Loren, The Strange
3 Parte 2 – Aparições inesperadas
Loren, the Strange
Parte 2 – Aparições inesperadas
Como de costume, Loren estava sentada na última carteira da sala de aula, com seus olhos azuis penetrantes fixados nas páginas amareladas de um livro. Tão alheia ao mundo que quase não percebeu uma moça ao seu lado, com um belo vestido branco de renda. Ela sorriu para Loren, e toda a sala pareceu cintilar com sua presença.
- Querida, meu nome é Emmanuele – disse a moça, com toda a suavidade – vim te trazer uma noticia.
- Boa ou ruim? – perguntou a garota, preocupada.
Emmanuele sorriu e pôs uma mão sob o ombro da menina.
- Muito boa, Loren, muito boa – e sob a expressão mais relaxada da garota, Emmanuele perseguiu – Sabe, nós estamos cientes do que você andou passando por todos esses anos: de quando seu pai os abandonou, as depressões constantes de sua mãe, as maldades de seus irmãos e de todas essas pessoas – disse olhando para os alunos que encaram Loren como se ela fosse louca, com certeza por ela estar falando sozinha de novo.
- Você é um anjo? – perguntou inocentemente. A moça deu uma risada suave.
- Não, sou um espírito em desenvolvimento – e mesmo tendo noção de que a garota não havia compreendido nada, ela prosseguiu – estou aqui para te avisar que uma pessoa vai precisar de você...
- De mim? – indagou espantada.
- E você vai precisar dela.
- E onde ela está? Quem é? – perguntou eufórica.
- Você vai saber, tenha paciência – a moça sorriu novamente – por ora, vou me despedir. Nos veremos de novo, Loren. E nunca se esqueça: seus anjos estão com você.
Emmanuele moveu as mãos delicadamente no ar, e uma bruma prateada envolveu Loren. A garota olhou para cima de si, sentindo uma brisa leve em seu rosto, e como a muito não fazia, Loren sorriu.
As asas brancas batiam suavemente, tão belas como ela nunca havia conseguido imaginar. Eles eram as coisas mais belas que Loren já vira! Tão belos que ela jamais conseguiria descrever. Eles sorriam para ela.
- Mesmo que você não possa os ver, não significa que não existam e não estejam contigo – a voz de Emmanuele ia sumindo, assim como a bruma prateada. Loren olhou ao seu redor, e só havia pessoas a encarando – afinal, ela ainda estava sorrindo para o nada.
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Aquele havia sido o momento mais feliz da minha vida, junto com o dia em que achei Bad. Eu me sinto imensamente feliz, e uma sensação boa se alastra em meu interior. Nada pode estragar o meu dia, nada! Nem essas garotas estupidamente nojentas, nem esses marmanjos ridiculamente estúpidos e nem esse professor detestável – todos estão me encarando de um jeito tal, que parece que eu subi na carteira e gritei que sou hermafrodita. Pro cacete todos eles!
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A garota que tinha um sorriso estranho nos lábios deu de ombros e voltou sua atenção para o livro amarelado, enquanto uma de suas mãos brincava de girar o cumprido piercing da orelha direita. Assim, imersa em seu próprio mundo, ela mal se deu conta quando a atenção da sala passou dela, para outro garoto, parado em frente a porta.
- Atenção, todos vocês! – rangeu o professor, fazendo todos os sussurros se calarem – Temos um novo aluno que irá...
“Jim lembrou-se da advertência em ‘Como Evocar Demônios’ – o perigo envolvido. Você poderia talvez evocá-los, talvez fazer com que trabalhassem para você. Podia até mesmo se livrar deles.
Mas, às vezes eles voltam.
Ele continuou a descer a escada, perguntando-se se o pesadelo tinha realmente terminado”.
Loren apoiou a mão sob a página final de “Às vezes eles voltam”, e preparou-se para começar a ler o conto “Primavera Vermelha”, quando algo lhe chamou a atenção.
Ela fechou o livro de capa grotesca – Sombras da Noite, de Stephen King – e mirou o garoto sério que manteve-se o tempo todo inerte ao lado do professor, como se soubesse que nenhum aluno iria sorrir ou dar-lhe boas vindas à escola nova.
A garota deixou que seus vívidos olhos azuis – contornados por uma pesada maquiagem negra – deslizassem sob o rapaz; a calça preta e rasgada, a camiseta de alguma banda desconhecida e o rosto afinado. Mas o que realmente chamou-lhe atenção foram os cabelos esquisitos do rapaz: não eram vermelhos, eram escarlates com as pontas pretas no topo da cabeça.
Ela sentiu vontade de rir, já imaginando os diversos apelidos que os outros alunos iam colocar no garoto, afinal, quem saía do ‘padrão’ sempre acabava se ferrando, não é mesmo? Mas Loren não se importou, pelo menos com mais um esquisito, eles podiam variar um pouco.
E no mesmo segundo em que havia formado esse pensamento, ele rapidamente se modificou, quando o garoto novo virou de costas para o professor e caminhou até uma carteira vaga, discretamente fazendo caretas bizarras aos trouxas que tentavam intimidá-lo no caminho.
- Que cabelo ridículo é esse, hein cara? – perguntou um garoto, fora da vista do professor – foi tua mãe quem pintou pra você?
