Lorhill.

1 Afrodite, A Sacerdotisa.


Notas iniciais
Este é o conto do passado da personagem Afrodite.

Quando um elfo nasce, há festa. O Nascimento é sagrado, é o início de uma vida e o início de novos desejos. É um ser cheio de vontades com capacidade para mudar cada aspecto do mundo. Bem, talvez seja exagero não? Um povo que vive muito e voltado para a sabedoria. Não procriam como coelhos e vermes quanto outras raças... Esses, são os elfos. E em sua cidade, comemora-se o nascimento quando se atinge os vinte anos de idade: O início da maturidade e discernimento é o momento em que se nasce.

Era primavera e as flores desabrochavam naquele dia quando amanhecia com um sol radiante que iluminava tudo e confortava aqueles que precisavam se aquecer. Junto esse nascer do sol espetacular, uma nova vida também florescia. Uma elfinha pequenininha e meiga que fora nomeada de Afrodite Von Tierre por seus pais.

Poucos meses depois que a pequena elfa havia nascido, um mistério sobre ela surgiu quando seus curtos cabelinhos começaram a crescer e ficar evidente uma coisa. Eles mudavam de cor. Ela era natural ter o cabelo negro bem escuro, mas em dados momentos ficava bem claro ao ponto de ficarem brancos, ou mudar para uma cor mais viva e alegre, ficando loiros e mais brilhantes. Uns sacerdotes diziam que era apenas uma raridade, mas outros afirmavam que era algum tipo de sinal. Que tipo de sinal eles nunca conseguiram argumentar, mas acreditavam que o futuro da garota teria um grande impacto no mundo um dia.

Os anos se passaram e esse temor fora embora, pois nenhuma anomalia apareceu por causa daquela mudança de coloração. Afrodite cresceu em um ambiente bem amistoso. Nascida de família nobre e com muitas regalias, ela era a queridinha da família. Costumava passar horas com sua irmã mais velha, Alexia Von Tierre que adorava cantar e tocar músicas para a pequenina, que ficava encantada com o talento da irmã que ela tanto admirava e que levava a garotinha a começar a dançar sozinha como se fosse uma princesinha. Eram momentos que Afrodite nunca esqueceria. Foram bons anos que ela viveu com essa imensa felicidade de todos os dias poder dançar as músicas de sua irmã.

Mas todo começo tem um fim, e esse dia chegou. Sua irmã um dia partirá sem dizer adeus para a jovenzinha, talvez porque iria voltar e essa era a esperança da inocente Afrodite. Mas os anos foram se passando e aos poucos e a garota foi desacreditando que Alexia um dia voltaria.

Passou a ficar sozinha a elfa, mesmo com muitos admirando a garota, ela se tornou triste pela carência que sentia de sua irmã. Mais e mais anos se passaram, e nesse tempo Afrodite já havia crescido bastante e era agora uma elfa feita. Passou a ser conhecida por alguns por sua generosidade e beleza como nunca ninguém havia visto antes. Os rumores que os filhos mais novos de um casal serão sempre mais belos que os filhos mais velhos, parecia ser verdade.

Mas a vida as vezes deixa surpresas para aqueles que merecem muito e até com aqueles que não merece, que mudam a vida de um ser por completo. Em um determinado dia que a garota caminhava pela floresta, acabou encontrando uma elfa caída. Ela estava trajava uma armadura de batalha com um imenso escudo. Preocupada, ela levou com extrema dificuldade a desconhecida para sua casa e usando algumas receitas antigas da família, Afrodite conseguiu produzir uma bebida feita com erva forte que fazia qualquer um ficar consciente.

O remédio havia dado certo e a mulher ao abrir os olhos, se assustou, e da mesma forma reagiu Afrodite ao ver a mulher acordar, ficando sentada demonstrando um certo medo nós olhos. A desconhecida logo notou que não estava aonde pensava que estaria. Em uma batalha. As duas então começaram a conversar e tudo havia sido esclarecido para a mulher. Mas logo Afrodite perguntava quem era ela e porque estava inconsciente. A resposta fora rápida, seu nome era Atena, ela era uma Sacerdotisa Del La Front, ou seja, uma das poucas sacerdotisas que participavam de guerras e batalhas em seu ápice, confrontando muitos inimigos, derrotando vários deles e salvando aliados ao mesmo tempo. Era uma talentosa mulher e eximia sacerdotisa. Afrodite se espantou com tal revelação.

Entretanto esse encontro inesperado resultou em bons frutos. A sacerdotisa havia se ferido gravemente, mesmo que não aparentasse. Por interseção de Afrodite, sua família aceitou a presença da mulher na casa, que passou a viver lá por algum tempo e acabou por fazer Afrodite se interessar pela vida de uma sacerdotisa. A princípio Atena não queria ensinar nada a Afrodite, não acreditava que ela servia para aquele tipo de vida, mas aos poucos fora notando a bondade que Afrodite possuía. Era uma elfa de extremo amor por tudo e por todos. Odiava a injustiça e a dor, era alegre e sua simples presença trazia conforto a quem estava por perto. Até mesmo malfeitos admitiam seus pecados diante da elfa.

