Lost Blue

23 Capítulo 23 - O Lado Proibido


Notas iniciais
Olá meus amores! Ufa, até que enfim mais um capítulo pronto para esta história ♥ se preparem para muitas emoções hahaha espero que gostem! Boa leitura!

Jack estava completamente assombrado com o que Morgana tinha acabado de lhe contar. Ela o tinha arrastado para o quarto, trancado a porta e simplesmente cuspido as palavras, sem fôlego.

— Sully acabou de me dizer a verdade. Ele é um Blue! — Ela tinha dito tão baixo e com tanto desespero que Jack ficou assustado com aquela reação. — Ele está aqui por Aquantis, é o seu irmão mais velho.

Jack se sentou na cama e franziu a testa para ela.

— Tem certeza do que está dizendo?

Ela balançou as mãos no ar.

— Você acha que eu mentiria para você?

— Céus. — Os olhos de Jack se arregalaram. Morgana jamais mentiria. Se tinha alguém para confiar, era ela. Era sua melhor amiga e nunca prejudicou ninguém.

Mas se tinha algo que não poderia confiar a ela era um segredo. Ela era uma ótima conselheira, mas a palavra “segredo” despertava seu sentido contrário. Ela mesmo já havia admitido isso para ele antes.

— Ele me pediu segredo, Jack, segredo! Como posso guardar algo assim?

Jack suspirou.

— Considerando que você acabou de contar para mim, não é mais um segredo. — Ele se levantou e colocou as mãos sobre os ombros dela. — Olhe para mim.

Ela olhou, estava prestes a chorar e isso fez o coração de Jack doer. Ele a puxou para os seus braços. Ela imediatamente o agarrou em seu abraço de mamãe ursa. Morgana era mais musculosa do que ele, e com certeza tinha um aperto daqueles.

— Vai ficar tudo bem. — Disse com um pouco de dificuldade. Ela o estava esmagando.

— Obrigado, Jack meu amor, mas como poderei não contar ao amável Aquantis sobre isso? É o irmão dele… — Ela se afastou com uma carranca. — Estou me sentindo culpada por ter desconfiado de Sully… eu deveria ter confiado em meus instintos.

Jack novamente apertou os ombros dela.

— Pare com isso. Você sempre me diz para não me culpar, mas para seguir em frente ou fazer algo a respeito. Não pode dizer a Aquantis nada disso, é dever de Sully contar a ele a verdade. Você só precisa convencê-lo a fazer isso logo.

Morgana assentiu, sua expressão mostrando mais determinação.

— Você está certo, Jack. É o que farei. — Ela olhou ao redor. — E Kayllon?

— O que tem ele? — Jack se afastou para sentar-se à beira da cama.

— Vocês se acertaram de uma vez por todas? — Ela tinha aquele sorrisinho que fez Jack rir.

— Acredito que sim. Ele está feliz. — Jack não pode conter o seu sorriso só de pensar em Kayllon. — Os sintomas da gravidez deram uma trégua, então estou mais tranquilo.

— Hum, isso é ótimo. — Morgana sentou-se ao lado dele e pegou sua mão, apertando. — Vê-lo me fez lembrar quando tive meu Zack. — O sorriso dela era triste. — Melhor não pensar nisso, não é? — Ela se levantou e o puxou com sua força incrível para ficar de pé. — Vou ver Dominic, quer vir?

— Hum… sim. — Ele lhe deu um sorriso hesitante. Seguindo-a.

Morgana nunca falava de sua vida amorosa para ele, e das vezes em que tentou conversar com ela sobre isso, ela mudava de assunto com uma facilidade que chegava a dar medo. Jack até entendia. Nem mesmo ele gostava de lembrar da época em que foi abandonado com um Trey bebê para criar, até então ele era um temido caçador de recompensas. Sua tripulação o abandonou, e depois disso sua carreira fracassou. No entanto, ele criou Trey para que ele, diferente de Jack, tivesse sucesso em sua vida.

Morgana, no entanto, não costumava falar sobre quando teve Zachary. Seu filho era seu maior tesouro e ela acabou adotando toda a tripulação. Todos a amavam muito.

Jack pensou que ela provavelmente queria uma chance no amor como ele teve com Kayllon. Acreditava que mais cedo ou mais tarde alguém veria a mulher incrível que sua amiga era e se apaixonaria por ela.

—*-*-

Trey olhou ao redor. O horizonte de prédios tinha desaparecido através da neblina. Seus pés estavam firmemente afundados na água, dificultando cada passo que dava. Suas roupas tinham se tornado pegajosas, em parte pelo suor, como pela umidade muito elevada daquele lugar.

