Lost Angel

5 Dark Aura


Notas iniciais
(nome terrivel aa) :c

Desculpe a demora gente. Doente de novo :c
espero que não tenham desistido dessa fic!
Espero que gostem desse cap T_T eu tive uma dor de cabeça ao escreve-lo TT___TT

Porque? Porque você fez isso, Tsurugi?

Aquilo era tão imperdoável... Tão horrível, cruel. Eu não tive forças se quer para gritar com ele ou coisa do tipo. A maior parte do time baixou a cabeça a cabeça sem esperança, aceitando a derrota aparentemente evidente. O capitão olhou para mim e pude notar seu esforço para não derramar nenhuma lagrima de raiva.

Tsurugi sorriu, se virando de costas para mim.

Um camisa dez não deveria levar seu time a vitoria? Não deveria ser o artilheiro e bombardear de gols o time adversário?

Não para ele, não para a Raimon. A missão do nosso camisa dez era de anular qualquer chance que nosso time poderia ter de vencer. Ele deveria sugar cada gota de determinação que nos restava e mostrar a todos o que acontece com aqueles que vão contra as regras.

E eu não podia aceitar isso. O adversário não podia marcar mais gols – pois fora decidido pelo Quinto Setor que o placar fosse de 1 a zero para a Mannouzaka –, então usaram o tempo restante para nos agredir o máximo possível. Aquela era o castigo da Raimon por tentar causar uma revolução. Naquele lugar, já não importava se você era um dos jogadores que estava jogando pelo Quinto Setor ou não, todos que usassem o uniforme da Raimon estavam condenados. E quando me dei conta, não estávamos mais em meio a um jogo de futebol, mas sim, em uma espécie de campo de concentração. A missão da Mannouzaka não era nos vencer, e sim nos destruir.

Aquilo não era futebol. Aquilo era inaceitável.

Eu estava usando todas as minhas forças para ir atrás da bola.

– É inútil – Kyousuke dizia.

Aquilo parecia ter sido implantado em meu cérebro. Sua voz ecoava em minha cabeça, me fazendo querer correr mais rápido, chutar mais forte, enfrentar tudo e todos de cabeça erguida, sem demonstrar fraqueza.

Essa era a minha chance de mostrar a todos, para a Raimon, para nosso adversário e para Tsurugi. Eu sentia como se estivesse carregando o futebol verdadeiro em minhas costas, e eu não podia perder. De jeito nenhum.

Não vou dizer que não cai. Que não senti dor, que nenhuma lagrima escapou de meus olhos. Fui feito de saco de pancadas, enquanto via meus amigos e parceiros caídos no campo, sofrendo por não poder fazer nada contra aquilo que parecia tão imutável: a nossa derrota. E esse era mais um motivo pelo qual eu não podia desistir. Eu continuei a me levantar, não importando quão forte chutavam a bola em mim. Eu me colocaria em pé enquanto houvesse qualquer vestígio de amor pelo futebol em meu coração, enquanto houvesse coragem o bastante para olhar diretamente nos olhos daqueles que estavam traindo a ele. E todos ali precisaram admitir, essas eram coisas que eu tinha de sobra.

– Nos vamos acabar com Raimon, de uma vez por todas – falava Isozaki Kenma, capitão da Mannouzaka.

– Eu não vou deixar!

Meus músculos ardiam, mas não tanto quanto meu sangue fervia aquele momento. Tsurugi me observava frustrado enquanto o adversário tentava acabar comigo com seus golpes e boladas violentas. Porem, eu não me rendi. E isso foi o que o irritou – talvez até mais a ele do que ao time adversário.

– Vocês chamam isso de ‘acabar’ com eles? Isso é ridículo! – falou, empurrando Isozaki para o lado e tomando a bola do mesmo.

Olhei para ele. Eu já havia admitido a mim mesmo que achava Tsurugi terrivelmente atraente quando parecia tão cruel e arrogante, mas naquele momento, ele parecia realmente assustador. Ele não olhou diretamente para mim, apenas saltou no ar. Antes que eu pudesse ter qualquer reação, senti a bola acertar com uma força desumana em meu peito, e por um instante eu pude sentir-me rasgando. Foi impossível segurar meu grito de dor quando meu corpo foi jogado violentamente para trás. Eu pensei que não poderia me levantar mais.