- Na verdade foi a sua – ele respondeu sem olhar para o garoto, e quando retornou a andar, finalizou – quando fomos ao motel ontem a noite.
O marmanjo ferveu de raiva e contentou-se apenas com uns palavrões baixos, vendo que o riso generalizado da turma havia chamado a atenção do professor.
O garoto deu um olhar rápido a menina de longos cabelos negros, que lia despreocupadamente o seu livro de contos de terror. Ele jogou sua mochila na mesa e se sentou, encarando a garota, que não correspondeu o olhar – na verdade, nem o percebeu.
- Que exagero de piercings – comentou, segurando na bolinha de espinhos laranja, na ponta de um longo cano de metal. Eram três furos em cada orelha: no primeiro havia um espinho de duas pontas que parecida cortar a carne, no segundo um piercing simples de duas bolinhas verdes e no terceiro o mais comprido, com a bolinha emborrachada de espinhos.
Loren se afastou rapidamente do alcance do garoto; toda vez que encostavam nela, era para fazer alguma maldade, e naquele momento, ela imaginou que o rapaz iria rasgar sua orelha – como seu irmão sempre tentava fazer, quando ela baixava a guarda.
- Calma, garota – disse puxando a sua cadeira para mais perto – Não vou te morder, não.
Ele riu quando a garota arqueou uma sobrancelha, num gesto sarcástico.
- Quem é você? – perguntou ao fechar o livro, se apoiando nele.
- Ora, você não me viu entrar? – e pela expressão intacta da garota, ele continuou – Você é desligada, hein? Sou Ross, e acabei de entrar por aquela porta.
A garota o olhou sem interesse, e quando ia abrir o livro de novo, ele perguntou.
- E você? Qual seu nome?
- Loren – ela disse, sem entusiasmo.
- Então, Loren — o rapaz num sussurro, passando despercebido pelo professor que começara a lecionar a matéria – Você podia me mostrar a escola...
- Não – ela disse sem rodeios.
- Não?
- A não ser é claro, que você queira ser tachado de anormal pelo resto da vida – disse, esperando uma atitude obvia do rapaz, que não veio.
- Tudo bem, eu não me importo – disse, soltando seu corpo na cadeira – Contanto que você não me arraste até a biblioteca.
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Quando bateu o sinal para o longo e exaustivo intervalo, eu, como de costume esperei toda aquela manada de abutres atropelarem-se uns aos outros, para então, arrastar meu pútrido esqueleto até o pátio. Só que nessa eu quase havia me esquecido de que estava sendo seguida.
- Então, vamos aonde? – perguntou com entusiasmo.
- Eu pretendia procurar o banco mais isolado e esperar o tempo passar – eu dei de ombros.
- Então vamos logo – ele disse quando passamos pela porta da sala.
- Por que toda essa pressa? O intervalo é longo.
Ele fingiu não escutar, e assim como eu, fingiu não ver aqueles acéfalos que apontavam para nós, como se fossemos um casal de hermafroditas.
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- Então – disse Ross, enquanto se sentava num banco devidamente isolado, como Loren queria – me fale de você.
- Quer que eu diga o que? – perguntou enquanto puxava um Halls preto de dentro do jeans e pegava um, oferecendo ao garoto logo em seguida.
- Hm, sei lá – respondeu indeciso, pondo um Halls na boca – o que você curte, onde mora...
- Vai perguntando que eu respondo – simplificou.
- Certo – disse, curvando o corpo ao apoiar o cotovelo no joelho e segurando o queixo, olhando fixamente para a garota – Bandas?
- System of a Dawn, Bad religion, Linkin Park, Green Day, Limp Bizkit, Paramore, Coldplay, Jon Jovi, Guns n’roses, Nirvana, Tokio Hotel, Simple Plan, U2, Three Days Grace... – disse, rapidamente.
- Tá bom, tá bom...já entendi – cortou-a, rindo – Cor?
- Vermelho, roxo e preto.
- Essa foi meio obvia...Playstation?
- Bully, Castlevânia ‘Curse of Darkness’ e ‘Lament of Inocence’, Guitar Hero III, v e AnimeHero, todos do Naruto e... – ela pensou um pouco e disse – Thes Sims 2 ‘Pets’ e ‘Castaway’.
- Naruto? – perguntou incrédulo – Ultimate 1, 2, 3...
- Acell 1 e 2 do Shippuden – completou.
- Sério?
- Ahã – disse pegando mais um Halls, distraidamente.
- Agora me fale da sua família.
A garota deu um longo suspiro, se afundando no banco.
- Ah – disse sem entusiasmo – achei que não fosse perguntar.
- Algum problema?
- Não, é claro – ironizou – Exceto quando seu pai vai embora de casa e nunca mais dá as caras, deixando apenas a pensão como lembrança, e sua mãe, com surtos de depressão não dá a mínima para você – Ross abriu a boca para comentar, mas Loren prosseguiu – Meus irmãos me detestam, e vivem constantemente fazendo da minha vida um inferno. Minha vida, é um inferno!
- Desculpe, eu não...
- Não esquenta – disse, despreocupada – agora me fale da sua família.
- Não sei – disse com seriedade – sou órfão.
Notas finais
Até ^__^
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