Losing my Humanity
27 Cap. 26 ─ The true
Notas iniciais
Após vários minutos entre lágrimas e soluços, finalmente eu estava conseguindo parar de chorar. Tinha encharcado quase completamente o ombro da camisa de Scott, mas ele continuava ali, me segurando num abraço protetor, sussurrando que ele estava ali, e que eu estava segura. Quando finalmente o solto, ele começa a se afastar devagar, como se eu fosse uma placa de vidro bem fino.
─ Melhor? ─ Scott pergunta, enquanto tomo uma respiração profunda e aceno devagar com a cabeça. Não me arrisco a tentar falar, minha garganta está seca e áspera como uma lixa, e sinto que posso voltar a derramar lágrimas descontroladamente outra vez.
Scott permanece em silencio, sua expressão indecifrável pra mim. Talvez estivesse pensando em algo pra dizer, provavelmente queria perguntar sobre o que eu havia falado antes, ou talvez apenas estivesse me dando algum tempo.
Só então percebo que meu celular vibra na minha bolsa já por vários minutos. Concentrada um pouco demais em abrir o zíper com cuidado, o puxo do compartimento escondido e vejo sete chamadas não atendidas e várias outras mensagens de Parrish. Não visualizo as mensagens, e coloco o telefone no silencioso, de modo que as ligações não me tentem a falar com ele.
Meus olhos ardem muito, meu nariz está em chamas e minhas têmporas parecem estar recebendo marteladas cada vez mais fortes. Recuo alguns passos involuntariamente tentando me manter de pé, sentindo minhas pernas tremerem e vacilarem. Scott parece perceber minha súbita fraqueza e se aproxima, estendendo os braços pra me pegar.
Meus olhos se dirigem inevitavelmente pra sua jugular. Posso ouvi-la pulsando, e aquilo parece ser o som mais delicioso e tentador que já ouvi. Tenho que forçar minha mente no pensamento de que esse em minha frente é meu melhor amigo.
─ Julie, tudo bem─ Scott diz inocente, tentando se aproximar.
Tropeço rapidamente pra trás e termino prendendo os pés no tapete da sala e caio ofegante , sentindo suor molhar meu rosto. Bato as costas no chão e a dor se espalha por minhas costelas. Por dois segundos não consigo respirar e a sensação é desesperadora. Scott continua tentando se aproximar, mas o afasto, chutando o ar e usando os braços pra chegar o mais pra trás possível. Ele continua tentando falar comigo, mais é como se houvessem enormes bolas densas de algodão enfiadas em meus ouvidos, de forma que sua voz é distante e inteligível pra mim.
Não quero atacar Scott. Nunca tive tanta certeza de algo como agora. Quero gritar para ele se afastar e me deixar sozinha por bastante tempo. É claro que ele é um alfa poderoso, e que provavelmente seria muito difícil fazer algum estrago, mas o quanto ele conseguiria me segurar antes de eu arrancar o primeiro pedaço?
Enquanto me debato no chão em busca de oxigênio pros pulmões e tento parar de tremer em vão, sinto mãos agarrarem meus braços fortemente contra meu corpo. Pelo cheiro sei que é Scott e não me atrevo a olha-lo, apertando as pálpebras contra toda minha vontade.
Suas mãos se ajeitam embaixo de mim, e sou levantada. Scott me joga por sobre os ombros e começa a caminhar na direção das escadas. Quando subimos o primeiro degrau me vem à memoria que a ultima vez que alguém me carregou assim foi no meu cativeiro, onde aquele monstro tentou me devorar. Involuntariamente minha boca se abre, e quase projeto um grito, mas nenhuma voz sai, e me obrigo a continuar pensando “Esse é Scott, seu melhor amigo, ele vai cuidar de você”, “Esse é o Scott que você conhece desde os sete anos, vai ficar tudo bem” “ Esse é o Scott McCall, esse é o Scott”.
Chegando numa porta, que julgo ser a de seu quarto, Scott entra, se abaixando um pouco pra não me machucar. A esse ponto minha respiração começa a se estabilizar, e meus pensamentos parecem clarear um pouco. Ele me deita em sua cama, e revira suas gavetas, pegando uma toalhinha e correndo para o banheiro e a molhando.