Aquantis estava andando ao seu lado, em uma situação não muito diferente. Trey o viu lamber os lábios secos, o que o preocupou.

— Alguém trouxe água?

Gavrel olhou para ele, na mesma situação e balançou a cabeça.

Johnny que estava a frente dele se virou tão rapidamente e sorriu com todos os dentes. Diferente deles, sua roupa estava impecável, até mesmo seu cabelo. Esperado de um maldito androide.

— Eu tenho. Só um instante. — Ele buscou algo dentro de seu casaco e retirou uma garrafa de água de um litro. Como aquilo coube lá? — Aqui está! — Entregou para Gavrel que deu a Aquantis.

O Blue agradeceu baixinho e bebeu avidamente, entregando-a para Trey, que depois que bebeu, deu a Gavrel.

— Você bebe água, Johnny? — O comandante Margosha, perguntou.

— Mas é claro. Fui feito exatamente como vocês humanos foram. Eu apenas sou mais resistente. — Ele parecia ter orgulho disso, o que fez Trey revirar os olhos. — Estamos quase lá.

Trey olhou para Aquantis, que parecia curioso olhando ao redor, mesmo que eles já estivessem tão cansados pela caminhada esquisita que estavam fazendo.

— A partir de agora… — Começou Johnny, chamando a atenção deles. — Mantenham a calma. A neblina vai se tornar mais intensa, por isso é melhor nos mantermos juntos. É provável que vamos ter alucinações de pessoas que não estão aqui.

— Alucinações? — Trey repetiu baixinho. Johnny e Gavrel que estavam na frente, de repente se tornaram fumaça. Ele olhou para o lado para Aquantis, que olhou para ele antes de também se tornar fumaça e desaparecer. Ele olhou ao redor, perdido.

— Ele disse para manter a calma. — Ele andou meio perdido. — Aquantis! — Ele chamou. — Gavrel!

Ele viu uma silhueta mais a frente e apertou os olhos para identificar quem era.

— Sully? — Ele chegou mais perto. — O que faz aqui? — Era tão real que era difícil associar aquilo com uma alucinação.

Sully se virou, aquele semblante de escárnio que ele detestava. Aquantis caminhou até ele, surgindo através da neblina.

— Desculpe, Trey. Sei que me odeia e porquê. Mas quer saber? Você estava certo o tempo todo. — A voz de Sully soou como se ele realmente estivesse ali. Sully puxou Aquantis para os seus braços e beijou sua bochecha. Aqua se encolheu nos braços dele e o abraçou de volta.

— O que está fazendo? Isso… — Ele ficou sem palavras.

— Desculpe, Trey. — Aquantis murmurou, afundando seu rosto no pescoço de Sully.

— Você o ouviu. — Sully lhe deu um olhar de desculpas e um triste sorriso falso. — No fundo eu sempre soube que Aquantis seria meu. — Ele puxou o queixo de Aquantis para olhar seu rosto e o beijou delicadamente.

Tudo o que Trey pode fazer foi olhar para aquilo sem palavras para pronunciar, seu coração parecia ter sido arrancado do peito, por isso uma enorme sensação de vazio permaneceu por lá, e maldição, sangrava. Ele olhou para baixo, vendo seu peito literalmente aberto, seus ossos quebrados, seu coração boiando sobre a água e sangue derramando em cascatas de seu corpo. Seus olhos reviraram nas órbitas quando desmaiou.

—*-*-

Aquantis tropeçou em algo e caiu sobre seus joelhos. Levantou-se novamente. Se antes já estava todo molhado, agora resumia-se a encharcado. Ele se auto-abraçou sentindo a temperatura cair.

Uma borboleta azul surgiu bem à frente de seu rosto como magia. Ela voou em torno dele e sentou sobre o seu braço. Era tão linda e brilhante.

Como borboletas poderiam estar em um lugar como aquele…?

Ah. As alucinações, é claro. Pareciam tão reais que era difícil acreditar que não eram.

A borboleta levantou voo e Aquantis a assistiu desaparecer na neblina.

Quando olhou para frente, seu sorriso desvaneceu sendo substituído por uma expressão de medo absoluto. Wenda estava bem ali, a sua frente, a um metro e meio dele, com seu enorme sorriso de lua, mostrando todos os seus dentes brilhantes, seu olhar arregalado e fixo nele que sempre lhe dava pavor, sua estatura muito alta como dos nativos do planeta Vettore, sua pele clara, cabelos loiros amarrados como um coque perfeito e suas típicas roupas brancas sem uma mancha sequer ou amarelado.

