Look What You Made Me Do
1 Storm
Notas iniciais
~~~~~♥ ~~~~~
Tema da Semana 03: Tempestade.
Bianca estava com os nervos à flor da pele. Tentava conter suas lágrimas o máximo que podia, enquanto adentrava no hotel na beira da praia. Estacionou e respirou muito fundo, quase entrando num estado de meditação para controlar-se.
A intensa tempestade formava-se em seu interior. Seu coração carregava ódio, mágoa, desejos violentos, e sede de vingança. Engolir cada uma dessas emoções era uma facada para si, mas a vingança seria doce. Causaria uma confusão jamais vista por ninguém que a conhecia. Iriam conhecer o lado furioso da doce e encantadora mulher, nunca mais ousando fazê-la de boba.
Pegou a bolsa e jogou-a no colo, buscando o aparelho celular com as mãos trêmulas. Pegou o objeto e desbloqueou a tela, logo digitando furiosamente um SMS para o contato chamado Vini. Respirou fundo e saiu do carro com o eletrônico em mãos, logo trancando o carro e jogando tudo dentro da bolsa.
— Sexto andar, quarto n⁰ 607... — Murmurava para si repetidas vezes. Quando chegou ao hall, arrumou o decote fundo e sorriu, para finalmente andar até o balcão. — Boa tarde, querida. — Cumprimentou gentilmente a moça loira. — Eu reservei o quarto 608, no sexto andar.
— Nome, por favor. — A jovem pediu com um sorriso gentil.
— Bianca Martins. — A garota digitou rapidamente, encontrando a reserva.
— Está aqui. — A loira comentou lendo as informações da tela e puxando a chave magnética. — Sexto andar. — Entregou o objeto.
— Obrigada, querida.
Bianca andou normalmente em direção ao elevador que a levaria até o maldito sexto andar. Cada som causado por seu salto representava seus internos raios furiosos em sua tempestade emocional. Estava tensa, mas tentava não transparecer. Queria manter-se firme até chegar ao seu destino.
Apertou o botão chamando o elevador e arrumou o cabelo, tentando acalmar-se. O transporte chegou e Bianca entrou rapidamente, apertando com muita força o botão do sexto andar, fazendo sua unha reforçada torcer para cima. A castanha não deu espaço para a agonia, estava preocupada com outra coisa.
Mexeu na bolsa marrom, pendurada no antebraço esquerdo, e segurou com firmeza a arma de choque dentro do espaço de couro e tecido preto forrado. Sabia que três deles estavam ali, acobertando seu crime. Não faria nada, o objeto servia mais para assustar os rapazes do que realmente machucar alguém.
Assim que saiu do elevador e virou-se para a esquerda, deu de cara com os três: Gabriel, Pedro e Marcos. O trio gelou ao ver Bianca, mas foram rapidamente até ela, parando-a poucos passos após sair de onde veio.
— B-Bianca. — Marcos gaguejou. — O que faz aqui? — O olhar da castanha era mortal e todos tremiam diante a mulher.
— Saiam da minha frente. — Mandou.
— O Rafael não ‘tá aqui. Ele saiu pra-... — Pedro começou.
— Eu sei muito bem onde está meu marido. — Cortou o rapaz de maneira muito fria e grosseira. O trio estava com medo. Onde estava aquela doce e gentil mulher? Aquela mulher tonta e bobinha, cheia de sorrisos.
— Bianca, se acalma. Olha-... — Gabriel dizia tentando colocar as mãos no ombro da mulher, que as afastou com um tapa e interrompeu a fala do homem.
— Saiam da minha frente. — Pediu de novo. — Não estou brincando.
— Bianca-... — Marcos começou, mas todos pularam para trás quando a mulher puxou a arma de choque e a ligou, estalando alto. O barulho assustou os três, que se encolheram sob os ombros.
— Vocês sabem do que eu sou capaz, me conhecem há anos. — Avisou, cruel. Sua voz esbanjava ódio. O trio desviou o olhar e engoliu em seco. — Eu sei o que está acontecendo, mas quero ver com meus próprios olhos. — Disse guardando a arma na bolsa. — Parem de me enrolar e abram aquela porta maldita, antes que eu a arrombe. — E passou por eles, parando no meio do caminho e olhando para trás. Os três engoliram e seguiram a mulher totalmente calados.
— Você tem certeza? — Pedro perguntou, já com a chave magnética em mãos.
— Quero ver a cara deles com meus próprios olhos.
— Sabe quem está aí? — Gabriel perguntou.
— Infelizmente, sei sim. — Bianca suspirou. — Só abra.
E Pedro abriu.