Aquilo mexeu com Atena que passou a ensinar sobre os deveres de uma sacerdotisa, ou como Atena preferia dizer, O Caminho da Vida.

Afrodite apesar da grande determinação que tinha em aprender tudo, falhará muitas e muitas vezes. Parecia que a pobre elfa não tinha talento algum. Mas ela jamais desistiu e conquistou o título de sacerdotisa, deixando Atena orgulhosa e seus pais mais ainda por saber que a elfa que parecia não ter futuro, havia encontrado seu caminho, pois Afrodite nunca se interessou por nada que tentaram ensinar para ela. Ela não ligava para política, sua nobreza ou ser uma arqueira excepcional. A única coisa que ela fazia mesmo bem era dançar e ajudar as pessoas. Ter se tornado uma sacerdotisa foi a salvação para seus pais que ligavam tanto para as aparências nobres e coisas afins, que contrariava completamente o pensamento de Afrodite e sua irmã sumida.

Um dia chegou o grande dia de Atena partir. Foi um dia de muitas lágrimas compartilhadas entre Afrodite e sua mestra, essa que se despedia com tristeza no coração de sua pupila. Mas aquele era o caminho que Atena havia escolhido para si e precisava voltar para sua antiga vida. O conforto de uma vida de paz havia chegado a seu fim. Ela gostaria de ficar mais e desenvolver as capacidades magicas de Afrodite que ainda estavam despertando, mas o dever lhe chamará e ela tinha que atender a isso. E assim essa foi a última vez que ambas sacerdotisas se viram.

Os tempos foram passando e Afrodite se tornou médica da cidade. Passava maior parte de seu tempo no hospital tratando daqueles que precisavam. Quase não havia tempo para si mesma. Foi então que um anão mal encarado chegava com duas flechas cravadas em seu corpo. Os elfos olharam para o mesmo com profundo desprezo e desejavam sua morte ali mesmo. Porém Afrodite foi a única que acudiu o anão. Quando ela o ajudou e tratou de suas feridas, o mesmo perguntou por seu nome, que logo fora respondido. Ele dizia que havia uma carta para ela, enviada por Atena através dele. Comentava também antes da elfa perguntar, que ele sabia que Afrodite era a pessoa certa a receber a carta, pois Atena explicou que a elfa que lhe ajudasse, era aquela que devia receber tal mensagem, pois era uma elfa que não via cara nem coração. Afrodite então pegava a carta que o anão lhe entregava e em seguida lia a mesma...

“ Querida Afrodite. É com pesar que lhe informo que meus dias como sacerdotisa chegaram ao fim. As consequências Del La Front finalmente me alcançaram e minha vida está se despedindo desse corpo e ir para junto dos deuses. Esses que um dia você deve alcançar, pois acredito nisso. Você é a única que em toda vida admiti ser pura de coração. Os deuses as vezes são egoísta e mesmo aqueles chamados de Justos, não agem como tal. Acredito que sua bondade um dia chegará até eles. Talvez nunca lhe passou na cabeça, mas você pode se tornar uma Deusa. Não estou pedindo para fazer isso minha cara, mas mostre ao mundo a bondade que a em seu coração. O verdadeiro dever de uma sacerdotisa é transformar vidas e salva-las. Para lhe ajudar em sua jornada pelo caminho do sacerdócio, lhe deixo meu Grimório que obtém todos meus conhecimentos e todos os ensinamentos que não pude lhe passar. Aprenda todos e se torna a maior sacerdotisa que esses reinos já viram. Nunca deixe de ser quem é. Seja a melhor possível e quando chegar o dia, iremos nós encontrar novamente. Adeus minha melhor e única pupila.

Com carinho, Atena. “

Afrodite nesse momento já estava com seu rosto todo encharcado de lágrimas. O anão apesar da aparência, era um sujeito de nobre coração. Ele contava como ela havia morrido em batalha, enfrentando todo um exército sozinha para que seus companheiros conseguisse sobreviver, criando uma esfera de pura energia que impedia qualquer um de sair ou entrar. Essa magia engolia todos dentro e levava para um nada, incluindo o usuário, que para poder usar essa magia em seu ápice, teria que usar de toda sua energia mágica e vital. Era uma faca de dois gumes. O anão encerrava dizendo que essa carta havia sido escrita antes daquela batalha, pois Atena havia tido a premonição da própria morte e confiou essa mensagem a ele para levar até Afrodite. Em seguida o anão revelava um bolso secreto e de lá pegava algo e entregava o Grimório para a elfa.

Afrodite agora começava a entender o significado dos verdadeiros sacerdotes. Eles não eram apenas curandeiros e regentes da paz. Eles eram muito mais que isso, eles eram o elo entre a vida e a morte, aqueles que tornavam o sucesso possível. Sem eles a vitória era inexistente. Aquilo amadureceu seu coração. Após ficar calma, a garota mesmo marcada com esse trauma da perda de sua mestra. Respeitava a decisão de Atena. Resolveu então voltar para casa e parar por aquele dia. O anão foi dispensado após a conversa.