Ela acenou em sua direção.

— Você está ótimo, Aquantis. — Ela riu da mesma forma como fazia antes de intimidá-lo.

— O que você… como me achou? — Aquantis olhou ao redor, pronto para fugir. Onde raios estavam Trey e os outros?

— Você vai querer fugir da sua mãe depois de tudo o que eu passei para encontrá-lo?

Aquantis tropeçou em seus próprios pés, mas manteve-se em pé, dando um passo para trás a cada passo que ela se aproximava.

— Você não é a minha mãe!

— Como ousa dizer isso de quem o criou por todos estes anos? — Os olhos dela se estreitaram e seu sorriso desapareceu. — Você é um pequeno Blue ingrato. Mas de qualquer forma, eu trouxe um presentinho para você. — Ela acenou sobre o ombro e estalou os dedos.

Guardas trouxeram duas cadeiras de tortura com dois homens amarrados a elas. Ambos olharam para ele com horror e Aquantis reconheceu aqueles olhares imediatamente, embora não fazia ideia de quem eles fossem. Eram o mesmo olhar que ele via sempre que se olhava no espelho.

Ele engoliu em seco. Um dos homens era mais alto e mais construído, com seus cabelos azuis, curtos e arrepiados, e olhos cinzentos. O outro tinha os cabelos longos e tão brancos como a névoa que os rodeava, seus olhos eram verde-água como os de Aqua. Ele era magro e o lembrou um pouco de Sully, não entendia por quê. Ambos estavam com suas bocas vedadas por fitas, amarrados nas cadeiras de tortura, seus pulsos e tornozelos presos por cintas de couro.

— Gostou do que vê? — Perguntou a rainha, novamente com aquele sorriso maldito. — Aposto que não faz ideia de quem são eles, não é? — Ela gargalhou. — É por isso que sou sua mãe. Se você não é capaz de reconhecer os seus próprios pais, quem são eles para você, então? Eu sim fui quem te criei, e você simplesmente fugiu de mim?

Os olhos de Aquantis nunca foram maiores. Ele disparou na direção daqueles dois homens, mas a rainha lhe bateu tão forte na cabeça que ele caiu para o lado sobre a água.

— Matem-os! — Ela gritou e tudo o que Aquantis pode fazer foi gritar o máximo que seus pulmões poderiam permitir antes que sangue espirrasse sobre ele quando seus pais foram mortos na frente dele. Mal pode ver, pois seus olhos estavam embaçados pelas lágrimas. A rainha o agarrou pelos cabelos e o puxou para estar rente ao rosto dela. — Eles estão mortos. O que adianta chorar, meu bebê? — Ela disse com humor e loucura. — Você é meu. Eu vou levá-lo de volta e nunca mais poderá fugir de mim.

Aquantis olhou para ela com horror, mas de repente algo clicou dentro dele. Ele era movido pelas emoções. Todas as vezes em que seus poderes funcionaram foi quando ele sentiu uma extrema raiva ou a sensação de se proteger.

Ele olhou para o motivo verdadeiro de seu ódio a centímetros de distância e se acalmou.

Ele podia controlar isso. Apenas tinha que controlar sua própria mente.

Isso tudo não era real.

Não era.

O ar em torno dele se tornou rarefeito.

Gotículas de água se levantaram do solo e a rainha o soltou, se afastando alguns passos. Ela segurou a própria garganta. Sua boca se abriu para dizer algo, porém nada saiu.

Uma multidão de homens vestindo trajes padrão da Federação correram em sua direção. A rainha, mesmo sufocando, apontou para ele como se dissesse “mate-o”.

Aquantis ergueu uma mão aberta. Seus olhos focados nela.

Cada homem que se aproximava dele tinha suas máscaras quebradas e caia por falta de oxigênio e extrema pressão de ar sobre suas cabeças.

Aquantis sabia exatamente o que estava fazendo. Parece que seus poderes se tornaram parte de seu conhecimento. Parte de seu corpo como um membro que estava faltando.

Ele sabia exatamente a que momento poderia fazer alguém sentir uma leve falta de ar, controlar a gravidade ao seu redor e expulsar todo o oxigênio ao redor. Sabia exatamente como usar a pressão do planeta abaixo de seus pés e esmagar crânios, como criar explosões com o próprio ar em torno dele.

Ele não era mais uma bomba ambulante que não sabia quando poderia vir a explodir.

