Lost Blue
29 Capítulo 29 - Férias merecidas (Parte I)
Notas iniciais
Plenitum Estelar não era um planeta qualquer. Diria que nem mesmo era um planeta, mas sim um mundo construído a partir do zero pelas mãos alienígenas, completamente tecnológico e muito, mas muito bonito.
O lugar era conhecido pelos belos pontos turísticos que incluíam natureza artificial, compras e lazer, além de belíssimas hospedagens e centros empresariais muito influentes.
Aquantis estava na Imperatriz, que finalmente podia se deslocar após as reformas. Ele, Trey e seus amigos estavam todos se dirigindo ao Plenitum enquanto a nave-mãe Margosha se mantinha camuflada em uma região segura. Comparando uma nave com a outra, a Imperatriz era muito mais compacta e fácil de estacionar em portos espaciais. Zack finalmente tinha encontrado a utilidade para o controle que Gavrel deu a eles. Era um objeto que funcionava apenas com os tripulantes da Imperatriz e não com estranhos. O mais incrível é que podia mudar a aparência na nave, desde seu interior industrial assim como a parte de fora, como forma de poder se esconder da Federação e de outros possíveis inimigos.
Era surreal ver a Imperatriz com a mesma aparência anterior em sua parte interna — o controle tinha feito isso — e o ambiente industrial que se assemelhava muito a Margosha desapareceu como mágica. Gavrel não tinha dito nada, mas Aqua tinha certeza que ele fez isso para irritar Zack e Trey, já que Austin dificilmente se abalava.
Ainda restava algumas horas de viagem. Aquantis estava no corredor dos quartos, olhando para uma parede de vidro com as mãos nos bolsos. Diferente das roupas costumeiras que levavam borracha como matéria-prima, usava um moletom confortável e tênis. Como estavam a passeio, todos vestiam roupas casuais.
Na imensidão de estrelas e planetas, imaginava sua terra natal. Ela deveria ser toda azul, o que provavelmente era engraçado. Por que será que Lost Blue levava esse nome?
Olhou para o fim do corredor, vendo Sully se aproximar, e no mesmo instante percebeu que não podia mais adiar aquela conversa. Ficou nervoso e suas mãos começaram a suar frio.
Sully chegou ao seu lado e também manteve sua atenção no espaço.
— Por que não me procurou? — Perguntou calmamente.
— Tive algumas coisas para fazer. — Referia-se ao fato de estar sendo estudado por Kimm e seus técnicos para a criação de novos armamentos. Tirou do bolso o cubo, cujo objeto não deixava suas mãos em dias. Não depois da valiosa imagem que viu. — O que é isso?
— Chama-se Blube de Seis Faces, ou apenas Blube.
— Blube? — Aquantis riu. — É um nome engraçado.
— É sim. — Sully riu com ele e novamente ficaram tímidos um com o outro.
— Você também é um Blue. — Afirmou Aquantis.
Os olhos verde-água dele eram iguais aos seus. Por que…. por que não desconfiou disso antes?
— Nós somos parentes?
— Sim. — Sully engoliu em seco, sem desviar seu olhar. — Irmãos.
Logo que Aquantis tinha visto aquela imagem do Blube, já imaginou que poderiam ser isso. Mas a afirmação vindo da boca de Sully foi demais. Olhou para os seus pés, sentindo-se… como poderia descrever? Havia raiva lá… dor, como se fosse traído… e ao mesmo tempo, também havia euforia, curiosidade e uma esperança diferente de tudo o que já sentiu.
— Você vai me explicar?
— Sim. — Sully cruzou os braços como se não soubesse como se portar na sua frente. Seus olhos se desviavam o tempo inteiro e ele parecia muito nervoso. Aquantis tentou acalmar a si mesmo, porque seus sentimentos estavam desencadeando algo dentro dele que poderia vir a descontrola-lo, como das vezes que explodiu tudo ao seu redor.
Entretanto, por causa de seu treinamento, nada aconteceu.
— Estive te procurando desde que completei meus dezesseis blunes.
— Blunes?
— É como falamos a idade das pessoas em Lost Blue. A contagem dos anos é um pouco diferente também. — Explicou Sully. — Então, nosso progenitor, Someya, ficou doente depois que você foi sequestrado, e por isso nosso reino se desequilibrou. É uma longa história que eu posso te contar quando desejar. Nosso outro pai, Cody, me treinou para aprender a usar uma nave de fuga e foi assim que quando eu fiquei maior de idade, saí a sua procura.
