Lost
7 6.

Sansa achou que, pela ansiedade em que se encontrava, a noite demoraria mais que o normal para cair. Mas estava enganada. As estrelas salpicaram o céu de forma única e o manto azul-claro deu espaço para o escuro, quando o crepúsculo enfim acabou, abrindo a noite rapidamente. Passara mais rápido do que imaginara. Mas o exército de Loki não parou logo quando anoiteceu, quebrando um parâmetro que era seguido desde que saíram da Fortaleza Vermelha.
Sentia-se cansada, mas aproveitou-se da escuridão para aconchegar-se melhor nas inúmeras almofadas da liteira. Fechou os olhos, o sacolejar do carro puxado pelos diversos cavalos lhe passava um pouco de calma, mesmo que todas as mulheres reclamassem de tonturas e enjoos. Pensou consigo mesma se o exército não pararia naquela noite.
Depois do que pareciam horas, abriu os olhos ao escutar o pio de uma coruja. O manto escuro já não estava mais salpicado por estrelas, e uma neblina densa o cobria por completo, fazendo com que a luz da lua encontrasse certa dificuldade em cortar aquela densidade e iluminar o caminho.
Um vento gelado encontrou seu corpo e Sansa perguntou-se por quanto tempo dormira. O norte se aproximava a cada passo dado, mas aquele vento ainda não era bem-vindo. Preferia encarar o frio entre as paredes seguras do castelo de Winterfell a encará-lo em uma viagem cansativa. Depois de algum tempo, percebeu que a velocidade da liteira estava diminuindo, os cavalos resfolegavam de cansaço, um vapor saindo de suas narinas abertas, indicando que não era apenas ela que sentia as consequências do tempo.
Esperou a liteira parar completamente e enfiou a cabeça para fora, vendo agora mais visivelmente os cavalos parados, bem como os homens do exército começando a desmontar de seus próprios, puxando-os para fora da estrada e caminhando em direção ao rio, para dar-lhes de beber e comer.
Um homem abriu a porta da liteira para que ela saísse. Sansa o agradeceu, olhando tudo em volta.
— Sua tenda será a primeira a ser armada, Lady Sansa. – o homem disse, fechando a porta da liteira. — Ordens do rei.
Ela sorriu, assentindo e caminhando para uma árvore ali perto, aconchegando-se nos troncos largos, que impediam um pouco o frio de entrar. Fechou o manto em volta de si, os olhos azuis correndo por todo o local, procurando de forma automática pelo rei. Mas ele não estava ali, havia apenas cavaleiros armando tendas e retirando panelas escuras de dentro de bolsões para esquentar o que eles chamavam de comida.
Depois de algum tempo, o mesmo homem voltou a encontrá-la, indicando com o dedo o lado que sua tenda estava armada.
— É a primeira daquele lado. – Ele respirou fundo. — A de tecido azul claro.
Ela o agradeceu e andou, perguntando a si mesma se não seria acompanhada, mas também não se importou quando o homem lhe deu as costas para ajudar os companheiros a acenderem o fogo ou procurarem madeira seca. Depois de dias de viagem, Sansa apreciou sua própria companhia, sentindo-se, de certa forma, livre sem a presença das amas que sempre a acompanhavam dentro daquele castelo da Fortaleza Vermelha.
Suspirou, achando a tenda facilmente. Adentrou-a, fechando-a logo em seguida. Sentia necessidade de um banho. Achou uma tina por perto, mas a água estava fria. Infelizmente, não havia amas para a esquentarem e os homens demorariam muito para terminar toda aquela preparação para a noite. Sansa respirou fundo e pensou seriamente que seria loucura enfiar-se naquela tina, mas a viagem cansativa, e a necessidade de ter uma pele limpa, venceram.
Com relutância e um pouco de preguiça, ela retirou a roupa pesada do corpo, sentindo-o se arrepiar pelo frio. Sem pensar muito, caminhou até a tina e, prendendo a respiração, enfiou-se na água, molhando até mesmo os cabelos ruivos. A água gelada cortou-a em vários pontos do corpo e ela percebeu o oxigênio deixando seus pulmões quando abriu a boca para respirar no momento em que emergia.
— Deuses! – disse a si mesma. — Isso só pode ser castigo.
