Lorienos Na Escola!
9 Esses Meninos...
Notas iniciais
POV NOVE
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Já estávamos todos acordados, de pijama, tomando café da manhã. Bom, todos menos Seis, que ainda não acordou. Ficamos conversando por um tempo até Crayton pedir para irmos nos trocar, ou chegaríamos atrasados para a escola.
– Alguém pode acordar a Seis? – Henri pede para nós, antes de irmos aos nossos respectivos quartos.
– Eu vou. – Digo, junto com o Sam. Nos encaramos e, por impulso, lanço um olhar desafiador.
– Pode deixar que eu vou, Sam. – Digo. Acho que ele percebeu meu olhar, porque apenas concordou com a cabeça e murmurou um “ok”.
Tá, agora me senti culpado...
Mas enfim, fui até o quarto de Seis e a encontrei dormindo tranquilamente. Ela parecia... estar em paz. Acho que nunca hesitei tanto em acordar alguém na minha vida. Normalmente eu já sairia tacando um balde de água fria.
Me aproximo dela e chamo seu nome.
– Seis?
Nada. Chamo mais algumas vezes, mas ela parece não estar ouvindo nada. Então dou uma pequena cutucada em seu braço, fazendo-a suspirar profundamente. Mas ela não acorda. Então a chacoalho, mas ela apenas faz um gemido de insatisfação e se vira para o outro lado. Cara, que menina difícil. Então começo a chamar o nome dela um pouco mais alto, mas ela apenas diz:
– Me deixa em paz.
Então faço uma pequena tentativa de desesperá-la.
– Os mogs estão aqui! – Grito.
– Foda-se. – Ela diz. Caramba...
– Se você não se levantar agora, vou jogar água gelada em você. – Digo.
– Se você fizer isso, considere-se um homem morto. – Ela diz. Mesmo com uma voz sonolenta, ela ainda parece muito intimidante. Ignoro esse pensamento.
– Seis, é sério, você vai fazer nós nos atrasarmos. – Digo.
– Não quero ir hoje. Me deixa aqui. – Ela diz.
Então dou um sorriso malicioso e digo:
– Se você não se levantar agora vou te dar um beijo.
– Se você fizer isso vou enfiar um soco na sua goela e ele vai sair pelo seu orifício anal. – Ela diz. Ok, agora fiquei com medo. Mulheres realmente são mal-humoradas de manhã.
Então me canso de conversar e puxo sua coberta, ficando atento para qualquer tipo de ataque que ela pudesse tentar. Quando se trata de Seis, não duvido de sua capacidade. Mas ela apenas dá um longo suspiro e abre os olhos. Então me encara mortalmente. Mas não pude deixar de notar seu pijama. Seus shorts estavam enrugados até um pouco acima da metade de sua coxa e a barra de sua camiseta estava até um pouco acima de seu umbigo, mostrando seu abdômen perfeitamente definido. Faço um esforço enorme para não ficar encarando demais.
Então Seis se levanta e para na minha frente.
– Sai do meu quarto. – Ela diz.
Apenas sorrio. Acho assustador e empolgante ao mesmo tempo quando uma menina fica brava comigo. Ainda mais Seis.
Quando estou saindo, acendo a luz do quarto e digo:
– Belo pijama, aliás.
E saio, deixando um furacão raivoso para trás.
Então vou para o meu quarto e me troco em 1 minuto. Quando desço vejo o resto do pessoal esperando. Seis ainda não desceu, mas deve chegar logo.
– Conseguiu acordar a “fera adormecida”? – John pergunta, fazendo aspas com as mãos.
– Olha, foi difícil, mas nada que o Nove aqui não conseguisse. – Digo, dando uma piscadela.
Então Seis desce. Mas ela não está mais mal-humorada. Na verdade, parece bem feliz.
– Bom dia! – Ela diz. Todos respondem em uníssono. Mas quando passa por mim diz: – Menos para você, Nove. Espero que um dia você apodreça nas profundezas de Mogadore.
Todos me encaram.
– O que foi? Ela acordou, não acordou? – Digo.
Seis então pega uma maçã e descemos pelo elevador à caminho da escola.
