Lost Blue

30 Capítulo 30 - Férias Merecidas (Parte II)


Notas iniciais
Olá meus amores, Segue o capítulo da semana. Espero que gostem! Boa leitura ♥

A tarde passou tão rápido que Aquantis nem percebeu as horas passarem. Foi maravilhoso poder curtir ao lado de Trey o passeio pelo Zooparque de Plenitum Estelar — o planeta em que estavam de férias por alguns dias. E mesmo outros detalhes um pouco eróticos tinham sido bem divertidos.

Trey o tinha levado a um hotel cápsula para casais. Eram bem apertados, com cabines em forma de cone horizontais anti-ruído, uma extremidade com janela em que se podia ver tudo de dentro para fora, mas não ser visto de fora para dentro. Era bem ventilado e muito macio, com o acolchoado se estendendo em toda a circunferência em torno deles. Lá, Trey tirou sua roupa lentamente, se beijaram tanto até seus lábios formigarem e enrolaram-se juntos até ser demais para suportar. Seu amante ou namorado, como ainda não estava acostumado a dizer, tinha feito amor com ele de uma forma lenta e especial. Foi absolutamente maravilhoso e inesquecível.

E mesmo depois de tudo o que fizeram, Aquantis sentia que tinha energia para mais.

A noite em Plenitum era incrível. Havia luzes por toda parte, de todos os prédios, dos estabelecimentos, dos veículos flutuantes e das pessoas na rua. A brisa era suave, os aromas de comida lhe deram água na boca. Havia uma mistura de sons, de músicas, pessoas rindo e se divertindo...

— Eu sempre achei que você preferia mais o campo do que o centro da cidade. — Trey comentou de repente enquanto caminhavam tranquilamente pelo calçadão entre os restaurantes. — Mas parece que está gostando daqui.

— Eu gosto! — Se apressou em dizer. — Mas também gosto do campo.

Recebeu um sorriso bonito e estava prestes a dizer o quanto amava essa expressão no rosto de Trey quando o comunicador dele apitou e ele atendeu clicando no dispositivo em formato de brinco em sua orelha.

— Hã? Ah, sim, não estamos longe. Um táxi? Onde vocês estão? Ah é? Hum… sim. Está bem, nos encontramos daqui a pouco. — Ele desligou.

— O que foi? — Indagou curioso.

— Zack disse que Gavrel nos convidou para um parque de diversões do outro lado da cidade. Aguenta um pouco mais de diversão?

— Com certeza! — Sorriu com todos os dentes, animado. — Eu nunca fui a um parque de diversões antes!

— Então sua primeira vez será memorável. — Trey lhe deu um sorriso malicioso e cutucou seu ombro com o dele, fazendo-o rir..

— Está bem, mostre-me o caminho!

No entanto, apesar de toda a sua euforia e empolgação durante toda a viagem de táxi flutuante, imaginando todos os brinquedos que poderia ir junto com Trey, comer coisas diferentes e poder se divertir muito, tudo foi por água abaixo quando chegaram ao monstruoso Parque dos Horrores. A entrada estava caindo aos pedaços, propositalmente. Gente fantasiada de todo tipo de monstro possível entrava lá, além de que ver alienígenas esquisitos fantasiados de seres humanos foi a coisa mais medonha que Aqua já viu. Alguns eram muito reais, o que lhe faziam suar frio.

— A-Acho que não é uma boa ideia, Trey… — Tentou se afastar, mas o comandante da Imperatriz não soltou sua mão.

— Ah, vamos lá. Vai ser divertido!

— Não tem como isso ser divertido! — Acenou ao redor. — É muito assustador.

— Vem cá. — Ele o puxou para bem pertinho e envolveu um braço em torno de seus ombros. — Melhor?

Assentiu, engolindo em seco.

— Não vamos ficar muito tempo, só vamos falar com Gavrel e sair. Não sabia que não gostava de terror.

