Lost Blue

36 Capítulo 36 - Imprevistos acontecem


Notas iniciais
Olá meus amores Aqui está mais um capítulo da série ♥ tomara que gostem! Boa leitura!

Finalmente a nave Imperatriz foi capaz de absorver luz e calor das estrelas mais próximas. Até onde foram capazes de ver, o universo desconhecido não diferia tanto do que conheciam, porém, não tinham explorado o suficiente para ter certeza.

Sully estava muito ansioso para surpreender seus amigos.

Dizer que eram “amigos” finalmente estava acontecendo. Não tinha como não serem se estavam juntos todos os dias, vivendo sob o mesmo teto, compartilhando a comida e o trabalho. E claro, depois que Sully foi declarado inocente de qualquer acusação e irmão de Aquantis, o tratamento mudou. Trey às vezes tentava manter uma conversa normal com ele, Zack o incluía em todos os assuntos, Morgana se desculpou tantas vezes por um acontecimento que já estava quase esquecendo. E Havia Jack que era bem mais velho e o tratava de uma maneira paternal, que o lembrou muito de seu pai Cody.

Kayllon tinha acordado no dia anterior antes de chegarem até aquele ponto no universo desconhecido e era gentil e adorável com ele, mesmo que antes demonstrasse que não gostava de Sully. Austin tinha lhe confessado que seu pai teve muitos ciúmes e não confiava nele por causa das coisas que tinham acontecido antes. Era compreensível, mas agora ele estava tentando ser mais agradável com Sully e eles tinham prometido se conhecerem melhor.

A nave estava viajando em direção a um atalho, claro que primeiro eles teriam que pousar em um lugar para colher suprimentos, porque depois de tanto tempo sem reabastecer, eles tinham essa prioridade.

Enquanto isso, Sully estava tentando entrar em contato com seus pais.

Tecnicamente, passaram-se quatro meses desde que teve contato com seu progenitor. Isso tinha acontecido durante um experimento que fez junto à Aquantis para salvar Keesa, que deu certo. No entanto, logo que tiveram que fazer a dobra e por causa dos motores danificados, tiveram uma divergência muito grande no tempo, isso causou uma série de problemas, o mais grave foi quase ter perdido Kayllon e o bebê.

Sully não queria preocupar seus amigos, principalmente Aquantis, mas estava muito apreensivo.

Sentado sobre o tapete de seu quarto, usava o Blube de seis faces para visualizar as fotos de seus pais no reflexo da parede de vidro de seu quarto, enquanto isso, Austin dormia profundamente.

Como era noite de acordo com o relógio universal — que poderia não vir a funcionar bem naquela região — as luzes da nave estavam baixas, como se em meia-fase. Seu quarto estava escuro, exceto pelo brilho que refletia nas janelas provindo de estrelas ao longe.

Nas fotos, seus pais estavam sorrindo e Sully era muito jovem, carregando um Aquantis pequenino em seu colo. Eles sorriam, porque naquele momento não haviam preocupações e todos estavam felizes.

Na imagem seguinte era apenas Sully adolescente e seu pai Cody lado a lado. O sorriso não chegava aos olhos, pois estavam tristes e quase sem esperanças.

Na outra imagem, Sully estava ao lado da nave de fuga que seu pai construiu especialmente para sua viagem intergalática atrás de Aquantis.

— Não consegue dormir? — Ouviu a voz rouca de Austin que estava sentado na cama, observando-o e coçando as costas.

— Não…

— O que está fazendo?

— Vendo algumas fotos.

— Venha cá. — Ele pediu gentilmente. Sully não podia recusar o pedido, ele subiu na cama e entrou nos braços de Austin que o envolveram apertado. Seu aroma era bom e sua pele era quentinha e macia, mesmo com tantos músculos duros por toda parte. Instantaneamente relaxou.

— Você deveria dormir e não se importar comigo, tem muito trabalho a fazer amanhã.

