Looks And Smiles
3 How can I survive wihtout you ?
Notas iniciais
- Aceita um café, um chá, alguma coisa, Pedro? — Não, obrigada Sr. York. Eu só gostaria de saber aonde e como está Juliana, por favor. — Claro. Bom, você deve saber sobre a doença que Juliana tem né? — Não, que doença? Ela nunca nos disse nada sobre isso. — Juliana sofre de depressão profunda, e começo de anorexia. Ela já tentou suicídio várias vezes, e nós tentamos um pequeno tratamento aqui na Noruega, mas não deu muito certo. Parte da minha família é do Brasil, tanto que nós falamos português fluentemente, e minha irmã é pediatra, portanto vai tentar começar um tratamento intensivo com ela na clínica em que trabalha. Vai ser mais fácil com a família, porém não posso abandonar tudo aqui, pois ela aceitou ir para lá até o final do tratamento, mas quer voltar antes de terminar o ano, ela quer ter sua vida aqui. — E quanto tempo demora esse tratamento? Ela ficará bem? — Nós achamos que se ela colaborar, e tudo der certo, ela volta pra cá saudável em 6 meses, mas... — 6 meses? Como vou viver a droga da minha vida em 6 meses sem essa garota? — eu perdi meu controle e gritava eufórico para mim mesmo, interrompendo Vanessa. — Por favor, fique calmo. Não é mais dificil pra vs quanto é para mim viver sem ela mas... afinal, vocês namoram? — ela dizia com espanto estampado no rosto. — Não! Eu só... vou sentir muito a falta dela, afinal, era ela que estava sendo minha amiga ultimamente, eu preciso dela aqui. Mas me diga Sra. York, esse... — Por favor, me chame de Vanessa. — Tudo bem, desculpe-me. Me diga Vanessa, desde quando ela tem depressão? — eu dizia, intrigado com o fato de ela ser tão doente, mas parecer tão feliz quando nós conversávamos. Sentia algo vibrar em meu bolso. Era meu celular. \"13 chamadas não atendidas de mãe --\' \". Já se passava das 21h e eu andava sem rumo naquelas ruas úmidas de Stavanger. O vento batia em mim, e me arrepiava. Eu nunca tinha sentido tanto frio em minha vida, e o frio era mais uma coisa que me lembrava dela. Juliana era uma das únicas garotas que eu conhecia que morava aqui e gostava, por causa do frio. Em toda a minha vida, eu nunca havia conhecido uma garota que gostasse de frio, como eu, por mais que seus olhos ficassem ainda mais encantadores sob o sol. Decidi sentar em um daqueles bancos abandonados no meio do nada. Como Juliana poderia ter tentado se matar? E... por causa de um garoto? Eu não saberia mais sorrir sabendo que ela estava tão mal, sabendo que estava internada em outro continente. As lágrimas começavam a rolar do meu rosto, e o vento frio as deixavam geladas. Flashes de seus sorrisos e dos seus olhares tímidos não saíam de minha cabeça. Brasil... eu não gosto mais de lá. Eu queria saber como iria sobreviver durante 6 meses sem ela aqui comigo, sem ninguém pra me fazer feliz, ter que lembrar de antigos sorrisos e olhares. Eles seriam minha única salvação.
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