— Nem eu. — Ele nunca tinha visto nada do tipo, exceto pelo que passou na Federação e em Exórdio, mas não dava para comparar uma coisa com a outra.

Um alienígena púrpura que tinha a estranha habilidade de se partir em pedaços, estava segurando a cabeça que sorriu para ele em seu caminho e ficou fitando-o com interesse.

Aquantis se sentiu tremer nas estruturas.

Jurou ter visto uma mulher vestida de Comandante Margosha. Sussurrou a Trey e soltaram risadinhas confidenciais quando encontraram Gavrel em uma das mesinhas do parque, com Keesa sentado a frente dele.

Ver Keesa deixou Aqua mais aliviado, era bom vê-lo.

Havia uma barraca nas proximidades servindo comida. O cheiro era gostoso e Aquantis se descobriu faminto quando sua barriga rosnou. Trey lhe deu um olhar engraçado enquanto os outros conversavam animadamente.

— Trouxe Keesa para comer aqui onde servem comida tipicamente humana. Vocês viram a quantidade de alienígenas de outras… espécies por aí. — Explicou Gavrel a Austin.

— Isso é ótimo, eu estava azul de fome. — Ele deu um olhar divertido a Aquantis, que não entendeu a piada. Sully deu uma risadinha.

Trey levou Aquantis para a barraca e pediram por cachorro quente. Ficou horrorizado com o nome do prato, mas não disse nada. Ele estava bem confuso com algumas coisas que ouvia, principalmente porque estava mais preocupado com o terror rolando a solta em torno dele.

E mesmo tão medroso, estava morrendo de fome.

Enquanto comia na mesinha junto com os demais naquela noite agradável — que esperava passar logo, para ir embora para o resort dormir — reparou que Keesa não parecia muito legal. Gavrel não tinha notado, a julgar por como conversava o tempo inteiro com os outros.

Askell surgiu algum tempo depois com os gêmeos e finalmente Morgana e Kimm apareceram com sorrisos… de mãos dadas.

Um sorriso brotou no rosto de Aqua ao ver aquilo. Soube que a preciosa mãe de Zachary esteve sempre sozinha. Ela era um amor e sempre tão gentil, merecia encontrar alguém que a entendesse, mesmo que fosse aquela loira de semblante perigoso. Ela parecia um soldado da guerra, isso a julgar pelas feições em seu rosto, porque Morgana liderava em tamanho e força.

Voltando a Keesa, reparou que ele comeu muito lentamente e não participava da conversa, só olhava ao redor, as pálpebras caindo às vezes. Deveria estar cansado.

De repente Zack se levantou, arrastando a cadeira.

— Dominic e eu vamos na roda-gigante, alguém mais quer ir?

Até então, Dominic não tinha se encolhido em seu tamanho minúsculo, o disfarce tinha inibido um pouco da sua timidez.

— Nós vamos também! — Disse Austin ao se levantar com Sully, em seguida Gavrel e Keesa, os outros, até Trey tocar em seu braço.

— Quer ir?

Assentiu, um pouco mais animado.

Não parecia ser tão ruim. Melhor do que ficar em meio a tanta gente fantasiada das piores coisas possíveis em uma noite tão assustadora.

— Ei, comandante. — Aquantis chamou baixinho enquanto caminhavam e Gavrel lhe deu atenção. — Keesa não parece bem.

O valius olhou para o humano andando ao lado dele e então para Aquantis.

— Ele parece normal para mim. Falou sobre essa roda-gigante durante todo o passeio que tivemos hoje.

— Hum, então okay. — Falar o quê? Não é mesmo?

Trey envolveu seus ombros novamente e o trouxe para perto.

— Você quer um daqueles? — Apontou para uma barraca com estranhas nuvens coloridas sobre palitos.

— O que são aquelas coisas? — Aqua indagou curioso.

— Não sei, mas parece legal.

— Oh, então vamos lá.