— Esqueça o trabalho, bebê. — Austin esfregou seu rosto nos cabelos de Sully, como um gato. — E eu me importo com você sempre, porque eu te amo.

Como poderia ser tão fofo? Sully às vezes achava que não o merecia.

— Obrigado por me amar. Eu sinto o mesmo, você sabe.

Austin o apertou ainda mais em seus braços, fazendo-o rir. Eles trocaram um beijo calmo e suave até seu amado o derrubar na cama e deitar abraçado a ele, o peito contra suas costas. Continuava pensando em quão sortudo era por ter alguém como Austin ao seu lado.

Durante longos anos, enquanto procurava por Aquantis, se sentia tão solitário e inseguro. Tinha medo de nunca retornar para casa e acabar sozinho no espaço.

E de repente, não só tinha seu irmão de volta, como Austin também.

— Sully. — Ouviu ser chamado quando estava adormecendo.

— Hum?

— Nós… estamos firmes, não é?

— Sim…

— E vamos viver juntos em Lost Blue, não é?

— Aham. — Seus olhos estavam se fechando novamente.

— Em Lost Blue as pessoas casam? Porque eu gostaria de me casar com você.

Os olhos de Sully se abriram grandes e ele congelou por um momento. Virou-se no abraço para olhá-lo nos olhos.

— Você quer se casar comigo?

O semblante envergonhado no rostinho de bebê de Austin era muito adorável.

— Sim, se você também quiser. Não precisa ser agora, se achar que é muito cedo, mas… só quero que saiba que eu gostaria disso.

Estava sorrindo. Mal acreditando.

— Você acabou de me pedir em casamento. — Deu uma risada.

— Por quê? Algum problema? — Austin torceu as sobrancelhas. — No meu planeta natal isso era bem comum e…

Sully o beijou com força e voltou a rir.

— Droga, Austin! Eu estou muito feliz! Tanto que não me aguento! — Seu sorriso não ia embora e tocou suavemente o rosto de Austin. — Eu só estou surpreso… não imaginava que esse momento chegaria para mim um dia.

Austin voltou a sorrir e tirou de debaixo do travesseiro um par de anéis.

— Não quis deixá-los na caixinha, parecia cafona. — Ele explicou, mostrando as joias na pouca luz provinda das janelas. Eram alianças de plutonium, um aço puro e muito valioso, conhecido por sua dureza incrível. Somente Aquantis tinha sido capaz de destruir uma porta inteira feita disso quando esteve na Federação da última vez.

Sully olhou com adoração, não conseguindo mais sorrir, mas sim se segurando para não chorar.

— São lindas…

— Dê-me sua mão.

Em Lost Blue os casais não trocavam alianças. Isso nunca existiu na cultura deles. Também não existia o casamento com cerimônias e tudo mais, eles simplesmente se declaravam casados e eram tratados assim. Os casos de traição eram raros, porque o amor quando os alcançava, não se deteriorava com o tempo. Os Blue eram conhecidos por serem muito amorosos e atenciosos com seus amantes, por isso a confiança era extrema.

Austin não precisava saber disso. Sully tinha conhecido muito da cultura lá fora para saber que ele estava sendo um verdadeiro cavalheiro e querendo-o para toda a sua vida.

Eles trocaram as alianças e se beijaram, esquecendo que precisavam dormir para descansar, somente para comemorar aquele momento único e especial que significava muito para o relacionamento deles.

—*-*-

Os próximos dias foram seguidos de muita observação.

Planetas com estranhos formatos e cores, que se diferiam muito dos que haviam na galáxia de Órus, os surpreendiam. Havia um clima estranho, medonho e bizarro. Era bom que tivessem Sully para indicar as melhores rotas, para não precisarem ser sugados pela energia de um buraco negro, atravessar tempestades eletromagnéticas e pegar buracos de minhoca sem perceber para de repente ficarem perdidos no espaço desconhecido.