Seus lábios estavam trêmulos, mas depois de algum tempo dentro daquela tina, o corpo começou a acostumar-se com a água ali, mesmo continuando fria. Sansa lavou os cabelos, colocando-os para fora da tina e espreguiçou-se, deitando a cabeça na madeira e fechando os olhos.
Permaneceu assim por algum tempo, mas o silêncio ao redor estava deixando-a inquieta. Ela abriu os olhos, achando no mínimo estranho os cavaleiros terem parado de falar. E o que viu quase a matou do coração.
O rei estava perto da tina, olhando-a com visível interesse.
— Vossa Graça! – ela gritou, em um misto de cumprimento e raiva. — O que está fazendo aqui? Eu estou me lavando!
Puxou a capa que havia despido e que estava por perto, parte do tecido entrando na água fria e cobrindo certas partes do corpo que ela julgou mais importantes cobrir, já que sabia que não teria como cobrir-se completamente.
Loki sorriu levemente.
— Sua pele fica ainda mais bela quando está molhada, Lady Sansa.
Sansa não estava acreditando no atrevimento e na falta de decoro do rei. Mesmo que ele tivesse vindo de outro mundo, com certeza era no mínimo descortesia entrar na tenda de uma mulher naquele momento. Sentiu seu rosto queimar, mas foi o gesto dele que chamou a atenção dela.
— Estou aqui para lembrar-lhe de seu compromisso, hoje. – Ele correu os olhos por ela. — Ceie comigo, e depois iremos ter as primeiras aulas de defesa.
Ela não sabia o que dizer, os olhos azuis dele pareciam perfurar o tecido da capa que ela havia jogado por cima do corpo. Mesmo que fosse impossível, Sansa tinha a impressão de que ele a enxergava do mesmo jeito. Assentiu, desejando ardentemente que ele saísse dali.
— Muito bem. – ele disse, finalmente virando-se. — Sansa? – Virou-se novamente para ela, estalando os dedos. — Você irá congelar nessa água.
A água começou a borbulhar levemente, aquecendo-se e deixando-a mais confortável imediatamente. Ela olhou para o rei, um pouco sem lugar com a atitude dele. Ainda não estava acostumada com mágica.
— Obrigada, Vossa Graça.
Ele fez uma reverência quase irônica e virou-se novamente.
— Não demore. – ele respondeu ao sair da tenda, deixando-a sozinha.
[...]
Ela respirou fundo, sabendo que ao entrar naquela tenda, tudo poderia acontecer. Não estava exagerando, sentia-se imersa em um turbilhão de emoções. Loki era um cavalheiro, mas isso ia até certo ponto. Que tipo de cavalheiro entrava na tenda de uma mulher sem antes se anunciar? Que tipo de cavalheiro a beijava quando quisesse? Ou a tocava daquela maneira, tão... Íntima?
Engoliu em seco. Não poderia pensar naquele tipo de coisa, senão estaria apta a desistir da ideia de passar noites em claro com o rei, ali dentro. Sem mais pensamentos, entrou na tenda, pigarreando e parando onde estava, deixando seus olhos azuis perscrutarem o ambiente em busca do rei, que estava sentado na mesa de madeira, lendo pergaminhos de aspecto importante.
Ele olhou para ela, um sorriso jocoso percorrendo os lábios finos.
— Lady Sansa. – Deixou de lado os pergaminhos em apenas um segundo, gesticulando para que ela se sentasse. — Boa noite.
Ela sentou-se onde se sentara na noite anterior, sentindo-se nervosa ante a presença dele. Loki ficou por um tempo em silêncio, apenas a observando. Mas logo depois iniciou a conversa.
— Em matéria de defesa pessoal, o que lhe atiça a curiosidade?
Sansa não sabia responder aquilo, mas pensou com delicadeza e atenção no assunto. Espadas nunca a deixaram curiosa. Eram peças de ferro feias e usadas para as mais diversas formas. Os machados não possuíam classe. Aos olhos dela, eram peças para homens rudes. Entretanto, achava adagas bonitas, lembrou-se da que Loki usara para amedrontá-la na noite anterior. Aquela sim era uma arma bonita. Discreta, que poderia machucar facilmente, se manejada da forma certa.
— Eu gosto de adagas...
— Apenas delas?
Ela pensou com mais cuidado. Adorava arco e flecha, achava a arma mais feminina que existia e adorava a ideia de estar longe do local da batalha. Não precisaria exatamente estar perto para matar.
— Gosto do arco também.
