Lost Blue

13 Capítulo 13 – Apenas os melhores amigos


Notas iniciais
Olá meus amores ♥ Trouxe mais um capítulo recheado para vocês. Espero que gostem do conteúdo! Boa leitura!

Sully estava incrivelmente furioso.

Ele nunca tinha se sentido assim antes, como se pudesse matar alguém.

Bem... não que ele realmente pudesse fazer isso agora. Não com seu irmão naquela nave.

Andando muito rápido e irritado pelo corredor, assim que seus pensamentos se desviaram para Aquantis, ele afrouxou seu ritmo até parar. Um suspiro longo deixou sua garganta e ele apoiou as costas contra a parede.

Ele não fazia ideia de como iria dizer a Aquantis que era o seu irmão, que esteve procurando por ele durante muitos anos e que quase perdeu as esperanças pensando que ele estivesse morto.

Perder a cabeça por causa do Austin não tinha fundamento. Ele precisava se recompor, precisava ser forte, pelo bem de seu irmão. E iria tirá-lo daquele lugar assim que a oportunidade perfeita surgisse.

O mais importante que era encontrá-lo tinha acontecido. E enquanto cuidassem dele, estava tudo bem.

O triste era não ter a sua nave, ela estava quebrada e muito longe de onde estavam, além de Sully não ter dinheiro suficiente para comprar uma nova, nem que fosse de porte pequeno.

Suas economias não iriam durar mais do que algumas semanas, e o único jeito que conseguia pensar em conseguir dinheiro, seria oferecer seu trabalho a Trey Scarlet enquanto pudesse. Assim teria um olho em Aquantis e poderia juntar o dinheiro para garantir uma nova nave que pudesse levá-los a Lost Blue.

Sully e Aquantis, apenas os dois.

Ele não tinha a intenção de passar as coordenadas a ninguém, Lost Blue estava muito longe, muito além do Universo Conhecido.

Sully ouviu passos no corredor, e sem querer ser visto por alguém, ainda mais porque estava chateado, se escondeu atrás de uma das paredes. Espiando, viu seu irmãozinho andar passo a passo um pouco devagar e cambaleante. Sully queria ir até ele e ajudá-lo, até ver que Aquantis entrou na sala da enfermaria. Aquilo fez seus cabelos ficarem em pé, e ele correu para ver o que estava acontecendo, espiando através do vidro da porta.

—*-*-

— Aquantis?

O rosto de Aquantis se acendeu ao ver Austin. O piloto da nave Imperatriz. Não sabia dizer por que se sentia tão simpatizado por ele, havia algo sobre gostar de certas pessoas com quem mal manteve uma conversa que às vezes o assustava.

— Você está melhor? É ruim ficar nesta cama, não é mesmo? – Perguntou enquanto se aproximava. Suas mãos ficaram a frente dele, presas uma a outra não querendo dar um vislumbre por tremer pelo nervosismo. Ele raramente iniciava algum assunto com alguém que não fosse Trey.

Austin lhe deu um sorriso tão gentil que fez Aquantis se sentir muito mais aliviado.

— Estou melhor, Zack usou de suas artimanhas para me curar, só mais um pouco e poderei sair daqui.

Aqua se sentou à beira da cama e olhou para quem considerava como um amigo.

— Austin, você... não está zangado comigo? – Não teve coragem de olhar para ele enquanto perguntava.

— Por quê? – O outro parecia incerto.

— Você se machucou por minha causa, não foi?

— Quem te disse isso? – Austin balançou a cabeça e Aqua olhou-o atentamente. – Nós fomos para salvá-lo, é por você estar sob o poder deles que teve esse descontrole todo, e não para nos machucar. Nós entendemos, nunca te julgaríamos, porque sabemos que não foi sua culpa, e sim culpa da Federação dos Planetas.

Aquantis assentiu, sentindo-se comovido pelas palavras de Austin. Ele não esperava que fosse ser perdoado por isso, apesar de não ter feito nada propositalmente. Isso estava se tornando tão perigoso.

— Obrigado, Austin.

— Não precisa agradecer. – Ele lhe deu outro sorriso gentil, parecendo até um pouco infantil para o seu tamanho, como o sorriso de um garotinho, e apertou o seu ombro.

