Losing my Humanity

39 Cap. 38 ─ Find out


Notas iniciais
Pessoas, senti falta de vcs nos comentarios (obrigada as divas que o fizzeram) do ultimo cap. O q aconteceu, vcs não gostaram? Não tava bom? Vcs não me amam mais ? T_T Ok, drama a parte, espero que gostem desse, qualquer coisa pode reclamar vlw?

Eu tentei deixar para lá. Tentei ser desencanada e ignorar o fato de Malia Tate na verdade ser Malia Hale e meus amigos sequer terem se dado ao trabalho de me manter atualizada. De novo.

E já faz alguns dias desde que descobri, aconteceu na minha primeira ida ao apartamento de Peter, mas minha mente só parece ter processado a informação ontem porque hoje estou pirando.

Quando cheguei ao colégio pela manhã dei logo de cara com ela e tivemos um momento constrangedor onde simplesmente eu não conseguia parar de encara-la, procurando qualquer semelhança entre Malia e o pai, mas o máximo encontrado foi a falta de paciência dos dois ao lidarem comigo. Sem falar da postura autoconfiante e intimidadora.

Na hora do almoço encontro os garotos. Sentamos os três numa mesa do lado de fora do refeitório, aproveitando a deliciosa oportunidade de absorver algum calor do sol brilhante de hoje. Eles comeram despreocupados, com conversas banais e um clima relaxado nos rondava. Mas pra variar eu precisei estragar a tranquilidade do momento.

─ Por que não me contaram a verdade sobre Malia? ─ meu tom foi discreto, mas audível.

Soube que Scott entendeu do que estava falando no momento em que pronunciei as palavras. Ele prendeu a respiração por segundos e enrijeceu todos os músculos que pude observar.

─Que verdade? ─ Stiles pergunta de boca cheia, ainda distraído.

─ Não sei, talvez aquela sobre o verdadeiro sobrenome dela... ─ tento não soar incomodada.

─ Ah, essa verdade. ─ ele se encolhe envergonhado.

─ Julie, como soube disso? ─ Scott tem um tom preocupado.

─ Não por vocês, obviamente. ─ minha respiração se acelera um pouco.

─ É sério, ─ele insiste ─ nada de bom aconteceria se ela soubesse.

─ E não acham que sou capaz de guardar um segredo? ─ pergunto incrédula.

─ Nós só achamos que estava passando por muita coisa, não precisava de mais essa responsabilidade. ─ Stiles praticamente sussurra ─ E quanto menos pessoas envolvidas nisso, melhor.

Penso em reforçar minha chateação os lembrando de que odeio quando mentem pra mim, mas que direito eu tinha de reclamar? Logo eu, Julie wendigo, a garota comedora de gente, a caçadora da noite. Finalmente consegui me fazer deixar pra lá.

─ Tudo bem, ─ suspiro ─ estou sendo excessiva. Mas não acham que uma hora Malia vai descobrir?

─ Rezamos para que não estejamos aqui quando acontecer. ─ Stiles se esparrama ainda mais em sua cadeira.

─ O que eu não posso descobrir? ─ Malia surge atrás de mim como um fantasma. O quanto ela ouviu?

─ Não estávamos falando de você. ─ me apresso em responder.

─ Estavam sim. ─ ele franze as sobrancelhas castanhas numa careta de desconfiança assustadora ─ Você disse: “não acham que uma hora Malia vai descobrir?”. O que não posso descobrir?

Ela analisa minuciosamente nossos rostos, sua cobrança sendo depositada principalmente em Stiles, que não ousa lhe dirigir o olhar, disfarçando muito bem seu desespero em um único olhar de súplica pra mim.

─ Está bem, ─ me dou por vencida ─ estávamos falando de você.

Os garotos me encaram, pânico correndo por suas expressões.

─ O que eu não posso descobrir? ─ ela tem os braços cruzados, sua paciência e cordialidade pareciam se esvair a cada vez que tinha de repetir a pergunta.

─ Estamos querendo fazer uma festa surpresa pra você, ─ solto com um tom frustrado muito bem encenado ─mas agora que você descobriu não existe mais surpresa.

─ Por que fariam uma festa?─ ela pergunta pouco convencida.

─ Queríamos descobrir a data do seu aniversario, e fazer uma festa. ─ explico ─ Toda adolescente merece ter uma boa festa em sua homenagem pelo menos uma vez. Imagino que sua ultima tenha sido a o quê, uns oito anos atrás?