Dessa vez Loki sorriu, recostando-se na cadeira e olhando-a quase com diversão.
— Isso é comum em mulheres. O arco é considerado uma arma mais feminina, apesar de eu não saber o motivo. Eles matam e tiram vida do mesmo jeito. Até mais do que espadas, dependendo do arqueiro. – Sansa estremeceu. — Mas antes de aprender a manejar uma arma, creio que terá que aprender a desenvolver o seu corpo para a luta, não?
— C-como? – ela gaguejou.
— Ora, Lady Sansa... você precisa saber se defender apenas com as mãos, antes de tudo. Sabe aonde chutar um homem para que ele caia? – Ela negou com a cabeça. — Sabe os pontos fracos do corpo?
Loki ia acrescentar a palavra humano no final da frase, mas achou que isso daria dicas de sua origem. Sansa negou tudo com a cabeça, fazendo-o suspirar e levantar-se. Ele se aproximou dela, fitando-a com atenção.
— Levante-se. – pediu gentilmente. — Quero tentar algo.
Aquela última frase soou de forma dúbia, mas Sansa não ousou dizer isso em voz alta. Ela levantou-se, observando-o melhor. Sempre quando estava perto dele, a diferença de altura ficava evidente, mesmo que Sansa fosse considerada relativamente alta, para uma mulher.
Loki abaixou um pouco o rosto para fitá-la melhor, mas logo depois se afastou alguns centímetros, indicando com o dedo o próprio rosto.
— Quero que você dê o seu melhor aqui. Me dê um soco, vamos.
Ele não podia estar falando sério. Sansa permaneceu onde estava, olhando para o rei quase de forma tola, esperando Loki começar a rir e dizer que aquilo tudo não passava de um teste ou uma brincadeira maldosa. Mas ele não se mexeu, pelo contrário, voltou a se aproximar dela, deixando o rosto ainda mais à mostra.
— Vamos, Sansa. Pense em alguém que você odeie, e me acerte.
— Eu não posso fazer isso!
— Claro que pode! Vamos... Pense em Joffrey, aquele garotinho loiro...
— Você não é ele... – Ela se afastava, temendo onde aquilo podia chegar. — Se você fosse ele, provavelmente eu já estaria correndo.
Loki revirou os olhos.
— Pelos deuses, Lady Sansa! Você será a rainha de Winterfell! Uma rainha nunca corre de nada... – ele começou a provocá-la. — A não ser que você seja covarde igual ao seu pai. – Ela ainda estava quieta. — É o que falam dele. Eddard Stark, não é? Você devia se sentir inferior apenas por ser filha dele.
O tapa veio tão rápido que Loki não enxergou direito a mão feminina. Seu rosto ardeu e sua cabeça virou levemente. Sansa recolheu a mão, horrorizada com a própria atitude, sentindo seu corpo estremecer quando o rei a olhou. Contudo, ao contrário do que ela imaginara, ele não parecia nervoso, mas divertido. Um sorriso jocoso percorria a expressão do seu rosto e ele colocou levemente a mão onde ela o estapeara.
— Nada mal... Mas terá que fazer melhor que isso se quiser machucar alguém de verdade.
— Você disse mentiras do meu pai! – ela disse quase raivosa.
Loki percebeu a raiva contida, e adorou isso. Queria vê-la furiosa.
— Disse propositalmente, mas se quiser, posso falar a noite inteira de sua família para te enfurecer. Você quer ouvir asneiras ou quer tentar me socar de verdade?
— Não precisa falar da minha família... Por favor. – ela pediu quase humildemente.
Loki voltou a mostrar o rosto para ela. Sansa procurou por alguma vermelhidão, mas nada achou. E ele percebeu isso. Falaria que era um deus e que não sentia a dor física como os humanos? Não, não falaria. Não agora. Não confiava nela.
— Soque-me.
Sansa engoliu em seco. Ele não desistiria até ser socado, ou vê-la tentando. Ela poderia tentar, afinal, não o machucaria. Ele era um homem e homens aguentam violência física, certo? Fechou as mãos, e tomou impulso, mas quando ia atingir o rosto dele, Loki desviou-se da mão dela, fazendo-a desequilibrar. Sansa quase caiu, mas virou-se rapidamente, os cabelos cor de fogo espalhados pelo rosto corado.
— Por que fez isso? – ela perguntou.
