Lost Blue

1 Capítulo 1 – A missão dos sonhos


Notas iniciais
Olá meus amores ♥ Faz mais de um ano que estou trabalhando nesta história, comecei e recomecei várias vezes e descartei vários capítulos até chegar ao nível de enredo que eu gostaria de proporcionar a vocês. Provavelmente vai ser uma long fic, como minha outra fic Phaeleh. Espero que gostem! Boa leitura!

Onde o amor impera, não há desejo de poder, e onde o poder predomina, há falta de amor.

Um é a sombra do outro.

Carl Jung

Os sons misturados de música clássica ecoavam pelo grande saguão da Federação dos Planetas, assim como os seus passos e os de milhares de pessoas que atravessavam o seu caminho. Trey Scarlet, com seu sobretudo de veludo negro fazendo jus ao seu estilo único de se vestir, botas negras de pouco salto, calças escuras um pouco escorregando nos quadris e uma camiseta de estampa monstruosa completava suas vestes. Trey ainda utilizava suas luvas de couro e pulseiras de ouro, além dos colares adornando o pescoço.

Entretanto, suas roupas não chamavam mais a atenção do que seu rosto formoso e cabelos exuberantes. Suas madeixas negras até a altura dos ombros tinham lá mechas loiras quebrando o tom gótico. Sua face limpa, seus olhos amarelos como ouro e ambiciosos diziam exatamente qual era o primeiro desejo de sua lista de prioridades: O dinheiro.

Trey era o comandante da nave Imperatriz, que há cerca de cinco anos atrás pertenceu ao seu pai. Hoje ele era conhecido como um dos melhores caçadores de recompensa da Galáxia de Órus, onde era presente seu planeta de origem e a Federação dos Planetas, cujo lugar era onde estava naquele momento.

O comunicador tocou em seu ouvido e ele clicou sobre ele para a ligação de um de seus tripulantes, era Zachary, responsável pelo sistema da nave, e também seu enfermeiro para situações de necessidade.

— Diga-me quais são as novidades, Zack.

Seu amigo de longa data riu do outro lado. Zack estava de férias neste momento com seu segundo tripulante, Austin, que era o seu fiel piloto e outro grande amigo de infância.

— Bem, minha mãe está mimando muito o Austin, já estou preocupado. Ele nunca comeu tanto, temo que vá passar mal.

Trey deu uma risadinha e se recostou contra o apoio à beira de uma enorme piscina centralizada no saguão. Nada mais do que grandes peixes e mamíferos moravam ali. Olhando para cima do local que parecia gigantesco estavam os vinte e sete andares que compunham a Federação dos Planetas que era uma imensa nave estacionada próxima do planeta Vettore.

— Dê meus cumprimentos a ele.

— Claro! Então...

— Ah... vamos lá, o que foi dessa vez? — Trey suspirou. Quando Zack ficava em silêncio assim era porque estava pensando em uma melhor forma de abordá-lo sobre um determinado assunto. O pior é que ele sempre o convencia.

— Você aceitou realmente a proposta de seu pai? — Perguntou ele com uma leve nota de preocupação na voz. Trey como sempre revirou os olhos naquele seu jeito arrogante de ser.

— Hum... Na verdade estou indo ver os benefícios agora. Estou prestes a ter uma reunião com meu velho. — Trey avistou um androide se aproximando e decidiu que era hora de se mover dali. Detestava os robôs idiotas, e parece que era mútuo.

— Pense bem antes de aceitar uma missão dessas. Você sabe que as missões da Federação sempre são de grande porte. — Zack o aconselhou.

— Isso significa muito dinheiro. — Trey interrompeu. — Baldes e baldes de muita grana. Estaremos com as preocupações poupadas por meses. Você não sabe o tamanho do meu sorriso agora. — E realmente, atravessava sua face amplamente.

Zack soltou um bufo do outro lado.

— Você como sempre está sempre pensando no dinheiro. Use sua cabeça ao menos uma vez na vida e veja os riscos, por favor. Eu e Austin não queremos perder nossas vidas por uma falha sua.

Trey revirou os olhos. Como sempre, dramático.