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POV SEIS
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Depois de acordar como uma princesa, fomos para a escola. Nada aconteceu de interessante nas primeiras aulas. Só quase fui para cima de um moleque idiota que assobiou quando me levante até a frente da sala para jogar um papel no lixo. Mas me segurei e lancei apenas um olhar mortífero.
O intervalo foi um pouco mais interessante. Se lembram do russo lindo que eu beijei? Pois é, trombei com ele no corredor e ele começou a conversar comigo. Foi meio desconfortável para mim, mas não liguei. E o sotaque dele é engraçado...
Bom, estava tudo ótimo, até ele me pedir para conversar com ele em um lugar mais silencioso. Olhei para ele, procurando uma desculpa para não aceitar aquele convite tentador.
– Agora? – Digo. – Meus amigos estão me esperando...
– É rápido. – Ele diz me interrompendo.
Procuro rapidamente alguém que eu conheça que está passando pelo corredor, mas não vejo ninguém para me ajudar. Então penso em outra desculpa.
– Hum, posso ir no banheiro antes? – Pergunto. Ele olha para mim, meio desconfiado.
– Claro. – Ele diz, incerto.
Então caminhamos até o banheiro. Quando chegamos digo:
– Volto em um minuto.
Entro e procuro meu celular imediatamente para ligar para Marina. Mas ela não atende. Então ligo para Ella, mas dá na caixa postal. Mas qual é o problema dessas meninas?
Então ligo para John, que atende.
– Seis, onde você está? – Ele pergunta.
– Estou no banheiro, preciso da sua ajuda! – Digo.
– O que aconteceu? Você está bem?
– Sim, sim, só estou fugindo do russo. Acho que ele me quer! – Digo.
Então ouço John rindo do outro lado da linha.
– Ué, fala que você não está afim dele! – John diz. Eu devia ter ligado para o Sam...
– Não consigo, ele é mais lindo do que você pensa... – Digo. – Ah, John, passa o celular para o Sam!
– Ele não tá aqui agora, só o Nove e a Sarah estão.
Bom, Sarah não vai muito com a minha cara. Nem eu com a dela, na verdade...
– Passa para o Nove. – Digo. Acho que ele poderia ser útil agora.
– Fala, docinho! – Nove diz. Fecho a cara com o meu novo apelido.
– Nove, quer me fazer um favor? – Pergunto.
– Bom, aí depende. Você foi tão má comigo hoje de manhã, não sei se você está merecendo minha atenção. – Ele diz. Eu ainda mato ele. Acho que eu deveria ter escolhido a Sarah. – Talvez eu te ajude se você me tratar bem. – Respiro fundo.
– Ok. Te tratarei bem até o final do dia, pode ser? – Pergunto, impaciente.
– O final do dia só? Pelo menos o final da semana, vai. – Ele diz. Aposto que o idiota está sorrindo agora.
– Mas aí é muito tempo, não sei se eu conseguiria me segurar. – Digo.
– Ok, então boa sorte com o russo. Até mais!
– Não! Nove, espera! – Grito. Suspiro, já sabendo que vou me arrepender de ter feito essa decisão. – Tá. Até o final da semana. Mas os treinos não estão incluídos!
– Feito. Pode sair estou indo aí. – Ele diz, sem mais nem menos.
Devo confiar nele? Bom, não tenho muitas escolhas...
Saio do banheiro e encontro o russo me esperando. Assim que ele me vê, me olha de baixo para cima e me dá um sorriso de tirar o fôlego. Me recomponho rapidamente e procuro por Nove. Mas não o vejo em lugar algum. Droga, sabia que não devia ter confiado nele.
– Podemos ir? – O russo pergunta. Mas antes que eu pudesse responder, alguém me chama.
– Maren! Aí está você! – Levo um tempo para me lembrar de que agora sou Maren. Então me viro e encontro um Nove sorridente. – Todos estavam procurando você.
O russo encara Nove com um olhar mortal, mas Nove finge que não viu. Na verdade, ele parece estar se divertindo com essa situação toda. Então os dois se encaram e Nove estende a mão para o russo, desafiadoramente. O russo a aperta.