—*-*-

Dominic acordou estranhamente em um lugar que não era suposto acordar. Sentou-se olhando ao redor com as sobrancelhas franzidas.

Como ele foi parar na sala de máquinas? Ele estava no quarto de Zack lendo uma série de revistas chatas e de repente estava dormindo neste lugar? Será que algo estava errado com sua mente?

A sala de máquinas era praticamente o motor da nave Imperatriz. Enorme como um grande salão onde estava conectado todo o funcionamento da nave e era de fácil controle, também era onde estava os estoques de combustíveis e produtos inflamáveis. O único capaz de manusear aquele lugar era Austin. Ele era o piloto e tinha grandes noções do maquinário e como tudo funcionava no termo mecânico.

Dominic balançou a cabeça afastando seus pensamentos nebulosos e se levantou um tanto zonzo. Ele se firmou segurando-se em um lugar que não era devido, seu grito foi inevitável, um dos compartimentos estava fervendo e ele acabou por queimar a palma de sua mão completamente.

— Ugh… dói… muito… — Gemeu enquanto segurava sua mão contra o peito, ardia incomensuravelmente. Ele a olhou e pânico se instalou dentro dele ao ver a pele completamente avermelhada e se derretendo.

Tropeçou para fora da sala e rapidamente Morgana e Sully já estavam ali, provavelmente por terem ouvido seus gritos.

— O que aconteceu?! — Sully o indagou vindo ao seu apoio.

— Eu me queimei! — Ele chorou. Morgana pegou em seu pulso e olhou para o ferimento sangrando.

— Vamos levá-lo para a enfermaria e tratá-lo. Zack não está, mas podemos procurar algo para aliviar sua dor. — Disse Morgana agindo rapidamente. Ela tentou arrastá-lo de lá, mas como Dominic estava aos prantos pela dor horrível em sua pele, ela o pegou em seus braços musculosos e o levou diretamente para a enfermaria.

Queria muito ter de se transformar em seu tamanho pequenino, mas sabia que se fizesse isso seria impossível tratá-lo, além de que era muito mais propenso a doer muito mais.

— O que aconteceu com ele? — Perguntou Austin preocupado assim que Morgana e Sully entraram com Dominic gemendo e chorando, e o colocaram sobre outra maca que Sully rapidamente preparou.

— Ele se queimou na sala de máquinas! — Morgana gritou e correu pelos armários procurando por remédios e curativos.

Dominic mal viu Aquantis entrar na sala antes que o pânico o fizesse desmaiar.

—*-*-

— Ele dormiu novamente? — Trey perguntou a Zack que assentiu e suspirou.

— Devem ser os remédios. — Respondeu.

O comandante olhou para a condição de Kayllon, o pai de Austin que… bem, estava grávido e dormindo enquanto mantinha o ombro de Zack como travesseiro. Foi uma enorme surpresa descobrir da gravidez e, ainda pior, saber que não podia contar a Austin. Embora seu amigo precisasse saber, não era da incumbência de Trey dizer o segredo de Kayllon a ninguém. Muito menos que Zack fizesse isso.

O comunicador chiou em seu ouvido, ele viu Zack se contorcer e assumiu que era uma mensagem coletiva.

— Zack, Trey, vocês já estão chegando? — A voz de Morgana soou estranha.

— Sim, estamos na nave cápsula de volta para o porto. Está tudo bem? — Trey perguntou sentindo um certo arrepio pela espinha.

— Não, não está nada bem! — A voz de Morgana soou ainda mais desesperada que o normal. O coração de Trey trovejou no peito. — Dominic se queimou na sala de máquinas e está passando mal na enfermaria, estamos cuidando dele, mas algo está estranho com a nave, as luzes de emergência não param de piscar e o alarme está nos irritando.

— Aquantis está aí? — Foi a primeira pergunta de Trey.

— Oh, meu Deus… — Zack procurava incessantemente nos bolsos e Trey assumiu que estava atrás de sua bombinha de ar.

— Zack, acalme-se! — Ele apertou o ombro livre de seu amigo já que o outro estava ocupado por Kayllon, que roncava suavemente alheio aos acontecimentos.

— Trey? — A voz de Aquantis soou no comunicador, e algo aqueceu no coração de Trey, que mesmo esqueceu de seu amigo entrando em pânico.