— Ora, você não acha que um homem ficaria parado esperando um soco, não é?
Aquilo estava começando a irritá-la. O sorriso de escárnio não deixava o rosto fino, e Sansa se sentia mais ridícula à medida que o tempo passava. Tentou acertá-lo de novo, mas ele se mexia tão rápido, que quando achava que ia conseguir, já não o via mais.
— Vamos... – ele pediu. — Tente me acertar. – Desviou-se novamente dela. — Você é mais lenta que Joffrey!
A comparação a irritou. Ela parou, ofegante, olhando-o com irritação. Ele percebeu o rosto dela vermelho, bem como a respiração descompassada. O corpete do vestido havia abaixado um pouco, deixando o decote dos seios mais visível. Fixou seu olhar ali com indiscrição, e ela percebeu isso facilmente.
— Não me compare com aquele monstro! – ela exclamou.
— Certo. – disse Loki. — Então imagine que sou um homem rude e que estou a perseguindo, querendo ver os seus dotes por inteiro.
Os olhos dele estavam cravados em seu decote. Sansa puxou o corpete para cima, tentando tampar um pouco aquilo tudo, mas a risada que ele estava dando a irritou em demasia. Tentou socá-lo novamente, mas ele desviou-se, fazendo-a ficar ainda mais irritada.
— Você não está nem mesmo tentando, Lady Sansa. Talvez um incentivo?
Ele se aproximou, os olhos não deixando o decote. A mão dele subiu levemente para tocar a curva que os seios faziam, mas a mão feminina acertou a dele rapidamente, fazendo-o recuar com o braço.
— Como consegue acertar minha mão e não consegue acertar meu rosto?
— Você ia me tocar! – ela disse, não acreditando de fato naquilo.
— É claro que eu ia te tocar, eu sou um estuprador, não sou?
Ele levantou novamente o braço, e dessa vez o reflexo dela foi lento. Loki correu os dedos levemente pela curva dos seios, sentindo a pele macia que ela possuía. Sansa arrepiou-se com aquele toque, mas afastou-se no mesmo momento. Ele voltou a se aproximar, acuando-a pela tenda. Sansa não teve alternativa a não ser empurrá-lo. Não era um soco, nem um tapa, mas era um meio de defesa, certo? Ele riu com a tentativa patética dela de pará-lo e voltou a se aproximar. Ela voltou a empurrá-lo, mas dessa vez ele foi mais esperto e pisou na pequena cauda do vestido, e no momento em que ela ia correr para outro canto, o tecido se rasgou.
Sansa olhou para baixo, vendo a roupa rasgada. Suas pernas estavam parcialmente de fora, o algodão batia até o joelho, deixando-a exposta. Sentiu-se extremamente envergonhada, mas logo sua vergonha foi se transformando em indignação.
— Por que fez isso? Você não tem direito de fazer isso! – Ela esqueceu-se que ele era o rei. — Isso não é uma aula! É uma tentativa de me envergonhar, um insulto!
Ela tentou sair, mas ele a impediu com o braço. Sansa o fitou. O sorriso irônico ainda estava no rosto dele, e isso a enfureceu ainda mais. Loki tinha que admitir, estava adorando aquilo. Se ele possuía um passatempo, esse era irritar e brincar com as pessoas, deixando-as à beira da insanidade. E a garota era um alvo fácil, por ser mulher e vulnerável. Dessa vez o soco o acertou sem que esperasse.
Ele recuou um pouco, colocando a mão no rosto. Sentia uma levíssima dor, mas já era algo. Sansa, pelo contrário, parecia mais dolorida. Sacudia a mão, tentando fazer com que os ossos dos seus dedos voltassem ao lugar exato, porque sabia que havia deslocado algum. Ele riu.
— Muito bem, Lady Sansa. Mas acha que vai sair assim? – Ele apontou para o vestido. — Os cavaleiros vão achar que fora atacada... Novamente.
Ela já ia dizer palavras ofensivas, mas parou por um momento, olhando-o com atenção dessa vez e se aproximando, esquecendo-se completamente de suas pernas de fora.
— Novamente? – ela perguntou, temendo a resposta.
— Ora, metade da Fortaleza Vermelha diz que você não é mais uma... Como eles dizem aqui? Uma donzela. – Não era verdade, mas Loki achou que isso a deixaria mais instigada. — Eu não sei quem fala a verdade, mas não tiraria a razão de Joffrey se ele quisesse experimentá-la... Você é uma tentação.