Mal estava acreditando que realmente tinha uma família esperando por ele, preocupados por ele.
— Você se arriscou tanto... — Aquantis murmurou franzindo o cenho. — E se eu estivesse morto?
— Não. Os Blue são muito resistentes, por isso tínhamos fé de que estaria vivo. Mas não sabíamos onde, já que Lost Blue fica onde vocês chamam de Universo Desconhecido. Eu levei muito tempo para chegar até próximo da Federação, que foi quando quebrei minha nave no planeta de Morgana.
— Uau. Mas mesmo quando me encontrou, por que não me contou a verdade?
— Eu faria isso, mas… tive medo. Soa covarde, não é? — Encolheu os ombros, inseguro. — Quando soube de tudo o que te aconteceu e como essas pessoas estavam te ajudando… como você ama Trey, eu já não sabia o que fazer. Minha meta era levar apenas você, mas agora há tanta gente. Sei que você não vai querer deixá-los para trás, por isso fiquei pensando no que fazer. Então aconteceu aquele mal-entendido com o dinheiro do Zack, em seguida o ataque contra a Imperatriz e meu mundo desmoronou. A verdade é que eu faço tudo errado e sempre me ferro… — Falou freneticamente.
De repente todo aquele desconforto e raiva que sentia se foram. Sully estava sendo sincero com ele a julgar por como seus olhos brilhavam. Por como ele parecia vulnerável ao lhe contar sobre aquilo, com medo de que talvez Aquantis não o aceitasse.
— Você se arriscou tudo isso pra vir me buscar. — Tocou o braço dele e o encarou. — Mais cedo ou mais tarde eu descobriria, então está tudo bem.
Sully assentiu, seus olhos ficando mais brilhantes e então seu rosto se contorceu quando as lágrimas vieram.
— Me-Me desculpe, Aqua… eu sempre me senti culpado pelo seu desaparecimento, por eu não ter sido capaz de protegê-lo. Eu sou seu irmão mais velho, seu único irmão e…
Aquantis o puxou para os seus braços. Sully era alguns centímetros maior do que ele, mas ainda assim coube direitinho no seu abraço.
— Está tudo bem, estou seguro agora. Podemos ir para Lost Blue juntos.
E embora fosse estranho pensar que estava ali abraçando alguém com seu mesmo sangue — cuja esperança de encontrar qualquer um de sua espécie tinha sido escassa conforme os anos se passaram na Federação — sentia que era muito familiar o calor de Sully e seu cheiro, como se já tivesse sentido tudo isso antes.
—*-*-
Trey tinha ouvido a conversa ao final do corredor, até mesmo presenciou o abraço dos dois irmãos.
Suspirou.
Tinha sido um idiota total com Sully. Como foi ter ciúme do cara que seria seu cunhado?
Depois disso, encontrou-se com Austin e Zack na sala de jogos. Ambos estavam sentados em um amplo sofá muito confortável jogando algo holográfico em que toda a sala parecia outro mundo, uma selva. Era estranho, pois parecia que estava pisando em cogumelos e um grudou no seu sapato. Nada era real, é claro, mas parecia muito.
Quando Austin o viu, desligou o jogo e a sala voltou ao normal. Trey contou a eles o que viu e descobriu. Zack ficou muito surpreso, mas Austin continuou normal, mastigando balas de goma. Já imaginava por quê.
— Então nós o tratamos daquela forma todo esse tempo achando que ele era um cara estranho e tudo mais… — Zack murmurou culpado. — Ele deve nos odiar muito.
— Talvez. — Disse Trey. — Mas parece que ele está nos engolindo por causa de Aquantis.
Austin balançou a cabeça, atraindo a atenção de seus amigos.
— Ele não odeia a gente. É diferente… ele pensa que falhou conosco, que quem o odeia somos nós, entendem?
Trey encolheu os ombros. Por que Sully pensaria isso?
— Ele não é do tipo rancoroso, pelo que percebi. — Austin continuou falando. — Ele me disse que tem medo de você, Trey, pela forma como o tratou com violência. — Seu olhar não foi muito amigável ao dizer isso. — E acha que Zack simplesmente desconfia dele mesmo depois de terem provado que não foi ele. É… complicado.
Eles ficaram em silêncio por um tempo, olhando para suas mãos, pensando em algo.
— Acho que a gente deveria se desculpar? — Perguntou Zack.
— Sim, mas não exatamente com palavras. — Disse Trey. — Talvez um presente. Será que ele gosta de presentes?