Ele tinha isso controlado. Ele simplesmente se permitiu ser livre e entender a si mesmo o que precisava ser feito. Ele entendeu o que era.

Simples assim.

Seus pais estavam vivos em algum lugar lá fora.

E por eles iria lutar. Por eles mataria quem quer que atrapalhasse.

E ele destruiria essa maldita mulher que planejava matá-los antes que ele os conhecesse.

Aquantis apertou seu punho com toda a força que tinha e Wenda explodiu em outro borrão de sangue que ele não teve a coragem de assistir. Não ainda.

—*-*-

Gavrel caminhou através da neblina, tossindo um pouco com a quantidade de umidade que penetrava os pulmões. Ele ficaria doente.

Fazia um bom tempo que estava vagando sem nenhuma alucinação. Ele conhecia quem projetou e deu vida a Johnny, por isso não queria desconfiar do androide. Mas estava se tornando estranho vagar sozinho esperando que algo acontecesse. Não ouvia um som sequer, exceto das águas que percorriam seus pés.

Ele viu algo a frente, algo flutuando. A água estava atingindo seus joelhos. Ele caminhou com dificuldade até mais a frente e o que viu fez seu coração congelar.

Keesa.

Ele estava ferido. Sangue escorrendo da ferida aberta em sua barriga.

— Pelos céus, Keesa! Você não deveria ter me seguido! — Ele o repreendeu com extrema preocupação, já tirando sua jaqueta para tapar a ferida de Keesa e traze-lo para seus braços. — Preciso levá-lo de volta! Johnny, onde você está? — Merda, ele não sabia onde estava e como voltar. E o androide tinha desaparecido.

Keesa se mexeu em seus braços e abriu os olhos.

— Mestre…

— Keesa? — Gavrel agradeceu por ele estar vivo, mas ainda extremamente preocupado com a ferida aberta em seu ventre. — O que houve? Quem te machucou? — Sabia que humanos poderiam morrer facilmente, ainda mais se fosse um humano de sangue puro como Keesa, sem alterações genéticas para torná-lo mais forte, mais inteligente ou lhe dar poderes. Keesa significava a pureza para ele. Ele era importante para Gavrel…

Não poderia deixá-lo morrer. Por favor, não.

— Monstro… cuidado. — Keesa murmurou. Gavrel olhou ao redor, não vendo absolutamente monstro nenhum. Ele trouxe Keesa para mais perto e beijou sua testa.

— Não há monstro, fique calmo. Eu vou tirá-lo daqui.

— É tarde… — Keesa murmurou. — Não quero morrer. — Ele chorou baixinho.

O coração de Gavrel doeu tão mal que parecia sangrar. Ele não podia salvar Keesa. Ele não podia fazer nada por ele ali. Ele…

— Eu te amo. — Ele murmurou para Keesa, lágrimas se agrupando em seus olhos.

Merda. Keesa foi o único capaz de atravessar os enormes muros de pedra em torno de seu coração. O único capaz de quebrar todos esses bloqueios, o único que conseguiu conquistar sua total confiança. Keesa, apenas com seu jeitinho único e doce tinha conseguido se aproximar e feito Gavrel se apaixonar.

Quando ele pensou que isso jamais poderia acontecer com ele.

Que jamais seu coração seria balançado por alguém.

Ele tinha Keesa sempre ao seu lado. Ele não hesitava quando o chamava para dormir com ele, sorria para ele com sinceridade. E tinha aquele coração tão grande e tão cheio de amor. Mesmo com tudo o que passou, todo o sofrimento, ele foi capaz de cuidar de Gavrel e aceitá-lo, mesmo que para isso precisasse deixá-lo beber de seu sangue todos os dias.

Gavrel grunhiu com dor. Todas as cicatrizes em seu rosto pareceram arder e doer como quando as tinha recém conseguido. Um rugido ameaçador abalou o chão abaixo dele e uma sombra apareceu logo a frente. Uma sombra enorme. O som de chiado atingiu seus ouvidos e uma cauda apareceu.

Uma enorme besta surgiu, a besta de seus pesadelos, que viveu em sua terra natal antes desaparecer quando a Federação destruiu tudo. Seu corpo imenso como uma mistura de felino e cobra gigantesca olhou para ele com seus profundos olhos amarelos. Suas escamas eram prateadas e havia uma centena de chifres em sua cabeça em torno de um chifre muito maior e retorcido. Seus dentes pontiagudos imensos apareceram quando ela rosnou, e em seguida rugiu em sua direção.