Loki estava provocando a fúria dela. Ela levantou novamente o braço, mas ao contrário do planejado, recuou, parecendo machucada com algo. Ele se aproximou, tentando ver se ela quebrara a mão ao dar aquele soco, mas o que viu o fez perceber que não fora o soco a deixá-la daquela forma. Os olhos azuis da garota brilhavam por causa das lágrimas, e ela pegava a própria mão machucada com a esquerda, fechando-a em concha.
— Se acredita que não sou mais donzela... – ela disse. – Não vejo motivos para casar-se comigo. Procure a mulher que você merece, então. Que saiba lutar e que seja intocada... Eu ainda apoiarei sua campanha pelo norte.
Ela atravessou a tenda em velocidade rápida, e Loki demorou um pouco para processar as palavras dela, mas logo a alcançou, puxando-a para si. Sansa gemeu de dor. Sua mão doía e ela tinha a leve impressão de que o rosto dele não estava do mesmo jeito. Tentara o machucar por nada e só ganhara ainda mais dor.
— Não queria magoá-la, Lady Sansa. – ele disse com sinceridade. — Estava a instigando, deixando-a furiosa.
Ela se desvencilhou do braço dele, se afastando um pouco e dando-lhe as costas.
— Você não entende, não é? – Voltou a fitá-lo. — Você não me deixou furiosa. Você me magoou. Tocou na minha ferida mais profunda... – Ela não conseguia medir suas palavras, mesmo sabendo que ele era rei e não precisava escutar as lamentações de uma garota. — Eu fui humilhada por anos dentro daquela cidade, e achei que vindo com você não passaria mais por isso... Mas estava errada.
Tentou passar por ele novamente, mas foi impedida pelo braço forte e decidido de Loki. O rei a fitou com cuidado, e ela conseguiu discernir naquele olhar pena e até mesmo culpa. Ele olhou para a mão dela, levando a dele para as juntas levemente avermelhadas. Uma sensação gelada percorreu sua mão e Sansa tentou retirá-la mais por reação que por medo. Ele a impediu, segurando-a. Logo a sensação acabou, e a dor fora embora junto com a frieza do processo. Ela olhou-o, surpresa. Loki levou a mão feminina à boca, beijando cada junta com cuidado e até mesmo carinho.
— Perdoe-me, Lady Sansa. Não quis magoá-la. Não irá acontecer novamente.
Ela ficou calada. Olhou em volta e viu o tecido do seu vestido no chão. Caminhou até lá, sentindo os olhos dele acompanharem-na. Pegou o tecido, olhando-o.
— Se me der licença, Vossa Graça. Preciso voltar à minha tenda antes do amanhecer, não posso andar assim pelo acampamento. Como Vossa Graça mesmo disse, o que seus cavaleiros irão pensar?
— Eles não vão pensar nada, porque você não vai sair daqui assim. – Ele se aproximou. — Não agora.
— Eu preciso de um vestido novo. – ela disse entredentes. — E já está claro que aulas de luta e arma não irão adiantar. Fui criada para ser cortês e feminina, e não violenta.
— Isso é mentira. – Ele pegou o tecido das mãos dela, jogando para o lado. — Você é nobre, Lady Sansa. Não precisa ser violenta para saber se defender. Mas precisa ser forte. Como sua mãe ou seu pai.
— Agora eles são boas pessoas?
Loki revirou os olhos.
— Sempre foram. Estava...
— Me instigando? – ela completou. — Maneira estranha. Para mim você só me insultou.
Cale a boca, Sansa, você está falando com o rei de Westeros e futuro rei do Norte.
O sorriso de Loki a deixou alerta. Podia conter vários significados, e ela não estava convencida do motivo dele naquele momento. Loki pegou sua mão, puxando-a levemente para ele.
— Perdoe-me. – Ele voltou a pedir, o que não era do seu feitio.
Sansa permaneceu calada, só se dando conta de quão próxima estava do rei quando seu ombro bateu levemente no peito dele, coberto apenas por um gibão negro. Tinha consciência dos olhos azuis fitando-a, e sabia que ele esperava uma resposta. Assentiu educadamente.
— Vossa Graça não precisa pedir perdão a alguém como eu. – respondeu. — Agora, me dê licença para voltar à minha tenda e colocar um vestido apropriado...