Os mapas e equipamentos de rastreamento do espaço não funcionavam, já que não tinham sido preparados para o que não conheciam.

Naquela tarde, pararam em um porto espacial para recarregar a Imperatriz com suprimentos. A princípio, Trey pensou que seria um planeta, mas descobriu ser uma imensa nave como foi a nave da Federação em Vettore. A única diferença era sua cor negra e seus detalhes que lembravam um pouco a Margosha.

Não precisaram ir disfarçados, já que naquele lugar provavelmente ninguém os reconheceria.

Trey viu os mais estranhos alienígenas de todas as cores, com mais braços ou tentáculos, altos e baixos, gigantes ou minúsculos. Era interessante e pelo menos esse fato o lembrou de sua galáxia natal.

— Trey? — Chamou Aquantis do seu lado.

— O quê?

— Olha aquilo! — Ele apontou para uma banca de algodão doce. Esse tipo de coisas existia por aqui também? Que estranho. Esperava algo mais original.

— Ah sim. — Acenou com a cabeça. — Vamos ali comprar baterias.

— Ma-Mas, Trey… você não vai me comprar um algodão doce?

— Para que você precisa de um algodão doce? Nós acabamos de comer uma tonelada de comida no restaurante e você comeu sua sobremesa duas vezes. — Olhou incrédulo e o Blue fez beicinho, dando-lhe o tratamento do silêncio até que comprassem todas as baterias que precisavam.

— Ssherá entregue na sshua nave, sshenhor. — Disse um alien simpático com cabeça de cobra e uma língua bifurcada, ao lhe entregar seu cupom de compra.

— Muito obrigado. — Trey saiu com Aquantis ao seu lado e ainda em silêncio. Olhou para o Blue percebendo que ele ainda parecia irritado, então pegou sua mão

— Ei…

— … — Aqua ainda estava fazendo beicinho. Sério? Ele nunca tinha sido assim antes.

— Você está bem?

Ele só assentiu.

— Você ainda quer o algodão doce?

Desta vez capturou sua atenção e Aqua olhou bem para ele.

— Sim.

— Então vamos lá. — Beijou sua bochecha e o puxou dali.

Quando chegaram a barraca de algodão doce, descobriram que a coisa era feita das vísceras de um gornorinco branco com açúcar e Aquantis ficou verde na mesma hora.

Eles não compraram, é claro.

— Acho que preciso ir ao banheiro. — O Blue cambaleou ao seu lado, ainda mais pálido.

— Eu também acho... — Trey o levou rapidamente dali e esperou do lado de fora. Quando percebeu que Aqua estava demorando, entrou para ouvi-lo vomitar. Aquilo realmente o preocupou já que tinham almoçado não tinha uma hora.

— Aqua, você está bem? — Bateu na porta que ele estava, mas Aquantis ainda vomitava. — Céus… melhor eu avisar os outros. Você ficou enjoado só de ouvir o cara falar, nem comeu o algodão doce. Não entendo.

Tirou o comunicador do bolso e o colocou na orelha chamando Zack.

Ei!

— Ei! — Sorriu, recostando-se contra o lavatório. Zachary e Dominic ficaram na nave com Kayllon e Jack, caso o uraniano entrasse em trabalho de parto. Como era arriscado, eles tinham que ficar juntos. — Aquantis está passando mal.

Sério? O que ele tem?

— Ficou enjoado depois de ouvir um cara falar que o algodão doce era feito com as vísceras de um animal que a gente nem conhece.

Eca. — Zack simulou uma ânsia de vômito. — Onde vocês estão?

— No banheiro.

Olhe Trey, não é por nada não, mas… você andou tomando as pílulas de gravidez que eu te dei?

— Sim, por quê?

Só por curiosidade. Se não tomasse, eu poderia assumir uma gravidez. Lembra como Kayllon ficava enjoado? Então… eu precisei fazer exames em Dominic quando um dia desses esquecemos de usar preservativo, mas estava tudo normal.

