Notas iniciais
Volteeei❤ espero que gostem deste capitulo

Ando de um lado para o outro dentro do pequeno espaço que posso no armazém abandonado e repasso o plano na minha mente.

Se infiltrar.

Se misturar.

Encontrar a arma.

Tira-la de circulação.

Me sinto estranha no momento porque estou em um bonito vestido vermelho que com certeza deve valer o dobro das minhas poucas roupas juntas, há uma headband dos anos setenta com uma pequena pena na lateral enfeitando minha cabeça, sapatos de saltos, a máscara de baile e a maquiagem que consegui improvisar me lembrando de Kira frente ao espelho.

Sinto muita falta dela.

O som dos seus passos me fazem recuar porque me sinto envergonhada por estar vestida de tal maneira, eu nunca me vesti assim antes, nunca me pareci com uma mulher de verdade.

Ele se aproxima e mesmo com a vontade de me acuar e me esconder eu não consigo me mover porque estou paralisada, analisando cada movimento seu. Ele se veste de social, com suspensórios e luvas que ajudam á esconder seu braço biônico, o cabelo ainda parece desalinhado mas nada que uma escova velha não resolva.

Quero dizer que ele está bonito, muito bonito mas as palavras estão presas na minha garganta, nunca o vi dessa forma, nunca imaginei dessa forma. Há sempre uma ferocidade intensa em seus olhos mas não hoje, hoje ele parece em paz ainda que preocupado com o rumo que isso está tomando. Ele me olha por alguns segundos enquanto finjo que não estou olhando e quando o encaro de volta Bucky desvia os olhos para os sapatos, fazendo-me rir em silêncio.

— Onde você conseguiu todas essas coisas? — Pergunto tentando quebrar o gelo.

— Você não vai querer saber a resposta. — Murmura finalmente me encarando o que faz meu coração saltar.

— Certo... — Digo. — Entendi.

Eu quero dizer, ele foi treinado por uma das organizações mais poderosas do mundo para ser um mercenário inclinado á não ser capturado e no momento ele nos conseguiu até mesmo escutas, essas roupas e luxos não devem ter sido um desafio.

— Você disse que é uma festa privada onde vão apresentar uma arma ao mundo. Do que se trata? — Pergunto enquanto seguimos para o endereço do cartão.

— Ela é como eu.

Ela.

Por que isso de alguma forma me incomoda?

— Eu a conheci, eles a chamava de Android 10, tentei leva-la e quase fui morto por isso. Na época ela ainda tinha certa humanidade em si, á essa altura acredito que não lhe reste nada. — Ele se lamenta. — Apenas... Vontade de matar.

Eu vejo como essa garota é importante para ele pela forma como seus olhos se entristecem, então instintivamente eu movo minha mão sob a sua para lhe dar algum conforto mesmo que isso me constranja e me frustra por não ser a pessoa que ele se refere desta forma.

Eu ajeito a máscara sob meus olhos enquanto Bucky apresenta nosso convite VIP, se escondendo debaixo da própria máscara, quando somos confirmados ele agarra minha mão com seu braço biônico escondido por uma luva e me guia como se fossemos um casal mas eu sei que ele está apenas fazendo o que deve ser feito.

Nunca estive em um lugar como esse, as pessoas soam tão silenciosas e refinadas porém tão vazias quanto suas taças de Champanhe caro, os homens me lançam olhares cheios de luxúria mesmo que a mão de Bucky ainda esteja em volta da minha, acho que porque no mundo deles as pessoas não têm valores, o seu dinheiro sujo pode comprar qualquer coisa.

— Você está vendo ela? — Sussurro para Bucky.

— Ela não vai estar aqui até eles decidirem que ela deve estar. — Diz.

— O que acha de nos misturarmos? — Questiono mesmo torcendo para que ele não me deixe só.

— Não vou te deixar para trás. — Ele retruca. — Estamos juntos nisso.

Meu coração se derrete e meu rosto se esquenta.

Que diabos está havendo comigo?

— Manteremos contato pela escuta, subimos juntos e nos separamos no segundo andar. -Sugiro.

Tentamos subir ás escadas duplas mas somos barrados por dois seguranças enormes. Penso que vamos ser literalmente desmascarados mas Bucky parece ter uma carta na manga. Ele envolve seu braço ao redor da minha cintura transmitindo uma carga de arrepios pelo meu corpo.

— Temos assuntos particulares para tratar com Lukin. — O tom da sua voz e a forma como um dos seguranças encara o decote entre meus seios me dizem que esse tipo de assunto particular envolve meu corpo.

— Entendi. — Ele concorda nos dando passagem.

— O que foi isso? -Sussurro enquanto Bucky me guia escada acima.

— Lukin gosta de se divertir com belas mulheres.

Não sei bem se isso foi um elogio mas eu gostei da forma que soou.

Há uma birfucação no corredor o que me diz que é aqui que nos separamos e isso me assusta.

Ele começa a se afastar mas eu continuo onde estou com o coração ameaçando me deixar e segui-lo.

— Bucky!? — É a primeira vez que digo seu nome em voz alta e acho que esse é o motivo dele virar-se e me olhar como se eu tivesse lhe agredido.