— Oh, oi Aqua. Você está bem? — Ele se recostou, um pequeno sorriso idiota repuxando as comissuras de seus lábios.

— Socorr… — Zack soprava respirações curtas e difíceis, Trey lhe deu um chute na canela que serviu de ajuda.

— Sim, mas estou preocupado… — A voz de Aquantis denunciava como se sentia. — Essas luzes me assustam.

Trey fechou os olhos enquanto dizia: — Não se preocupe, estarei ai em poucos minutos. Cuide bem de Dominic, ok?

— Sim. — Parecia que ele estava sorrindo.

Trey desligou o comunicador e olhou feliz para um Zachary que parecia querer matá-lo, ondas de ódio exalavam dele.

—*-*-

Zachary tinha praticamente pulado fora da nave cápsula quando chegaram, mal ultrapassou o compressor de ar e correu diretamente para a enfermaria. Sua preocupação falava mais alto por Dominic, pela forma como Morgana tinha soado no comunicador, a situação parecia muito grave.

Assim como ela relatou, as luzes de emergência da nave piscavam o tempo inteiro intercalando entre vermelho e verde, além dos alarmes ensurdecedores serem irritantes demais.

Pegou seu jaleco logo ao passar pela porta automática. Trey tinha se ocupado de levar Kayllon para um dos quartos vazios. Zack ignorou Austin e os demais, concentrando-se em Dominic que parecia inconsolável contra os travesseiros. Sua mão estava com a palma virada para cima, a ferida exposta, mas que não sangrava mais.

— Eu limpei a ferida e dei a ele um medicamento para dor, espero não ter feito errado. — Ela mostrou o vidro injetável e Zack assentiu para ela.

— Você fez corretamente, eu gostaria que me deixassem sozinho com ele, com exceção de Austin, é claro.

Morgana assentiu, ela levou os demais para fora da enfermaria e Zack soltou um longo suspiro.

— Você me assustou, Nic.

Dominic choramingou, ele encolheu os ombros, olhando-o como um bebê sem o carinho da mãe.

— Ainda está doendo?

— Sim.

Zack suspirou de novo e passou a trabalhar. Resultou em ser uma queimadura de segundo grau. Algumas partes da pele da palma da mão esquerda de Dominic estavam com fissuras e sangravam um pouco, e uma longa parte estava em um avermelhado irritável que provavelmente foi doloroso de suportar.

— Você vai ter algumas cicatrizes, mas isso é tratável, então não será nada muito perceptível. — Disse Zack enquanto utilizava um gel para aliviar e em seguida passou a enfaixá-lo.

— Eu não sinto meus dedos. — Dominic chorou mais. — Vai ter que amputá-los? — Ele perguntou olhando-o com olhos arregalados cheios de pânico.

Zack lhe deu um sorriso.

— Claro.

Dominic soltou um grito estridente que fez Austin pular do outro lado da sala de enfermaria.

— Zachary! — Seu amigo gritou com raiva.

— Ei, estou brincando! — Ele olhou para um Dominic arfando em pânico. — As palmas das mãos são uma das partes do corpo que tem mais capacidade de regeneração. Com um pouco de tratamento a laser, ficará como nova em cerca de uma semana. Então não há com o que se preocupar.

Dominic aquietou-se e engoliu dificultosamente, ainda soltando pequenos soluços.

Zack olhou para ele sorrindo mais uma vez e estranhou a rápida mudança de seus olhos, imaginou que fosse parte das características de um saturniano.

—*-*-

— O que houve com ele? — Aquantis perguntou enquanto olhava para Kayllon dormindo encolhido na cama.

— Ele está esperando um bebê. — Trey imediatamente bateu em sua boca quando Aquantis olhou-o com surpresa.

— O quê?!

— Por favor, não diga isso a ninguém. É um segredo. — Trey implorou. — Ele pediu a mim e a Zack para mantermos sigilo. Ele mesmo contará a Austin quando achar o momento certo.

Aquantis ainda tinha aquela expressão de “o quê?!”.

— Um bebê…? Mas… como?

— Ele é um uraniano e isso é normal para a espécie deles. — Respondeu Trey com um sorriso. — Austin veio diretamente dele.