— Olhe, vamos mudar de assunto... — Ele atravessava o pátio e chegou ao elevador. Um casal de vettoreanos entraram de mãos dadas. Eles se pareciam muito com humanos, entretanto as alturas muito elevadas os diferenciavam muito. — Como estão sendo as férias? Curtindo muito os dias ensolarados?

Zack riu. Ele então passou a contar os bons momentos que ele e Austin tiveram. A mãe de Zack era uma mulher e tanto, uma fisiculturista de quase dois metros de altura. Ela cozinhava muito mal, por isso muitas vezes comprava uma série de porcarias quando seu filho e amigos iam visitá-la. Um tanto contraditório para quem era tão fissurada em sua aparência.

Trey chegou ao vigésimo quinto andar e saiu para um longo corredor que se estendia de um lado a outro pelo que parecia ser um infinito de alabastrino e portas. O tom monótono de branco chegava a dar arrepios em Trey. Sabe-se lá os tipos de experiências que os cientistas praticavam aqui.

— Zack, eu vou desligar, estou chegando a sala de reuniões agora. Nos falamos em outro momento, mande meus cumprimentos a Senhora Spencer.

— Claro, boa sorte. — Zack cortou a ligação.

Trey suspirou, passou as mãos por seus cabelos, ao menos para evitar nem que fosse um pouco seu ar rebelde de caçador de recompensas.

Quando chegou à sala de reuniões, seu pai já estava sentado à mesa. O mesmo estilo de decoração do corredor, puramente branco e assustador. Mas não pior do que o olhar de seu pai.

— Está atrasado.

Trey coçou a nuca.

— Estava resolvendo alguns assuntos e ...

— Você não se vestiu adequadamente. — Seu pai reclamou, mas logo suspirou desistindo.

O comandante da nave Imperatriz sentou-se ao lado de seu pai à borda da grande mesa oval. Ao centro dela havia um pequeno vaso branco com flores alvas. Qual é a desse lugar?

— A rainha está vindo? — Perguntou olhando ao redor.

— Sim, em alguns minutos. Eu vou explicar tudo rapidamente. — Disse seu pai. Jack Scarlet foi um grande comandante e caçador de recompensas no passado, que havia se aposentado em cerca de cinco anos, passando a trabalhar para a Federação por capricho próprio. — A rainha quer propor pessoalmente a você a missão. Parece que um de seus tesouros mais preciosos foi roubado há cerca de uma semana e toda a guarda da Federação não foi capaz de resgatá-lo.

Trey tinha os olhos arregalados para aquela informação. Onde no universo poderia a guarda da Federação não ter êxito em alguma tarefa?

— Que espécie de tesouro é esse? — Perguntou.

Seu pai estava prestes a respondê-lo quando a porta deslizou aberta e por ela uma série de pessoas bem vestidas – de branco – entraram e se sentaram. Por último, se estabelecendo a frente de Trey, a belíssima rainha de Vettore e também Líder da Federação dos Planetas. Ela era simplesmente muito maior que dois metros de altura, olhos azul-gelo, cabelos louros presos acima em um coque, um sorriso gigantesco e cegável. Vestia impecavelmente através de sua beleza e juventude, além de ser exageradamente magra.

Trey se colocou receptivo assim como seu pai.

Todos naquela sala estavam em silêncio em respeito as palavras da rainha.

— É uma grande honra ter a presença de nada menos do que o Comandante da Imperatriz. É um prazer. — Ela estendeu a mão enluvada e Trey rapidamente a apertou delicadamente. A rainha era toda sorrisos, parecia de tão bom humor apesar da situação. Entretanto, sua mudança de expressão na fala seguinte o assustou. — O senhor Jack Scarlet deve tê-lo comunicado sobre o porquê de chamá-lo para esta reunião, não foi? — Trey assentiu, engolindo em seco, mas não deixando transparecer. — Bem, eu tenho uma missão de extrema importância para você. E eu não aceitarei uma resposta negativa por hoje. Dê-me as fotografias, Melany.