Scott se agacha a meu lado e limpa o suor e a sujeira do meu rosto e braços. Ele descalça meus pés, e puxa as cobertas sobre mim. Apertando minha mão com confiança, ele afirma:
─ Você não vai se machucar enquanto eu estiver por perto, ouviu bem? ─ Encaro seus olhos cor de ébano e tento sorrir, mas meu rosto de contorce numa careta de dor e Scott pressiona a toalha gelada e úmida contra minha cabeça novamente. ─ Há quanto tempo você está assim Julie?
Faço um movimento rápido com a cabeça, e aponto para minha garganta, tentando o avisar que perdi a voz. Scott balança a cabeça em concordância e, se levantando diz:
─ Vou buscar um pouco de agua, talvez ajude. ─ Nego rapidamente com a cabeça e agarro sua mão, o fazendo sentar de novo. ─ Tudo bem, não vou a lugar nenhum se não quiser. Posso pelo menos ligar pra Stiles?
Meu coração bate forte à menção do nome. Quantas vezes cheguei perto de contar toda a verdade a Stiles? Será que é realmente boa ideia tê-lo tão perto de mim, quando estou tendo minha maior crise de fome?
Balanço a cabeça relutante, e Scott vai até o corredor fazer a ligação. Queria poder avisa-lo eu posso escutar perfeitamente bem tudo o que disser no corredor, mas apenas o deixo ir. Stiles atende após cinco toques, e quando recebe a notícia de que estou entrando em colapso, ele fica com a voz agitada e promete chegar logo.
Scott volta ao quarto e se senta a meu lado na cama. Não ouso olha-lo nem por um estante, mas sinto seus olhos protetores sobre mim. Sinto sua respiração perto, e o calor que seu corpo emana me faz sentir melhor.
─ Ei, sabe o que acabei de perceber? ─ me obrigo a encara-lo ─ Não lembro qual foi a última vez que tinha te visto de vestido. Você está bonita.
Rio, mas o som parece um cão velho latindo, o que deixa Scott preocupado.
─ Quer ir pro hospital? ─ ele pergunta. O respondo balançando a cabeça negativamente, e aperto levemente seu ombro, tentando dizer que está tudo bem.
Scott toma minha mão na sua e fecha os olhos, se concentrando. Observo suas veias, que dilatam, e imediatamente uma sensação dormente me preenche. Ele faz uma careta, e puxo minha mão, percebendo o que está tentando fazer. Seus olhos me encaram bem abertos, e sua respiração é rápida.
─ Como você está aguentando? ─ sua expressão é de incredulidade.
Sorrio, e me inclino em sua direção, depositando um beijo em sua bochecha. Despenteio seu cabelo e me afundo nos travesseiros. Scott não parece convencido, mas antes que diga qualquer coisa, a campainha toca.
─ Já volto─ Scott afirma.
Ouço seus passos na madeira dos degraus, escuto a porta se abrindo e quase posso ver Stiles chegando ofegante até Scott.
─ Ei cara ─ Scott cumprimenta.
─ O que está acontecendo? ─ Stiles tem um tom urgente.
─ Não sei ao certo. Ela chegou aqui e me disse algumas coisas perturbadoras sobre querer comer pessoas. Depois começou a chorar e pareceu ter um ataque epilético, e agora não diz uma palavra. Eu estou muito perdido!
─ Já pensou em leva-la para o hospital?
─ Ela não quer ir.
─ Scott, ela está doente, não importa o que ela quer!
─ Stiles, tem outra coisa ─ ele sussurra, e tenho que me concentrar bastante para entender as próximas palavras ─Tentei tirar a dor dela, mas não foi como nada que eu já tenha feito .
─ O que quer dizer? ─ Stiles também sussurra
─ Não sei bem, mais havia escuridão e muito frio, e morte.
Não ouço o fim da conversa. Agora era oficial, eu tinha de explicar o que vinha acontecendo comigo nas últimas semanas.
Scott abre a porta e entra, acompanhado por Stiles. Sorrio ao vê-lo e estendo meus braços. Stiles vem a meu encontro e me abraça.
─ Oi Julie ─ ele diz, enquanto se afasta ─ Você pode falar com a gente?
