Lost
1 Prólogo
Notas iniciais
Se me perguntassem qual o dia em que eu estive mais nervosa nos meus breves dezassete anos, eu claramente respondia hoje. E porquê? Porque hoje era o dia da minha formatura em Hogwarts e era o dia em que eu ia apresentar o meu namorado aos meus pais. Claro que vindo de Ronald Weasley a reação de ver a sua princesa ter um namorado já era escandalosa só por si só. Mas pior que a sua princesa ter namorado é que esse namorado seja Scorpius Malfoy.
A cada hora que passava, o meu nervosismo aumentava. E para piorar ainda tinha Lily ao meu lado. Ela nem sequer era finalista e muito menos ia apresentar o namorado aos pais mas mesmo assim ela conseguia estar mais nervosa do que eu.
—Dá para parares dois segundos. – pedi já sem paciência. Lily andava de um lado para o outro dando instruções de tudo. Nada podia fugir do planeado.
—Como é que tu não estás nervosa? – perguntou encarando-me com aquelas orbes azuis.
—Eu estou. Mas agires assim só faz com que me ponhas pior. – disse sinceramente. Lily olhou para mim com a expressão mais magoada possível. Mas Lily Luna Potter não me enganava. Ela era a minha melhor amiga e eu conhecia-a como a palma da minha mão – Escusas de fazer essa cara. Sabes o que vou fazer? – perguntei retoricamente levantando-me da cama – Eu vou ter com o meu namorado.
—Mas…mas só faltam cinco horas para a tua formatura.
—Tempo mais que suficiente para estar com o meu namorado e arranjar-me. Até logo.
Saí logo do dormitório sem dar tempo de resposta a Lily.
Albus encontrava-se no salão comunal da Gryffindor junto à sua namorada, Alice, filha de Hannah e Neville Longbottom. Cumprimentei-os e continuei o meu destino. Os braços do meu namorado.
Como de costume, as masmorras estavam frias. Por mais quente que estivesse no exterior, ao passar por aqui parecia que estava a passar outra vez pelo Inverno. E por muito que eu goste do Inverno, a coisa que eu menos suporto é o frio.
Ao chegar à entrada do salão comunal da Slytherin, peguei na moeda, invenção da minha mãe, que andava sempre comigo. O objetivo era dizer ao Scorpius que eu estava aqui à espera dele.
Como de costume, Scorpius não demorou muito. Abriu a porta para que eu pudesse entrar e tascou-me logo um beijo.
—Saudades princesa? – perguntou com aquela sua voz sexy. Na realidade tudo em Scorpius Malfoy era sexy.
Quando entramos em Hogwarts, eu não podia estar mais de cinco minutos perto dele. O motivo disto foi o que o meu pai me disse antes de entrar pela primeira vez no expresso de Hogwarts. Longe dos Malfoy. Longe do Scorpius. Superá-lo em tudo, dissera o meu pai. E eu, como criança que respeitava sempre o que o meu pai dizia, segui a ordem à risca. Os primeiros três anos eram só discussões. Ora eu dizia que era melhor em Transfiguração, ora Scorpius dizia que era melhor em Poções. Ora eu tinha sido escolhida para apanhadora da Gryffindor, ora Scorpius tinha sido escolhido para apanhador da Slytherin. Até nisso, por ironia do destino, nós fomos rivais. Um dia, no meio do nosso quarto ano, Albus lembrou-se de se aventurar pela Floresta Proibida, sozinho. Claro que me fartei de lhe dizer que era perigoso mas ele não se importou. Resultado disso, Albus perdeu-se na Floresta Proibida e se não fosse por Scorpius a salvá-lo de um ataque de aranhas gigantes, o meu primo não estaria neste momento aos beijos à namorada no salão comunal da Gryffindor. A partir daí, o Albus e o Scorpius tornaram-se inseparáveis, mesmo sendo rivais por causa das suas respetivas casas. Já eu, relutantemente, comecei a conversar civilizadamente com Scorpius. De arqui-inimigos passamos a amigos e posteriormente a namorados (isto só no final do sexto ano).
—Claro que não. – disse beijando-o outra vez e empurrando-o para dentro do seu salão comunal.
—Estou mesmo a ver que não. – brincou Scorpius face ao meu comportamento – Vamos subir?
Eu não respondi. Apenas segurei na mão dele e puxei-o até ao seu dormitório, que eu já sabia perfeitamente bem onde era.