– Vamos, Matsukaze, brilhe – falava Kyousuke, como se tentasse debochar de mim – Eu quero ver você brilhar!

Todos o olhavam espantados. Tanto a Raimon quanto a Mannouzaka pareciam não acreditar que Tsurugi havia feito aquilo a um colega de time.

Mais uma vez eu o vi me dando as costas, com um ar vitorioso.

– A-ainda não... – minha voz saia rouca e baixa – eu vou mostrar...para você... que eu p-posso brilhar!

Mesmo com a sensação de que todos os meus órgãos internos estavam fora do lugar, me pus de pé. Dei tudo de mim para me levantar e desafia-lo novamente. Eu não tenho certeza se foram minhas palavras que o alcançaram ou a expressão de surpresa no rosto de todos ali presentes que fez com que Tsurugi se volta-se para mim. Seus olhos se arregalaram, expressando uma certa raiva e angustia.

– P-Porque?? PORQUE? PORQUE VOCÊ CONTINUA SE LEVANTANDO? – ele me perguntou, quase desperado.

Tsurugi, será que é assim tão difícil para você entender que eu nunca desistiria? Você poderia arrancar meus braços e pernas e eu continuaria me arrastando atrás daquela bola. Esse era o tipo de pessoa que Matsukaze Tenma foi.

– Porque eu amo... futebol – respondi, esboçando um sorriso.

Agora ele me olhava perturbado. Eu nem vi o momento em que a bola rolou para meus pés. Tudo o que eu podia fazer era continuar jogando com tudo o que eu tinha.

Não demorou muito para a Mannouzaka vir atrás de mim, com suas jogadas violentas e perigosas. Continuei guiando a bola, mesmo cambaleando.

– Eu acho que esta na hora de acabar com isso de uma vez por todas – ouvi Isozaki dizer.

Continuei. Eu precisava acreditar que poderia passar por todos e fazer ao menos um gol. Porem, o adversário parecia não estar medindo força alguma para me roubar a bola. A impressão que eu tive era que não era APENAS a bola que eles almejavam acertar, e sim a mim mesmo.

Isozaki apareceu de repente em minha direção. Ele era realmente rápido e estava confiante do que queria fazer. Seu carrinho era certeiro, eu senti que não poderia proteger nem a mim nem a bola naquele momento. Rápido demais, muito rápido, não daria tempo para qualquer reação. O que eu poderia fazer?

“O que é isso?”

Tudo pareceu ficar ainda mais confuso quando senti meu corpo sendo empurrado de volta ao chão, com uma força incrível. Tsurugi praticamente se jogara em mim para de desviar da mira de Isozaki.

Olhei confuso para eles. Kyousuke parecia ainda mais bravo do que antes, mas dessa vez com Isozaki Kenma.

– O que você acha que esta fazendo? – perguntou ele.

O outro riu.

– O que você pensa que eu estou fazendo, Kyousuke? Estou acabando com a Raimon.

– Então é isso? Esse é o jeito que vocês pretendem acabar com a Raimon? Vocês são mais nojentos do que eu imaginei. Se esse carrinho tivesse acertado, teria quebrado a perna dele!

Todos assistiam confusos. Tsurugi parecia prestes a avançar no outro SEED a sua frente.

– E daí? – Isozaki continuou sorrindo – seria realmente bom que aquele cara nunca mais conseguisse jogar futebol.

Senti meu estomago se contorcer.

“Então...se ele houvesse me acertado, eu nunca mais poderia jogar?”

Não, nunca. Isso nunca!

Tal pensamento pareceu pesar em mim e fazer todas minhas feridas doerem ainda mais.

Mais uma vez Tsurugi havia me salvado.

E ele parecia estar tão incrédulo e enojado quanto eu ou qualquer outro naquele campo.

Foi então que eu vi a aura negra envolver o corpo de Kyousuke. Seus olhos pareciam arder em chamas, com um brilho único e obscuro. Tive a impressão de que eu era o único ali que estava vendo isso. E então, eu o vi chutar a bola novamente. Dessa vez com mais força do que antes, no meio do campo, ela passou como um raio ainda mais devastador do que o anterior. E dessa vez foi direto para o gol adversário.

Eu tive certeza de que nenhum goleiro em todo o Japão seria capaz de defender aquele chute.