Ele não a respondeu. Na verdade, sequer se mexeu. Com um pouco de relutância, ela virou-se para ele, levantando o rosto para fitá-lo melhor. Havia um brilho estranho nos olhos do rei, e ela percebia vagamente o rosto dele se aproximando vagarosamente, mas Sansa não se afastou, tampouco hesitou, quando sentiu os lábios finos sobre os seus.
O toque era calmo, muito diferente do toque dos outros beijos que ele lhe dera. Poderia ser apenas algo da cabeça dela, mas sentia que com aquele toque, ele a estivesse pedindo desculpas. Sansa aceitou o pedido de bom grado, sentindo agora a boca do rei se abrir levemente, testando-a para ver se ela faria o mesmo. Sansa abriu os lábios sem pensar duas vezes, sentindo a língua aveludada de Loki deslizando para dentro de sua boca e tocando a sua com lentidão. De alguma forma, aquela velocidade do beijo estava a deixando mais alterada que os beijos vorazes que compartilharam nas outras noites.
As mãos dele subiram levemente para a cintura dela, apertando ali quase como uma reverência. Sansa sentiu seu coração começar a acelerar. Loki a tocava quase com respeito, e ela não sabia em que ponto o beijo passara de inocente para malicioso, mas não ousou dizer algo ou se separar da boca dele. Sentiu as mãos longas deixando sua cintura, desceram para lugares mais ousados, deixando o tecido do corpete até mesmo quente por onde corriam, passando levemente pela curva de trás. Sansa assustou-se quando ele chegou à parte de trás de suas coxas e a levantou, puxando suas duas pernas para a cintura dele.
Ela não sabia o que fazer, mas enlaçá-lo pela cintura fora automático, devido ao medo de cair naquela posição. Mas aquilo fora um erro, no mesmo momento em que sentiu seu corpo bater ao dele, percebeu o quanto o rei estava excitado. Um sinal de medo passou pela sua cabeça, mas ela empurrou isso para o fundo da mente quase com desespero. Não queria sentir medo naquele momento. Não agora...
A boca dele ainda estava sobre a sua, as línguas entrelaçadas. O volume da calça pressionava insistentemente o núcleo de Sansa, deixando-a com aquela sensação de ardência no meio das pernas. Ela sentiu-o se deslocar, andando com facilidade pela tenda, como se o peso dela fosse praticamente nulo. Com cuidado, Loki se aproximou da cama, colocando-a sobre o colchão de penas, vendo o corpo feminino pousar ali. Ela relaxou, mas logo que percebeu o corpo dele se aproximar, pressionando-a levemente, Loki sentiu a relutância da garota. Finalmente desgrudou os lábios dos dela, olhando com um misto de desejo e paciência.
— O que foi, Lady Sansa?
— Eu... Bom... Por mais que você não acredite... Eu nunca fiz nada disso. – ela deixou claro. — E não posso fazer até me casar. Certo?
Loki quase sorriu, mas sabia que tal atitude seria vista com outros olhos por Sansa. Acharia que estava zombando dela, sendo que ele apenas achou engraçado o fato de ela ainda temer que ele pensasse que não era mais donzela.
— Eu acredito em você, Sansa. – Tratou de tirar essa dúvida. — Conheço uma mulher pura de longe. Mas podemos nos divertir sem que eu... Bom, tire essa pureza.
Ela ficou um pouco desconcertada com a sinceridade dele e o convite. Sentia como se seu coração quisesse sair do peito.
— Co-como? – perguntou, sentindo-se tola no mesmo momento.
Loki sorriu levemente.
— Se você deixar, posso lhe mostrar.
Sansa sabia que aquele pedido era um convite aberto para que ela lhe desse autorização ao seu corpo. Perguntou-se mentalmente se seria o correto, mas não conseguia pensar com coerência. O volume do rei ainda a pressionava, e seu corpo parecia pedir por cada toque dele. Sabia que aquele tipo de coisa deixava as mulheres indiscretas, e os homens faziam loucuras por causa da arte do amor. Mas ela não sabia que aquilo iria influenciá-la tão rápido.
Com relutância, ela assentiu. E o sorriso de Loki a fez se arrepiar.
— Certo, quero apenas que relaxe e, se desejar, feche os olhos.
