Lost
1 Prólogo - Last Tango, Then Paris
“Quando fui baleado, quando caí, certo de que aquele era o fim da minha vida, só conseguia pensar em você” – Maxon Schreave (The One).
Chuck Bass andava cambaleando pelas ruas de Perlovka. Cabelos bagunçados, aparência deplorável, expressão típica de um homem que tinha chegado ao fundo do poço. Já tinha passado por muitas situações difíceis em sua vida, mas, nem a dor da morte de seu próprio pai, se comparava ao vazio que estava sentindo dentro de si naquele momento. Tentava disfarçar, falando bobagens para prostitutas enquanto andava, perdido, sem rumo. Mas a verdade é que tudo o que Chuck conseguia pensar, era que este não era o local onde deveria estar naquele momento.
Ele tinha planejado tudo. A forma como iria surpreendê-la com o pedido inesperado no topo do Empire State Building, como os dois iriam se beijar, fazer planos para o futuro: seria o início dos dias mais felizes de sua vida, ao lado de Blair. Agora, apenas por pensar nela, seu coração ardia de tanta dor. A forma como tudo tinha dado errado, como a tinha magoado; tudo isso eram lembranças que insistiam em lhe perturbar, como se ele não conseguisse escapar da verdade, como se merecesse estar ali naquele lugar, exatamente como era antes, antes de conhecer o amor, antes de virar um homem de verdade.
Ele era uma decepção. Uma decepção para seu pai, para Blair e, principalmente, para ele mesmo. Ele se odiava. Odiava o fato de ter magoado a única pessoa que conseguiu fazê-lo feliz de verdade, a única pessoa que o fazia ser algo de que se orgulhasse. Ele não era ele sem ela. Ele não era nada sem ela.
Chuck guardava a pequena caixa de veludo da Harry Winston dentro de seu sobretudo, junto ao seu peito, para tentar amenizar apenas um pouco o fato de Blair Waldorf não estar mais em sua vida. Gostava de se torturar, de imaginar como seria se tudo tivesse sido diferente. Gostava de fingir que estava apenas em uma viagem de trabalho e que, daqui há alguns dias, iria voltar para Nova York, para sua vida, para a sua Blair. Eles iriam matar as saudades e viver o resto de suas vidas juntos. Como ele queria que fosse. Como deveria ser.
Mas o destino era cruel quando se tratava de Chuck e Blair. Chuck lembrava-se claramente da dor que sentiu quando atirou o lindo buquê de peônias na lata de lixo do Empire State Building, como se jogasse sua vida fora, seu futuro fora, tudo o que tinha vivido de bom em sua vida. Não conseguia esquecer da dor que sentiu naquele dia, que era tanta que mal conseguia respirar, devido as lágrimas. Chuck Bass nunca chorava. Mas como evitar? Blair não o amava. Ninguém o amava. Ele estava sozinho, e sempre estaria.
Afinal, ele era Chuck Bass, e isso não era algo de que deveria se orgulhar. Era um fardo na vida das pessoas, que eram seus amigos por puro hábito. Ele sabia. Sabia que existia apenas uma pessoa no mundo que realmente se importava com ele, apenas uma pessoa no mundo que ele se importava. E tinha jogado tudo isso fora para provar à seu próprio pai que era alguém que merecia reconhecimento.
Porque afinal, a culpa era toda daquele maldito hotel. Aquele hotel que na época pareceu ser um sonho realizado, a prova de que poderia finalmente sair da sombra de seu pai e mostrar para todos que não era um fraco. Blair acreditava nele; era tudo o que precisava. Mas agora isso não importava. Nada mais importava. Chegava a ser irônico. Se ele não era Chuck Bass sem ela, por que a trocou para provar ao mundo que poderia ser alguém?
E aí teve Jenny Humphrey. Ele não a culpava, não mesmo. Estava tão devastada quanto ele, em seus próprios problemas. Os dois afogaram as mágoas juntos, sem ter a consciência de que seria a pior coisa que fariam em suas vidas. Ele a usou, e se sentia um ser humano horrível por isso. Tirou sua virgindade, e isso não significou nada para ele. Já com a Blair, foi totalmente diferente.
Ele se lembrava daquela noite todos os dias de sua vida. Mesmo bêbado, cansado, em qualquer estado de espírito, conseguia se lembrar de todos os detalhes. Afinal, como esquecer da noite que sua vida tinha virado de cabeça pra baixo? Blair tinha mudado sua vida em todos os sentidos possíveis, e isso ele não podia negar. Aquela noite em sua limosine, foi apenas o começo. E agora, 3 anos depois, o fim tinha chegado.
Ele não queria assumir o fim. Simplesmente não queria acreditar. Como poderia ser o fim se, apenas por pensar nela, ainda sentia todas as borboletas que despertaram dentro de si há 3 anos atrás? Não conseguia imaginar algum sentimento mais intenso do que o amor que sentia por ela. Não conseguia ao menos imaginar que alguém poderia amar tanto uma pessoa quanto ele a amava. Ele a amava com toda a sua vida; não via mais motivos para continuar sem ela.
Foi nesse momento que dois homens se aproximaram. No início, Chuck não reparou; estava tão consumido por sua dor, que nem teve tempo de assimilar o que estava acontecendo. Foi só quando pessoas começaram a se afastar da cena e os dois homens o seguraram e começaram apalpar seu sobretudo, que percebeu onde tinha se metido.
“Ei, não precisa de violência. Eu tenho muito dinheiro. Eu sou Chuck Bass.” – pela segunda vez em toda sua vida, disse o seu nome carregado de desgosto. Porém, naquele momento, cercado pelos homens tentando lhe roubar, ele não tinha Blair para lhe salvar, para não o deixar cair do precipício. Ele estava sozinho, sem ninguém.
Sentiu os homens encontrarem a caixinha do anel dentro de seu casaco e paralisou.
“Espere, não isso, não isso.” – ele falou, desesperadamente. “Me deixe ficar com a caixa. Me leve para um banco e eu te darei o dinheiro.”
Chuck Bass sabia. Sabia que tudo já estava perdido. Sabia que, mesmo se ficasse com a caixa, o anel nunca estaria nos dedos de quem ele queria que estivesse. Sabia que era um caso perdido. Mas, apesar de tudo, ele tinha que lutar. Não podia ver o seu sonho, o seu futuro, sendo tomado de suas mãos tão abruptamente. Ele não queria seguir em frente. Ele não queria se desapegar. Ele queria ela, e sempre iria querer.
Por esse motivo, começou a lutar com os homens, tentando pegar a caixa de volta, parando apenas quando sentiu uma sensação ardente em sua barriga. Imaginou que era apenas a dor de perder Blair para sempre, quando percebeu que era dor física, imediata. Um tiro. Chuck Bass havia levado um tiro.
Paralisou, incapaz de fazer algo, de lutar para o inevitável não acontecer. Ele a tinha perdido. Ele tinha se perdido. E, no momento em que os ladrões abriram a pequena caixinha da Harry Winston, revelando o lindo anel que tinha comprado para Blair, Chuck Bass caiu ao chão, se perguntando se ainda valia a pena lutar.
Assim que os homens saíram correndo, Chuck, incapaz de pensar claramente, fechou os seus olhos. Porém, antes de apagar completamente, uma imagem veio à sua cabeça: era Blair, com um vestido de noiva, sendo carregada por ele, em sua lua de mel. Ele preferia se segurar naquela imagem. Era como tudo deveria ter sido. Como tudo deveria ser.
E então, apagou para sempre. Ou apenas até um par de olhos azuis e cabelos loiros o despertarem para a realidade novamente.
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