Lost Blue
32 Capítulo 32 - Dobra no tempo
Notas iniciais
Já estavam na nave Imperatriz seguindo em direção para onde a Margosha estava camuflada. Keesa foi colocado na enfermaria e ainda não parecia bem, pálido como um papel. Zachary ficou com ele monitorando os sistemas eletrônicos e testando novos adicionais. Gavrel precisou ficar na ponte de comando com Trey e os outros, discutindo novos detalhes do que fariam nos próximos dias.
Na primeira hora de viagem, Aquantis havia explicado para o seu namorado o que havia conversado com Sully, detalhado para ele o que estava acontecendo com Lost Blue e qual era o seu real poder para ajudar. Trey ficou muito impressionado e preocupado, já que o planeta que seria a salvação deles estava prestes a ruir, isso o fez pensar e por isso se reuniu com Gavrel e os demais.
Aquantis, no entanto, tinha tantas preocupações na mente que não sabia exatamente o que fazer. Estava esperando que Trey lhe desse o direcionamento de tudo, afinal ele era o comandante da Imperatriz, um líder. Enquanto isso, o que restava era ajudar Keesa, ou ao menos tentar.
— Sully, você conseguiu os diamantes? — Encontrou-o no corredor.
— Sim. Aqui estão. — Ele ergueu um saquinho do tamanho de um punho fechado. — Não sei se é suficiente, mas é tudo o que consegui fazer por hoje.
— Tudo bem. Sua pele está radiante, o que usou para ficar assim?
Seu irmão ficou vermelho no mesmo momento e tossiu.
— Nada demais, só um creminho.
— Ah. — Aqua fez menção de pegar o saquinho, e mesmo por fora, começou a brilhar e brilhar conforme se aproximava. Recolheu sua mão e parou de brilhar. — O que foi isso?
— É a sua energia. Tudo o que precisa fazer é se aproximar ou tocar.
— Incrível! — Ele tentou de novo e ficou tão reluzente que precisaram fechar os olhos. — Será que vai funcionar?
— Espero que sim. Vamos lá!
Zack estava super focado em seu tablet e Aquantis precisou cutucá-lo no braço para ele perceber que já estavam lá. Ele deixou o tablet sobre uma das macas vazias e sorriu.
— Tudo certo?
— Sim. — Aqua e Sully assentiram.
— Muito bem, eu montei um sensor solar com materiais que usamos na calota da nave, vai servir para eu medir as proporções dos raios, assim como se está fornecendo o que Keesa precisa. Não vamos arriscar que ele tenha queimaduras, não é?
Aquantis assentiu, ouviu Zack falar mais termos técnicos sobre o que estava fazendo e o ouviu com atenção, embora não entendesse bulhufas.
Zack forneceu uma caixa de vidro pequena e disse ser este o dispositivo para proteger Keesa dos raios intensos. Sully colocou os cristais dentro e Zack fechou com a trava. Em seguida a caixinha foi colocada sobre as mãos de Aquantis, mas não ficou em sua palma, porém flutuando, como o Blube, aquele cubo de Lost Blue. A luz foi instantânea, iluminando toda a sala como mil lâmpadas brilhantes. Zachary precisou puxar as cortinas entre uma maca e outra para poder olhar na tela de seu tablet.
— Está funcionando! — Comemorou.
Aquantis sentia uma estranha sensação passar por ele. A luz fazia cócegas por onde quer que tocasse em sua pele. E um calor diferente de tudo o que já sentiu passar pelas palmas de suas mãos.
Os raios de luz não apenas lhe tocavam a pele, parecia que a penetravam. E essa sensação foi se intensificando, até que sentiu sua mente ser tocada.
Um clarão tomou sua visão, para no segundo seguinte estar em um lugar que era apenas luz. Não havia chão, teto, paredes, mas havia outro ser ser além dele.
Podia reconhecer sua silhueta a partir das visões que teve em Epsulum38 e da imagem gravada no Blube. Era seu pai Someya, seu progenitor.
— Aquantis… Aquantis… onde você está? Para onde você foi? — Chamava. Sua voz embargada pelo choro. Ele estava sentado, abraçando suas pernas, balançando para frente e para trás. — Por favor… volte… sinto sua falta… preciso de você, meu filhinho.
Engolindo um caroço como se fosse uma noz, Aquantis se aproximou.
— Pai?
Someya congelou e então olhou para trás com olhos arregalados, incrédulo.