— Você parece aliviado.

Zachary riu ruidosamente. — Você sabe porquê. Em nossa situação, não é muito inteligente fazer um filho, não até nos estabelecermos em Lost Blue. Você viu como Kayllon sofreu durante toda a viagem… não quero que Dominic passe pelo mesmo ou Aquantis.

— Sim, você tem razão.

Seu amigo lhe passou o nome de um remédio que podia ser comprado na farmácia mais próxima. Trey avisou Aquantis, sendo que tudo o que recebeu em resposta foi um resmungo enjoado e saiu para comprar.

Quando retornou, Aqua estava sentado no chão do banheiro, tão pálido e doente que o preocupou muito. Trey caiu ajoelhado à frente dele, grato pelo banheiro público estar vazio, embora lá fora estivesse tão cheio.

— Trouxe um remédio para enjoo.

— Terei que beber? — Ele perguntou ofegante e Trey balançou a cabeça, pegando um adesivo do bolso. Ele tirou o lacre e fez conforme o farmacêutico esquisito lhe informou, colocando o objeto no pescoço de Aqua, próximo da orelha.

O alívio foi instantâneo e o Blue suspirou.

— Isso é rápido. — Sua cor começou a retornar ao rosto.

Depois que voltaram a nave, Trey ficou muito zangado com as compras inúteis que Austin e Sully tinham feito, porque a listagem de compras foi separada da seguinte forma:

Aquantis e ele comprariam as baterias e todos os itens que os maquinários necessitavam para durar meses no espaço.

Morgana e Keesa comprariam o que precisava ser substituído na enfermaria.

Gavrel e Kimm levariam os prisioneiros para a segurança do porto.

E Austin e Sully comprariam comida.

— Mas nós compramos comida! Já foi carregada na nave. — Austin explicou, gesticulando. — Mas também não pude resistir a essas coisas. Olha como são fofas! — Mostrou um ursinho de pelúcia rosa, o mini carrossel, o monstro de brinquedo e outros. Havia uma pequena montanha disso. — Além do mais, logo meu pai vai ter o bebê, eu tinha que dar algum presente, não acha?

Trey suspirou. Austin era um caso sério de consumismo.

— Mas tudo isso custou quase 100 mil! — Bufou. — Meu pai e Kayllon já tinham comprado todo o necessário para o bebê… mas tudo bem. É melhor a gente colocar a Imperatriz em movimento antes que…

Não precisou terminar a frase. Pois o que temia chegou no momento seguinte.

— O que eles fazem aqui?! — Gritou ao mesmo tempo que Austin, olhando para a tela frontal. A nave-mãe da Federação dos Planetas estava bem ali.

— Merda! Merda! Merda! — Zack começou a gritar e ligar todos os motores.

— Desligue tudo agora. — A voz veio detrás deles.

Lentamente viraram para encontrar a rainha de Vettore bem ali, parada na ponte de comando apontando uma arma laser para a cabeça de Kayllon, que tremia dos pés a cabeça.

Jack estava nocauteado no corredor e vários soldados de branco, usando capacetes, entraram.

— Estou cansada de persegui-los. — Ela resmungou entre os dentes. — Vocês imaginam quanto combustível eu precisei usar para chegar até aqui? Isso é dinheiro do povo, vocês sabem… então vamos acabar com isso de uma vez por todas. Aquantis, venha com a mamãe.

Trey olhou para o Blue que lhe deu o olhar mais triste que já tinha visto, mas ele foi com eles.

Não… Não! Não! Merda! Não era para isso estar acontecendo!

— Prendam todos eles. Agora.

Guardas se espalharam e sentiu as algemas eletrônicas prenderem seus pulsos. O silêncio só era cortado pelos soluços de Kayllon, que começou a chorar de desespero.

