Lost

1 Capítulo 1


Notas iniciais
CAPITULO INTRODUTÓRIO

Alguma luz vindo de algum lugar infernal me acorda. Quero voltar para meus sonhos, não quero saber dessa manhã de sábado, ou domingo, talvez até segunda, sei lá. Não sei por quanto tempo tenho dormido, muito vagamente me lembro aonde estou. Porém nada disso importa, não mais.

O sol atravessa a cortina cor de creme desse quarto branco brilhando ironicamente, toda essa luz contrastando com a escuridão que ocupa meu interior. Esse quarto é tão branco, tão sem cor e mesmo assim ainda é colorido demais. As poucas mobílias já o deixam abarrotado e desconfortável. A máquina ao meu lado faz aquele irritante bip a cada batida de meu coração e isso já me faz desejar ser surda. Não consigo suportar tanta vida, quero voltar a dormir e voltar a não me importar com nada. Enfio a cara no travesseiro, fecho os olhos e obrigo minha mente a se desligar, porém, quando estou quase conseguindo escuto mais barulho. Poxa, será que é tão difícil respeitar quem só quer dormir, tudo que peço é sossego, será que é demais? To achando que é. Meus ouvidos logo se aguçam, minha alma está assustada...

Alguém abre a porta que tem aquele rangido imperceptível, mas tão alto à minha audição sensível. Entra alguma mulher, posso saber sem a olhar pelo barulho que seu sapato faz. Uma batida daquele salto agulha no chão faz vir toda uma sequencia de flashes na minha cabeça. Correria, medo, susto, gritos, sensações horríveis. Sangue escorrendo e correndo inclusive pelas minhas mãos, o desespero está no ar, o que respiramos é o ódio. Sem querer dou um grito voltando ao presente, voltando ao quarto, o bip da máquina começa a se acelerar e quero correr.

A mulher começa a andar mais para perto de mim e o barulho aumenta de velocidade e altura, tudo piora, tudo volta. As lembranças são muito fortes, sinto o ódio em cada bala que passa zunindo por minha orelha, o grito de desespero de minha mãe, ouço uma batida de carro ao fundo. É demais para mim, não posso suportar, não de novo. Não suporto tantas lembranças, tão fortes. Quero dormir, só isso. Grito de novo. A mulher se desespera e chama ajuda. Ouço mais três pares de pés, mais seis pés batendo no chão e me assustando. Só quero paz, por favor, só isso. Eles entram e se espalham ao meu redor. Conversam entre si enquanto continuo lá, encolhida, tapando minhas orelhas com as mãos tentando abafar o máximo de som e com medo de abrir os olhos. As lembranças pareciam tão reais e me atingiram de tal forma que tenho medo de olhar ao redor e ver que, afinal, não são lembranças. Não quero voltar para aquele cenário de desgraça.

Sinto uma pontada na nuca e logo percebo que me deram calmante. Sinto me extasiada, queria poder virar para o cara que me deu esse presente mas a sensação é tão boa, a sensação de calma e felicidade é tão absoluta que só quero aproveitar, com medo de que acabe logo. Viro para um lado, abraço meu urso que alguém deixou por ai, fecho os olhos e volto para o mundo perfeito de meus sonhos. Volto a sonhar com a época que eu era feliz, com a época que eu tinha um pouco de vida.


Notas finais
É só um capítulo introdutório galera, espero que gostem. Comentem ai o que vocês acharam.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.