Losing your mind
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Repasso na minha cabeça tudo que Kira me ensinou sobre computadores e sistemas privados enquanto busco por novas informações em uma velha lan house do Bronx. Achei que eu devia começar por onde ele foi visto pela ultima vez, o problema é que ninguém consegue encontrar esse cara se ele não quiser ser encontrado, ele é muito bom no que faz, preciso admitir.
— Nós precisamos fechar.
Quase salto da cadeira e minimizo rapidamente o que estou fazendo quando o atendente da lan house me informa.
— Certo, — Concordo. — Preciso de dois minutos para fechar o que estou fazendo.
— Tudo bem. — Ele concorda mas continua ao meu lado.
— Você pode... — Limpo a garganta tentando não ser rude. — Pode...
— Ah claro. — Concorda por fim me deixando sozinha outra vez.
Salvo todos os novos dados que tenho em uma dessas coisas que Kira chama de pendrive e fecho todas as abas, me despedindo do meu companheiro de tarde.
Eu mal consegui dormir a noite com a imagem dele na minha mente. Tive a oportunidade de vê-lo na noite do assassinato mas seu rosto não passava de um borrão e até pouco tempo eu acreditava ser a culpada pela morte dos meus pais. Não entra na minha cabeça que a Interpol, pessoas especializadas em salvar civis estavam dispostos a atirar em mim para pegar o Soldado invernal enquanto ele que devia ser o cara mal da história me salvou de tal tragédia.
Está um dia chuvoso mas eu não me importo de caminhar em meu tempo normal pelas ruas do Bronx, de todos os lugares que eu tive que ir para encontra-lo, Nova York é de longe o que mais me apeguei.
— Alguém deixou algo para você. — O bonito rapaz da recepção da pequena pensão onde estou informa assim que passo por ele.
— Você viu quem era? — Pergunto.
— Foi o garoto do correio que trouxe.
— Certo, obrigada. — Murmuro tirando a caixa marrom da sua mão e seguindo para o pequeno quarto nos fundos.
Quando abro a encomenda um sorriso se implanta no meu rosto por ser de Kira, eu sei que ela nunca me abandonaria realmente.
"Ele ainda está no Bronx, minhas fontes afirmam que foi baleado no combate contra a Interpol e não teve condições de partir.
Espero ter ajudado. -K".
Ele ainda está por perto, a Interpol obviamente imagina que ele não seria tão burro de ficar por aqui. O que me faz pensar que ele não parece o mesmo Soldado que atuava á anos atrás, o assassino frio que calculava todos os seus passos minuciosamente, na verdade este novo Soldado se parece muito mais com a Malia que eu era quando voltei a forma humana, perdida neste mundo desconhecido.
Esqueço da minha busca obsessiva quando meu estômago me lembra que eu ainda não comi nada hoje, há um café logo na esquina e ainda tenho algum dinheiro que consegui vendendo coisas velhas dos meus pais.
— Ei, — O garoto da recepção me chama quando estou quase na rua então me viro para olha-lo. — Você tem onde jantar hoje?
A pergunta me pega de suspresa por isso minha voz não sai, na verdade qualquer som se nega a sair da minha boca.
— É feriado de quatro de julho. — Explica.
Ah.
—Minha mãe é a dona da pensão, moramos no segundo andar, você pode jantar conosco se quiser.
Ele deve me achar ridiculamente estranha porque estou encarando-o fixamente mas na verdade estou apenas analisando a ideia.
— Eu não tenho o que vestir. — A resposta acaba soando mais ridícula do que eu esperava.
— Não é nada importante mas se você...
— Tudo bem. — Concordo finalmente porque eu realmente não posso gastar muito dinheiro e não tenho onde comer.
— O que? — Ele questiona desacreditado.
— Que horas eu devo estar lá?
O garoto ainda parece perplexo pela minha resposta de que vou á um jantar, ainda não conheço muito sobre as reações sexuais humanas mas Kira diria que ele está afim de mim.
— Às 20h00. — Informa.
— Certo. Como se chama? — Pergunto.
— Jax.
— Tudo bem, Jax, sou Malia. — Digo e me despeço com um acena quando saio da pensão.
O carro é a única coisa que ainda tenho, apenas porque preciso dele e como eu estou oficialmente convidada para um jantar com muita comida esqueço da minha ida ao café e resolvo dirigir pela cidade afim de encontrar alguma pista.
Dirijo lentamente, admirando cada canto da cidade, eu gostaria de ter crescido em um bairro como o Bronx mas apesar disso me infância não foi de todo ruim antes dos dez anos onde toda merda atingiu o ventilador.
Meu passeio se torna uma caçada quando vejo o que se parece com a minha caça saindo de uma farmácia, seus olhos se voltam na minha direção o que faz um arrepio correr pela minha espinha, se ele não montasse na moto e acelerasse na avenida neste momento eu diria que está tentando deixar ser pego por mim, ele tem facilitado bastante nesses últimos dias, me deixando mais perto de captura-lo do que nunca.