— Não fique com medo, meu amor. — A rainha Wenda acariciou os cabelos de Kayllon, ela era assustadoramente alta. Até maior do que Morgana. — Se me obedecer direitinho você e o seu bebê vão viver. Quanto a eles… não garanto por quanto tempo podem durar nas minhas mãos. Vocês me irritaram muito, principalmente você, comandante Scarlet. — Apontou para Trey com um brilho maldoso nos olhos. — Confiei em você, em seu pai e no seu pessoal em que tudo o que precisavam fazer era cuidar do meu precioso tesouro, no entanto, me traíram e quiseram roubá-lo de mim. Ah, que tolice… — Ela balançou a cabeça freneticamente e então começou a sorrir, aquele sorriso que dava calafrios. — Vamos, vamos todos para a nave! Agora finalmente posso respirar aliviada. Preparem o meu vinho, rapazes!

—*-*-

Não soube em que momento apagou, mas sua consciência retornou da pior maneira possível. Sentia-se afogar e seus pulmões gritavam por ar. Aquilo doía, seus braços batiam freneticamente, e mesmo quando era puxado para fora da água, pareciam que toalhas encharcadas obstruíam todas as vias respiratórias.

Perdeu a noção de quantas vezes aquilo aconteceu até que desmaiasse novamente, sendo acordado com um jato doloroso de água fria sobre seu corpo nu, caído no chão frio de azulejos brancos, com um ralo debaixo dele.

Trey foi erguido por um guarda vettoreano muito forte e alto, que dava dois de Austin. Seus pulsos foram amarrados e ele foi pendurado como um pedaço de carne em um açougue. Em seguida veio a surra. Quando terminaram com ele, o jogaram em um canto, morrendo de frio e sangrando. O sangue percorria entre os azulejos em direção ao ralo, e assistiu aquilo ofegante, mal conseguindo mover um músculo.

Não sabia se algo estava quebrado ou se doía. Parecia mais em transe, com tudo adormecido. A única coisa que sentia realmente era sua respiração descompassada e seu interior tremendo.

Depois do que se pareceram horas, na mesma posição e do mesmo jeito, a porta se abriu e os guardas o levaram em uma maca. Desta vez eles foram gentis, cuidadosos, o que foi bizarro.

Precisava encontrar Aquantis. Estava tão preocupado.

Onde seus amigos estavam sendo mantidos?

Será que era o fim para todos eles?

Será que o sonho de encontrar Lost Blue não seria realizado?

Conforme a maca foi levada pelos corredores, as luzes acima dele quase lhe cegavam. Imaginou se era assim que Aquantis se sentia antes de encontrá-lo. Como se a vida não tivesse mais um sentido, como se não houvesse escapatória e permaneceria no limbo para sempre.

As mãos da Federação sempre estavam sobre ele, não importa para quão longe dirigisse, sempre seria encontrado.

E ele realmente acreditou que estavam livres dela. Que tolo.

Será que Kayllon e o bebê estavam bem? Esperava que a rainha não fizesse nada mal a eles. Queria tomar todo o castigo para poder deixá-los viver em paz. Absorveria toda a dor deles, pois não queria vê-los sofrer.

Sentia falta de Jack, seu pai, e pegou-se arrependido de não tê-lo abraçado mais vezes, de não ter dado mais de seu tempo para ficarem juntos.

Sentia uma falta imensa de Austin. A dor da lembrança de que ficou tão zangado com ele só porque ele tinha comprado presentes para o seu irmãozinho o deixou tão triste… Austin era tão amoroso e gentil, ele era um de seus melhores amigos, seu irmão no coração.

Esperava que Zachary estivesse bem. Seu amigo sempre surtava, mas nunca hesitava quando alguém precisava da ajuda dele. Ele tinha sido um herói tantas vezes e nunca foi capaz de dizer isso a ele.

Até mesmo sentia falta de Dominic… o pequeno saturniano que era tímido e tinha medo de tudo, mas que o ajudou a identificar os traidores antes que fossem mortos pelo temido pirata espacial Skultz.

