiu e olhos se arregalaram. Ele se afastou dele para dar uma volta, murmurando palavras inaudíveis e então correu para abraçá-lo novamente e erguê-lo para o alto, provocando uma onda de risos em Aquantis.

— Eu mal posso acreditar! E eu achando que era Sully! — Estendeu o maior sorriso para ele. Foi lindo e emocionante. — Nós seremos pais!

— Sim! — Aqua riu, apesar de sua situação. Eles se abraçaram com força, até seus amigos aparecerem para se juntarem a um abraço coletivo.

—*-*-

— Ah… aqui está minha belezinha. — Trey suspirou aliviado ao ver a nave Imperatriz intacta na garagem espacial da Federação, dentro da nave-mãe. Estava estacionada normalmente entre várias outras naves de diferentes formas e tamanhos. E naquele momento, após todos os problemas que tiveram e a desestabilização da governante, não havia nenhum empregado naquele lugar.

Trey estava de mãos dadas com Aquantis quando Stella e seu grupo apareceram. Ela tinha um sorriso no rosto que se tornou maior ao vê-los juntos.

— Você e sua tripulação fizeram um excelente trabalho, Sr. Scarlet. Principalmente você, Aquantis. Estamos gratos pela sua ajuda.

Aqua somente anuiu com a cabeça, mas nada disse. Ele não tinha trabalhado para ninguém, afinal.

— De agora em diante eu assumirei o comando da Federação.

— Você soltará os prisioneiros? — Trey referia-se aos seres que estavam sendo mantidos aprisionados em um planeta-anão e que Wenda pretendia matá-los, simplesmente porque não concordavam com seus planos de governo.

Stella assentiu, pegando um tablet quando entregaram a ela.

— Com certeza, eles serão minha prioridade agora. Tenho muito trabalho a ser feito para os próximos meses, se vocês desejarem, podemos oferecer posições dignas na Federação para cada um de vocês.

Uau. Trey realmente consideraria uma oferta daquelas se não tivesse outros planos que prometiam ser muito mais promissores do que dinheiro.

— Eu agradeço… — Olhou ao redor para sua família. — Pai, Kayllon, vocês não querem?

Jack olhou para ele como se estivesse louco e Kayllon balançou a cabeça, carregando um embrulho muito especial nos braços.

— Que tal vocês? — Olhou entre Morgana, Kimm, Gavrel, Keesa e Askell.

— Obrigado pela oferta, mas nós passamos. — Respondeu Gavrel.

— E vocês? —Trey olhou para seus amigos. Zack, Austin e Dominic balançaram a cabeça em resposta. Voltou sua atenção para Stella que tinha um olhar de pesar. — Obrigado pela oportunidade, mas nós vamos continuar nossa viagem.

— Bem… é uma pena. — Ela suspirou decepcionada. — Pelo menos aceitem uma quantia como pagamento pelos serviços prestados. Ou diria… pelo risco que correram. — Ela disse isso olhando para Aquantis, como se quisesse pedir desculpas.

— Hum. — Trey ficou pensativo por um momento, então apontou para Zachary. — Envie a quantia a ele, por favor.

Isso pareceu deixá-la mais aliviada. — Ótimo! — Ela voltou-se para Aquantis. — Não sei se você se lembra de mim…

— Eu me lembro. — Aqua respondeu friamente.

— Eu… peço desculpas… — Ela ficou sem jeito. — Eu respondia a rainha e tinha que fazer tudo o que ela me mandava fazer para poder ganhar a confiança dela. Mas quando nos conhecemos eu já planejava tirá-la do poder um dia.

Tudo o que Aquantis fez foi anuir com a cabeça e desviar o olhar. Trey imaginou que ele estava incomodado ali com aquela mulher. Enfim, eles apertaram as mãos e se despediram com a promessa de que se encontrariam no futuro para falar de negócios.

Até mais ou menos uma hora atrás, nem sonhava que poderia voltar para sua preciosa Imperatriz, e aqui estava ele de volta à viagem. Sully tinha assumido ao lado de Austin na pilotagem, pois só ele conhecia o caminho mais fácil para Lost Blue. Não demoraria muito a chegar, só precisavam passar por mais um atalho.

Apesar de tudo pelo que Sully passou, ele insistia em dizer que não sentiu nada e não teve nem um arranhão, somente as marcas das agulhas. Jack, por outro lado, ainda estava um pouco hipotérmico e precisou ficar de cama com cobertores e com a temperatura do quarto mais elevada. Kayllon ficou ao lado dele todo o tempo, segurando seu embrulho mais do que especial. Era o pequeno presente depois de tudo o que passaram, seu nome era Nicholla. Ele tinha nascido de uma cesariana forçada da qual Kayllon não sentiu absolutamente nada, pois ficou inconsciente todo o tempo, mas teve muito medo quando ouviu dos enfermeiros que praticamente vasculharam todo o seu corpo e estudaram sobre ele durante a cirurgia.