—Posso saber qual a honra de ter a senhorita Rose Weasley aqui comigo? – perguntou Scorpius tentando manter uma postura séria. Sentou-se na cama, ao lado do seu malão praticamente arrumado, e puxou-me para me sentar no seu colo.
—A Lily está impossível. – respondi.
—E eu que pensei que ias dizer que tinhas vindo só para teres o prazer da minha companhia. – respondeu enquanto beijava o meu pescoço. Involuntariamente, gemi. Scorpius sabia dos meus pontos fracos – Ficas muito gostosa quando gemes assim. – corei com o comentário dele – E ficas ainda mais sexy quando coras.
Não respondi. Simplesmente beijei-o. Coloquei uma perna de cada lado da cintura de Scorpius para ficar de frente para ele. O desejo nos seus olhos era o que me motivava a continuar o que eu estava a pensar fazer. Sem saber como reagir, comecei a desabotoar a minha camisa. Scorpius olhou para mim, sem qualquer reação.
—Que estás a fazer? – Scorpius conseguiu formular a pergunta. A sua atenção, neste momento, estava nos meus seios, debaixo do sutiã de renda, que começavam a aparecer.
—Como vou ficar viúva logo, decidi experimentar algo contigo. – tentei brincar para aliviar o clima tenso que se estava a começar a formar. Eu nunca tinha estado assim com o Scorpius. Aliás, eu nunca tinha estado assim com nenhum rapaz. Mas Scorpius era o meu porto seguro. Eu estava-lhe a confiar a minha virgindade.
—Prometo que não te vais arrepender.
Scorpius levantou-se comigo em seu colo para logo a seguir me depositar na sua cama. Colocou-se por cima de mim e voltou a beijar-me. De forma intensa. De forma selvagem. Eu retribuía enquanto, desajeitadamente, começava a desabotoar os botões da camisa de Scorpius um por um.
Scorpius começou a beijar o meu pescoço e eu já conseguia sentir o volume em suas calças. Pelo menos parecia que ele estava a gostar daquilo tanto como eu.
Rapidamente, a minha saia voou para um canto qualquer daquele dormitório e logo a seguir foram as calças de Scorpius. Agora estávamos somente de roupa interior. Scorpius afastou-se um pouco de mim para me admirar. Naquele momento, sentia-me completamente exposta. Eu nunca tinha estado assim com ninguém.
Scorpius voltou a beijar-me e com as suas habilidosas mãos retirou o meu sutiã. Enquanto me beijava, as suas mãos foram até aos meus seios. Eu não sabia o que ele estava a fazer, mas era maravilhoso. Eu sentia o seu corpo encostado no meu. Pele com pele. Eu nunca me tinha sentido tão bem.
As minhas mãos foram para as costas dele e, involuntariamente, comecei a arranhá-las. Scorpius pareceu gostar do meu gesto porque gemeu. Era sinal que ele também estava a gostar e eu não me estava a sair assim tão mal.
Agora, já com certa urgência, Scorpius retirou as últimas peças que restavam nos nossos corpos.
—Rose isto vai doer um pouco. – disse ele atropelando-se nas palavras.
—Eu confio em ti.
Scorpius realmente tinha razão. Doeu. Espasmos de dor fizeram-se sentir por todo o meu corpo. Sem intenção, arranhei ainda mais as suas costas. De certeza que ia deixar marca. Mas Scorpius continuou e aquilo que era uma dor passou a ser um momento incrível. Os nossos corpos movimentavam-se como um só. Os nossos corpos estavam em completa sintonia. O ápice não demorou a chegar. Juntos gritamos o nome um do outro e Scorpius desabou sobre mim.
—Tu não imaginas o quanto te amo. – declarou-se com a respiração entre cortada. Se eu não soubesse que ele realmente me amava e também pelo facto de ele já me ter dito isso antes, eu diria que era o estado pós-sexo a falar. Mas eu sabia que não era isso.
—Eu também te amo.
Scorpius colocou-nos em conchinha abraçando a minha cintura. Nós estávamos ali, nus na sua cama, depois de me ter entregado completamente a ele. Realmente tinha valido a pena ter ido até ali.
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Aos poucos fui acordando. Eu e Scorpius tínhamos adormecido. Senti a respiração pausada de Scorpius no meu pescoço e deduzi que ele ainda estava a dormir. Peguei, sem me mexer muito, no relógio para ver que horas eram.