Balmor, como foi chamado em seu antigo e inexistente planeta, rugiu outra vez antes de se lançar na direção deles. Gavrel avançou na direção contrária com Keesa em seus braços e retirou seu tapa olho. Ele colocou Keesa flutuando sobre a água e correu para o lado oposto do monstro.

Ele não esperava ter que fazer isso. Escondeu sua verdadeira natureza durante anos.

Quando a primeira demanda de piratas selvagens atacaram sua amada nave Margosha, ele se transformou no temido “balmor” e matou violentamente cada homem que se lançou a sua frente, por isso Gavrel passou a ser temido por todos os que o conheciam. Ele jurou nunca mais se transformar novamente, usando apenas suas habilidades em forma humana, mas não hesitou em usar seu título de o mais temido dos piratas espaciais para espalhar medo. Só queria proteger o que era dele.

Jamais poderia enfrentar outro balmor se ele não se transformasse.

Suas roupas rasgaram quando seu corpo tomou a forma de uma grandiosa criatura negra ainda maior do que o outro monstro, que tão selvagem como era não hesitou em atacá-lo.

Gavrel o jogou para baixo, ciente de que sua força era maior. Apenas alguns de sua raça foram capazes de se transformar, por isso foi raro e temido por todo o povo, os Balmor foram conhecidos por se tornarem sedentos por sangue e selvagens.

Depois que matou o monstro, seu alívio foi jogado por água abaixo quando outro monstro o pegou por trás e o derrubou apenas a tempo de ver Keesa ser engolido por outro balmor.

Ele rugiu tão alto antes que sua mente se apagasse.

—*-*-

— Acorda. — Era a voz de Johnny, o androide.

Trey sentiu um tapinha em seu rosto. Só então seus olhos abriram e percebeu que estava flutuando sobre a água. Ele se debateu antes de se levantar, olhando para o seu peito e vendo tudo intacto e no lugar. Ele olhou para o lado e Aquantis estava de costas para ele. Seus ombros tremendo.

Trey engoliu em seco. Aquantis estava chorando. Quando se aproximou, pode ouvir os soluços dele.

O Blue não hesitou em abraçá-lo aos prantos e Trey ouviu o rugido de Gavrel quando Johnny foi acordá-lo, o que assustou ambos. O comandante Margosha socou tão forte o androide que ele foi parar há vários metros deles, quase os atingindo.

— Maldição, Johnny! — Gavrel gritou com raiva. — Que merda aconteceu aqui?

Johnny se levantou. Metade de seu rosto era metal e fios distorcidos.

Construído como um humano, hã? Que mentiroso.

— Eu estou bem. — Ele sorriu defeituoso para eles. — Eu disse que vocês teriam alucinações. Não demora muito. Agora vocês entendem por que a maioria das pessoas evita este lugar. É como um pesadelo. Tenho sorte por não ser atingido, mas eu gostaria muito de saber exatamente como é.

Trey franziu a testa. Ele acariciou as costas de Aquantis e beijou seu rosto. Ele estava com o nariz e bochechas vermelhas.

— Está melhor? — Perguntou baixinho.

Aquantis balançou a cabeça.

— Este lugar é mais do que um pesadelo! — Gavrel caminhou com raiva na direção de Johnny novamente, que fugiu dele para evitar outro soco. — Este lugar é um inferno! Tire-nos daqui agora!

— Si-Sim, senhor! — Johnny seguiu por um lado. — Venham por aqui. — Ele seguiu seu caminho rapidinho e os outros foram em sua direção, evitando se perder.

Trey sabia que algo tinha mudado nesse tempo. Aquantis se afastou dele e seu olhar era perdido. Percebeu o mesmo em Gavrel, ele tinha uma carranca horrível.

Não sabia exatamente o que aconteceu com eles, mas tinha certeza que o que viu em seu sonho não queria que se repetisse na realidade.

Continua...

Notas finais
Então, gostaram? Espero muito que sim ♥ obrigada por lerem esta história! Desejo a vocês um Feliz Natal e um Feliz Ano novo! Que em 2018 possamos curtir muito mais yaoi e babar com muitos lemons hahahaha Quero agradecer a todos por dar uma chance a esta história e agradecer aqueles que comentaram também, vocês sempre me motivam muito ♥ Lost Blue é uma das histórias que eu mais me identifiquei escrevendo, pois contém três dos gêneros que sou apaixonada: Ficção científica, fantasia e yaoi. Espero que possam continuar acompanhando as postagens no próximo ano também. Garanto que haverá muitas emoções por aí e que valerão muito a pena! Então se preparem ♥ Até a próxima, beijinhos