– Bem-vindo à América, cara. – Nove diz. Ok, agora tive que me segurar para não rir.
– Obrigado. – Diz o gato, quer dizer, o russo, não muito contente.
Então Nove pega minha mão e me puxa. Quando estamos longe o suficiente digo:
– Nove, odeio ter que dizer isso, mas muito obrigada. – Digo, pensando na merda que poderia ter acontecido se ele não tivesse vindo me ajudar.
– De nada, docinho. – Ele diz sorrindo, ciente do quanto aquele apelido me irritou. Revirei os olhos.
Quando estávamos chegando até a mesa dos nossos amigos, eles olham para nós de um jeito estranho. Então percebo que Nove ainda está segurando minha mão. A solto rapidamente e tento disfarçar minhas bochechas, que começaram a esquentar.
Bom, foi basicamente isso o que aconteceu hoje na escola. Agora em casa o negócio fica mais complicado...
Vou conversar com Sam. De novo. Mas dessa vez não vou ficar de “mimimi”. Nove só atrapalhou tudo e embaralhou ainda mais minha cabeça. Se eu não tivesse falado para ele que eu seria legal, eu já teria batido nele.
Não posso simplesmente pedir para Sam esperar eu desembaralhar minha cabeça, é muita falta de sacanagem. Então, depois de almoçarmos todos juntos e falar sobre nosso dia, chamo Sam para conversar e vamos até o terraço de novo.
– O que foi? – Sam me pergunta. Resolvo falar de uma vez. Vai ser como puxar um curativo do braço, rápido e indolor. Bom, mais ou menos indolor...
– Olha Sam, vou ser curta e grossa. Acho que você tem que desencanar de mim. – Digo.
Ele me olha surpreso e confuso e demora a escolher as palavras certas.
– Hum, o que? – Ele diz. Belas palavras.
Respiro fundo.
– Olha, você é um cara incrível, Sam. Mas eu sinceramente acho que você merece coisa melhor do que eu.
– E por que você acha isso? – Ele pergunta, confuso.
– Porque eu provavelmente vou acabar te machucando, como sempre faço. – Digo, meio surpresa com minhas palavras. Mas é a verdade. Tenho esse péssimo hábito de machucar as pessoas para elas se afastarem. Mas não por ser uma pessoa ruim, e sim por ser mais fácil de se desapegar se algo ruim acontecer ao outro.
Sam parece tão surpreso com as minhas palavras quanto eu. Tento me manter rígida, mas um buraco acaba de se abrir em minha barriga, como se alguém tivesse acabado de arrancar meu estômago.
– O que? – Ele pergunta, ainda mais confuso. – Mas... Por que você acabaria me machucando?
Penso melhor em minhas palavras dessa vez.
– Bom, você já deve ter percebido que eu não costumo me abrir muito. – Digo, apenas falando o óbvio. – Por causa disso, não costumo permitir que as pessoas se aproximem muito de mim. Então acabo fazendo alguma besteira para afastá-las. – Faço uma pequena pausa e respiro fundo, me esforçando para me manter rígida. – Eu só tenho medo de acabar fazendo algo muito ruim com você se acabarmos próximos demais. – Sam assente tristemente com a cabeça. – Mas eu gosto da sua companhia, e gostaria de continuar sendo sua parceira, se você quiser. – Digo, olhando sinceramente em seus olhos.
Sam retribui meu olhar e dá um pequeno sorriso.
– Claro que eu quero. – Ele diz. Então dá um passo até mim e me abraça apertado. Mas não posso conter o sentimento de culpa que me invade por ter quebrado o coração dele. Tento colocar na minha cabeça que é para o bem dele. Para o bem de nós dois.
Me afasto e dou um beijo na bochecha e um pequeno sorriso, então vou para meu quarto. Embora o sentimento de culpa continue, sinto que tirei um peso enorme de minhas costas.
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POV JOHN
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Um tempo depois de Seis chamar Sam para conversar, vejo-a descendo do terraço com uma expressão dura e indo direto ao seu quarto. Sam demora a descer, então caminho até o terraço, para ver se ele está bem.