Sansa não queria fechar os olhos, sentia uma necessidade absurda de vê-lo e observar onde as mãos dele tocavam, mesmo que sentisse cada toque facilmente. Loki voltou a beijá-la por um tempo, as mãos em sua cintura, mas logo seus lábios finos abandonaram-na e desceram levemente pelo queixo, depositando pequenos beijos ali. Ele mordiscou cautelosamente a carne do pescoço alvo, fazendo-a fechar os olhos dessa vez. Sansa demorou a perceber a mão dele subindo levemente pelo corpo, pousando na fita do corpete. Ele desfez o laço facilmente, abrindo-o e deixando os seios visíveis. Ela prendeu a respiração, envergonhada. Sentia vontade de voltar a se vestir.
E ele não pôde deixar de perceber sua timidez.
— Não seja tímida. – Olhou os seios dela quase de forma faminta. — Você é linda.
Disse sem rodeios, e antes que ela pudesse responder ao elogio, sentiu os lábios dele em seus seios, sugando a carne ali com reverência. Sansa fechou os olhos e arqueou-se levemente em direção ao rosto dele, mordendo o lábio para conter um gemido que insistia em sair. As mãos dele já não estavam mais perto dos seios, mesmo que a boca trabalhasse ali meticulosa e vagarosamente, desceram pelo corpo dela, subindo o tecido rasgado do vestido.
Sansa tinha a ligeira impressão de mãos correndo por suas pernas, bem como dedos acariciando de leve o interior de suas coxas. Abriu os olhos, levantando o rosto e fitando-o, não conseguindo acreditar que ele estava sendo tão atrevido. Mas quando o dedo acariciou-a por cima de sua roupa íntima, vergonhosamente úmida, ela achou que, naquele momento, ia enlouquecer.
O gemido finalmente escapou de seus lábios, e Loki sentiu que estava passando dos limites. Sabia que teria que controlar-se. Sansa nunca fora tocada, e não seria naquela noite. Mas queria mostrar como aquilo poderia ser bom. Principalmente com ele. Se ela ainda tivesse dúvidas de se casar com ele, talvez um incentivo como aquele pudesse dar certo.
Seu dedo a massageava com lentidão. Sansa foi se entregando àquele toque com facilidade, sua mente vagando entre os lábios dele sugando os seios e o dedo estimulando-a. Logo o prazer foi aumentando, no mesmo ritmo do movimento de seu dedo. Apenas o tecido correndo por seu sexo estava deixando-a louca, e quando abriu os lábios para deixar escapar um gemido de redenção, Loki abandonou os seios para tomar os lábios carnudos da garota com os seus, no momento em que pressionava mais fortemente o dedo no núcleo feminino, sentindo-a chegar ao seu deleite, sentindo as pernas levemente trêmulas, bem como seu corpo entregar-se aos prazeres da carne.
Ele retirou a mão dentre as pernas dela, tocando-a agora nos cabelos, e logo depois nos seios. Afastou-se brevemente, olhando-a com malícia e desejo. Daria tudo para arrancar aquele vestido, para vê-la inteiramente nua e tomá-la de forma completa. Mas não naquela noite. Não agora.
Ela estava ofegante e parecia envergonhada demais pelo que acabara de acontecer. Loki sorriu ante a expressão dela.
— Está sentindo algo, Lady Sansa? – perguntou para provocá-la.
Ela não disse nada, abriu a boca para tentar falar, mas não conseguiu. Loki beijou-a levemente nos lábios.
— Fique aqui essa noite. – Ele viu que ela iria protestar. — Não devo passar a noite aqui, preciso ver como meus homens estão e planejar rotas. Descanse, Lady Sansa.
Afastou-se da cama, deixando-a como uma boneca de porcelana ali. Ela não conseguia tomar uma atitude, sentia seu corpo amolecer devido ao prazer em que mergulhara, e o sono a deixava ainda mais lenta. Ela percebeu que ia amanhecer dali a algumas horas. Ficaram a noite inteira ali, conversando, insultando, tentando lutar e por fim...
O que ela havia feito?
— Por favor, aceite meu pedido. – ele disse, se afastando da cama. — Durma um pouco, logo iremos voltar à estrada.
Depois de algum tempo observando-a, ele saiu da tenda. Um vento forte entrou pelo buraco por onde saíra, deixando-a arrepiada. Sansa fechou as pernas, abaixando o vestido e sentindo-se suja no momento.
E agora?
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