Aqua subiu na cabine da roda gigante com Trey e os demais. Era uma cabine enorme para no máximo vinte pessoas, com janelas muito grandes e lugares para sentar se quisessem. Então lentamente começou a se mover e sair do chão. Aquantis tinha a estranha nuvenzinha colorida presa a um pálido e descobriu ser chamada de algodão-doce. Nunca tinha visto tal coisa antes e Trey lhe disse que também não, pois em seu planeta natal não existia nada parecido, até comentou sobre não saber que o algodão poderia ser comestível, já que sua camisa era feita disso, e Aquantis caiu na gargalhada. Nem tinha sido tão engraçado assim, mas é porque estava tão feliz de estarem juntos ali que não podia conter rir por qualquer coisa que falavam.

Quando saíram da roda-gigante, uma mulher alta passou por ele para tomar seu lugar na cabine e Aquantis se virou para se deparar com a rainha Wenda.

Seu sangue congelou, desacreditando totalmente naquilo. Trey deve ter notado isso porque colocou a mão sobre seu ombro e apertou.

— Ei, está tudo bem… é só uma fantasia estúpida. Tem mais, olha só.

Aquantis olhou ao redor vendo alienígenas fantasiados de vettoreanos ou de guardas da federação.

— Estamos disfarçados, lembra? E nós já vamos embora.

Aquantis assentiu, ainda muito atordoado e até nauseado pelo susto. Mais uma vez ele tinha sentido aquela sensação de que poderia explodir e descobriu que realmente faria se não tivesse tido aquele treinamento onde canalizava seu poder para sua mente controlá-lo.

Quando esteve em Epsulum38, aquele estranho planeta com um lago raso cheio de neblina, sempre que tinha alucinações, podia usar seus poderes a vontade, porque nada do que fazia lá realmente acontecia, era coisa da sua mente. E de todas as vezes que alucinou a mesma coisa, seu único foco foi destruir a rainha. Mas em uma dessas vezes, ele acabou matando seus pais também, e depois disso chorou amargamente por horas, enfrentando aquilo com garra e força até finalmente canalizar seu poder em apenas uma pessoa, a rainha Wenda.

Embora a insegurança fosse presente em sua mente ainda, a cada susto que levava estava percebendo que tal treinamento estava surtindo efeito.

—*-*-

Keesa ficou impressionado com o resort em que todos ficariam nos próximos dias. Era um belo prédio de duzentos e vinte andares com um estranho formato, mais largo embaixo e mais fino em cima. Estavam em um apartamento no 163º andar com vista para os oceanos e as belíssimas praias. Embora fosse noite e não desse para ver muita coisa do mar, ainda podia se deslumbrar com os imensos veículos flutuantes com tentáculos fluorescentes como os de uma água-viva, que carregavam atrações que não fazia ideia quais eram.

Estava na varanda curtindo a deliciosa brisa que soprava seus cabelos castanhos para longe e trazia certa paz ao seu espírito.

Era certo que desde que chegou aquele lugar, não estava se sentindo muito bem. Também não sabia descrever exatamente o que era. Sentia-se um pouco sem energia e seu estômago tinha estado um pouco embrulhado.

Seu dono apareceu ao seu lado na varanda... não dono, mas sim Gavrel. Era difícil desacostumar com o hábito de chamá-lo assim, embora ainda fosse sua realidade.

— Você está bem? Aquantis me alertou que você não parecia legal.

— Eu estou bem. — Não queria preocupá-lo. Tudo o que Gavrel tinha feito nesta viagem foi pensando nele. Ninguém nunca tinha se importado tanto, o que fazia Keesa ficar cada vez mais apaixonado pelo pirata espacial. — Foi só um mal-estar temporário. — Esconder o que sentia também não era bom.

— Então já passou? — Ele tocou uma mecha do cabelo de Keesa, colocando atrás da orelha. Tal ato o fez olhar timidamente e sorrir.