— O que… o que faz aqui? Como chegou aqui?
— A luz… ela me trouxe.
Os olhos de seu progenitor ficaram inundados. Ele tentou se levantar, mas não conseguiu e caiu aos seus pés. Aquantis se ajoelhou e o ajudou a se sentar.
— Você está bem?
— … — Ele apenas o olhava atordoado. E então mudou de assunto. — Você cresceu tanto! Está tão lindo. — Lágrimas escorriam pela face e ele tocou seu rosto, seus dedos deslizando por seus traços. — Será que estou sonhando?
— É aqui que você está se escondendo, não é? — Aqua tinha uma ideia do que provavelmente era aquele lugar.
Someya assentiu, começando a tremer e olhando para os lados, envergonhado.
— I-Isso não é real… você não é real. Implantaram você na minha mente porque querem que eu volte. — Ele segurou os próprios cabelos, os puxando entre os dedos. — Nã-Não vou fazer isso… eu vou morrer… morrer…
— Shhh. — Aqua tocou as mãos dele, as desembaraçando dos cabelos e as levando para os lábios. — Sente isso?
— Sim… — Ele ainda não parava de chorar, o que estava lhe cortando o coração. — Por que parece tão real?
— Porque eu sou real. — Sorriu com carinho, segurando suas próprias lágrimas. — Sully me encontrou e estamos indo em direção a Lost Blue. Por que não volta e prepara tudo para minha chegada?
— Vai voltar?
Assentiu com um sorriso. Seu pai parecia tão perdido. Ele era tão jovem também e belo. Mas estava muito magro e pálido.
— Você precisa se cuidar e voltar ao normal. Lost Blue precisa de você… Sully e eu também. Somos seus filhos e queremos ver nosso pai feliz.
— Ele está certo, papai. — Sully apareceu ao lado deles e sorriu para Aquantis. Seus olhos eram como piscinas cheias de lágrimas que ele estava tentando segurar, muito emocionado de estar ali.
— Sully, meu carinho… — Eles se abraçaram com força e Sully sussurrava palavras reconfortantes na sua orelha.
— Nós vamos voltar, papai. Por favor, fique bem. Nós te amamos muito.
— Eu sei, também amo muito vocês. — Ele puxou Aqua para o abraço também.
Aquantis se sentiu como se não houvesse mais de uma década em que ficaram separados. Sentiu como se aquele sentimento tão bom estivera sempre presente em sua vida. Então, em questão de segundos, ele tinha retornado para a enfermaria, ainda com o cubo brilhando e flutuando em suas mãos. Ele o entregou de volta a Sully e enxugou as próprias lágrimas.
Zack saiu detrás das cortinas, sorridente, porém olhou curioso para eles.
— O que aconteceu? Por que estão chorando?
— Na-Nada. — Sully abanou com desdém. — Deu certo?
— Deu sim! Os níveis de vitamina presentes em Keesa já se elevaram e ele vai acordar muito melhor. Quem diria que esses cristais fossem tão poderosos. Estou ansioso para conhecer Lost Blue e ver tudo o que há de novo lá!
Aquantis deu uma risadinha e apertou o ombro do amigo.
— Eu também.
—*-*-
Trey olhou para o estranho controle em forma de um metal polido que o fazia comandar sua nave. Gavrel tinha explicado que bastava pensar em uma das ordens que ele estava habituado a dar e aconteceria. Ele testou o layout da nave, as opções do telão frontal, até mudar os sofás de lugar ou as poltronas de comando.
— Eu pedi que fizessem um compartimento de matéria escura na sua sala de máquinas. — Explicou Gavrel, ambos sentados nos sofás traseiros dentro da ponte de comando. Austin pilotava enquanto comia salgadinhos e Jack estava ao lado dele fazendo o trabalho de Zachary.
— Espere… o quê? — Ele já imaginava isso, mas ainda não tinha ouvido da boca de Gavrel.
A matéria escura era um composto espacial que existia para venda apenas no mercado negro por causa dos perigos que representava e os altos riscos na extração. Não sabia os detalhes de como era possível aprisioná-la em uma nave, mas tinha visto em primeira mão ela ser usada pela nave Margosha.
— A princípio pensei que não fosse uma necessidade para vocês, mas então Kimm me deu a ideia de que a Imperatriz precisava entrar em dobra. Esta nave é menor e mais compacta se comparado com a Margosha, sendo assim, vocês têm a capacidade de fazer viagens muito mais promissoras.
