Lorena no País das Maravilhasone Shot

1 Estranho País das Maravilhas


–Onde estou? – perguntou Lorena, com medo. Ela olhava ao redor, mas nada fazia sentido. Tudo que conseguia ver era a escuridão, sem brilho, sem nada.


Tateou até uma porta, que se abriu com facilidade. Um mundo novo apareceu, cheio de vida e cores. Neste novo mundo caminhou até encontrar um pequeno coelho branco. O coelho trajava terno e calça social, seus olhos eram estranhamente azuis. Quando ele a percebeu, exclamou:


–Alice?

–Você... Fala? – perguntou Lorena, confusa.

–Claro, sou um coelho, afinal. – disse com naturalidade o bicho, agindo como gente.

–Onde estou?

–Ora, no País das Maravilhas.

-...

-Alice... não me diga que esqueceu! – sua expressão fechou-se.

–Desculpe, mas deve estar me confundindo com outra pessoa, meu nome é Lorena, não Alice. – explicou a menina.

–Não precisa se esconder, todos já sabem sobre você. – disse o coelho. Ele agora olhava as horas e, muito afobado, começou a dizer: — Ai meu Deus! Alice, estamos atrasados para o chá!

–Para o chá? – a garota estava mais confusa ainda.

–Corra para a casa da Lebre de Março, ela a ajudará! – disse o coelho, correndo em direção ao campo.


Lorena era uma garota loira de olhos azuis, muito magricela, nunca gostou muito de esportes. Tentou seguir o coelho branco, mas acabou se perdendo no meio do caminho. Andou floresta adentro até encontrar um grande casarão. Perdida, decidiu pedir por ajuda, batendo na grande porta de madeira.


–Entre. – disse uma voz feminina.

–Com licença. – disse a loira, entrando no casarão.


Lorena entrou em uma grande sala. Nela, grandes sofás de couro roubavam sua atenção. A decoração Vitoriana, com grandes quadros e móveis antigos, faziam oposição à grande televisão de LCD sobre a estante.

A casa estava estranhamente quieta. Lorena se perguntava de quem era a voz que havia conversado com ela.


–Quem está ai? – perguntou ela.

–Você devia ser mais respeitosa, está falando com uma Duquesa. – respondeu a voz.

–Uma Duquesa?

–Exatamente. Uma Super Duquesa Modelo 5.000. – disse a voz, com orgulho.

–Essa voz... – disse Lorena, procurando de onde ela vinha. Ao dar um passo para trás, acabou esbarrando em um dos móveis.

–Cuidado jovem, olhe por onde anda! – reclamou a voz.

Quando Lorena se virou, identificou que a voz vinha de dentro de uma caixa eletrônica.

–Você é uma caixa eletrônica? – perguntou ela, afobada – Como você está conversando comigo?

–Eu sou uma caixa eletrônica, então é natural conversar com quem entra em minha casa. –disse o objeto.

–Essa imensa mansão é sua? Não me faça rir. – caçoou Lorena.

–Fique quieta garota mal educada. Eu sou a grande secretária eletrônica da duquesa de Rainswort. Agora saia de minha casa. – exclamou o pequeno objeto.

–Desculpe senhora secretária. Você é muito linda, sabia? – elogiou a menina, visando receber a informação que queria.

–Ah, eu sei. Você também não é nada mal. – disse, rindo, a secretária eletrônica.

–Já que você é tão linda e esperta, deve saber como chego a casa da Lebre de Março, não?

–Ah, claro. É só você sair pelas portas dos fundos e seguir as placas. – respondeu o objeto.

–Obrigado. Onde que está agora a Duquesa, senhora secretária? – perguntou Lorena, curiosa.

–Foi ao incrível baile de verão da Rainha de Copas. – respondeu a secretária.

–Obrigado pela ajuda. – disse a menina, saindo satisfeita pelos fundos da casa.

–Posso fazer uma pergunta, jovem apressada?

–Claro. – gaguejou a garota, surpresa.

–Qual seu nome? – perguntou a secretária.

–Lorena. – respondeu a garota.

–Você tem novas mensagens, Lorena. – disse a caixa eletrônica. – "Se é fugir o que quer, procure a toca do Coelho Branco. Um mapa conseguirá com Cheshire, mas primeiro enfrentará a ira da Rainha de copas. Seu mundo a espera entre o reino do preto e branco, onde uma carruagem a levará a seu destino". Fim da mensagem.