Gavrel poderia ter aquele porte de dar medo em qualquer um, parecer um cara tão perigoso, mas no fundo era um homem gentil e bondoso. Ele tinha mais do que provado isso a ele conforme o tempo passava. E percebeu que Trey e seus amigos estavam começando a ver isso nele, a criar uma amizade. Algo lhe dizia que seu amo não estava acostumado a ter tantos amigos. Mesmo Kim ou Askell não eram tão íntimos assim dele.

Keesa se inclinou e o beijou nos lábios lentamente, pegando-o de surpresa. Então sentiu os braços fortes envolvê-lo e o calor tão acolhedor.

— Estou melhor agora.

— Isso é bom, porque amanhã quero levá-lo a um lugar especial.

— Hum? — Keesa ficou curioso, olhando-o com um sorrisinho feliz. — E que lugar é esse, posso saber? — Sentia-se tão privilegiado por ser mais íntimo com ele.

— É uma surpresa, por isso vai ser mais divertido se não souber.

— Okay. — Voltou a abraçá-lo com carinho, sentindo-se ser pressionado contra o peito quente do comandante. Já estava ansioso para saber que surpresa era. Será que Gavrel o levaria ao cinema ou algum bom restaurante com comida para humanos? Ou talvez o levasse em um novo parque?

Beijou sua mandíbula, sentindo a pele áspera pelo crescimento recente de barba. — Está com fome? — Perguntou baixinho e sugestivo.

— De você… sempre. — Ele beijou seu pescoço, mais precisamente no ponto onde havia aquela estranha marca que surgiu depois de um tempo que passou a dormir com o comandante. — Mas não se estiver com mal-estar. Não quero prejudicá-lo.

— Não vai me prejudicar. — Sorriu para ele, beijando suavemente seus lábios. — Isso… — Tocou na marca em seu pescoço. — É uma coisa da sua raça? O que significa?

Gavrel congelou naquele instante e seus olhos — sem o tapa-olho — estavam arregalados. Ele os desviou e limpou a garganta se afastando.

— Eu vou pedir o serviço de quarto. Aposto que deve estar com fome. — Desviou do assunto lindamente. — É melhor entrar ou vai se resfriar.

Keesa ergueu uma sobrancelha enquanto assistia o comandante se esquivar e entrar no quarto para fazer exatamente o que falou.

Isso com certeza o deixava mais curioso do que seja lá qual fosse a surpresa do dia seguinte.

Depois que Keesa comeu seu jantar, Gavrel e ele entraram na banheira de hidromassagem que ficava em uma área muito exposta, por causa das paredes de vidro. Por sorte, não era possível ver de fora o que acontecia ali dentro. Porém, mesmo assim, sentia-se tão aberto e tão indecente pelo que estavam fazendo.

Estava sentado sobre o colo de Gavrel dentro da banheira, suas pernas bem abertas, suas costas contra o peito dele e com aquele pau enorme penetrando-o. Keesa ofegou e gemeu alto conforme se movia contra o corpo duro e másculo, levou uma mão aos cabelos grossos do comandante conforme ele sugava a pele sobre sua marca.

— Você quer saber… o significado disso… — Gavrel dizia rouco e ofegante contra sua orelha, mordiscando o lóbulo.

Estava tão excitado que sabia que não duraria muito, ainda assim ansiava pela mordida. Era a coisa mais estranha, sabia, mas estava viciado nela. Queria sentir aquele prazer tão único que se elevava ao próprio orgasmo natural, do qual os seres humanos adoravam.

— Quero… — Dizia, seus joelhos dobrando e desdobrando conforme se erguia e descia no colo do comandante. Era estranho a sensação da água entrando junto, mas não deixava de ser prazeroso.

— Venha cá. — Gavrel se levantou segurando Keesa em seus braços, ainda fundo dentro dele, fazendo todo o movimento. Keesa nunca tinha feito daquela maneira, em pé dentro de uma banheira, com a água indo até as coxas, sem qualquer outro apoio que não fosse o próprio comandante abraçando suas costas com força e investindo dentro dele.

