Losing my Humanity
41 Cap. 40 ─ Weakening
Notas iniciais
Já ha dias que não como nada. Meu corpo está magro, e meus olhos parecem afundar cada vez mais em meu crânio. Meu estômago nem se dá mais ao trabalho de roer, ele apenas parece se contrair cada vez mais para compensar o espaço vazio nele.
Minha garganta esta tão seca quanto uma estrada de terra no deserto apesar de toda agua que venho consumindo, e meus lábios estão cada vez mais rachados, precisando ser escondidos sob mais e mais camadas de batons hidratantes.
Meu corpo parece preso num freezer particular. Sinto muito frio, mas no fim das contas isso me ajuda a disfarçar a magreza com camadas e mais camadas de roupas. Se em algum momento da minha vida pareci um drogado em abstinência, com certeza é esse.
Venho ingerindo quantidades perigosas do chá, e isso faz meu aproveitamento no colégio ser praticamente nulo. Apareço apenas o suficiente para não chamarem meus pais, e minha mente parece um abismo negro, uma máquina de caçar doentia, não me permitindo concentrar em nada, ou esquecer a fome hora nenhuma.
Todos os meus amigos repararam o que está acontecendo, mas não se atrevem a dizer nada, obviamente não sabendo como me ajudar. Por que para minha sobrevivência, alguém tem de morrer. Ou no mínimo, se machucar feio, talvez aprendendo a viver sem um pedacinho ou outro. Mas eles continuam por perto, tentando cuidar de mim, tornando minha tentação maior mesmo sem perceber.
Cada vez que alguém passa por mim correndo, suado, nervoso, ou de qualquer jeito com o sangue pulsando acelerado nas veias, meu corpo treme, e os dentes rasgam minha gengiva.
Já pensei em suicídio duas vezes essa semana. Simplesmente acabar com tudo, e não precisar mais conviver com a dor e a loucura pareceu um pensamento tão doce! Mas eu apenas não posso.
Não posso partir deixando para as pessoas que amo de ultima imagem uma garota doente e fraca, alguém desesperado demais para erguer a cabeça e lutar. Não posso ir e deixar um rastro de sofrimento alheio só para acabar com o meu. Não posso nem meditar na ideia sem ter vontade de chorar.
É realmente nesse ponto que cheguei?
O clima ao lado de fora do vidro do carro parece tão nebuloso e sombrio quanto meus pensamentos. Minha cabeça pende contra a janela fechada, absorvendo todo o gelado da superfície fria, ajudando minimamente com a dor de cabeça incessante. Minhas articulações doem tanto que evito fazer movimentos desnecessários, portanto permaneço inerte no banco de trás do jipe de Stiles.
Scott está olhando pra mim, consigo sentir sua respiração quente em minha nuca descoberta. Ele fez questão de se sentar comigo ao invés de acompanhar Stiles no banco do carona. Tentei lhe avisar do quanto pior era pra mim, ter um corpo quente próximo ao meu, mas sua motivação era tão verdadeira e bem intencionada que apenas poupei palavras e permiti sua aproximação.
Vamos fazer uma sessão de cinema na casa de Stiles, só nós três, como nos velhos tempos. Sei que é apenas uma tentativa deles de me fazer sentir melhor, mas me sinto tão cansada nesses últimos dias, que mais pareço estar indo pra uma escalada de três meses no Himalaia.
Sinto a mão pesada e quente de Scott contra o tecido da minha camisa, na área do ombro, me massageando encorajadoramente, me esforço para virar o rosto e encarar seus olhos escuros que sorriem em minha direção.
─ Vai ser divertido. ─ ele tenta puxar assunto. Meneio levemente com a cabeça em resposta, e tento esboçar um sorriso.
─ Vamos deixar você escolher o filme─ Stiles nos observa rapidamente pelo retrovisor interno, quebrando seu silencio desde que começamos nosso trajeto.
Forço meu rosto ao máximo e acabo projetando um sorriso pra ele, que volta a encarar a rua. Scott me puxa pra perto e apenas permito meu corpo se inclinar em sua direção, me aconchegando em seu ombro, enquanto seus braços me sustentam.
A proximidade com sua jugular é perigosa, mas ele não parece nenhum pouco preocupado com isso. Meu corpo grita para que eu ataque, mas minha mente sabe muito bem faze-lo se calar, e acabo dormindo.
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