Lost

32 Capítulo 31


Notas iniciais
Desculpem por ter desaparecido :) Boa leitura :)

Dias passaram mas a situação de Scorpius manteve-se. Edward continuava a dizer que tínhamos de ser pacientes. Que tínhamos de continuar a ter esperança.

O julgamento da Nott e do Liam hoje. Todos os jornais anunciavam, em grande destaque, o maior julgamento desde os tempos daquele cujo nome não deve ser pronunciado.

Eu seria chamada a depor. Eu era a única que os poderia colocar na prisão.

Tentei que adiassem o julgamento. Afinal a pessoa ideal para testemunhar era Scorpius. Só ele poderia falar de todos os anos de chantagem que sofreu. Só a ele é que a Nott tinha admitido tudo o que fez. Mas o Conselho não quis esperar. Suspeito que os pais dela tiveram alguma coisa a ver com isso.

—Estás preparada? – perguntou a minha mãe.

A minha mãe estava em minha casa. Eu tinha estado a acabar de me vestir. Um simples vestido preto era o que eu levava, acompanhado de umas sandálias rosa clarinho. O cabelo ia amarrado.

—Tenho de estar. – respondi baixinho.

—Podes não testemunhar. – sugeriu a minha mãe, mais uma vez.

Já não era a primeira vez que a minha mãe dizia aquilo. Eu também compreendia o que ela estava a sentir. Ela não queria ver a sua filha a reviver todo o sofrimento pelo qual passou.

—Eu não posso fazer isso ao Scorpius. Ele esteve todos estes anos a proteger-me. Agora é a minha vez. Eu tenho de manter a Nott longe da Lyra. Só assim tudo estará bem.

A minha mãe não disse mais nada. Como eu já disse, não era a primeira vez que falávamos nessa hipótese.

—O teu pai tem o carro lá embaixo. – disse a minha mãe, pegando no casaco, pronta para sair.

Naquele dia teríamos mesmo de ir de carro. A rede flu e a materialização estavam fora de questão para mim. Já era perigoso uma grávida andar por algum desses métodos mas, depois do que passei, tinha que ter ainda mais cuidado.

Alguns jornalistas encontravam-se à porta de minha casa. Na noite anterior, Albus tinha expulsado alguns.

—Sra. Ministra da Magia tem alguma declaração a fazer? – perguntava uma jovem jornalista à minha mãe.

Por mais que a minha mãe estivesse com a resposta na ponta da língua, conteve-se. Eu sabia o quanto ela queria gritar com eles, mandá-los embora e assim. Mas também sabia que ela não o podia fazer. Ela era a Ministra da Magia.

—Desapareçam daqui suas abéculas. Respeitem a privacidade das pessoas. – gritou o meu pai – Desapareçam!

Agradeci ao meu pai, em tom baixo, e consegui entrar no carro. Logo a seguir, entrou a minha mãe.

—Ronald…

—Não venhas com o Ronald nem meio Ronald! Estou farto de ter aqueles parasitas sempre em cima de nós. E se me excedi um bocado? Paciência! Nós não somos perfeitos. Somos pessoas como outros quaisquer.

Não pude deixar de sorrir perante a pequena discussão que os meus pais estavam a ter. Não era a primeira vez, e com certeza não seria a última, que os via a discutir. Mas nunca tinha visto o meu pai a contradizer a minha mãe deste jeito. Normalmente, ela tinha razão no que dizia. Mas aqui, eu concordava com o meu pai.

—Eu sei Ron. Mas tens que perceber…

—Hermione, que se lixe o teu cargo uma vez na vida. A tua filha está prestes a enfrentar as pessoas que a tentaram matar. Que só não mataram graças à inteligência que ela herdou de ti. Nós temos que apoiá-la e mandar os jornalistas para um sítio que eu cá sei.

—Tens razão. – ouvi a minha mãe responder baixinho.

O meu pai tentou disfarçar mas eu consegui ver toda a sua felicidade por ter ganho uma discussão. Aquele devia ser um dos dias mais felizes da sua vida. Hermione Granger Weasley tinha-lhe dado razão.

Tal como em frente da minha casa, a entrada do Ministério da Magia estava cheio de jornalistas. Os seguranças tentavam segurá-los, mas os jornalistas demonstravam ser muito insistentes.