Uma mão grande e calejada se fechou em seu membro, ao mesmo tempo em que dentes pontiagudos fincaram em seu pescoço. Keesa gritou e fechou os olhos firmemente conforme convulsionava. Sêmen disparou na mão do comandante e dentro dele, assim como sangue era drenado de suas veias, ao mesmo tempo que o prazer inimaginável atravessava cada célula de seu corpo como o entorpecente mais poderoso. E era tão forte e eficaz que era quase impossível permanecer consciente após o coito.

—*-*-

No dia seguinte, Sully resolveu convidar Aquantis para um passeio pela manhã. Queria ter um tempo com seu irmão para que pudessem se conhecer melhor e talvez criar laços entre eles. Trey pareceu triste quando sugeriu isso, mas acatou sem reclamar. Austin, por outro lado, o ajudou e chamou Trey para tomar um banho de mar.

As praias não estavam tão cheias porque ainda era cedo, estava um pouco nublado e a brisa era gostosa contra sua pele. Aquantis parecia adorável com seu disfarce, mas estranho por estar com cabelos castanhos e não azuis. Pelo menos não estava usando lentes de contato, assim ficaria ainda mais diferente do que realmente era.

Eles não tinham dito muita coisa durante a caminhada, chutando a água que subia na areia. Sully estava se sentindo um pouco tímido com ele, já que passaram tanto tempo longe um do outro.

A um certo nível da praia, estava deserto, por isso sentaram-se na areia macia e encararam o oceano.

— Você disse que o nosso progenitor está doente. — Aquantis mencionou de repente. — O que ele tem?

— Eu não sei explicar muito bem. Depois que você se foi, ele começou a se fechar para o mundo e começou a ignorar tudo ao redor. Hoje ele está acamado e precisa ser cuidado, porque quase não se move mais. Os médicos disseram que foi causado por um trauma profundo, que foi perder um filho. Eles já tentaram tudo para reanimá-lo, mas nada funcionou. Estamos preocupados, porque a cada dia que passa, ele só piora… então temos esperança que… talvez, se você aparecer diante dele, ele possa retornar.

— Oh. — Os olhos de Aquantis eram enormes e a inconfundível tristeza estava lá. Ele era tão parecido com seu pai Someya. — Eu sinto muito…

— Eu também.

— Por que você disse antes que seu reino está desequilibrado?

— Nossa, você lembra mesmo de tudo o que eu disse.

— Eu fiquei pensando muito sobre a nossa última conversa. — Aquantis encolheu os ombros, suas bochechas avermelhadas. — Estou… curioso para saber de tudo. Por favor não me poupe nenhum detalhe.

— Okay. — Sully sorriu, dando-lhe toda a sua atenção. — Acontece que na nossa família, a cada geração, nasce um ser capaz de equilibrar a luz presente no planeta pelos grandes cristais. Nós não temos um sol que provê vida as nossas terras, temos esses cristais. — Sully abriu a mão e de sua palma surgiu uma pequena pedrinha que brilhou pela luz do dia. Aquantis olhou aquilo estupefato.

— Como você fez isso?

— Eu só fiz… — Não queria lhe dizer sobre o fato de que tinha o poder de prover cristais de seu corpo, principalmente em forma de um pó brilhante enquanto fazia sexo. Isso parecia tão errado. — Nossa família tem poderes que se relacionam com a essência de Lost Blue. Nós somos os guardiões dos cristais que dão vida ao nosso planeta. Você era o próximo da geração a tomar o lugar de nosso progenitor… mas como desapareceu e ele ficou doente, Lost Blue corre um sério perigo agora.

— Isso quer dizer… que a vida no planeta pode morrer? Não há mais ninguém que pode cuidar disso? Você?

Sully balançou a cabeça.