Austin ergueu uma sobrancelha e riu.
— Vocês tem vergonha de se desculpar?
— É claro. — Zack murmurou irritado. — Quem não tem?
Austin revirou os olhos e Trey se levantou. No mesmo momento, Morgana apareceu com um pote de biscoitos que cheiravam deliciosos.
— Olhe só o que eu trouxe! — Ela disse alegremente, com seu jeito de mamãe feliz que Trey adorava. O problema eram os biscoitos.
Eles cheiravam bem… mas não se enganava, aquilo poderia ser um veneno mortal.
— Vo-Você quem fez, mamãe? — Perguntou Zack com cautela, olhando pálido para o pote de biscoitos sem piscar.
— Gostaria que fosse... — Respondeu Morgana com pena. — Foi Jack! Ele sempre foi um ótimo cozinheiro!
O suspiro ocorreu em uníssono e eles devoraram os biscoitos despreocupadamente.
— Quer dizer que você sabia esse tempo todo? — Trey indagou a Morgana um momento de conversa depois. A mulher estava sentada entre eles, tendo Zack e Austin em ambos os lados, abraçando-a como seus meninos. Todos satisfeitos após o lanche. Trey estava no sofá da frente.
— Não só sabia, como tive que guardar um dos maiores segredos da minha vida! — Ela falou de forma tão dramática que realmente deu a entender quão difícil foi. — Imagine só… é como uma novela! Ele me contou e me pediu para guardar segredo… eu tentei convencê-lo a dizer logo, mas demorou. Foi complicado… tive que dizer a alguém. Pelo menos uma pessoa… e esse foi Jack, porque eu sabia que se pedisse segredo a ele, ele o guardaria.
Trey ergueu uma sobrancelha. Primeiro Austin, agora seu pai, hã? Teria uma conversinha com ele depois.
— Enfim, vamos mudar de assunto. — Disse Trey. — Soube que a senhora está interessada em um certo alguém.
O silêncio pairou e Morgana congelou.
Austin e Zack se afastaram lentamente para olhar para ela, todos curiosos.
— O que é isso, hã? — Zack perguntou. — Interessada em quem?
— Bom, acho que é melhor eu voltar a cozinha. Preciso cozinhar cogumelos e… — Ela se levantou para sair, mas Zack e Austin a impediram e ela se sentou novamente. — Acho que não.
— Vai, conte para nós. — Disse Trey novamente. — Nós somos os seus meninos, não somos? — Tentou ser fofo, mas isso não combinava com seu estilo, portanto se recompôs depois de receber olhares divertidos.
Morgana suspirou, então assumiu o seu lado dramático. Trey sempre achou que ela poderia muito bem trabalhar como atriz, melhor do que ser uma lutadora nos ringues. Embora ela fazia isso muito bem também.
— Vocês sabem que não posso resistir a não admirar alguém que seja duro e rude, sabem? — Ah é? — Então, quando a vi, soube no exato momento de que deveria ser minha musa de inspiração.
— Musa? — Zack fez uma cara muito engraçada. — Está falando da Kimm?
— Fale baixo, filho, já pensou se ela passa por perto e escuta?
— Mas você não quer dizer a ela? — Perguntou Austin.
— Ainda não. Preciso que ela goste de mim também.
— Espere… — Trey acenou na frente dele. — O que você realmente quer, que ela seja sua musa ou outra coisa?
— Outra coisa? — Morgana não entendeu.
— Sim, aquela coisa romântica… — Seus amigos reviraram os olhos.
Morgana coçou o queixo e olhou para cima, pensativa. — Bem… quem sabe.
O assunto foi interrompido quando Gavrel apareceu, assim como os demais. Trey sentiu a falta de Aquantis, mas era melhor dar um momento a ele e Sully. Não queria que o Blue se sentisse pressionado com ele sempre no seu pé.
Horas depois, após a nave ter estacionado no porto espacial, o grupo seguiu em um elevador flutuante até um dos centros comerciais mais importantes do planeta. Era imenso visto do espaço e muito mais lindo quando entraram na atmosfera artificial deles.
— Parece natural. — Murmurou Zack ao seu lado. — Ninguém diria que eles não tem um sol capaz de aquecer o planeta, é tudo tecnologia.
— Tem razão. — Respondeu.