A mulher ruiva e intelectual ao lado da rainha entregou-lhe um catálogo branco. Ela o folheou e então entregou a Trey que rapidamente pegou em mãos e observou. Haviam duas páginas abertas para ele, em cada, uma foto. Na primeira refletia um menino sorridente de cabelos curtos e azuis, poucas sardas na face e um olhar infantil. Na segunda a criança já havia se tornado um rapaz, grandes e expressivos olhos verde água, um sorriso falso, provavelmente havia muito mais por trás daquela expressão forçada. Os cabelos azuis eram longos e formosos, uma característica bem peculiar. Magro, vestindo roupas brancas e uma postura monótona, como se fosse uma foto de check-up.

— Este nas fotos é Aquantis. O meu maior tesouro vivo. Por incrível que pareça, o ladrão que o obteve tinha informações de dentro da Federação. Nossos investigadores estão trabalhando nisso, você pode ter mais informações com eles e nesta pasta. — Apontou para a pasta catálogo nas mãos de Trey. — Apenas preciso que encontre Aquantis. E em seguida necessito que permaneça na guarda dele por um mês, até que meus funcionários sejam capazes de eliminar todas as pistas da existência desse garoto.

Trey tinha uma lista de perguntas em sua mente, mas estava cerrando a mandíbula fortemente para não interromper as ordens da Alta Autoridade.

— Aquantis é um ser raro, e creio que nenhum de nossos inimigos será capaz de encontrá-lo com você. Daremos as coordenadas certas para a segurança dele e de sua nave. — A rainha enfim terminou e para a surpresa de todos, estendeu um grande e brilhante sorriso. — Dúvidas?

Antes que pudesse pensar, sua questão já havia escapado através da língua.

— Qual será minha recompensa por essa missão?

A majestade ergueu apenas uma perfeita sobrancelha e riu um pouco antes de dizer. Abaixo da mesa, Trey sentiu bem o beliscão de seu pai.

— Não se preocupe quanto ao dinheiro. Você terá duas parcelas. A primeira para o resgate de Aquantis e a segunda para a sua proteção. Será um valor total equivalente a quinhentos bilhões de moeda vettoreana. Bastante justo?

Trey engoliu o maior nó de sua vida. Ele quase – apenas quase – deixou transparecer a sua surpresa. Ele poderia se tornar o dono de um planeta inteiro praticamente. Que quantia monstruosa! A moeda vettoreana era a mais cara de Órus.

— Sim, bastante justo, majestade.

—*-*-

Assim que a reunião terminou, Trey seguiu o general Jack Scarlet – seu pai – para o escritório dele.

Ambos estavam tensos após a tomada de informações sem escolha em que lhes foram impostas. Bem, principalmente sobre Trey que seria o encarregado da missão. Seu pai apenas lhe forneceria a ajuda necessária.

— Trey, você tem certeza de que vai aceitar uma missão como essa? A responsabilidade é tremenda e você...

— Pai. — Interrompeu. — Eu não tenho escolha, você viu. Ela simplesmente me deu uma ordem, e quem sou eu para questionar a Rainha? — Bem, um cara que detestava ser intimado por qualquer maldita Alta Autoridade da galáxia. — Mas eu estou em dúvida com uma coisa: Por que ela considera esse garoto um tesouro? Ele não é filho dela pelo que eu saiba.

Jack sentou-se em sua cadeira de couro e cruzou o tornozelo sobre o outro joelho, coçando através da pouca barba. Trey era como uma cópia de seu pai, aparentando mais jovem, é claro.

— Eu sinceramente não sei, Trey. Vou pesquisar e assim que descobrir algo, te informarei. O pouco que há sobre ele que está livre para você saber está na pasta. A rainha mantém em puro sigilo todas as informações do laboratório.

Trey olhou para seu pai, se contendo para não olhar a pasta naquele momento.

— Você disse laboratório?

— Sim. Não há muitos que saibam sobre a existência desse centro de pesquisa. É aqui mesmo na Federação, onde Aquantis costumava viver. Ele tinha um local apropriado apenas para ele. Antes que acontecesse este rapto, eu jamais saberia que uma criatura como essa estivesse sob as mãos dela. — Jack explicou.

— Mas você é um dos generais mais importantes da Federação. Mantiveram isso até mesmo fora de você?

Seu pai assentiu e deu-lhe um olhar preocupado.