Sorri. Era incrível, era lindo. Aquele era o Tsurugi Kyousuke que possuía amor pelo futebol, certo? Aquele era o verdadeiro camisa dez da Raimon.

Quando ele fez aquilo, todo o time se levantou, espantados, um pouco perturbado, alguns confusos demais para demonstrar qualquer coisa.

Mesmo moído, me levantei e corri até ele.

– Obrigado, Tsurugi – falei, feliz.

Ele me olhou por cima do ombro e se distanciou.

O apito para o fim do primeiro tempo tocou.

Shindou se aproximou.

– Tsurugi... você.. – ele parecia um pouco incerto se deveria ou não falar com Kyousuke – você não queria acabar com o futebol?

O azulado serrou os pulsos, se virando para o time da Raimon com um olhar mortal.

– Eu vou acabar com esse futebol podre – falou ele, raivoso, se distanciando logo após.

Aquele foi seu primeiro gol para a Raimon. Obra de Endou, eu diria, que deixou com que ele jogasse, embora o time inteiro parecera tremer com a ideia. Eu não vou dizer que não temi o que ele poderia fazer, no fundo, eu tive esperança de que ele jogasse ao nosso lado, mas eu sabia que isso era tão difícil de acontecer quanto poderia ser fazê-lo vestir a jaqueta do time, durante o treino e as atividades de clube – isso quando ele aparecia.

Todos se amontoaram para reclamar em volta do técnico, que parecia ser o único, depois de mim, a estar realmente gostando de tudo. Fiquei em duvida se realmente deveria ir até Kyousuke, que se afastou de todos.

No fim, eu acabei indo.

Ele estava encostado na parede, de olhos fechados, como ele costumava fazer. Imaginava se aquela era uma espécie de posição para pensar melhor ou coisa assim.

– Tsurugi...

Ele abriu os olhos lentamente, e me olhou enfezado.

– O que é agora?

– Eu... bom, só queria dizer a você...

– O que é?

Engoli em seco. O que eu estava fazendo... não era isso! Eu não ia dizer isso que se passou pela minha cabeça!

– AH, huh, eu queria agradecer você, obrigado, mesmo... Você me salvou! De novo, aquele chute foi incrível. Nossa, você... Foi muito bom.. – eu me embaralhei completamente em minhas próprias palavras.

Kyousuke me olhou um pouco desconfiado, parecendo não entender muito “qual era a minha”.

– Oh céus... – dei um tapa na própria testa – eu só queria te agradecer, realmente...

– Não precisa fazer isso dez vezes – disse ele, levantando a sombrancelha.

– Não, não.. eu sei, quero dizer, não é bem assim..

– Você só veio aqui me perturbar ainda mais, não é? Já não cansou de levar boladas por hoje, Matsukaze?

– Oh, você realmente podia pegar leve, né? – perguntei, fazendo uma careta – mas tudo bem, quanto mais forte você chutar, mais forte vou me reerguer!

– Você acha? Você não parece mais forte – ele voltou a fechar os olhos – parece realmente acabado.

Olhei para ele por uns instantes. Tudo bem, respirei fundo. Ele fechou os olhos e... por alguma razão, eu senti que tinha algo que eu devia fazer ali e agora. Não parecia uma boa ideia, nenhum pouco “segura”, para dizer a verdade, mas, eu me senti tão impulsionado a fazer aquilo, que quando me dei conta, havia me aproximado lentamente – verificando se ninguém estava nos vendo – e encostei os lábios no dele. Kyousuke havia aberto os olhos segundos antes de sentir nossas bocas juntas. E eu realmente não sei o que o levou a não me empurrar para longe e me bater ali mesmo.

Não durou nem cinco segundos eu diria. É o que as pessoas chamam de selinho. Me separei dele e sai correndo o mais rápido que pude. Eu não queria ver que reação ele teria – vai que ele tentasse arrancar minhas pernas, mesmo depois de tê-las salvado? – e eu tive certeza de que se ele me visse sorrindo como eu estava, se irritaria ainda mais.

– Tenma, onde você estava? – perguntou Shindou.

Disfarcei minha felicidade.

– Eu fui ao banheiro... desculpe.

Fui em direção ao banco me sentar um pouco e tomar água. Shinsuke me olhou desconfiado, e eu apenas dei um sorriso sem jeito.

Ele me mataria se soubesse o que havia feito.

Notas finais
Obrigado por ler u3u
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