— Então… a Imperatriz agora pode entrar em dobra? — Não estava acreditando.
— Sim. Acredite em mim, é muito eficaz. Mas não usem demais, ou pode haver consequências no espaço-tempo.
— Minha nave não vai ficar com cheiro de enxofre, não é? — Perguntou com uma sobrancelha levantada.
Gavrel balançou a cabeça. — Esse cheiro vem das caldeiras de enxofre, pois a Margosha é muito antiga e… — Ele olhou para a tela frontal da ponte de comando, onde era possível ver a nave-mãe ao longe… sendo partida ao meio por um laser gigantesco e azul fluorescente proveniente de mega-naves da Federação dos planetas.
Trey congelou. Gavrel também.
E aquele segundo pareceu durar muito mais do que o normal em câmera lenta e silencioso. Quando se deu conta do que realmente estava acontecendo, a nave Imperatriz sacudiu inteirinha com o teor de monstruosidade que era a arma que a Federação estava usando para destruir a nave Margosha.
O comunicador geral da nave Imperatriz soltou um chiado horrível antes de Gavrel perder a completa compostura e ir até o painel de comando, quase caindo no processo.
— Alguém? O que está acontecendo?! Respondam!
— Se-Senhor… — O chiado era muito forte, mas todos podiam ouvir a voz de um dos homens que trabalhavam na nave-mãe. — A Margosha foi atacada!
— Vão para as naves de fuga! — Gavrel gritou.
— Estamos fazendo isso senhor… — Houve mais interferência, até que o homem começou a gritar e perderam completamente o contato.
No segundo seguinte, a tela frontal da Imperatriz apagou e quando a imagem retornou, era a própria rainha Wenda. Ela tinha aquele mesmo sorriso de sempre, amedrontador. Trey respirou fundo, seu coração estava prestes a sair do peito.
— Vocês se acham tão espertos. — Ela deu uma estridente risada. Estava impecavelmente vestida de branco, com seu cabelo preso para trás em um coque perfeito. — Pensaram mesmo que poderiam ficar tanto tempo se escondendo? Pois bem, o castigo já começou. — Ela ficou séria tão de repente que Trey engoliu em seco. — Entreguem-me Aquantis.
— Ou o quê? — Trey a enfrentou. — Você não tem direito nenhum sobre ele. Deixe-o em paz!
— Há, que tolo. — Ele voltou a sorrir, seus olhos quase se fechando. — Vocês são tão ingratos. Eu dei-lhes dinheiro, muito dinheiro, dei um trabalho a Jack Scarlet por mais de cinco anos capaz de fazê-lo juntar uma fortuna, cuidei muito bem da galáxia de Órus, por isso ninguém reclama. E agora, querem tirar de mim meu único tesouro? Vocês sabem que já estão mortos, não é?
Trey não esperou para ver. Ele foi até a tela e a desligou, voltando a se tornar apenas a janela frontal.
— A dobra, agora! — Gritou para ninguém em especial, mas sim ao controle que estava em sua mão. Jack e Austin trabalhavam com desespero, enquanto Gavrel tentava contato com mais alguém da Margosha. Morgana correu para verificar os demais e Trey usou o comunicador geral da nave. — Escutem todos! Vou acionar o novo sistema de segurança. Fiquem onde estão e coloquem os cintos de segurança. Nós vamos entrar em dobra!
Austin fez um ótimo e difícil trabalho desviando a nave Imperatriz dos raios lasers da Federação. Raios que foram capazes de estraçalhar uma nave-mãe!
A Imperatriz chacoalhou e girou, como em uma montanha russa. Todos tinham tomado seus lugares, e nas demais cabines, usado o novo sistema de segurança que consistia em: não importa onde você esteja, um cinto de segurança vai te prender e transformar em um colete, que logo converterá em um traje invisível de proteção contra danos. O melhor sistema já instalado na nave depois do efeito de dobra na opinião de Trey.
A nave tomou uma velocidade monstruosa e toda a luz desligou, permanecendo apenas as de emergência. Isso acontecia para manter toda a energia focada apenas na viagem, que durava segundos ou até minutos, dependendo de para onde queriam ir.
