Loop - Ligados pela Amizade
1 A Luz Do Amanhecer (01/05)
Notas iniciais
Pluspe Epp Presents: Ligados Pela Amizade (LPA)
Parte 01/05 – A Luz Do Amanhecer
As notícias neste mundo parecem brotar em questões de segundos. Dado um acontecimento – como um atropelamento – , milhões de pessoas já saberão dentro suas casas. É a mídia! Já estamos acostumados a ligar a TV e assistir ao telejornal de manhã ou de noite, antes da novela. Eu sempre assistia com minha família as reportagens e desastres que cercam o mundo. Sentia meus lábios secarem e minha pele gelar só de ver as imagens. Ah, como era triste, e ainda é hoje em dia. Pela primeira vez, quando ligo o televisor, me deparo com uma cena chocante de dois amigos num acidente de carro. Fui ver de perto, arrastando meus pés úmidos e frios depois de um longo banho, quem eram... quando dei por mim, era o que havia acontecido a mim e a meu querido amigo.
Rever a tragédia foi algo muito ruim. Aquilo ficaria marcado em mim pelo resto da minha vida, e não sei se conseguiria suportar a angústia, a aflição... de chegar no colégio e ver seu lugar vazio.
Meus olhos logo se enxeram de lágrimas. Era inevitável. Como poderia esquecê-lo? O amigo que sempre me apoiou, que me entendia... Um amigo muito bondoso e generoso. Com certeza faria falta.
Hesitei de tirar a tomada da televisão para não escutar mais aqueles repórteres chatos... aqueles terríveis ruídos que me davam arrepios. Minha mente estava completamente desnorteada, sem ter onde recorrer. Observei a minha volta e pressentia o clima horrível dominando aquele cômodo. Decidi que iria sair... Distrair minha mente, pensar um pouco. Colocar a cabeça no lugar.
Adentrei ao banheiro para me ver no espelho. Minha face estava inchada e vermelha. Vi meu rosto marcado por terríveis lembranças. Conseguia enxergar ao espelhar o que me dizeres antes de partir: “Você é mais do que um amigo... é o irmão que eu nunca tive. Unidos não pelo sangue... e sim pela amizade.” Estas foram suas glorificantes palavras que disse antes de ir embora. Guardaria para sempre os bons momentos.
Os altos suspiros chorosos só aumentavam cada vez mais. Meu mundo já não tinha mais chão onde eu poderia pisar... não havia mais céu onde eu poderia olhar e dizer: “Como o dia está bonito!” Onde estava o sol que me mostrava o caminho para sair da escuridão? Meu guia agora já não eram nem as estrelas e nem o sol... era o instinto e o desejo de carne. Não da alma.
Sem mais delongas, apanhei a primeira roupa que vi ao meu alcance. Não me importei muito com o visual, afinal nada me interessava naquele momento. O único som habitável no apartamento eram meus grunhidos e soluços. Choros de solidão...
Não existia mais ninguém com quem me identificava até aquele dia, se não meu amigo.
Então, parei de pensar um pouco no que me atormentava e me arrumei. Arrumei meu cabelo curto e liso penteando-o corretamente para a esquerda. Coloquei uma camisa branca de estampa circulares e quadradas, uma bermuda jeans preta com bolsos por todos os lados, uma meia branca e um tênis all star. Era possível ver um pouco da meia, dando-me um aspecto mais novo, sendo que eu estava nos auge de meus dezenove anos. Meu corpo não haviam pelos, por incrível que pareça.
E eu saí pela porta a fora da casa — os raios solares do fim da tarde estavam fracos — indo em direção a casa de um outro amigo para conversar. Precisava difundir minha mente. Iria à casa da família dele para conversar e dar uma mão, demonstrar que eu estaria ali com eles sempre. Por todo esse tempo foram muito legais e amáveis comigo. Me tratavam como membro da família.
Fui caminhando pelas ruas movimentadas daquele Sábado, atravessando praças, condomínios, avenidas. Como ali era uma área urbana legítima, não havia uma árvore sequer. Nem um verde para contar história.
Quando eu cheguei à casa deles, senti um aperto no coração e lentidão na respiração só em sentir minha mão na maçaneta gelada. Tentei respirar profundamente para me acalmar e bati na porta.
Quem me atendeu foi o irmão do meu falecido amigo. Ele, ao me ver, ficou parado como uma estátua na minha frente. Parecia estar segurando o choro, mas não se conteve. Logo, caiu em lágrimas sobre mim em um abraço super apertado, que me fez voltar a chorar mais uma vez. Suas únicas palavras foram:
Eu sinto... muito... Erllon – muito comovente esta pequena frase. Seus soluços pareciam intermináveis.
– Está tudo bem – tentei acalmá-lo com uma voz mais suave
– Meu irmãozinho... Por Que ele se foi? – suas palavras eram apeladoras, como se fossem facadas no meu peito; aquele abraço ficou em cinco minutos – Por Favor, me desculpe. Eu ainda estou em...
Hei, não se preocupe – eu disse ainda abraçado a ele – Todos nós estamos arrasados. Giuliano... era... exemplar.
Por Favor, entre! – com educação, o mais velho me deixou entrar.
A casa dos Parker estava muito bem arrumada como o de costume. Os móveis sempre posicionados de uma maneira luxuosa, sofás de diversos tamanhos diferentes e tudo o que uma família decente e honesta poderia fazer.
A casa é sua, Erllon! – o irmão exclamou um pouco mais aliviado.
Não pude deixar de reparar as várias fotos de Giuliano nas paredes. Quadros de todo o tamanho de fotos em conjunto e outros em que ele estava sozinho. Dentre elas, quatro eram de mim e dele. Logo me veio a tristeza. Tive de parar de vê-las se quisesse parar de chorar.
Quando virei para meu lado oposto, dei de cara com o pai de Giuliano. Havíamos nos desencontrado.
Oh, me desculpe, senhor Parker.
Tudo bem! E quando é que vai deixar de se dirigir a mim como um vovô? – Disse ele com um sorriso estampado no rosto, porém seus olhos estavam um pouco vermelhos.
O senhor vai ter que se acostumar – Eu disse com um meio sorriso.
Pois é, “senhor” Erllon Mattew Tucker. Que bom que continua sendo este rapaz educado como sempre. Devo lhe dar parabéns.
Eu agradeço ao senhor.
Logo após o curto e direto diálogo, subi as escadas da sala para ir ao segundo andar da casa. Iria no quarto da esposa do senhor Parker ver como ela estava.
T O B E C O N T I N U E D
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