O elevador era de metal e vidro, capaz de fornecer uma paisagem espetacular das imensas cidades e dos lagos azuis cristalinos. Eram incríveis os arranha-céus incrivelmente futuristas que atravessavam a atmosfera, das nuvens em torno deles, dos prédios medianos e dos prédios pequenos com curvas e formatos diferentes. Uma visão muito mais extraordinária do que de qualquer outro planeta que já tinha conhecido.
Em cerca de minutos, chegaram ao térreo e saíram zonzos do elevador super-rápido. Acima do centro comercial havia um teto de vidro que os protegia da luz muito quente e também das chuvas esquisitas que aconteciam muito de repente naquela determinada região. Receberam um guia digital em formato de tablet descartável para turistas. Havia muita coisa para se fazer naquele planeta, eram novidades atrás de novidades, e Trey estava muito ansioso para testar cada uma delas. Sabia que não daria tempo de aproveitar tudo, provavelmente levariam meses ou quem sabe anos, mas ao menos sabia que os próximos dias seriam bem divertidos.
A única parte ruim era: estavam disfarçados.
Trey vestia roupas que nunca combinariam com seu estilo: uma camisa branca florida com bermuda cinza e sapatos casuais. Seu cabelo estava preso para trás e usava óculos escuros. Zack e Austin não estavam muito diferentes dele, mas não pareciam desconfortáveis com as roupas ridículas. No entanto, a parte boa era que estavam muito bem camuflados, afinal mais da metade das pessoas a sua volta vestiam coisas parecidas.
Aquantis estava bonito, é claro. Trey não conseguia imaginar um jeito de fazê-lo ficar ridículo. Usava um moletom azul maior do que seu número, calças coladas e tênis normais, além de uma peruca de cabelos curtos e castanhos. Dominic, coitado, estava usando um vestido rosa-bebê, sapatilha e uma bolsa combinando. Seu semblante era de poucos amigos e com razão — pelo menos o disfarce não o fazia ser tão tímido, o que era peculiar. Não entendia como Zack o tinha convencido a se vestir daquele jeito, mas era engraçado.
Gavrel, por outro lado, foi o único que se recusou com todas as forças a se disfarçar como eles. Portanto, estava usando terno e gravata, com os cabelos penteados para trás, como um verdadeiro homem de negócios. Exceto que o tapa-olho e as cicatrizes o tornavam muito suspeito.
Keesa, que não precisava de disfarces, estava vestindo roupas simples como uma camiseta cinza com uma estampa fofa de ursinho e calças de moletom, super confortável.
— Então, vamos nos separar aqui. — Gavrel falou quando atingiram um certo tempo de caminhada. — No guia há uma especificação que mostra o resort em que vamos ficar, nossa bagagem já está lá. Nos encontraremos para o jantar.
Eles se despediram e o grupo se separou. Gavrel e Keesa foram para um lado, Morgana e Kimm estavam conversando animadamente e os ignoraram, também sumindo na multidão, Askell e os gêmeos se encaminharam para o motel mais próximo, e Zack e Kayllon foram fazer compras para o bebê.
Trey suspirou. Pelo menos ele e seus amigos estavam juntos.
— Onde vamos primeiro? — Perguntou Zack, mostrando as imagens do tablet descartável para Dominic.
— Que tal irmos comer? — Sugeriu Austin. — Estou morrendo de fome.
— Você comeu todos os salgadinhos da nave antes de chegarmos aqui. — Sully estreitou as sobrancelhas para ele.
— Meu estômago faz digestão rápido. — Explicou com normalidade. — Tenho que comer o tempo todo para me manter forte. — Apontou para seu bíceps enorme.
Sully engoliu em seco enquanto dava um olhar desejo para o seu amigo e Trey desviou o olhar, achando aquilo desconfortável.
— Vamos comer então!
Eles subiram no primeiro bonde suspenso que passava no meio do calçadão e assistiram pela janela o pequeno veículo subir em cordas de aço para várias direções. Outros veículos como os deles iam para diferentes lugares no ar e quase se cruzavam com o que estavam.
O restaurante que escolheram ficava em uma estranha embarcação quadrada que mal flutuava na água para não dar enjoo aos turistas. Era o que dizia no tablet, no entanto, mostrou-se diferente quando subiram.
Estava um calor agradável e a brisa fresca cheirava de uma maneira diferente, trazendo os aromas do restaurante para suas narinas. Mais a frente do rio que atravessava de lado a outro o centro comercial, havia uma estranha linha azul acima do horizonte, como uma massa da mesma cor do rio. Trey estreitou os olhos para entender o que era aquilo, até mesmo estava sobre alguns prédios que o atravessavam.