-O-obrigado — respondeu a jovem, confusa.


Rapidamente Lorena saiu da estranha casa, indo agora em direção à casa da Lebre de Março. Uma estranha estrada abria-se nos fundos da casa, revelando um caminho para seu destino. A jovem caminhou até chegar a um pequeno barraco de palha. Em sua frente, uma grande mesa decorada a esperava. A mesa estavam Chapeleiro Maluco e a Lebre de Março, além de uma estranha ratasana de vestido rosa.


–Alice, você chegou! – exclamou o Chapeleiro. – Com cinco minutos de atraso, sua danadinha. -brincou o rapaz.

–Está atrasada para o chá! – disse a Lebre, jogando em Lorena uma xícara.

–Desculpem, vocês devem estar me confundindo. Eu sou Lorena, não Alice. Só quero saber um jeito de voltar à minha casa. Conhecem o caminho para a toca do coelho branco?

–Sim, conhecemos, Lorena que não é Alice. – disse o chapeleiro.


Um estranho silêncio pairou no ar. O rapaz mantinha um estranho sorriso no rosto. Lorena decidiu continuar:


–Pode me dizer onde é?

–Passe aqui por essa porta. – disse o Chapeleiro, abrindo uma estranha porta vermelha que se encontrava às suas costas.

–Obrigada. – disse a garota, atravessando-a.


Lorena é então empurrada para dentro por alguma coisa. Encontrava-se agora em meio a uma festa. No salão, vários cartazes “Reunião da Escola de Copas de 1980”. Confusa, andour em meio a multidão. Encontrou uma estranha idosa de cabelo vermelho, dançando uma estranha dança no meio da pista.


–Por favor, pode me ajudar a chegar a casa da Lebre de Março? – perguntou Lorena.

–Alice, quanto tempo querida! Vamos, junte-se a mim em minha dança.

–Claro, senhora. Só uma coisa, meu nome é Lorena, não Alice. – explicou a garota.

–O que? Desculpe, esqueci meu aparelho de surdez em casa. Pode falar mais alto? – perguntou a Rainha.

–Meu nome é Lorena, não Alice, senhora. – falou Lorena, aumentando o tom de voz.

–Desculpe, pode repetir? – insistiu a idosa.

–Meu nome é Lorena, sua velha surda! – berrou a garota.

–Meu deus! Você está falando que eu danço muito mal? Cortem-na cabeça! – berrou a senhora, mostrando não ser uma idosa qualquer, e sim a temida rainha de copas.

–Eu... Eu não disse isso. – tentou se explicar.


Neste instante vários guardas cercaram a garota, todos vestidos de vermelho. Um agarrou Lorena pela mão, e correu em direção à saída.


–Peguem os traidores! – berrou a rainha.


Do lado de fora do salão, os dois entraram em um velho fusca azul. O guarda acelerou. Lorena, atordoada, perguntou:


–Quem é você?

–Menina burra. Sou eu, Cheshire. – diz a roupa se dissolvendo, tomando a forma de um gato.

–Por favor, pode me levar de volta a minha casa? Tire-me deste mundo louco! – implorou a garota.

–Você sabe dizer a diferença entre um corvo e uma escrivaninha? – perguntou o chapeleiro, sentado no banco de trás.

–Não.. Não faço a mínima idéia.

–Adeus Alice. – disse o gato, enquanto tudo ao redor consumia-se em chamas.


–Onde estou? – Gritou Lorena.

Percebeu estar em casa, sentada em sua cama, em seu bom e velho quarto.

–Um bilhete! – disse a menina, abrindo um pedaço de papel amassado em sua escrivaninha.

–”O corvo se parece com a escrivaninha, Porque pode produzir algumas notas, embora sejam muito chatas. Você não pertence mais à aquele mundo, jovem Alice, mas é bom sonhar de vez em quando não é? O verdadeiro país das maravilhas é onde temos amigos, onde nos divertimos, onde a vida realmente vale ser vivida. Bem vinda ao verdadeiro país das maravilhas, Alice”!

A garota amassou o papel e o jogou pela janela. Lorena sorria forçado, e forçando mais ainda, levantou-se da cadeira e se jogou pela janela.

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Notas finais
Avisem sobre erros de português, por favor. Espero reviews rs.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!