Losing my Humanity
30 Cap 29 ─ Singing out loud
Notas iniciais

Ah Beacon Hills! Quando se tornou um lugar de pessoas tão cabisbaixas e misteriosas? Nem todo o sol da Califórnia brilhando num dia de verão tiraria esse ranço de filme de terror nojento daqui.
Eu estava tentando correr um pouco e extravasar a energia que preenchia meu sangue e músculos, mas Scott e Stiles estavam se esforçando bastante pra que eu não tivesse um momento só de diversão que fosse.
─ Julie! ─ Stiles ofegava atrás de mim, tentando me agarrar pelos ombros.
Desacelero, e permito que ele me alcance. Scott cruza os braços, balançando a cabeça negativamente logo atrás.
─ Pare com isso! ─ Stiles começa a reclamar mais uma vez ─ Pare de agir como se fosse uma garotinha de cinco anos!
─ Stiles ─ Scott o chama, recuando alguns passos ─ Sabe que não é culpa dela. Precisamos cuidar dela até que o efeito passe.
─ Vocês precisam entender que baixar o tom de voz não adianta comigo!─ grito bem alto, jogando minha cabeça para o céu e rindo deliciosamente─ Eu escuto tuuuuuuudo! Eu sou a Mulher Maravilha! Ou melhor, a Julie Maravilha!
O cemitério se aproximava cada vez mais, e mesmo assim a ideia de entrar nesse lugar macabro não me assustava nem deprime. Os garotos tinham que saber quem Carter foi, ou pelo menos o que significou pra mim, e talvez, só talvez, pudesse entender minha conexão com ele. Será que eles sentiam ciúmes?
─ Ok, ok Julie, por favor, pare de girar ,sim? ─ Scott me segura, e por um momento não consigo focar em seu rosto, o que me provoca gargalhadas.
Ouço um carro vindo em nossa direção desacelerando, e posso dizer que está ocupado por pelo menos uma pessoa.
─ Stiles, ─ Xerife Stilinski chama ─ Não dormiu em casa ontem, e está indo pro cemitério agora? O que está acontecendo ?
─ É complicado. Muito complicado. ─ Stiles responde, se aproximando do pai.
─ A culpa é minha! ─ digo ao xerife, enquanto aceno e sorrio pra ele.
─ Oi Julie. ─ ele cumprimente em seu tom cansado habitual.
─ Ah, Xerife?! ─ me aproximo ─ Já pensou em sorrir mais? O senhor só precisa fazer assim, ó...
Toco em suas bochechas e as suspendo, formando uma expressão que mais parece uma careta que um sorriso. Ele puxa minhas mãos com delicadeza de seu rosto e as põe em volta de mim mesma, e sua expressão está mais suave.
─ É quase assim ─ encorajo ─ Continue treinando nas horas vagas!
─ Julie. ─ Parrish sai da viatura, com uma expressão de confusão no rosto. Meu coração dispara quando o vejo, e não hesito em correr para ele, o envolvendo num grande abraço.
Por algum motivo, ele desvia o rosto quando tento beija-lo, e sua face ruboriza levemente. “Oh, o chefe”, percebo logo em seguida.
─ Oi querido! ─ o solto quando percebo que não está retribuindo meu abraço ─ É estranho eu te chamar de querido? Não fico parecendo a sua avó ,fico?
Parrish se limita a me encarar carrancudo, e a me puxar levemente para mais longe dos meninos.
─ Pensei que estivesse tudo bem. ─ ele sussurra, perigosamente perto de mim.
─ E por que não estaria? Sinto-me verdadeiramente, completamente, loucamente, amavelmente bem ─ respondo.
─ Julie, ainda está com as roupas de ontem─ ele começa a enumerar o óbvio ─ Está cheia de olheiras, e está invadindo o espaço pessoal das pessoas.
─ Estou? ─ pergunto, chegando mais perto, ele se afasta em resposta ─ Bem, você usa seu uniforme todos os dias, e não me ouve reclamando por aí. Tudo bem que você fica muito sexy nele, mas, mesmo assim...
Scott se aproxima de nós, e toca meu ombro de forma protetora.
─ Talvez seja melhor irmos andando ─ ele pede.
─ É. ─ concordo ─ Talvez seja melhor.
─ Vocês devem ter alguma coisa a ver com isso, não tem? ─ Parrish se dirige aos meninos, enquanto toma minha frente, e permito o movimento que me dá uma bela visão de suas costas.
─ Por favor, guarda Parrish ─ Scott, suspira, procurando paciência ─ Nos deixe resolver nossas pendencias. Você não sabe com o que estamos lidando, ou pelos problemas que Julie está passando. Então por favor, deixe a gente ir.
Parrish se vira devagar, seus lábios comprimidos numa linha reta, uma sobrancelha levantada, mandíbula tensionada. Ele cruza os braços devagar, e sinto que devo tomar partido.