— Uau. — Aquantis deixou aquela informação afundar. Então havia homens que poderiam ter bebês? Ele tinha certeza de que não era um deles, embora não soubesse praticamente nada a respeito de sua espécie, apenas que ele tinha o poder de usar a gravidade a seu favor e explodir naves inteiras. — Ele vai ficar ficar bem?

— Sim. Só uma questão de tempo até sair desta cama. Nós demoramos mais porque precisávamos chamar um médico, e demorou mais uma hora para ele atender Kayllon.

— Oh. — Foi o que Aquantis conseguiu responder.

Eles tinham verificado a sala de máquinas juntos e Trey apenas precisou clicar em alguns botões e uma alavanca para que o alarme parasse de soar e as luzes de emergência se apagassem, restando apenas as luzes comuns.

Descobriu-se que alguém tinha mexido nos painéis de controle mecânico da nave, isso explicava toda aquela confusão, mas Trey queria entender por que seria Dominic, e o que ele quis fazer ali.

—*-*-

Trey voltou para a ponte de comando, Morgana e Sully não estavam lá e nem os demais, então deu-lhe algum tempo sozinho com o garoto blue. Trey não conseguia entender por que estava feliz com isso.

Aquantis estava vestido apenas com uma calça de moletom cinza e uma camiseta branca com a imagem de uma praia com coqueiros na frente dela, além de seu pés calçados com pantufas azuis. Tudo o que Trey tinha comprado especialmente para ele. Vê-lo vestido com seus presentes e ao seu lado fazia seu peito aquecer.

Ele estava tão bonito com aqueles cabelos azuis meio rebeldes que provavelmente tinha se esquecido de pentear e seus olhos incríveis de um verde água tão brilhante. Suas sobrancelhas ainda estavam meio falhadas quase como se propositalmente, e seus cílios tinham crescido novamente para longos e espessos. Trey não conseguia encontrar defeitos nele, pois parecia que tudo em Aquantis o conquistava.

— Ei, Trey. — Disse o garoto blue, olhando-o com apreensão. — Vocês todos estão em apuros por minha causa.

Trey suspirou. Talvez o que não gostasse dele fosse essa parte em que Aquantis se culpava por tudo e era tão inseguro. Queria envolvê-lo em seus braços e beijá-lo para nunca mais se sentir assim.

Contudo, se conteve ao máximo.

— Não é com isso que deve se preocupar agora. — Trey queria tanto poder consolá-lo de inimagináveis maneiras em sua mente. — O importante é que estamos todos juntos, minha família que agora é sua família, e até mesmo o estranho do Sully que eu mal conheço. Vamos encontrar um lugar digno de recomeçar. O que acha?

Aquantis piscou e então sorriu, seus olhos brilhando com esperança.

— Você e eu estaremos juntos?

— Uh… sim. — O coração de Trey acelerou uma batida.

— Então está tudo bem para mim. — Aquantis olhou para suas mãos, suas bochechas corando levemente. Trey não sabia como enxergar essa reação dele. — Você é o melhor amigo que eu já tive, Trey. Não creio que poderia seguir em frente sem você. Sabe… não sei nada sobre o Universo ou… não sei absolutamente nada sobre nada.

O comandante piscou. Melhor amigo?

Era assim que ele o via, claro.

Sentiu uma pontada de decepção.

— Não se preocupe. — Permitiu-se tocar um lado de rosto de Aquantis, e isso o fez olhar para ele um pouco surpreso. Trey não se afastou, ele acariciou lentamente a bochecha de Aquantis e segurou seu olhar. — Nós sempre estaremos juntos, eu prometo.

—*-*-

Keesa acordou abruptamente depois do pesadelo horrível que teve. Sonhar com seus companheiros de cela mortos por seus donos tinha sido apenas a alavancagem que precisava para instigar o pânico dentro dele. Sentou-se à frente da lareira abraçando suas pernas contra o peito e olhando tristemente para as chamas flamejantes em meio ao carvão.

Fuligem já se agarrava a sua pele por dormir naquele lugar e sem um cobertor apropriado, apenas uma manta curta que mal chegava a seus pés.

Perguntou-se por que nos últimos dias Gavrel o tinha evitado como se Keesa não existisse. Ele até tentou servi-lo, mas o comandante simplesmente o ignorou e fingiu que ele não existia.