Estava tomando pílulas de fortalecimento, pois tinha perdido muito sangue, mas estava bem. O melhor era saber que Nicholla estava em perfeitas condições. Jack insistiu em dizer que ele era igualzinho a Trey quando pequeno. Isso deixou o comandante, de certa forma, orgulhoso que seu irmãozinho era parecido com ele.

Zack tinha levado Dominic direto para a enfermaria quando entraram na nave, e ficaram por lá durante horas com as portas trancadas. De acordo com ele, precisou fazer todos os exames físicos possíveis no saturniano. Trey riu com o pensamento, Zack mal conseguia disfarçar.

Ficou surpreso quando tinha indagado a todos, ainda na outra nave, se eles não desejavam ficar e trabalhar para uma nova Federação, mas todos tinham sido firmes em dizerem que queriam ir com ele para Lost Blue. Gavrel, inclusive o pegou de canto e disse a ele com convicção que Trey tinha se tornado seu comandante logo quando o abrigou, após perderem a nave Margosha. Ele era grato e faria o que fosse necessário para se tornar parte da tripulação permanentemente. O mesmo para Keesa.

Era bom ter mais aliados. Quando tinham se juntado ao grupo de Stella e combatido os guardas da rainha, pensou que não teriam chance, pois eram muitos inimigos. Mas trabalhando em equipe, com um plano em vigor, obtiveram sucesso e finalmente foi capaz de ter suas costas cobertas e chegar a Aquantis.

Todo o resto de seu pessoal estava bem, era tão bom saber disso. A sensação depois que a Imperatriz voltou ao espaço, seguindo viagem, foi de completo alívio. Parecia que um peso do tamanho de um planeta inteiro tinha sido tirado de suas costas e finalmente podia respirar.

Não precisava mais olhar sempre sobre o ombro ou se preocupar se teriam um amanhã. Estava livre, finalmente!

Wenda tinha sofrido algum tipo de lavagem cerebral quando Aquantis tinha feito o truque usando os cristais que Sully tinha sido forçado a fazer. Foi algo que Trey nunca sonhou em ver. Na verdade nunca imaginou que Aqua seria capaz de tal coisa. O Blue era muito poderoso, mas também muito bondoso, porque não quis sujar suas mãos com o sangue da rainha, mas preferiu deixá-la incapacitada.

Foi uma estranha escolha, mas que funcionou, pois Wenda foi presa e Stella assumiu, com a promessa de consertar as burradas que a outra fez.

Mergulhando na banheira de água quente, Trey suspirou. Deixando sua mente limpar de todos os últimos acontecimentos, com a doce sensação de gratidão no peito. O ar estava úmido com o vapor da água, cheirava as ervas que ele mais gostava, e seus músculos doloridos começavam a relaxar.

Não se atrevendo a mover ou abrir os olhos, ouviu quando a porta do banheiro se abriu e fechou. Passos descalços se aproximaram e então uma respiração quente se misturou com a sua. Seus lábios foram beijados singelamente e então mais uma vez antes de abrir os olhos e encontrar o olhar Aquantis sobre ele.

Aqua vestia um roupão branco, mas logo deslizou o nó frontal e o deixou cair, revelando seu corpo nu e corado.

— Posso me juntar?

— Você deve se juntar. — Trey sorriu preguiçosamente, desejando-o, abrindo espaço entre as pernas para Aquantis se sentar e recostar em seu peito. Abraçou-o apertado e beijou sua orelha, fazendo-o rir.

— Você está bem? — O Blue perguntou docemente.

— Não poderia estar melhor. — Beijou o lado de seu rosto, abraçando-o apertado. Aqua riu e resmungou. — Você foi tão legal… quando cheguei no laboratório e estava lá todo poderoso… eu fiquei excitado no mesmo momento.

— O quê? — Aquantis gargalhou. — Sério?

— Mas é claro! — Trey resmungou, mordendo o lóbulo de sua orelha e fazendo-o estremecer em seus braços. Claro que um certo amiguinho lá embaixo estava se animando de novo. — Você estava tão perigoso… eu gostei muito de vê-lo assim.

— Mas creio que não verá de novo. — Aqua se virou no seu abraço olhando-o seriamente. — Não quero passar por aquilo outra vez. — Seus olhos ficaram úmidos. — Eu não sou assim… não sou perigoso, não sou ruim… ela me provocou, sempre me provocava, sempre me fez mal… mas desta vez eu não pude me conter. O bebê mal começou a crescer e ela já queria tirá-lo de mim.

Trey embalou o rostinho de Aquantis e o puxou para um beijo doce, sufocando um soluço dele. Em seguida beijou cada olho, evitando que as lágrimas se derramassem.