—*-*-

O porto da Federação estava repleto com naves em todas as estações, como sempre. O movimento daquele lugar nunca estagnava, afinal era um grande centro político interestelar da galáxia de Órus.

Trey deixou as portas de vidro automáticas carregando apenas a pasta em mãos. Sua nave estava na estação 39, então deu-lhe tempo para caminhar e avistar todos os tipos de veículos diferentes atracados, desde os menores utilizados apenas para pequenas viagens, até os mais complexos como as naves de combate e hotéis espaciais.

Havia uma película de ar circulável que servia como uma atmosfera simples, que mantinha a gravidade sob a normalidade e os permitia respirar em torno da Federação. Trey encontrou a grande nave Imperatriz, cuja mesma ele amava muito e cuidava como seu maior tesouro. Imperatriz era para ele sua fonte de renda e claro, ele investia muito para mantê-la impecável.

A nave era quase gigantesca, tinha desde a sala de comando, sala de jogos, sala de estar, cozinha acoplada, banheiros em todos os conjuntos de quartos e outras diversas salas variadas. Trey simplesmente adorava passar o tempo nela, havia se tornado sua casa há mais de cinco anos. E seus amigos também a incluíram como um lar.

Dirigiu a nave até um certo nível fora da zona de Vettore e então colocou-a no piloto automático em direção ao planeta de origem de Zachary, Xlon. Enquanto isso, cansado e com a cabeça quente por tantas perguntas que circulavam nela, Trey entrou em seu quarto e caiu sobre sua cama king size. Abriu a pasta justamente sobre onde estavam as fotos de quem ele estava indo resgatar.

— Aquantis, huh? — Era um nome um tanto peculiar. Traçou com os dedos sobre a foto, se perguntando sobre aquele sorriso forçado na foto mais recente. Quando ele era criança sorria sinceramente, parecendo tão bobo e feliz, e seus olhos de agora mostravam algo completamente distinto. Uma mistura de sentimentos, mas nada relacionado a alegria.

Trey notou os traços suaves do rosto, os olhos verde água grandes e brilhantes, os dentes brancos, a pele alva e cremosa, além dos cabelos longos e peculiares, de uma tonalidade azul. Imaginou como o encontraria e suspirou, virando a página em busca de mais informações.

— Nome de origem... Apenas Aquantis, sem sobrenome. Hum, interessante. Dezoito anos completados em doze de Setembro. Planeta de origem: Lost Blue. — Trey franziu o cenho para o nome desse planeta. Já tinha ouvido falar, porém há muito tempo, mas não tinha certeza. — É melhor eu consultar Zack depois. — E continuou a ler.

As descrições diziam que Aquantis era um garoto difícil, que não gostava de compartilhar suas opiniões e preferia viver quieto e sem contato visual com as pessoas. Raramente sorria, mas que nunca se mostrava mal-educado. Levava tranquilamente as visitas ao laboratório e gostava de manter seu quarto organizado. Era um amante de flores e plantas.

Trey revirou os olhos. Não queria saber quais coisas Aquantis gostava. No entanto, após uma lista de observações sobre a personalidade do garoto, houve algo que intrigou-o completamente nas informações finais.

“Primeiro indício de destruição verificado ao completar dezoito anos. Níveis de habilidade estimados a mais de 4 milhões de anos-luz de energia natural. Devido medidas de esforços repentina após a explosão de cerca de um terço do laboratório na estação planetário em Vettore, Aquantis foi sedado e encaminhando em camisa de força e uma máscara escura evitando-o que desenvolvesse uma segunda crise. De acordo com o relatório dos cientistas da Federação, Aquantis apresentou as primeiras considerações de magia provindas de uma criatura de Lost Blue.”

E o relatório terminava após tudo isso.

Trey estava intrigadíssimo. Jogou a pasta sobre a cama e coçou o queixo, sua boca levemente aberta.

— Quatro milhões de anos-luz de energia natural? O que isso significa, caramba?! Detesto essa linguagem científica. — Ele perguntaria a Zack sobre isso também.

—*-*-

Foram dois dias de viagem até alcançar a borda do planeta Xlon. Visto através da grande tela que tomava praticamente uma parede completa a frente na ponte de comando – sala principal da nave Imperatriz – era possível avistar uma esfera cortada por dois anéis de rocha que giravam em sintonia ao redor do gigante planeta esverdeado.