Keesa tinha ficado quieto em seu canto sem saber o que fazer. Depois daquele súbito ataque durante aquela madrugada em que Gavrel assustou o inferno fora dele, mordendo sua garganta e sugando-o como um vampiro dos contos mais obscuros e provocando uma série de orgasmos deliciosos, certamente foi uma cena para se pensar e repensar.

Ainda tinha medo do comandante, e como tinha! Gavrel era assustador, mesmo seu olho dourado e aquele tapa olho que usava para esconder o outro. Keesa queria saber mais sobre ele, entender mais sobre seu dono. Acreditava que precisava saber se iria servi-lo de agora em diante.

Não veja mal. Não era como se ele tivesse simplesmente aceitado viver naquele lugar como um escravo sexual. Mas não é como se ele tivesse outra escolha ou pudesse simplesmente escapar e fugir quando se estava em uma nave espacial. E ele estava cansado de reprimendas. As cicatrizes que ele tinha ganhado ao longo dos anos tinha sido a prova de que lutar tinha sido em vão, e tudo o que ele ganhou foram marcas e muita dor.

Já soube que Gavrel era um homem violento e que não tinha pena alguma de seus escravos, então por que provocá-lo? Talvez se aceitasse doeria menos.

Ainda assim, durante aquela noite, Kimm, uma mulher loira, alta e perigosa que trabalhava exclusivamente para o comandante, veio vê-lo. Embora ela aparentasse ser extremamente ameaçadora, tinha sido gentil com ele. Lhe trouxe roupas limpas, produtos de higiene pessoal e suas refeições. Ela sorriu, ainda que minimamente.

— Obrigado. — Ele disse com um sorriso ao ver o jantar em uma bandeja. Ela o colocou sobre a cama. — Sabe se o comandante virá? — Perguntou. Não sabia se esperava vê-lo ou se preferia que não.

Kimm assentiu. — Ele está ocupado com o trabalho, mas creio que virá tarde da noite. Ele precisa descansar também.

Keesa olhou para sua comida.

— Ele é realmente tão ruim como me disseram?

Kimm parecia não entender.

— Você quer dizer violento? Temível? Grosso e estúpido? — Ela sorriu. — Se você conhecê-lo verdadeiramente vai descartar tudo o que as pessoas já te disseram. Ninguém realmente o conhece, Gavrel não permite que muitos saibam sobre como ele é de verdade.

— Hum. Como sabe tudo isso? — Keesa sentiu um certo alivio, mas ainda estava em dúvida.

— Sou a melhor amiga dele. O conheço desde sempre. Estou nesta nave desde que Gavrel tomou o comando quando era apenas um adolescente rebelde e solitário. — Ela se levantou e deu um último olhar a Keesa. — Há algo em você que o torna diferente de todos os escravos que já passaram por esta nave.

Keesa a assistiu sair do quarto e a pesada porta de metal antigo se fechar. Ele queria entender o que havia de tão especial nele. Ah, claro, seu sangue puro de humano. Mas ele ainda não conseguia ver isso como algo incrível.

De qualquer maneira, seu sangue era o que estava mantendo vivo e livre de apuros. Ele iria se agarrar a este pequeno detalhe para sempre, se fosse possível.

Tinha comido o suficiente, e após isso se banhou rapidamente antes que seu dono viesse aos aposentos. Keesa vestiu roupas limpas e voltou para o tapete em frente da lareira de carvão.

Estava quase adormecendo quando o barulho pesado da porta sendo aberta o fez em alerta. Ele sentou-se observando Gavrel que parecia tão cansado quanto no dia anterior. Ele retirou o tapa olho e olhou com ambos os olhos em Keesa.

— Venha para a cama. — Ele disse sem rodeios, sua voz soando extremamente rouca.

Keesa estremeceu com medo de que ele fosse tentar algo que realmente doesse. Mas nada disse e obedeceu. Lentamente ele se deitou na cama que pareceu incrível contra sua pele, seus músculos ainda rígidos por ter dormido no chão por várias noites desde que chegou.

Era a primeira vez que Gavrel o chamava para a cama e queria acreditar que era uma coisa boa.

Continua...

Notas finais
Obrigada por ler Lost Blue ♥ Espero que tenha gostado! Em breve tem mais, e já prometo surpresinhas hahaha Beijos