Em meio ao barulho absurdo, os nós dos dedos de Trey ficaram brancos conforme apertava o apoio do assento, além de cerrar a mandíbula com força como se algo seria arrancado de seu corpo, ouviu um número ser gritado no comunicador. Era a voz de Sully e tudo o que foi capaz de responder com muita dificuldade foi:
— Vá para onde… ele está… dizendo…
Zack apertou um único botão no painel e finalmente chegaram. A nave se estabilizou no pleno breu. Uma escuridão total. Sem nenhum corpo celeste nas proximidades.
—*-*-
Aquantis se banhou, vestiu um roupão e terminou de secar o cabelo quando voltou para o quarto. Da porta, observou Trey sentado na cama de casal flutuante, olhando para a janela que tomava toda a parede, observando o puro breu.
Diferente do que estava acostumado a ver no espaço, sempre teria pequenos pontos de luz de diversas cores por todos os lados, mesmo que não houvesse qualquer planeta nas proximidades. Porém ali foi muito esquisito, era como se estivessem presos em uma caixa escura.
Trey não parecia feliz. É claro, depois do que aconteceu, tinha deixado todos muito chocados, inclusive Aquantis. Engoliu em seco.
— Onde será que estamos? — Perguntou para tentar aliviar o clima.
— Sully nos disse que é chamado de Ponto Morto. Estamos no centro da fronteira do universo conhecido e o desconhecido.
— O quê? Sério? — Ficou pasmo. Será que o desconhecido era assim tão escuro? Não haviam estrelas?
Trey assentiu e bateu ao seu lado da cama. — Venha cá.
Aquantis não pensou duas vezes e sentou ao lado dele, bem pertinho. A mão de Trey foi para a sua coxa a apertou, mas seu olhar era sério e focado em seu rosto. Isso meio que o deixou desconcertado, como se Trey pudesse ver através dele.
— Vou te pedir uma coisa. Eu não quero que se sinta culpado pelo que aconteceu.
Engoliu em seco, porque a voz de seu companheiro estava grave e não admitia o contrário. Seus olhos ficaram brilhantes, mas não se permitiu chorar. Trey já deveria estar cansado de suas lágrimas.
— Não é culpa sua. — Ele repetiu como se quisesse infundir tais informações na sua mente. — Desde que te conheci, nunca o culpei por nada, Aquantis. — Os dedos dele tocaram levemente seu rosto, enquanto a outra mão deslizou por seu braço e sua voz ficou baixa e suave. — Amo esse seu jeito calmo e passivo, mas também gosto quando se irrita e fica determinado. Amo que se importe tanto com os outros, muito mais do que consigo mesmo… porque isso mostra quão bom o seu coração é. Vou te contar uma coisa. Antes de conhecê-lo, eu era muito diferente. Demorei para perceber minha mudança. Eu gostava de dinheiro, achava que tinha que viver para isso e assim poderia ter todas as coisas que eu queria… uma nave melhor, lazer, conforto e amantes. Não acreditava nessa coisa de sentimentos, sabe… — Sua voz ficou ainda mais baixa.
— Então, quando você apareceu, eu senti que minha vida não estava indo bem, que estava perdendo algo importante dela. E você fez essa mudança acontecer, conquistou meu coração.
Aquantis fungou, as lágrimas queriam sair e algumas escaparam, mesmo que ele estava segurando. A mão de Trey ainda estava em seu rosto e ele recolheu uma lágrima com o polegar, ainda com o olhar focado no dele.
— Eu parei de fumar, parei de pensar bobagens à respeito do dinheiro, porque tudo o que desejo agora é poder chegar a Lost Blue e ficar com você para sempre. Então, não se culpe por nada do que houve, porque tudo isso apenas aconteceu para coisas melhores virem no futuro. Lembra que eu te disse que nada acontece por acaso?— Ele lhe deu aquele sorriso mais lindo e foi o fim para Aquantis. Seu rosto se contorceu quando ele chorou.
Um beijo caiu em sua testa e ele foi puxado para os braços fortes.
— Eu te amo. — Foi tudo o que conseguiu dizer, porque temia chorar mais se tentasse falar de novo.
— Eu também, meu amor. — Alisou suas costas.
Eles ficaram assim por um tempo, até que suas lágrimas secaram. Aquantis se ajeitou no abraço, colocando suas pernas sobre as coxas de Trey e embrenhando seu rosto na curva de seu pescoço. Foi carinhoso, confortável e significou muito.