— Está tudo bem, meu amor. O bebê está bem e eu estou tão feliz de saber que serei pai… não sabe quão orgulhoso estou e aliviado. — Tocou suavemente o ventre dele, sentindo algo doce em seu coração que nunca tinha sentido antes, um amor para um ser que nem mesmo tinha nascido ainda. — Esqueça o que aconteceu lá, para mim você sempre será meu Aquantis, o garoto doce e calmo que conheci e que amo.

Aqua envolveu os braços em torno de seus ombros e o abraçou, sentando de frente para ele.

— Desculpe, me descontrolei…

— Está tudo bem. Você fez a coisa certa.

Aqua segurou seu olhar e colou suas testas juntas. Ele o beijou e Trey correspondeu com todo o amor que tinha. Eles se afastaram sorrindo e Trey se moveu para morder e beijar seu pescoço, fazendo-o estremecer.

Usou aquele tempo para relaxar com Aqua na banheira. E relaxar também significava fazer amor. Aproveitar o máximo de tempo que estavam juntos e comemorar sua liberdade daquele jeitinho que os amantes faziam.

—*-*-

Foi uma noite de festa. Aquantis estava feliz que todos estavam se divertindo após o efeito de dobra bem-sucedido. Eles riram, comeram, dançaram e contaram piadas, conversaram sobre tudo e todos e fizeram planos para o futuro em Lost Blue.

Apesar de seu bumbum estar dolorido depois de fazer amor com Trey depois de tantos dias separados, sentia-se satisfeito e tranquilo. Tudo o que tinha bebido foi suco, enquanto os outros se arriscaram em bebidas alcoólicas. Ele não tinha interesse nisso, principalmente porque temia fazer mal ao bebê.

Olhou pela janela, sentado em um sofá que ficava perto da parede de vidro, observando as estrelas, os estranhos planetas, algumas naves distintas que apareciam ao longe.

Kayllon sentou ao seu lado, com o bebê nos braços. Eles sorriram um para o outro e Aqua olhou curioso para o recém-nascido.

Será que seu filho seria assim, tão pequeno e fofo?

Aqua tocou a mãozinha dele, que se fechou em seu dedo. Seus olhos caíram sobre ele, curiosos. Sua pele era leitosa e tinha um tufo de cabelos castanhos na cabeça. Sugava uma chupeta azul e usava uma roupinha de mesma cor.

— Ele gostou de você. — Disse Kayllon sorrindo com orgulho. — Ele é um bebê calmo, sorte a minha.

— Sim. — Aqua fez carinho de leve nas bochechas gordinhas do bebê. — Você está se sentindo melhor?

— Estou, só ansioso para chegarmos em terra firme.

— Eu também.

— Eu sempre fui um homem caseiro, sabe? Não foi fácil viajar por tanto tempo, ainda mais com todo o estresse e preocupação… mas eu sempre tive esperanças, pois Jack sempre me disse coisas tão boas, sempre me fez acreditar no futuro. Se não fosse por ele, não sei o que seria de mim… ou do bebê.

Aquantis olhou com atenção para ele e mordeu o lábio inferior.

— Foi assim com Trey também.

Kayllon pegou sua mão e a apertou. — Ele é um bom rapaz, não é?

— Sim. O melhor. — Respondeu tímido.

— Kayllon, Jack está te chamando! — Gritou um Zack meio bêbado, carregando uma garrafa e rindo muito. Dominic estava dormindo no bolso da camisa florida que ele usava, só com a cabeça para fora, seu rostinho corado por causa da bebida. — Eu estou rico! Rico, rico, rico! — Cantarolava. Ele tinha recebido uma quantia absurda da Federação dos Planetas em sua conta bancária.

— Bem, eu vou lá. — Ele beijou a bochecha de Aqua e se levantou.

— Quer que eu fique um pouco com ele? — Apontou para o bebê.

— Oh… — Kayllon pareceu relutante, ele estava muito grudado no bebê ultimamente. — Está bem. Qualquer coisa é só me chamar, okay?

— Está bem. — Aqua pegou o embrulho direitinho e o lugar de Kayllon foi imediatamente substituído por Trey, que caiu pesadamente ao seu lado no sofá com uma garrafa de bebida. Eles sorriram um para o outro e ficaram em silêncio. Seu amante ficou observando a criança.

— Pessoal! — Chamou Austin depois que a festa tinha acabado e havia gente deitada por toda parte, recuperando suas energias depois de gastá-las a noite toda. — Parece que estamos chegando!

— O quê? — Aqua se levantou já sem a criança, pois mais cedo Kayllon tinha recolhido Nicholla para dormir. Ouviu os gemidos de quem se levantava, mas todos estavam interessados no assunto.

— É normal estar tão escuro? — Perguntou Austin. Aqua olhou para a tela frontal da nave. Era difícil ver… mas estava lá. Um leve contorno na escuridão dizia que aquele era um planeta. Será que Lost Blue…

— Oh não! — Sully gemeu ao seu lado, cobrindo o rosto com as mãos e chorando. — Chegamos tarde demais!

Continua...

Notas finais
Obrigada por ler ♥