Encontro-o deitado no chão, olhando para o céu com as sobrancelhas franzidas. A conversa não deve ter sido muito boa. Vou até Sam e me deito ao seu lado.
– Quer conversar? – Pergunto.
Ele hesita um pouco antes de falar.
– Eu realmente gosto dela, sabe? – Ele diz. Consigo sentir sua dor quando ele diz isso. – Eu consigo nos imaginar de mãos dadas passeando, como Oito e Marina fazem escondidos. Consigo nos ver felizes depois de vencermos a guerra contra os mogadorianos. Consigo ver apresentando-a para minha família num jantar. – Vejo uma lágrima escorrer por uma de suas bochechas. Eu sabia que Sam gostava de Seis, mas não tanto assim.
– Se você realmente gosta dela, não a deixe ir. – Digo, não encontrando outro conselho. Sam funga.
– Aí é que está. Eu acabei de deixa-la. – Ele diz. Fico mal por ele. Ele então se levanta e sai do terraço, me deixando sozinho.
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POV NOVE
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John foi ver se Sam está bem, então resolvo ir ver se Seis está bem. Procuro-a em seu quarto, mas está vazio. Então penso que ela provavelmente estaria na Sala De Aula, e é para lá que vou. Vejo ela com o cabelo preso em um rabo de cavalo, dando socos ágeis e fortes no saco de areia. Ela parece meio frustrada. Percebo algumas manchas vermelhas no saco e vejo que ela não está usando luvas e suas mãos estão sangrando como nunca. Ela ainda não percebeu minha presença. Então ela para de socar e abaixa a cabeça, apoiando-se no saco de areia.
– Precisa de ajuda com as mãos? – Pergunto, fazendo-a se assustar e se virar rapidamente para mim. Então ela olha para suas mãos e percebe que estão sangrando.
– Ah, bosta... – Ela diz.
Pego um pano que estava próximo de mim e vou até ela. Com minha telecinesia puxo dois banquinhos para nos sentarmos. Ela se senta e tenta pegar o pano de minhas mãos, mas o afasto.
– Deixa que eu faço. – Digo. Então ela estende a mão, sem reclamar.
Ficamos em silêncio por um tempo enquanto eu limpava suas mãos. Então ela me pergunta:
– Eu sou uma pessoa ruim?
Olho para ela, que está encarando o chão. Percebo que está lutando contra as lágrimas. É uma cena de partir o coração. Nunca pensei que veria Seis em um momento tão vulnerável.
– Claro que não. – Respondo.
– Então por que eu sinto como se uma escuridão tivesse invadido todo o meu corpo? – Ela pergunta.
– Exatamente por ser uma pessoa boa. – Digo. – Você se sente mal por ter feito uma pessoa que você gosta sofrer.
Ficamos um tempo em silêncio novamente, enquanto eu limpava sua outra mão.
– Sabe, às vezes temos que parar de pensar no que é melhor para os outros e pensar no que é melhor para nós mesmos. – Digo. Filosofei demais agora. Fiquei orgulhoso de mim mesmo.
Seis parece pensar seriamente no que eu disse. Então ela finalmente olha para mim. Não tinha percebido que estávamos tão próximos um do outro. Nossos olhos estavam vidrados um no outro. Então, sem pensar, começo a me aproximar. Sinto sua respiração e ouço seus batimentos cardíacos batendo ainda mais forte. Mas não sei se são os dela ou os meus. Talvez os de nós dois. Então finalmente selo nossos lábios.
Sua boca tem um gosto viciante. Meu cérebro parece estar se derretendo e meu estômago parece estar fazendo ginástica olímpica. É uma sensação estranha, mas viciante. Peço passagem com a língua e ela cede, com uma certa relutância. Estamos em uma sincronia impressionante. Então, infelizmente, o ar acaba e nos separamos, meio ofegantes. Então a envolvo em um abraço e ela retribui. Esboço um sorriso e ouço um pequeno riso saindo de sua boca, próxima ao meu ouvido. Isso faz com que meu sorriso se abra ainda mais.
É, acho que o nosso joguinho de sedução vai realmente começar a bombar agora.
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