—Scorpius acorda. – gritei destapando-me e levantando-me. Scorpius pareceu ouvir o que eu tinha dito porque ele mexeu-se – Scorpius! – voltei a chamá-lo.
—Calma! Eu não quero perder esta visão do paraíso – disse Scorpius sorrindo. Só aí é que me apercebi que estava completamente nua.
—Scorpius! – repreendi e o que recebi em troca foi uma risada gostosa do meu namorado.
—Desculpa lá se eu gosto do que vejo. – brincou.
Comecei a vestir-me rapidamente. Faltava cerca de uma hora para o baile e eu ainda não me tinha começado a preparar. Nem quero imaginar a reação da Lily quando a encontrar.
—Até logo. – beijei Scorpius de leve ao despedir-me – Amo-te muito.
—Também te amo muito. – ouvi Scorpius dizer enquanto saía do dormitório.
Tentei passar despercebida pelo salão comunal dos Slytherin, mas foi impossível. Eu pertencia aos Gryffindor, o maior rival dos Slytherin. Conseguia sentir os olhares sobre mim a cada passo que dava.
—O que é que uma vadia como tu anda aqui a fazer? – perguntou Alicia Nott dando-me um encontrão.
—A única vadia que eu aqui vejo és tu. – respondi. Irritada, a Nott tirou a varinha do bolso e apontou-ma. Mas como eu tinha bons reflexos, quando ela o fez já eu tinha a minha varinha apontada a ela.
—A sério que vais querer duelar comigo? – perguntei em tom de desafio.
Desde que me lembre, Alicia Nott sempre foi minha inimiga. Tudo começou no nosso primeiro dia em Hogwarts. Tudo começou com um simples encontrão. Eu estava a caminhar pelos corredores do comboio à procurar da Nina, a minha gata. Sirius tinha-a assustado horas mais cedo e ela tinha fugido. Não fui logo à procura dela porque sabia que ela voltaria. Pelo menos era o que eu pensava. Mas, ao fim de algumas horas, ela ainda não tinha aparecido. Decidida, fui procura-la. Estava tão distraída a procurar em todos os cantos que acabei por esbarrar em alguém. Esse alguém era Alicia Nott. Ela fez um escândalo quando se levantou e declarou guerra ali. A partir daí, não nos suportamos. E aquilo piorou quando eu e Scorpius começamos a namorar. A causa disso? A Nott era completamente apaixonada, ou obcecada, por ele. E vê-lo comigo, a sua maior inimiga, só piorou as coisas.
—Bem me parecia. – disse ao ver a Nott baixar a varinha. Ela podia ser bastante burra, às vezes, mas ela sabia que não me conseguia vencer.
Segui o meu caminho como se nada se tivesse passado. O meu dia estava a correr demasiado bem e não iria ser Alicia Nott que o iria estragar.
Cheguei ao salão comunal dos Gryffindor, mas este estava completamente vazio. Deviam estar todos a arranjar-se para a formatura. Algo que eu também deveria de estar a fazer. A Lily iria matar-me.
Quando entrei no dormitório, Lily estava sentada na beira da cama, com os braços cruzados e a encarar-me como se quisesse mandar-me um Avada Kedavra.
—Desculpa Lily, eu perdi a hora. – tentei desculpar-me, aparentemente sem sucesso.
—Tu sabias que eu precisava de tempo para te arranjar. Mas claro que não ligaste a isso. – começou Lily levantando-se e aproximando-se de mim a cada acusação – Tens todo o tempo do mundo para ficar com o Scorpius e lembraste-te logo hoje disso.
Baixei a cabeça, arrependida. Lily tinha razão em certa parte. Eu até podia ter ido ter com o Scorpius mas devia-me ter controlado mais nas horas.
—Não podias ter esquecido o teu namorado por umas horas e teres-te concentrados nisto? – perguntou – Eu também tenho namorado e não foi por isso que te deixei na mão. Eu estive com o Hugo de manhã e depois disso não o vi mais.
Lily namorava com o meu irmão. Sinceramente, não tinha sido um choque para mim quando descobri há um ano. Via-se perfeitamente que aqueles dois eram feitos um para o outro.
Na família, todos aceitaram bem. Era normal existir relacionamentos entre primos, apesar de agora já não ser muito usual.
—Desculpa Lily. A sério. Era para ser só um bocadinho…eu adormeci. – sussurrei a última parte mas Lily ouvi.