Apenas dois segundos se passaram desde que chamei seu nome mas parece um eternidade porque ele está me encarando profundamente esperando por uma reação. Meus pés parecem criar vida própria e tomam caminho em direção á ele, seus braços me seguram como se eu fosse todo o seu mundo, eu o encaro por um longo tempo sem saber o que fazer antes de enrolar meus dedos ao redor do seu cabelo. Eu amo seu cabelo. E cobrir a minha boca com a sua o que estranhamente ele retribui da melhor forma, esquecendo-me que estamos no meio de uma missão louca, nesse momento eu sou apenas uma garota nos braços de um cara que gosta.

— Seja cuidadoso. — Eu respiro quando me afasto.

— Esse é todo incentivo que eu preciso para sobreviver á isso. — Zomba me beijando rapidamente outra vez e então dessa vez se afasta de verdade.

Eu paro de pensar como uma garotinha apaixonada quando ele vira o corredor e sigo suas instruções sobre uma porta com estrela vermelha como a do seu braço de metal desenhada.

É lá que ela deve estar, você precisa encontra-la.

Quem é essa garota que desperta todo esse espírito heróico nele? No que nós vamos nos transformar quando eles estiverem juntos outra vez?

Droga, não existe nós.

Tento curvar o corredor imenso mas um dos seguranças está vindo na minha direção, quero tornar isso o mais silencioso possível então espero que ele esteja na minha frente e o acerto no meio do nariz, ele tenta agarrar seu comunicador mas eu o jogo contra o chão e esmigalho com esses sapatos de saltos, ele vem para mim com socos enquanto eu apenas me esquivo esperando o momento certo para atacar, que é quando afundo minhas garras na sua garganta com tudo que tenho e tiro sua vida. Seu corpo sem vida cai no chão e seus olhos vazios estão me encarando como se pudessem me fazer sentir culpada.

Não podem.

Sei que ele não era uma boa pessoa e além do mais eu não sou uma heroína, nunca serei realmente.

Encontro a porta que Bucky informou no final do corredor e tomo meu caminho até ela, obviamente trancada, tento força-la mas não resolve muito, eu ainda não aprendi como usar toda a minha força sem estar furiosa, mas ainda tenho a audição aguçada de um coiote o que me permite ouvir passos atrás de mim e me esquivar antes que uma bala me atinja, ainda assim sou ferida de leve porque ela passa muito perto.

Certo, agora eu estou furiosa.

Acho que ele não esperava que eu fosse bater de frente com uma arma porque quando ando na sua direção ele fica paralisado, cerro meu punho e enterro no seu nariz, não lhe dou oportunidade de reação porque meu chute atinge sua mão tirando a arma do seu alcance e tomando-a entre meus dedos, aperto o gatilho, não uma mas duas vezes mesmo que o primeiro tenha ido direito para sua cabeça.

Gostaria de dizer que sendo o que sou, fazendo o que faço, não estou sujeita ás fraquezas e frustrações humanas mas agora mais do que nunca eu sei que há muito mais humanidade em mim do imaginei.

Voltando para a porta secreta de Nárnia não tenho mais algum trabalho quando atiro contra a maçaneta e a porta se abre instantaneamente. Mas o que encontro lá dentro é algo além da minha imaginação, tão chocante que me faz recuar um passo perdendo o equilíbrio.

Ela está de alguma forma conservada ou refrigerada em uma espécie de câmara mas não é isso o que mais me choca.

Agarro o comunicador que Bucky me entregou e tento fazer contato.

— Vamos, responda.... — Murmuro esperando algum retorno dele. — Seja rápido, Bucky.

Começa a me assustar e pensar em todas as possibilidades de porque ele não está me respondendo.

— Bucky? — Pergunto outra vez sentindo minhas esperanças irem embora. — Vamos, não faça isso comigo.

Nada.

Movo meu dedo para o botão de desligar sentindo-me frustrada mas eu o afasto rapidamente quando ele me responde.

— Tive um imprevisto.

Sua voz me tranquiliza e eu me permito respirar aliviada.

O que diabos esse cara está fazendo comigo?

— Você está bem? — Ele pergunta me tirando do transe.

— Eu a encontrei. — Informo.

— Isso é ótimo, vocês precisam sair agora.

— Bucky, ela é uma garota. — Murmuro.

— Eu disse á você. — Ele responde.

— Não, Bucky, ela é uma criança. Quantos anos ela tem? Doze no máximo?

— É por isso que temos que tira-la daqui, ela não merece isso, eu sei o que é ter um monte de máquinas invadindo sua mente, roubando suas lembranças, essa garota não pode passar pelo que passei.

Agora entendo porque ela é tão importante para ele, entendo o que ele está dizendo, eu sei como a dor causada na infância pode afetar sua vida, eu sei o que é ter sua infância roubada.

Nenhuma criança merece passar por isso.

— Vamos salva-la, prometo. Vamos todos sair daqui.

— Você tem que sair daqui com ela em cinco minutos.

— O que? Do que está falando? — Questiono confusa.

— Se eu não te encontrar em cinco minutos você tem que sair daqui com ela. — Ele repete. — Você entende que essas pessoas me machucaram muito? Que elas me tiraram tudo que eu tinha? Isso tem que parar agora, Malia.

A forma como ele diz meu nome me pertuba e me leva ao paraíso ao mesmo tempo.

— O que você vai fazer?

— Cinco minutos.

— Buck...? — Repito. — Bucky, o que você vai fazer?

Não há resposta.

Ele se foi.

Notas finais
Eai? Vou deixar vcs pensarem sobre o que houve com o mozao supremo. Ate o proximo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.