Trey gostava muito desse lugar, era um dos únicos que conhecia que se era possível avistar mais de cinquenta luas brilhantes durante a noite. Era absurdamente bonito. Xlon também era muito conhecido por ser um planeta turístico, um dos melhores da galáxia de Órus se o seu interesse era visitar as mais belas praias ou navegar nos diversos oceanos.

Infelizmente suas férias estavam muito longes de acontecer. Ainda mais agora que estava prestes a embarcar em uma missão de resgate. Primeiro de tudo, precisava de seus dois fiéis tripulantes e melhores amigos.

Em cerca de três horas, Trey já tinha estacionado sua nave espacial no porto terrestre do distrito onde morava a mãe de Zachary. Queria poder estacionar no quintal dela, contudo sua nave era muito grande para isso, não queria uma multa.

Trey deixou o táxi flutuando e pagou a tarifa com seu cartão de crédito. A casa de Morgana Spencer era uma mistura entre arte moderna e elementos da natureza. Enquanto o lado esquerdo sempre se parecia para ele uma casa de elfo, do lado direito se parecia uma espécie de palácio de grandes dimensões. Nada exatamente em linha reta, era tudo um pouco torto.

Um par de latidos tirou Trey de seus devaneios e ele encontrou Tobias, o cão da senhora Spencer. Bem, na verdade eram Toby e Bias, mas ele preferia chamar de um único nome, afinal era um cachorro com duas cabeças.

— Ei Toby! — Trey afagou sobre uma cabeça e depois a outra. — Bias! Onde está a mamãe?

Os cães latiram em direção a casa e então por algum motivo oculto tentaram morder um ao outro, o que foi muito esquisito. Trey não era muito chegado em animais. Bateu contra porta e fora recepcionado por Zachary. O sorriso que seu amigo deu ao lhe ver quase o cegou. Trey recebeu um abraço apertado e vários tapas em suas costas, Austin veio em seguida, seu tamanho exagerado de músculos quase esmagando Trey.

— Não sabia que viria tão cedo. — Morgana veio desde a cozinha carregando uma bandeja de biscoitos com uma cor muito peculiar. Como sempre ela parecia gentil e assustadora ao mesmo tempo. Ela media quase dois metros de altura, e era tão musculosa quanto era de se esperar de uma fisiculturista. — Quem está faminto? Fiz biscoitos de chocolate!

Austin sorriu de primeira, ele correu para degustar um dos biscoitos e Trey sentiu pena dele.

— Não vão querer? Estão quentinhos ainda. — Ela ofereceu ao comandante e a Zack, que não puderam dizer nada senão aceitar. Ninguém queria mamãe Morgana zangada. Não mesmo.

—*-*-

Algumas horas mais tarde, Trey ainda sentiu seu estômago revirar em uma náusea contínua após ter sido vítima das armas fatais de Morgana Spencer. Aqueles biscoitos certamente ferraram com seus órgãos digestivos. E claro, Zack ainda estava preso no banheiro e Austin não parava de beber sais efervescentes na esperança de melhorar.

O trio já estava novamente acomodado na grande nave Imperatriz enquanto deixavam o planeta Xlon rumo ao espaço novamente.

— A missão é tão urgente assim para precisar nos tirar das férias tão cedo? Ainda tínhamos alguns dias para aproveitar. — Austin resmungou caído em sua cadeira de piloto. No entanto, quem estava pilotando realmente era Trey. — A mãe de Zack estava nos prometendo levar ao ringue assistir algumas lutas dela.

— Eu sinto muito, Austin, mas realmente é para ser urgente. Algo me diz que ainda não estou sendo rápido o suficiente. — De certa forma a imagem daquele garoto de longos cabelos azuis ainda estava perfurando sua mente.

Zack entrou na sala de comando um pouco encurvado.

— O efeito dos biscoitos foi pior em você. — Trey zombou.

— Muito engraçado. — Zack sentou-se em sua cadeira e relaxou. — Eu ouvi o que estavam dizendo. Trey, você já sabe do que se trata a missão? E a reunião?