—Tu o quê? – perguntou Lily como se não acreditasse no que tinha acabado de ouvir – Tu foste ter com o teu namorado e adormeceste, Rose Weasley? – olhei para ela sem entender. Agora já não sabia se Lily estava chateada por causa de eu só ter chegado agora ou se por causa de eu ter adormecido enquanto estava com o meu namorado. Lily era estranha.
—Eu e o Scorpius…tu sabes. – confessei, revelando o verdadeiro motivo do meu atraso.
Os olhos azuis de Lily arregalaram-se e ela tentava falar, mas simplesmente não conseguia. Ela não sabia o que dizer. Ela sabia de todas as minhas inseguranças em relação a este assunto. Eu costumava comentar com ela o medo que eu tinha de quando eu e o Scorpius chegássemos a esse ponto. Scorpius já era experiente nesse quesito pois antes de namorar comigo, ele saltava de rapariga em rapariga. Já eu era uma simples virgem que andava por aí. Lily sempre me dizia que ele gostava verdadeiramente de mim e que esse facto não lhe ia interessar. Ele esperaria o tempo necessário. Aliás, Lily até chegou a dizer que ele ia ficar feliz por mais nenhum homem me ter tocado daquele jeito.
—E como é que foi? – perguntou Lily depois de algum tempo, com um sorriso no rosto.
—Perfeito. – respondi com um sorriso. Essa era a palavra ideal para descrever aquele momento. Perfeito. O Scorpius foi perfeito. O momento foi perfeito.
Lily acabou por me desculpar. Também não era difícil. Ela perdoava-me sempre. Ela sabia que eu não tinha feito por mal. Ela sabia que eu não tinha ido ter com o Scorpius com aquele propósito. Isso apenas tinha acontecido.
No pouco tempo que nos restava, Lily utilizou um produto que fazia o cabelo esticar-se instantaneamente. Dada a minha juba vermelha, aquele produto dava muito jeito. De seguida, fez-me um coque.
O vestido que Lily tinha escolhido para mim era perfeito. Era comprido, todo vermelho. Era de alças e tinha um pequeno decote.
—É lindo. Eu sabia que podia confiar na tua escolha, Lils. Tu és a melhor prima do mundo. – disse abraçando-a.
—Vamos já parar com as lamechices, não quero borrar a maquilhagem. – protestou Lily.
—Para de ser boba, Lily. Todos nós merecemos estes momentos lamechas. Mas agora vamos lá. Tenho um namorado para apresentar à família.
—E eu tenho um assassinato para assistir. – brincou Lily.
No salão comunal encontrava-se Hugo à espera de Lily. Já eu encontraria Scorpius antes da formatura.
Cheguei ao salão principal acompanhada pela Lily e pelo Hugo. O salão estava completamente diferente. As mesas das casas tinham sido retiradas e substituídas por cadeiras para os familiares e alunos assistirem. Cada um dos finalistas ia até ao púlpito onde a diretora McGonagall fazia os discursos para receber o diploma e, de seguida, sentava-se numa das cadeiras destinada aos finalistas.
Juntei-me a Dominique, a Albus e a Alice. Estes, tal como eu, estavam à espera que a cerimónia começasse.
—Al, por acaso não viste o Scorpius? – perguntei. A cerimónia estava prestes a começar e Scorpius ainda não tinha aparecido. Ele era sempre tão pontual.
—Não me digas que o teu amor fugiu, Rose. – brincou Albus, mas logo parou ao ver a minha cara séria – Tem calma, ele vai aparecer. Nem que seja para ser morto pelo tio Ron.
A diretora andava de um lado para o outro a confirmar se todos os finalistas estavam presentes para dar início à cerimónia.
—Algum de vocês viu o Malfoy? – perguntou a diretora quando chegou perto de nós.
—Não diretora. – respondeu Alice.
Eu estava a começar a ficar realmente nervosa. Não era normal este atraso tão grande de Scorpius. Ainda pensei ir até ao salão comunal dos Slytherin em busca dele, mas não consegui. A diretora desistiu de esperar e iniciou a cerimónia.
Além de Scorpius, notei que também a Nott não estava presente. O que era também muito estranho pois não estava a imaginá-la a faltar a um evento tão importante como este.
Já no fim da cerimónia, a comida começou a aparecer nas diversas mesas espalhadas pelo salão principal. Scorpius continuava sem aparecer.