Bianca fez sinal de silêncio para os meninos e passou rapidamente por eles. Olhou para o quarto com desgosto, vendo as peças de roupas masculinas e femininas jogadas por todo canto. O ódio tentou consumi-la, mas a castanha engoliu. O show ainda estava para acontecer.
A castanha pegou um vaso decorativo pequeno, na cômoda ao lado da porta e ouviu os gemidos vindos da varada, que tinha sua porta aberta. Entregou sua bolsa para pessoa mais próxima e posicionou a mão do vaso para trás, mirando no chão da área exterior. Quando o gemido mais alto veio, Bianca jogou a decoração.
A frágil porcelana se partiu e o grito feminino assustado veio. Vozes. Ouviu passos leves no chão e pedidos de cuidado. Logo, o casal, desnudo, surgiu na porta da varanda. Suas caras de espanto foram a melhor cena para Bianca, mas a cena ainda lhe dava os piores sentimentos possíveis.
— B-Bianca... — A mulher gaguejou, com os lábios trêmulos. O homem, seu marido Rafael, estava estagnado no lugar.
— Se ficarem na varanda, os vizinhos vão vê-los. — Debochou a mulher.
— O... O... — O homem mal conseguia falar. — O que está fazendo aqui, amor? — Sua voz era baixa, sem controle de entonação.
— Não me chama de amor. — Bianca disse de olhos semicerrados e com tamanha frieza irreconhecível. — Entrem logo, antes que chamem a polícia e façam um B.O. pelo atentado ao pudor.
Com muita calma e confusão, o casal entrou lentamente. Gabriela, tentava se cobrir com as mãos e Rafael estava desconcertado. Os rapazes, calados e atrás de Bianca. Ninguém ousava falar nada.
— A-amiga... — Gabriela começou a chorar. — E-eu posso explicar. — Dizia desesperada. Bianca assentiu.
— Ah, mas é claro que pode! — Respondeu sarcástica com a voz carregada. — Tenho certeza que os dois tem uma ótima explicação.
— E-eu... — Gabriela não tinha palavras, só lágrimas. — Nós... — As palavras não saiam e o olhar fulminante de Bianca a desencorajava totalmente. Suas mãos tentavam tampar os seios e a vulva.
— Para que está tentando se tampar, Gabriela? Isso não vai mudar a situação em nenhum aspecto.
— Bianca... — Implorou num murmúrio choroso. Estava envergonhada com a plateia. Rafael nada dizia ou fazia. Estava congelado.
A verdadeira tempestade estava para acontecer.
— Bianca, não exagera, por favor. — Marcos pediu e a mulher respirou fundo.
— Apesar de ser lutadora, eu não sou uma pessoa violenta. Sou completamente a favor do diálogo. — Contou.
— Não faça besteira. — Gabriel pediu e a mulher bufou, em desgosto.
— Vamos fazer o seguinte — começou — eu vou sair por aquela porta e vocês se vestem. Não aguento olhar para cara dos dois, muitos mais nesta situação ridícula. — A castanha tentava controlar sua ira. Respirou fundo e sorriu. — Vou lá para fora, me acalmar. Dou quinze minutos para vocês se vestirem e darem suas explicações. — Avisou.
Deu meia volta e puxou de uma vez sua bolsa da mão de um dos meninos e saiu pisando forte em seu salto em direção a porta. Antes de passar para o corredor, virou-se para os meninos e deu um breve sorriso sem emoção.
— Alguém me traz algo do frigobar? — Pediu e Marcos seguiu para a pequena geladeira. Pegou um suco de maracujá e levou até a porta, onde Bianca pegou e se fechou do lado de fora.
Abriu com desespero a bebida muito gelada e deu grandes goladas. Se continuasse, sentiria o famoso efeito de “cérebro congelado” rapidamente. Respirou fundo e tentou conter algumas lágrimas, enquanto fechava a bebida.
Bianca enfiou a garrafinha na bolsa e puxou o celular, digitando rapidamente para o contato Vini de novo. Enviou várias mensagens contando como tudo estava e lhe deu sinal verde. Guardou o aparelho e voltou a beber o que lhe foi entregue, enquanto andava em círculos no corredor.
Desejava socar a cara da “melhor amiga” e do marido. Estavam casadas há menos de seis meses e o desgraçado já estava lhe fazendo aquilo? Ele pagaria caro por tudo aquilo. Pagaria cada centavo, literalmente.
Os quinze minutos passaram voando e logo Bianca estava batendo na porta do quarto 607 de novo. Entrou e encontrou marido e melhor amiga no quarto, sendo que esta, estava chorando. Gabriela estava sentada na cama e Rafael ao seu lado. Bianca colocou a bolsa na cômoda, ao lado da porta, e puxou uma cadeira, ficando há dois metros da cama, olhando os dois com cinismo. Havia pego seu celular, que estava em mãos.