Meu rosto se contorce, e Stiles segura minha mão.
─ Calma, está tudo bem ─ ele diz ─ Não precisa falar se não quiser.
Luto contra as lágrimas que vem, e balanço a cabeça devagar, sentindo a garganta arranhar violentamente.
─ Scott, posso falar com você em particular um segundo? ─ Stiles chama. Scott o acompanha para o lado de fora do quarto, e mais uma vez ouço toda a conversa.
─ O que acha que está acontecendo? ─ Scott pergunta
─ Não tenho certeza. Poderia ser mutismo seletivo, mas isso é uma doença infantil, não tenho certeza se alguém da idade da Julie pode desenvolver o problema.
─ E o que fazemos?
─ Temos de leva-la para o hospital.
Eles provavelmente assentem com as cabeças, porque nenhuma outra palavra é dita. Eles voltam pro cômodo onde estou, e Stiles se agacha a meu lado.
─ Julie...
─ Nós três somos filhos únicos ─ o interrompo, as palavras fluindo de mim como uma torneira que tem água após uma longa seca. Stiles e Scott se entreolham, surpresos.
─ Sim, somos sim ─ Stiles responde.
─ E sabem o que muitas pessoas dizem sobre filhos únicos não e?! ─ continuo ─ Que são crianças solitárias, e que se tornam adultos egocêntricos e sozinhos. E sempre me perguntaram “Você não sente falta de um irmãozinho ou irmãzinha pra cuidar?”, e a resposta na verdade é “Não!”. Eu nunca senti falta de ter irmãos, ou primos, porque sempre tive vocês ao meu lado, em todos os momentos, e nunca me deixaram sentir sozinha.
Olho pros garotos, que estão com expressões engraçadas de confusão e preocupação no rosto.
─ Sabe o que mais me magoou quando vocês não me contaram sobre o que você se tornou? ─ me dirijo a Scott ─ Achei que não precisavam mais de mim, que não sentiam minha falta. Mas agora sei como você devia se sentir, tentando me proteger dos seus perigos.
─ Julie, me...
─ Não ─ o corto ─ Não precisa se desculpar, nem dizer nada. A verdade é que eu venho me sentindo muito assustada, e não fui corajosa o suficiente pra ser sincera com vocês. Eu peço desculpas por ter precisado chegar a esse ponto.
─ Estamos do seu lado Julie ─ Scott fala, sentando ao meu lado na cama e me abraçando ─ Você é nossa irmã também.
─ Sim, claro ─ Stiles reforça ─ Sempre estaremos lá quando precisar.
─ Não tenham tanta certeza, ainda não ouviram o que tenho a dizer.
Então lhes conto tudo.
***
Nós sentimos, ouvimos, sua dor, seu medo
Mas nós estamos aqui, para dizer, quem é você, está tudo bem
E você não tem que passar por isso sozinho
Você não está sozinho
Você tem mais amigos do que você sabe
Alguns que o cercam
Alguns que estão destinados a se encontrar
Você vai ter mais amor em sua vida
Não deixe ir, Dê tempo ao tempo
Vá devagar
Aqueles que amam mais podem precisar de mais tempo para crescer
Vai ficar tudo bem
Você tem mais amigos do que você sabe
Seja corajoso, seja forte
Você é amado, você pertence
Algum dia em breve , você vai ver
Você é exatamente
Quem você deveria ser
E você não tem que passar por isso sozinho
Você não está sozinho
Você tem mais amigos do que você sabe
Alguns que estão destinados a se encontrar
Você vai ter mais amor em sua vida
Não deixe ir, dê tempo
Vá devagar
Aqueles que te amam mais, podem precisar de mais tempo para crescer
Vai ficar tudo bem
Você tem mais amigos do que você sabe
Seja quem você é
Aprenda a perdoar
Não é sobre quem você ama, mas como você vive
Você tem mais amigos do que você sabe
Alguns que o cercam
Alguns que estão destinados a se encontrar
Você vai ter mais amor em sua vida
Não deixe ir, dê tempo
Vá devagar
Aqueles que te amo mais, (pode precisar de mais tempo para crescer)
Vai ficar tudo bem
Você tem mais amigos do que você sabe
Vai ficar tudo bem

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