Naquela noite ainda Afrodite ficou zanzando pela cidade pensando em Atena, mas o que ela não esperava era ver um sujeito estranho conversando com seu pai na penumbra da madrugada. Sua excelente audição possibilitou a escutar o conteúdo da conversa e o assunto fazia a elfa arregalar os olhos. Era Alexia. Havia sido encontrada com a sua amada, porém essa não era nada comparado ao que vinha a seguir. Seu pai ordenava a morte da elfa que Afrodite havia visto muitas vezes com Alexia. Porque estavam fazendo aquilo? Ela jamais descobriria. Mas o pior era que a pobre sacerdotisa não poderia fazer nada, era apenas uma elfa que nunca havia saído dessas terras e encontrar alguém que a décadas não havia voltado para casa, seria um tanto impossível.

Dias se passaram e então o inesperado aconteceu. Após um dia exaustivo no hospital, Afrodite voltava para sua casa. Era claro o dia ainda e ela passava pelo corredor da imensa casa que viviam. Ao passar pelo quarto de Alexia, ela ficava estática por um segundo e um gelo tomava seu coração. A porta estava aberta e havia alguém deitado na cama. Isso era incomum, pois a porta sempre era permanecida fechada desde que sua irmã havia abandonado a família.

Afrodite então se virava e adentrava com passos lentos no recinto e via sua irmã deitada. Seus olhos azuis brilhavam com as lágrimas que começavam a escorrer. E com a voz mais manhosa e carente do mundo ela gritava o nome da irmã ao mesmo tempo que pulava em cima de Alexia a abraçando e a molhando com suas lágrimas. Sua irmã a princípio recebeu com certa grosseria a elfa chorona, pois não havia percebido quem era, mas logo notou pela coloração do cabelo que ia mudando de preto para loiro radiante que era sua irmã. A menininha que da última vez que a viu tinha uns dez anos, agora tinha seus setenta e sete anos e um corpo de uma verdadeira elfa. As duas passaram todo o restante da tarde juntas trocando histórias e experiências diferentes. Riam juntas mesmo ambas estando triste por devidos acontecimentos.

Cada uma se surpreendia com a vida que cada uma teve. Foi de fato um final de tarde muito agradável para as duas, que depois de conversarem bastante, foram se arrumar para jantarem. Entretanto, estar na mesa com a família completa foi um tanto estranho e silencioso. Parecia que a comida mesmo saborosa e suculenta, estava fria e sem gosto. O clima estava péssimo, mas apesar de tudo, todos comeram bem e voltaram para seus afazeres, com exceção de seu pai, que poralguma razão havia ido dormi mais cedo naquela noite.

As garotas então tiveram mais alguns momentos juntas e enfim foram dormi. Porém aquela madrugada mudaria a vida das duas. Na madrugada que seguia, Alexia ainda ressentida pelo que seu pai fez, pois havia descoberto de alguma forma quem fora o autor pelo serviço do assassinato, tratou de levar seu pai para algum lugar. Mas a elfa não era um exemplo de força e acabou fazendo certo estardalhaço na casa e acordando Afrodite.

Afrodite viu sua irmã arrastar por muito tempo seu pai para um lugar, uma caverna. De lá gritos eram ouvido pela elfa que se escondia nas árvores do lugar. Foi então que após os gritos pararem, a sacerdotisa um pouco assustada saiu de seu esconderijo e se dirigiu até a entrada da caverna. Alexia ao sair via Afrodite parada olhando para a mesma que não falava nada. Foi um momento estranho para ambas. Afrodite entendia que Alexia queria vingança, e que seu pai havia cometido um pecado gravíssimo, mas ele ainda era pai delas e mesmo ele sendo arrogante, ela amava seu pai.

As duas ficaram caladas e permaneceram daquela forma por segundos, minutos, horas. E assim amanheceu. Retornaram então para casa e descansaram. Quando acordaram, Alexia avisou Afrodite que iria partir novamente e que dessa vez não voltava. Mas para a surpresa de Alexia, Afrodite decidirá naquele momento que iria acompanhar sua irmã dessa vez, e que não tinha argumento que fizesse ela ficar. Afrodite se sentia responsável por sua irmã agora, não queria que ela sofresse mais como antes. Queria protege-la e também poder conhecer ela de verdade, pois ficaram juntas por poucos anos quando ela ainda era uma mera criancinha que não entendia nada.

Alexia acabou concordando e as duas seguiram viagem juntas. Cada uma com seus propósitos e deveres. Afrodite seguiria as últimas palavras de Atena para ela. Seria sua inspiração para o futuro. E estando ao lado de sua irmã, acreditava que nada poderia deter elas. Iriam aprender coisas novas e compartilhar os mesmos desafios, prazeres e perigos. Uma vida nova surgia para ambas, e parecia que uma nova dupla de Ying Yang se formava.

Notas finais
Lorhill se trata de um mundo fantasioso na qual estou desenvolvendo para seguir com o rumo dessa história. E em um momento mesclar outros personagens criamos por mim, neste mesmo mundo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.