Mais uma vez, o meu pai ajudou-me a manter afastados todos aqueles jornalistas.

Sirius também tinha acabado de chegar e ajudava o meu pai.

—Senhorita Weasley, segundo informações obtidas pelo Profeta Diário, soubemos que estava grávida. Pode confirmar essa informação?

Parei repentinamente e voltei-me para a jovem jornalista que fazia essa pergunta. A pergunta.

—Quem é que te disse isso? – perguntei sem me conseguir conter.

A resposta nunca a saberei. Quando dei conta já estava dentro do Ministério da Magia.

—Porquê que me arrastaste? – perguntei, voltando-me para o meu pai – Eu precisava de saber como é que ela soube.

—Podem deixar-nos dois minutos a sós? – pediu o meu pai às restantes pessoas que estavam connosco. Quando eles se afastaram, ele continuou – Sabes, eu costumava ser como tu. Impulsivo em muitas coisas. A verdade é que ainda hoje sou. Basta veres como reagi com os jornalistas. Mas ao longo destes anos, aprendi muita coisa com a tua mãe. E com a vida profissional dela. Nós temos de saber escolher os momentos para reagir e os momentos para estar quieto no nosso canto. Eu sei que aquela jornalista apanhou-te desprevenida. Afinal, todas as pessoas que sabem que estás grávida são de confiança.

—Eu sei, pai. – falei, sabendo que ele tinha razão.

—Mas vamos ver pelo lado positivo. Podes dizer que és mesmo filha do teu pai. – comentou o meu pai só para aliviar o ambiente.

Sorri para ele. Eu sempre me dei bem com o meu pai, sempre fui a menina de ouro dele, mas quando tocava a conselhos, a conversas sérias, a minha mãe tratava do assunto. Acho que o meu pai não sentia a segurança suficiente para dar conselhos. Tanto a mim como ao Hugo.

—Devíamos falar mais vezes destas coisas. Obrigada. – agradeci, abraçando-o.

—Vamos andando. Ainda temos um dia comprido pela frente.

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O auditório estava completamente cheio. Só o conselho ocupava metade do auditório. Todos com as suas capas e chapéus. Apenas eram distinguidos pelas diferentes cores que envergavam. Cores esses que mostravam ao setor que pertenciam.

Do outro lado estava praticamente toda a minha família. Não era usual estarem presentes civis para além das testemunhas. Mas a minha mãe era a Ministra da Magia e tinha conseguido convencer o conselho.

Eu encontrava-me perto da minha família, mas na primeira fila. Entretanto, Nico também já tinha chegado e tinha-se sentado ao meu lado.

—Alicia Nott e Liam Thomas. – anunciou a representante do conselho e Ministra da Magia, a minha mãe.

Duas pequenas prisões surgiram com os dois lá dentro. Por mais que não quisesse, estes dois ainda me davam arrepios.

—Muito bem. – preparou-se a minha mãe antes de continuar – Alicia Nott está acusada de três tentativas de homicídio a Rose Weasley, crimes contra Lyra Malfoy e Scorpius Malfoy e rapto de Scorpius Malfoy e Rose Weasley. Liam Thomas está acusado de rapto de Scorpius Malfoy e Rose Weasley e tentativa de homicídio de Scorpius Malfoy. Chamamos Rose Weasley para depor.

Levantei-me e segui até à cadeira no meio do auditório. Encararia todo o conselho ali presente.

O meu coração batia a mil. Lembrei-me das palavras da minha mãe. Eu podia não testemunhar. Mas depois lembrava-me de Scorpius e Lyra e de tudo o que eles passaram por minha causa.

—Senhorita Weasley, quando é que foram as primeiras tentativas de homicídio?

Respirei fundo antes de começar a falar.

—Durante o meu sétimo ano em Hogwarts. – respondi.

—E como pode afirmar que foi Alicia Nott a cometê-los?

—Ela confessou ao Scorpius que tinha sido ela. – respondi. Respirei fundo antes de continuar – Eu e o Scorpius namorávamos nessa altura. A Nott era completamente obcecada por ele. Tentar matar-me foi a sua forma de fazer o Scorpius deixar-me. Foi a sua forma de ficar com ele.

—Isso é mentira, sua sangue-ruim. – ouvi a Nott gritar.