Se afastou um pouco quando Trey mudou de posição. Seu olhar estava outra vez fixo no dele e pedinte. Aquantis se inclinou e permitiu ser beijado. De início foi leve e suave… até se intensificar quando abriu mais seus lábios e permitiu que a língua de Trey invadisse. Afastou-se apenas quando o ar se tornou necessário e teve seu lábio inferior puxado entre os dentes de seu amante.
Eles voltaram a se beijar com intensidade e as mãos de Trey começaram a tocar lugares em seu corpo que ele sabia que o deixavam quente.
O comunicador apitou no meio do beijo e eles precisaram se afastar quando a voz de Kimm soou.
— Senhor Scarlet.
— Sim? — Trey respondeu depois de limpar a garganta. Suas bochechas estavam vermelhas, era muito lindo. — Me chame apenas de Trey, por favor.
— Temos um problema, Trey. Acho que vai querer ver isso pessoalmente.
— Já estou indo. — Ele desligou o comunicador e suspirou.
— O que será que é? — Aqua indagou preocupado.
— Eu não sei, mas não deve ser grave. Preciso me acostumar a ideia de que há estranhos na minha nave. — Seu olhar pairou sobre Aquantis por um momento e o Blue até se perguntou por quê, quando Trey o empurrou para cama e caiu em cima dele, beijando-o ferozmente, suas línguas dançando juntas. As mãos dele deslizaram por seu corpo e apertaram sua ereção por cima do roupão, arrancando um gemido abafado de Aquantis.
Ele se afastou ofegante, ajeitando suas roupas e saindo.
Aquantis olhou indignado, ainda deitado na cama, quando Trey simplesmente foi embora... rindo.
—*-*-
— Então, o que aconteceu? — Perguntou a general Kimm quando ela se virou. Ela era bonita, mas parecia sempre zangada, com o olhar desconfiado. Seu cabelo loiro estava preso em um coque perfeito e continha uma farda na cabeça combinando com seus trajes de general. Exceto que não eram polidos como os que seu pai usava na federação, brancos, eram de cor escura, parecidos com os que Gavrel usava.
— Parece que tivemos um problema sério com o espaço-tempo quando fizemos a dobra. Nossos engenheiros podem ter errado algum cálculo que nos custou meses das nossas vidas.
— O quê?
Ela suspirou.
— O senhor Maverick está passando mal na enfermaria. — Referia-se a Kayllon.
Trey olhou para Gavrel quando ele se aproximou.
— Me explique isso!
— Olhe Trey…
— Como assim custou meses das nossas vidas?
— Olhe para o relógio.
Trey olhou para a tela principal da nave e para o visor que mostrava as horas e todos os dados sobre o tempo.
— Merda.
Quatro meses se passaram em meros segundos.
Como isso foi possível?
— Trey. — Zack se aproximou, entrando na conversa. — Não é hora para ficarmos com raiva. Gavrel avisou que entrar em dobra poderia ter consequências…
— Mas ele falou que aconteceria se usasse muito!
— Eu sei, mas veja pelo lado bom, nós conseguimos escapar da Federação. Eles não vão nos encontrar aqui.
Respirando fundo, ele assentiu. Porém um olhar para o lado encontrou Sully sentado com o rosto entre as mãos e um Austin super preocupado o abraçando.
— O que aconteceu com eles?
Zack lhe deu um olhar triste e suspirou. — Sully está preocupado com seus pais. Ele não esperava demorar tanto tempo para voltar depois de encontrar Aquantis… e com a situação do planeta, tem medo de ser tarde demais.
É mesmo.
Como Aquantis reagirá ao descobrir?
Trey seguiu os outros até a enfermaria, e como Kimm havia informado, Kayllon estava pálido como um lençol sobre a maca. Seu peito subia e descia mais rápido e ele se contorcia com espasmos. Seu ventre parecia maior também.
Oh céus.
— Ele…
— O bebê sofreu um surto de crescimento muito rápido e Kayllon está sentindo todo o mal-estar de quatro meses de gravidez a mais de uma só vez.
— Ele já vai ganhar o bebê?
— Creio que ainda não. Ele perdeu as contas, mas acha que tem entre sete e oito meses de gestação.
— Não pode dar a ele algum analgésico?
— Fiz isso, não está funcionando.
Trey olhou para seu pai. Jack parecia muito preocupado e tão pálido quanto Kayllon. Todos estavam preocupados que seu novo irmãozinho não sobrevivesse às alterações drásticas. E também temendo não encontrar mais abrigo em Lost Blue.
Continua...
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