— O que é aquilo? — Perguntou aos seus amigos, mas quem respondeu foi o garçom ao chegar à mesa deles.
— É um lago reverso, senhor. Um lago flutuante que fica acima do rio e de ponta cabeça, único capaz de criar peixes de espécies raríssimas que, inclusive, estão no nosso cardápio hoje. Aqui estão os menus. — Entregou as cadernetas para eles. — Querem algo para beber?
Eles aceitaram água enquanto Trey estava boquiaberto. Ele já tinha visto cachoeiras flutuantes, ilhas assim, planetas em formato de triângulo, mas nunca um lago que ficava de ponta cabeça sobre parte de uma cidade.
— A tecnologia é incrível, meus caros. — Zack estava sorrindo, como se estivesse orgulhoso de alguma coisa.
Quando a embarcação entrou na zona onde estava situado tal estranho lago, o teto se tornou transparente e foram capazes de olhar para cima e ver os peixes nadando na estranha água azul-clara, onde nenhuma gota caía sobre eles. Raios de luz atravessavam a água e refletiam sobre eles. Trey estava maravilhado com tantas atrações diferentes para ver e ficou muito mais ao ver como Aquantis parecia feliz e emocionado com o passeio.
Comeram um filé de peixe com um molho pluteriano muito saboroso, talvez o melhor da sua vida, e realmente todos eles repetiram o prato. A sobremesa foi uma taça de sorvete gigante e compartilhada em uma das mesas da PluterStar, uma das sorveterias mais influentes daquele lugar. Havia pelo menos trinta e cinco bolas de sorvete com sabores únicos e pelo menos uma centena de doces sortidos e coloridos por cima.
Tinha certeza que nunca comeu tantos doces na vida e o mais interessante foi o momento em que decidiu dar uma colherada para Aquantis. Seu companheiro olhou divertido para ele e aceitou. Eles sorriram um para o outro e Aquantis decidiu fazer o mesmo para ele. Desconfortável foi a hora em que olhou para frente e notou que seus amigos se divertiam os assistindo.
Muito, muito desconfortável.
Depois disso, Zack e Dominic foram para um lado fazer compras e Sully e Austin foram para o outro comprar salgadinhos. Aquantis queria ver o Zooparque e Trey o levou em um dos bondinhos flutuantes.
— Olha, é incrível! — Exclamou Aquantis, olhando pela janela e apontando. No momento atravessavam por cima de uma das áreas compostas apenas por condomínios de prédios compridos e redondos, cobertos por vegetação. — Imagine morar em um lugar desses.
— Deve ser maravilhoso. Uma mistura de tecnologia e natureza. — Trey estava sentado na frente de Aquantis e não achava que a paisagem lá fora poderia ser mais incrível do que a que estava a frente dele.
Os olhos verde-água brilhantes se direcionaram para ele e seguraram seu olhar. Trey queria muito beijá-lo ali mesmo. Olhou ao redor vendo as outras cabines cheias com outros passageiros, também muito entretidos nas janelas. Então retirou seus óculos escuros e chamou Aquantis com o dedo.
Seu namorado sorriu e pulou de onde estava para sentar ao seu lado. Trey o abraçou no mesmo momento e o beijou de surpresa. Eles se separaram minimamente para sorrir um para o outro.
— Estou tão feliz de estar aqui com você. — Tocou o rosto do Blue e sentiu ele se derreter em seus braços, vendo a adoração em seus olhos.
— Eu também. — Ele tocou levemente seu queixo e olhou para os seus lábios. — Não vejo a hora de ficarmos sozinhos.
Hum, ele disse a coisa certa. Trey engoliu um gemido.
— Que tal encontrarmos algum lugar para nos esconder… — Beijou sua bochecha com carinho e sussurrou em seu ouvido. — Antes de irmos ao Zooparque.
— Sim. — Ele respondeu baixinho, estremecendo quando foi beijado no pescoço.
Tiveram que se recompor quando o ponto de eles descerem chegou e Trey estava eufórico procurando no tablet algum novo “esconderijo” para passar alguns momentos da tarde com quem amava. Aquantis olhava ao redor e apenas Trey sabia reconhecer pela forma como suas bochechas coravam ou como estava inquieto, que ele estava excitado.
Puxou-o para um beijo longo e faminto, pouco se importando que estavam em público. O melhor era que ninguém realmente dava a mínima para o que faziam. — Encontrei o lugar ideal. Vamos lá!
Continua...
Fale com o autor