—Querida, estou tão orgulhosa. – disse a minha mãe abraçando-me. Eu retribuí o abraço sem retirar os olhos da entrada. Eu não conseguia acreditar que o Scorpius estava a fazer aquilo comigo – Está tudo bem?
—Sim mãe, não te preocupes.
Continuei a dar voltas pelo salão. A minha esperança cada vez diminuía mais. Onde raios estava Scorpius?
—Priminha. – berrou Sirius no meu ouvido.
—Sirius. – protestei.
James Sirius Potter era meu primo. Ele era dois anos mais velho do que eu e por isso já não se encontrava em Hogwarts. Ele tinha seguido a carreira profissional de jogador de Quidditch. Ele era um dos meus melhores amigos.
—Onde é que está o loiro oxigenado? – perguntou Sirius notando a ausência de Scorpius.
—Bela pergunta. Eu não o vejo desde que deixei o seu dormitório. – tapei a boca mal me apercebi do que tinha dito. Não era suposto ninguém saber que eu tinha estado no quarto de Scorpius.
—Muito me contas, priminha. Com que então o meia leca do Malfoy andou a tirar a inocência à minha priminha favorita. Ele vai-se ver comigo.
Isso era outra coisa. Sirius não gostava de Scorpius. ele sempre sentira uma antipatia por todos os slytherin e Scorpius não era exceção. Já para não falar também nos jogos de Quidditch. Eles eram rivais. Mas depois do Scorpius ter começado a namorar comigo, Sirius decidiu dar umas tréguas. Isso até ao momento em que ele me fizesse sofrer. E, neste momento, Sirius estava a ver isso a acontecer.
—Se o encontrares, eu agradeço. Eu já pensei em ir até às masmorras mas não tenho maneira de entrar no salão comunal dos Slytherin.
—Tu esqueceste-te que tens primos nos Slytherin? Domi, chega aqui. – chamou Sirius chamando a atenção da nossa prima Dominique. Ela era da mesma idade que eu e Albus só que ela tinha ido para os Slytherin.
—Que queres chato? – perguntou Dominique mal chegou perto de nós. Isso era outra coisa normal. Estes dois tratavam-se sempre com insultos e estavam sempre com provocações. Eu sempre disse que era amor reprimido, mas o Sirius dizia veementemente que não. Claro que eu não acreditava na palavra dele.
—Por acaso não viste o Malfoy? – perguntou Sirius a Dominique.
—A última vez que o vi, ele estava a falar com a Nott no nosso salão comunal.
Eu não queria acreditar no que tinha acabado de ouvir. Como assim ele estava a falar com a Nott? Ele não se dava com ela. Pelo menos não agora. Houve um tempo em que eles andaram enrolados.
—Domi, por favor, leva-nos até lá. – pedi. A minha voz saiu num tom tão desesperado que só aí é que eu notei o meu real estado.
Dominique, ao me ver assim, levou-me logo até ao seu salão comunal. Confesso que estava com muito medo do que poderia encontrar.
Ao entrar no salão comunal dos Slytherin, ouvi a última coisa que queria e que mais temia.
—A minha irmã deixou-me um bilhete a dizer que tinha fugido com o Scorpius Malfoy. – ouvi Sarah Nott, irmã de Alicia, a contar.
Como assim o Scorpius tinha fugido com a cabra da Nott?
Entrei desvairadamente pelo salão a dentro. Eu iria tirar essa história a limpo. Subi as escadas em direção ao quarto de Scorpius.
A primeira coisa que reparei foi que a cama ainda se encontrava desfeita. Logo depois, reparei no armário vazio. As coisas de Scorpius não estavam ali. ele tinha mesmo fugido com aquela cabra. Como é que ele foi capaz de me fazer isto? Logo depois de me ter entregado a ele.
Olhei em volta e não encontrei nada que pertencesse a Scorpius. Tudo tinha desaparecido. Reparei num pequeno bilhete que estava em cima da mesinha de cabeceira. Peguei nele e lá encontrava uma única palavra, “Desculpa”. Então era mesmo verdade. Ele tinha fugido com a Nott.
Desvairada, comecei a arrancar os lençóis da cama dele. E depois da cama dos outros. Depois não me lembro quando comecei a partir coisas. Só me lembro dos braços do Sirius em torno de mim a dizer-me que tudo ia ficar bem. Mas eu sei que não ia. Naquele dia, o meu coração foi esmigalhado em pedacinhos. Naquele dia, jurei que nunca mais nenhum homem ia despedaçar o meu coração.
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