Será que Sully ainda o odiava? Queria ter pedido perdão de joelhos e feito mais para ele que seria seu cunhado.

Ah… isso não iria mais acontecer, já que não sabia se teria a chance de ver Aquantis de novo.

Sentia saudades dos abraços de urso de Morgana, da careta permanente de Kimm, de sua amizade com Gavrel, mesmo da expressão esperançosa de Keesa quando pediu que ele cuidasse de Kayllon.

Estava com saudades da nave Imperatriz. Sua preciosa companheira há vários anos, que comportou ele e sua família sendo o seu lar.

E Aquantis… o garoto que amou antes mesmo de conhecê-lo. Cujos olhos verde-água transmitiam todos os seus sentimentos.

Sentia falta de ver o seu sorriso. De ouvir a sua voz… sentir a sua aproximação e o seu calor. Aqua tinha se tornado seu bem mais precioso, e não era porque ele tinha um grande poder e era cobiçado por ser um Blue… era porque o amava com todas as suas forças. Com cada ínfimo pedacinho de seu ser.

Antes, Trey não era nada além de um cara ganancioso que só pensava em ganhar dinheiro. Por causa disso, só colocava seus amigos em perigo e se metiam em problemas. Nem mesmo entendia como Zachary e Austin ainda ficaram com ele, como ainda podiam gostar dele.

No fim, tudo isso era sua culpa.

Tudo o que tinha acontecido, desde o começo, era culpa sua.

Sua mente estava começando a clarear e sentiu-se acordar de seus sonhos dolorosos. Finalmente estava sentindo seu corpo, seus dedos e seu coração bater.

Seus pulsos estavam amarrados, assim como os tornozelos. Haviam luzes acima dele que o aqueciam, como se aquela fosse uma mesa de cirurgia.

Não conseguiu abrir os olhos, mas seus ouvidos aos poucos foram retornando ao normal.

Acha que a rainha ficará furiosa quando souber? — Uma voz metálica perguntou ao longe.

Talvez não. Você sabe como ela adora experiências… mas se uma gravidez representar riscos, sacrifícios serão feitos.

Estavam falando de Kayllon? Sacrificariam o bebê?

Com quantos meses ele está?

Poucas semanas. Mas parece que a gravidez de um Blue leva menos tempo, teremos que perguntar a Sully.

Sim, ele sabe muita coisa. Foi bom descobrirmos que tem o mesmo DNA de Aquantis.

Trey não estava entendendo… será que estava ouvindo direito?

Como será que os Blue nascem? — A voz metálica, que Trey imaginou pertencer a um andróide, indagou.

Um híbrido de Blue e humano… creio que da mesma forma que os uranianos têm bebês.

O bebê de Kayllon está bem?

Oh sim, a rainha não vê motivos para mantê-los e pretende libertá-los.

Mas e quanto ao Scarlet mais velho? Ele não é o pai também?

Acho que ele não está com muita sorte. Um traidor para a rainha nunca é libertado.

Tem razão.

Parecia uma conversa simples durante o almoço e não como se elas estivessem discutindo a vida ou a morte de pessoas inocentes.

Sully estava grávido? Era isso o que tinha entendido?

Ouviu portas se fecharem e só então abriu os olhos, levando um imenso susto. Imaginava estar sozinho no imenso quarto, mas uma vettoreana estava bem ao seu lado, olhando-o sem piscar. Sua roupa impecavelmente branca e seu rosto indiferente eram medonhos. Ela era alta como Wenda, sua pele era de uma rica cor de chocolate, assim como os cabelos escuros presos para trás em um coque. Seus olhos pequenos e verdes o fitavam com interesse.

Quem era ela?

— Olá, Trey Scarlet. Estou aqui para ajudá-lo.

Continua...

Notas finais
Obrigada por ler ♥