─ Pensamos em fazer uma coisa bem grande, talvez na casa de Lydia, mas era pra ser surpresa ,e agora você acabou com toda a graça. ─ Stiles entra rápido no jogo.

─ Não gosto de festas. ─ ela finalmente se senta, largando a mochila no chão e nos ignorando completamente ao comer.

─ Ah, é só falta de costume. Afinal, em quantas já esteve desde que voltou? ─ perguntei, tentando soar insistente, como se realmente estivesse interessada na tal festa.

─ Eu não gosto de festas, ponto final. ─ ela nos fuzila com o olhar e volta a comer.

─ Sem festa surpresa então. ─ Scott suspira aliviado.

***

Ao final do almoço, depois de o sinal ter tocado e estarmos indo para a aula de química, Malia sussurra quietamente pra mim:

─ Pode ir comigo fazer compras? Tenho poucas, e meu pai me deu dinheiro para comprar mais algumas.

─ Ah, tudo bem, eu acho. ─ respondo após engasgar com a pergunta ─ Não quer pedir pra Lydia? Eu não seria a mais indicada, meu gosto pra moda é duvidoso.

─ Eu estou chamando você. ─ela parece quase magoada, o que não a impede de ser rude.

─ E eu irei com o maior prazer, só dei uma sugestão, desculpe. É só me dizer quando e vamos ao shopping da cidade vizinha.

Ela apenas assente e entra na sala, permanecendo em silencio até o final dela.

***

O dia havia sido mais quente que o comum, e eu simplesmente costumava adorar dias ensolarados.

Bem, minha opinião não havia necessariamente mudado, mas eu estava começando a ficar sufocada em meu quarto, mesmo com a janela aberta e usando roupas finas. Concentração nos deveres do colégio estava se tornando um desafio grande demais, por isso acabei resolvendo dar uma pausa.

Cheguei mais perto da janela, procurando por qualquer brisa que passasse, mas o tempo estava estático. Ainda era cedo para pular e dar uma volta, meus pais ainda estavam acordados, mas me sentei na sacada de qualquer forma, minhas pernas balançando pra fora. Pouco ar fresco é melhor do que nenhum ar fresco.

O oxigênio parecia começar a circular em meus pulmões mais adequadamente quando ouvi o som da porta do quarto se abrindo, seguido por um grito agudo de minha mãe.

Ela correu imediatamente em minha direção, me puxando para trás e nos derrubando. Ela tinha lágrimas nos olhos e me abraçava como se eu pudesse me jogar pela janela a qualquer momento.

─ O que pensa que estava fazendo?! ─ ela quase grita, e logo depois meu pai aparece no cômodo, o deixando novamente abafado.

─ Meeren! Julie! O que aconteceu? ─ ele tem espuma para barbear por todo o rosto, e sua expressão é quase insana.

─ Nada!─ me desvencilho dos braços assustados de minha mãe ─ Só estava tomando um pouco de ar fresco e...

─ Ela estava com o corpo pra fora da janela Thomas! ─ela me interrompe ─ O risco dessa menina cair era enorme!

─ Julie, no que estava pensando? ─ ele faz uma careta confusa.

─ Em nada, só estava com calor. ─ massageio minhas têmporas devagar. Droga, agora eles iriam me vigiar mais de perto.

─ Quantos anos você tem, três? ─ minha mãe se levanta e começa a apontar acusadoramente pra mim ─ Sabe muito bem que o que fez é perigoso!

─ Desculpe, eu não pensei. ─ tento encerrar a discussão.

─ Julie, você precisa pensar. ─ meu pai tem um tom mais calmo ─ É nosso bem mais precioso, precisa ter mais cuidado. Não queremos te perder de novo.

Algo em como ele pronuncia as palavras me lembra de minha visão de Carter. Também penso em como eles devem ter sofrido com meu sequestro tanto quanto eu, e em retribuição tudo que os dou são mais sustos e preocupações. Só percebo as lágrimas escorrendo por minhas bochechas quando minha mãe me envolve num abraço, seus batimentos ainda acelerados.

─ Desculpe ter te assustado. ─soluço.

─ Desculpe ter gritado, mas por favor, tome mais cuidado. ─ ela afunda os dedos em meu cabelo bagunçado.

Balanço a cabeça afirmativamente, e após algum tempo eles se vão, com a condição de deixar minha porta aberta. O calor já não me incomoda, mas as lágrimas ainda não cessaram, não me abandonando nem mesmo quando caio no sono em meio aos lençóis molhados de suor.

Notas finais
espero q tenham gostado , beijinhos :*