— Já aconteceu. — Respondeu, prestando atenção a tela. — Tem uma pasta perto de você, dê uma verificada.

Zachary fez conforme dito, pegou a pasta e a abriu.

— E então? — O comandante perguntou, finalmente em posição de colocar a nave em piloto automático. Ele e Austin se aproximaram do hacker.

— Embora o meu gosto seja exclusivamente hetero, esse garoto tem uma beleza inegável. — Ele parecia surpreso. Ele virou a página depois das fotos e encontrou as informações sobre ele. Trey se inclinou e apontou. A expressão de Zack fora de surpresa a horror. — O que...?

— O que isso significa?

— Esse garoto... Aquantis, é um Blue? — Olhou indagativo para Trey. Mas o comandante apenas ergueu uma sobrancelha, esperando por mais. — Lost Blue é um planeta perdido. A maioria dos estudiosos já acreditam que sua existência seja apenas uma lenda das nações antigas de milênios atrás. Mas esse garoto... ele prova que esse planeta ainda existe. Que os seres viventes nele não estão extintos.

As sobrancelhas de Trey se juntaram em uma carranca dura e confusa.

— Leia o final do relatório.

Zachary leu, e parece que quanto mais se aprofundava nas informações, mais boquiaberto ficava. Austin estava igualmente espantado.

— Trey... eu não sei se estou emocionado com isso ou se estou com medo.

— Por quê?! — Trey se levantou. Zack nunca tinha medo tão fácil, um cara grande como ele e um gênio. — Ele é tão perigoso assim?

A mandíbula do hacker tremeu quando ele disse.

— Olhe Trey, nós já encaramos todos os tipos de situações perigosas..., mas dessa vez creio que estamos fazendo uma loucura. Você tem noção do quão significativo é uma criatura como ele? Aquantis tem poderes inimagináveis e indefinidos para a própria Federação. É praticamente a maior responsabilidade das nossas vidas. Se o perdemos, somos mortos, sabe a gravidade disso?

Trey caiu novamente em sua cadeira e colocou a cabeça entre as mãos.

— Você já aceitou a missão? — Austin perguntou baixo.

O comandante apenas assentiu, mas disse em seguida:

— Eu não tive escolha, literalmente. Ou era aceitar ou... não teve a segunda opção.

O rosto de Zachary tornou-se vermelho chamas enquanto explodia em raiva.

— E você simplesmente deixou por isso mesmo? Nem discutiu?! Por que a Rainha não poderia simplesmente escolher outro caçador de recompensas que poderia fazer isso por ela? Por que nós? Você novamente escolheu o dinheiro ao invés da nossa própria segurança, é isso?

— Não... — Trey ergueu a face, detestando aquele olhar de raiva em Zack. Austin estava de cabeça baixa, parecendo profundamente chateado. — Você não entende...

— Eu não entendo?! — Zack vociferou contra ele. — Por sua causa nós já entramos em uma porção de enrascadas. Tudo por que você é movido pelo dinheiro, mas não pelo senso de inteligência.

Zachary se virou prestes a sair, contudo Trey agarrou seu braço antes que fosse.

— Por favor, Zack. Eu admito que de início foi por causa do dinheiro... vamos ficar todos bilionários... mas há algo mais importante do que isso dessa vez. Eu juro para você, eu estou com essa intuição... nós temos que encarar essa missão.

Zack travou em seus pés, e seu rosto voltou a cor natural. Ele se virou para Trey cautelosamente e olhou para ele estudando-o.

— Pressentimentos não podem ser ignorados. É o que a minha mãe sempre diz.

Trey sorriu brevemente.

Parecia que a situação de agora em diante com certeza não seria fácil, no entanto Trey estava disposto a descobrir o porquê dessa missão. De alguma forma ele tinha que conhecer esse Blue e tirar suas dúvidas. Só esperava que não fossem perder suas vidas por se arriscarem tão perigosamente.

Continua...

Notas finais
Espero que tenha gostado ♥ Estou ansiosa para lhe apresentar o garoto Blue, Aquantis. Nome peculiar, não? A capa que projetei é um pouco doida hahaha mas representa muito a história. Obrigada por ler ♥ E espero que possa acompanhar! Beijinhos