─ Acho que Scott tem razão ─ respondo, sentindo a sensação quente me deixar por um momento ─ Temos alguns problemas para resolver. Podemos conversar depois?
─ Não sei ─ Parrish balança a cabeça devagar, parecendo decepcionado ─ talvez “depois” eu esteja ocupado.
Ele dá as costas e entra novamente no carro, seguido logo pelo xerife, que franze as sobrancelhas pra mim antes de dar a partida.
Meus olhos começam a inundar-se e minhas pernas fraquejam. Sei que é pela desnutrição, e talvez pelo coquetel perigoso de ervas que ingeri, mas sinto uma enorme necessidade de sentar, e é o que faço, bem ali no meio do calçamento.
Minhas pernas ficam imundas, e abraço os joelhos, sentindo as lágrimas quentes preencherem meu rosto e molharem a gola do meu vestido. Começo a soluçar baixinho, e parece que a tristeza tomou conta de mim tão forte e tão rapidamente quanto a alegria de agora pouco.
Por que tudo tinha que acabar em tristeza, culpa e drama comigo?! E agora a única coisa eu parecia normal e promissora na minha vida pode estar comprometida também.
Scott me encara com uma expressão culpada, e estende os braços para me ajudar a levantar. Apenas estendo os braços pra ele em resposta, mas não faço menção em me mexer. Scott me pega no colo como se eu fosse uma criancinha. Já que não como há muito tempo, e já sou magra por natureza, devo ser leve como uma pluma.
─ Talvez te trazer pro Dr. Deaton não tenha sido a melhor ideia ─ ele diz enquanto caminhamos de volta para o jipe de Stiles, que me fita com um olhar estranho. Apenas concordo com a cabeça e o deixo me conduzir.
Chegando ao carro, Stiles começa a dirigir para a casa de Lydia, enquanto Scott está no banco do carona, e eu ponho a música Love Hurts do Nazareth pra tocar mais uma vez.
“O amor fere, o amor deixa cicatrizes, o amor machuca e marca
Qualquer coração que não é resistente ou forte o suficiente
Para receber muita dor, receber muita dor
O amor é como uma nuvem, contém muita chuva
O amor fere... O amor fere”
Acompanho a música, cantando o mais alto que minhas pregas vocais permitem.
"Sou jovem, eu sei, mas mesmo assim.
Eu sei uma coisa ou duas, eu aprendi com você.
Eu realmente aprendi muito, realmente aprendi muito.
O amor é como uma chama, ele te queima quando é ardente.
O amor fere... O amor fere"
─ Julie ─ Stiles chama ─ Quer conversar sobre o que aconteceu?
Faço um sinal pedindo pra ele esperar enquanto canto a próxima estrofe.
“Alguns tolos pensam em alegria, felicidade, união
Alguns tolos enganam a si mesmos, eu suponho
Eles não estão enganando a mim
Eu sei que não é verdade, eu sei que não é verdade
O amor é apenas uma mentira, criada para te deixar triste
O amor fere... O amor fere”
─ O que quer saber? ─ pergunto a Stiles, que tem o olhar atento na rua.
─ Você e Parrish... O que está acontecendo entre vocês? ─ ele se vira rapidamente ─ Vocês pareceram... Próximos.
─ Eu bem que gostaria de saber ─ respondo, e sinto que devo explicar melhor ─ Acho que gosto dele. Mas todo esse sentimento só me machuca. É como a letra da música.
─ Acho que entendemos depois da quinta vez que você repetiu ela ─ele ironiza ─ O que eu quero dizer é: ele é mais velho.
─ Muito bem observado. ─ respondo ─ Um grande poder de percepção. Está estragando o clima. Me deixe ficar na fossa só até a música acabar, sim?
“Eu sei que não é verdade, eu sei que não é verdade
O amor é apenas uma mentira, criada para te deixar triste.
O amor fere... O amor fere
O amor fere”
Quando a faixa termina, encaro meu celular, e peço:
─ Posso repetir, só mais uma vez?
─ Não ─ os meninos respondem em uníssono.
─ Românticos ─ reviro os olhos e guardo o telefone.
─ Vocês ficaram? ─ Stiles pergunta depois de alguns segundos de silencio.
─ Não Stiles, damos as mãos e brincamos de boneca. Ele tem um vestido cor-de–rosa que é uma graça...
─ Só quis dizer que é estranho. ─ argumenta.
─ Ora, e quem é você pra falar de amores impossíveis?! ─ questiono. Paro por um segundo e percebo que entre nós três, Stiles tem o melhor histórico de relacionamentos, ainda que poucos ─ Bem, talvez você tenha moral, mas com certeza o Scott não tem!
─ E quando isso s tornou algo sobre mim? ─ Scott se defende ─ Estou completamente quieto!
─ Você não me engana não , meu amigo! ─ começo ─ Acha que não sei que gosta...
─ Chegamos! ─ Scott exclama, e antes mesmo de estacionarmos o carro completamente, ele salta pra fora.
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