—Silêncio! – ordenou a minha mãe — E em relação aos crimes cometidos contra a Lyra Malfoy e Scorpius Malfoy? – perguntou a minha mãe com a sua voz mais séria possível.

—Não sei se é do conhecimento de todo o conselho, mas a Lyra é um lobisomem. – revelei. Era possível ver a cara de admiração de alguns membros do conselho. Se falássemos há alguns anos sobre a licantropia, as pessoas eram quase crucificadas. A minha mãe tinha conseguido mudar isso. Em honra a Remus Lupin – Para além de ter engravidado do Scorpius de modo a ter mais alguma coisa com que chantageá-lo, ela foi a causa da sua filha sofrer licantropia. Foi ela que arranjou o lobisomem que mordeu a Lyra. Tudo para manter o Scorpius por perto e para garantir que ele não a abandonava. Mais uma vez, tudo isto foi confessado pela Nott ao Scorpius.

—E quanto ao rapto?

—Eu e o Scorpius tínhamos um plano para colocar a Nott em Azkaban. – comecei – O plano era praticamente perfeito. A Nott não é adepta dos objetos muggles e era assim que nós a íamos apanhar. Mas ela já tinha descoberto o plano há muito tempo. Raptou o Scorpius e manipulou o Liam para me matar a mim. Quando estava no cativeiro, ela disse que me ia matar. Logo a seguir o Liam garantiu-me que ela não me ia matar. Garantiu-me que eu ia ficar com ele para toda a eternidade. Por mais que eu não me orgulhe disse, eu usei a obsessão que o Liam tinha por mim para conseguir fugir. E para ajudar também o Scorpius a fugir. Ele ajudou-me, pensando que ficaria comigo depois do que tinha feito. Mas então percebeu que eu continuava a amar o Scorpius. E deu-lhe um tiro. – terminei, deixando cair uma lágrima. Tinha-me conseguido conter durante todo este tempo.

O conselho ouviu todo o meu discurso atentamente. Ninguém se atreveu a falar. Pelo menos enquanto eu falava.

—E como é que podemos garantir que tudo o que a senhorita Weasley falou é verdade? Exceto claro o rapto que vimos o estado que o senhor Malfoy e a senhorita Weasley ficaram. – perguntou uma mulher de idade um bocado carrancuda.

—Como eu afirmei ainda antes deste julgamento acontecer, devia ter sido o Scorpius a estar aqui a contar a história dele. A contar todo o terror que viveu ao lado desta mulher. Mas o Ministério, mesmo contra a vontade da Ministra da Magia, quis manter a data do julgamento mesmo tendo a principal testemunha em coma.

—Cuidado com as acusações que faz, senhorita Weasley. – afirmou a mesma mulher que tinha falado mais cedo.

—Eu não estou a acusar ninguém. Estou mesmo a afirmar que o julgamento só devia ter acontecido quando o Scorpius estivesse presente. Ele merecia ver a mulher que o chantageou por anos, que prejudicou a própria filha, ser condenada a Azkaban.

—Está na hora de decidir. – intrometeu-se a minha mãe dando fim a esta pequena discussão – Quem é a favor da condenação de Alicia Nott?

Quase todos os braços do conselho foram erguidos. Não consegui não sorrir. O inferno estava quase a acabar.

—Alicia Nott está condenada a Azkaban. – anunciou a minha mãe – Quem é a favor da condenação de Liam Thomas?

Consegui perceber que a condenação ganhou. Mas, desta vez, foi mais dividido. O caso da Lyra deve ter sensibilizado maior parte do conselho.

—Liam Thomas está condenado a Azkaban. – declarou a minha mãe.

Suspirei aliviada. Depois de tanto tempo, as notícias boas começavam a chegar.

Deixei que todos saíssem. Quis ficar para o fim para falar com a minha mãe e não apanhar toda a confusão.

—Estiveste muito bem, querida. – disse a minha mãe, abraçando-me – Nunca pensei que Scorpius tivesse passado por isso tudo.

Não tive tempo de responder à minha mãe. Uma Astoria interrompeu a nossa conversa, repentinamente.

—Rose, o Scorpius acordou.

Notas finais
Que acharam da atitude do Ron? Quem acham que contou ao Profeta Diário da gravidez? Gostaram da conversa do Ron com a Rose? Que acharam do julgamento? O Scorpius acordou!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.