— Há quanto tempo? — Perguntou com um meio sorriso debochado.
— Como...? — Rafael ficou confuso e Bianca revirou seus olhos.
— Não se faça de burro, Rafael. — Respondeu com cinismo. — Você não é. Sabe muito bem o que estou perguntando. — Um silencio ensurdecedor se instaurou no lugar, mas Bianca manteve seu olhar de julgamento nos amantes, sem desviar. — Quanto. Tempo. — Relembrou as palavras pausadamente.
— B-Bianca... — Gabriela voltou e chorar e a mulher só sabia revirar os olhos e se conter. Queria socar todos naquele quarto.
— Quanto. Tempo. — Repetiu. — É melhor falarem.
— Um ano. — Gabriel soltou. Estava nervoso como todos e não aguentava mais a pressão no quarto. Bianca deu um sorrisinho e olhou para seu colo.
— Um ano. — Repetiu pensativa. — Casou comigo para quê, Rafael? — Perguntou. — Melhor... Namorou comigo durante todo esse tempo para quê?
— Porque eu te amo. — Respondeu e Bianca revirou os olhos com força.
— Ah, Rafael. Não me vem com essa. — Disse furiosa. — Quem ama não faz isso, para de ser sonso. Ninguém aqui nasceu ontem.
— Mas, Bi-... — O homem tentou falar, mas a mulher interrompeu com raiva.
— Ah, morre, Rafael. — Cuspiu as palavras. Seu celular vibrou em mãos e Bianca pode ler “A cavalaria está indo ao resgate. Estamos no hall. ”, um sorriso discreto surgiu em seus lábios.
Bianca permitiu-se, enfim, a chorar. Deixou as lágrimas descerem por seu rosto delicado, enquanto sofria com a situação. Era tudo demais para ela. O seu amor havia lhe traído com sua melhor amiga de anos. Quanta dor!
Já ouviu um ditado que diz: “Quando a mulher se vinga, até o DIABO senta para aprender a lição”? Pois, a doce e boazinha Bianca estava planejando tudo aquilo há três longas semanas e, agora, teria sua doce vingança.
Bianca chorou. Chorou com força e seus olhos ficaram vermelhos rapidamente. Ninguém sabia o que deveria fazer naquela situação. Todos achavam que a castanha iria bater, gritar e fazer um escândalo. Mas, não foi o que aconteceu. De repente, alguém bateu na porta.
Bianca levantou-se e andou até esta, abrindo e saindo por ela. Todos ouviram vozes do lado de fora e as lágrimas da mulher traída. Quando os meninos foram ver de quem se tratava, gelaram. Estavam brancos feito giz.
— Estou acabada, não sei o que fazer! — Ouviram a castanha falar. — Ele está aqui dentro com a amante. Estou tão envergonhada! — Dizia entre lágrimas. — Não acredito que ela é a amante dele.
Gabriela entrou em pânico quando viu aquelas pessoas adentrando no quarto. Começou a chorar desesperada ao ver seus pais ali, dona Luiza e seu Guilherme, acompanhados do namorado da garota, Arthur. Sem contar com a presença de Vinícius, amigo de Bianca. A plateia era grande.
— O que significa isso, Gabriela? — Dona Luiza, sua mãe, questionou. — Você é amante do marido de sua melhor amiga?
— Que pouca vergonha é essa? — O pai da garota estava furioso.
— P-peguei os dois no ato. — Bianca chorou nos braços de Arthur e Vinícius. — Estavam transando. Aí, que ódio! — A castanha logo voltou a chorar, sendo acalmada pelos dois. Gabriela viu um sorriso cínico no olhar da ex—amiga.
Bianca Martins havia se vingado...
[Algum tempo depois...]
— Vai há algum lugar? — A voz de Vinícius perguntou a amiga, que estava saindo já de casa com as malas.
— Ao aeroporto internacional. — Disse num sorriso. — Quer me acompanhar até a sala de embarque?
— Claro. — Concordou. — Para onde está indo?
— Para as Maldivas. — Disse num sorriso.
— Da onde veio esse dinheiro? — Bianca riu.
— Se eu contar, perde a graça. — Debochou. — Apenas posso dizer que tenho uma ótima advogada, que meu ex-marido é um homem falido e a amante dele tentou me “expor” e teve que pagar uma altíssima indenização. Por causa dela, Rafael teve que pagar também por “manchar minha imagem”. — Contou tranquilamente. — Agora, estou indo aproveitar meu “luto” em um lugar paradisíaco. — Gargalhou, feliz.
Essa é a tempestade que uma mulher vingativa pode causar...
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