— Não. Precisa ser você. Apenas um nasce com esse dom. Claro que em nosso planeta, cada ser nasce com um dom diferente… por isso você é único e tão importante quanto qualquer um para a nossa raça. Se nosso pai se for… — Sully engoliu em seco, tentando não chorar pela amarga realidade. — E você não aparecer… nosso planeta sofrerá e todas as vidas terrenas morrerão.

— Vocês não podem usar uma nave para tirar todos de lá?

— Podemos e já estamos fazendo isso. Nosso outro pai, Cody, é um engenheiro muito habilidoso, também intitulado o grande rei, ou grande líder, como alguns falam. Ele está produzindo naves de grande porte como a Margosha para retirar todos se o planeta morrer. Mas não é o que queremos, sabe… nós amamos profundamente aquele lugar, nossas raízes estão em Lost Blue. Se ele não existir… não sei o que será de mim ou do meu povo.

— Uau… — Aquantis tinha os olhos brilhantes como se segurasse as lágrimas. — E eu posso ajudá-los?

— Você é quem pode nos salvar. — Sully deixou claro.

— Então acho que nossos planos mudaram, não é mesmo?

— Como assim?

— Não podemos esperar para lidar com a federação agora, temos que partir para Lost Blue primeiro. Já parece tão errado estarmos nos divertindo aqui enquanto precisam da minha ajuda...

— E se eles nos descobrirem? — Perguntou com medo. Mas o olhar perigoso que recebeu de seu irmão o fez congelar.

— Então eu destruirei um por um.

—*-*-

Austin e Trey chegaram ao shopping por volta das dez da manhã para se encontrarem com os demais. Zack parecia triste e sentado mais afastado dos outros enquanto Dominic estava com um semblante de poucos amigos, sentado ao lado de Kayllon que sussurrava frases apaziguadoras para ele.

Austin deixou Trey conversando com Jack e foi até o amigo.

— O que houve? — Sentou ao lado dele em um banco mais afastado do grupo.

— Eu não entendo… eu só queria tirar algumas fotos com ele, mas ficou furioso comigo.

— Que estranho. — Comentou Austin, preocupado com o amigo. — Por que alguém ficaria furioso por uma foto? — Bem, a julgar pela forma como Dominic estava vestido como se fosse uma garota, até que era compreensível. — Ele estava de bom-humor antes, não é?

— Sim! Estava sorridente. O levei para fazer compras… e compramos algumas coisas em miniatura. — Mostrou a sacola cheia com pequenas roupas, conjuntos de quarto e tudo mais. — Ele comprou coisas para o seu tamanho normal também.

— Entendo. — Austin tirou um pacote de balas de goma do bolso e começou a mastigar. — Não deve ser nada demais, vai passar.

Logo que viu Sully se aproximar com o irmão, seus olhos seguiram cada movimento do estranho Blue. Estava ansioso para passar mais tempo sozinho com ele, mas Gavrel os tinha chamado para um evento especial que significava um presente para Keesa. Ficava aliviado de saber que o humano de sangue puro e raro estava sendo incluído em tudo. Essa coisa de ser escravo era tão errado…

Olha quem fala.

Tossiu, limpando a garganta quando uma goma ficou presa de repente.

Quando Sully sentou ao lado deles, parecia tão aliviado e feliz. Austin trocou um sorriso com ele e Zack lhe deu uma cotovelada, rindo em seguida.

Era tão bom estarem todos felizes. Mesmo com as pequenas intriguinhas, ainda sentia-se aliviado de todos estarem bem. Depois de tudo o que enfrentaram nos últimos meses, demorou muito para um tempo de férias como aquele. Mas por que parecia que tudo isso era só passageiro?

Claro, eram apenas férias de alguns dias… depois voltariam ao trabalho… ou diria “a batalha”? Pensar assim o deixava melancólico. Sentiu uma mão em sua coxa e olhou surpreso para Sully que lhe deu um olhar encorajador. Esse Blue misterioso já tinha tomado seu coração por completo. Apertou a mão dele em resposta.

Continua...



Notas finais
Obrigada por ler ♥