Piso no acelerador e aperto minhas mãos no volante enquanto sigo em uma caçada mortal pela avenida, quase atropelo alguns pedestres e sou ovacionada com buzinas e reclamações agressivas mas meu foco nunca sai dele que parece deslizar em uma Harley atrevida.
Estou á toda velocidade quando ele olha para trás e antes que eu possa reagir, recua de volta na minha direção, não diminuo, ele muito menos. Ele não está parando mesmo quando parece que vamos colidir e eu duvido que ele vá ser o mais ferido se isso acontecer. De repente o mundo gira devagar, o Soldado empurra a moto para o chão e salta sob o capô do meu carro, minhas mãos apertam o volante e um grunido de espanto escapa da minha boca quando a porta do meu carro é arrancada como se fosse nada, seus olhos me perfuram intensamente enquanto ele me agarra e me arrasta para fora do carro, nós rolamos no asfalto e eu posso jurar que ele está tentando me proteger com seu corpo, antes que possamos diminuir a velocidade em que estamos deslizando pela avenida, meu carro explode no mesmo instante que vejo uma mulher alta e esguia fugir empunhada por uma arma de guerra.
Ela estava tentando me matar.
Ele voltou para me salvar..
Eu fico paralisada no chão enquanto tento raciocinar sobre o que aconteceu mas desperto quando ele tenta fugir e eu agarro seu braço de metal, minhas garras e presas são ativadas na tentativa de segura-lo mas ele ainda é muito mais forte que eu e me empurra de volta no asfalto com tanta força que faz minha cabeça girar.
Droga.
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Entro no choveiro e me escovo violentamente fazendo a água escorrer preta pelo boeiro. Ainda estou ferida mas seria pior se o cara que chamo de inimigo não tentasse me proteger com seu corpo, meu corpo está dolorido mas está se regenerando, termino de me esfregar me troco rapidamente vestindo um macacão jeans ridículo que Kira me convenceu a comprar e uma blusa roxa de mangas compridas.
Bato na porta do apartamento que Jax me informou três vezes antes de receber alguma resposta.
— Que bom que aceitou o nosso convite. — A dona da pensão que reconheço como Maggie diz assim que abre a porta.
— Eu que agradeço. — Repito o que vi Kira dizer algumas vezes.
— Entre por favor.
Eu o faço e assim que o cheiro maravilhoso do bolo de carne me invade, meu estômago ronca alto o que faz Maggie rir.
— Me desculpe. — Murmuro.
— Sem problemas, isso é um bom sinal. — Diz me guiando até a cozinha.
— Ei, você veio. — Jax diz quando me ver.
— Você me convidou. — Me defendo.
De alguma forma isso os faz rir de mim mas não entendo.
— Você está bem? Parece machucada. — Ele comenta.
— Ah... Não foi nada, eu caí. — Minto.
— Sinto muito, vamos sente-se.
Eu me sento ao lado de Jax e preciso controlar minhas mãos para que elas não atravessem a mesa e agarrem cada bolinho quente que está á minha frente.
— Eu vou orar por nós então. — Maggie se oferece.
Imito-os quando eles fecham os olhos e inclinam a cabeça, realmente não sei o que vão fazer mas eu respeito isso porque parece importante.
— Querido, Deus, agradecemos pela comida farta que temos em mesa neste feriado, pela vida de cada um de nós que aqui se encontra e por finalmente Jax e eu não precisarmos passar mais um feriado sozinhos. Amém.
Tudo se torna silêncio, estou pensando no quão bonito isso foi porque parece importante para eles que eu esteja aqui quando na verdade sou a única que precisa agradecer por ter onde comer hoje.
Um alto limpar de garganta é o que me faz abrir os olhos e perceber que já podemos comer.
A comida é deliciosa e eu posso comer o quanto quero, eles ainda me deixam levar algum pouco dela para casa o que me faz agradece-los muito por isso. Jax e eu ficamos olhando a rua e conversando até muito tarde da noite, e eu sinto pela primeira vez na vida a necessidade de ser uma garota normal, sem a dor de um passado sombrio, sem um fardo para carregar, apenas uma garota conversando com um garoto bonito em uma noite de quatro de julho.
Acordo com violentas batidas na porta do quarto que durmo, ainda estou sonolenta mas me levanto de qualquer forma, minha mão agarra a maçaneta mas não tempo de gira-la, a porta é empurrada contra o meu corpo o que me lança imediatamente contra a parede como um boneco de pano.
— Olá, querida. — A mulher a minha frente diz, soando nada amigável, principalmente porque há uma arma de grande porte em suas mãos.
É ela..
A mulher que explodiu o meu carro na tentativa de me apagar.
— Você sabe quem eu sou? — Ela questiona mostrando-me a cor dos seus verdadeiros olhos: azul cobalto como os meus, olhos sobrenaturais.
— Não me importo com quem você seja, mas eu provavelmente vou mata-la. — Rebato, mostrando-a que ela não é a única com olhos bonitos por aqui.
Ela ri como se minha fala fosse um prêmio de orgulho á ela.
— Eles me chamam de loba do deserto e eu sou a sua mãe, a sua verdadeira mãe.
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