Longland Elite
1 Uma pequena grande humilhação
Notas iniciais
Mais um dia no Longland Elite...
—Eu quero fazer uma aposta com você, Cirilo... —Paulo diz se sentando na mesa do refeitório do colégio em que Cirilo estava sentado comendo seu sanduíche de atum tranquilamente.
—Que aposta? —Cirilo diz repousando seu sanduíche sobre a mesa.
—Quero ver você ir até a Maria Joaquina agora e contar toda a verdade e dizer que a ama, na frente de todos. —Paulo diz com um sorriso desafiador
—O que? Você tá maluco, Paulo? —Cirilo arregala os olhos.
—Você é super rejeitado nesse colégio, Cirilo. Que mal vai te fazer?
—O mal de ver a menina que eu gosto me rejeitando na frente de todos! —Cirilo diz como se fosse óbvio.
—Mas você não terminou de ouvir...
—Porque de repente você veio fazer essa aposta e veio falar comigo? Você sempre tirou sarro da minha cara e você não conversa com um rejeitado, até porque você é um dos populares e capitão do time de basquete da escola... —Cirilo diz não entendendo o motivo de tudo isso... Afinal, porque o Paulo está fazendo isso?
—Deixa eu falar, moleque! Se você fizer isso, independente da resposta dela, eu te coloco no time de basquete... —Paulo sorri atingindo o calcanhar de Aquiles do Cirilo.
Cirilo sempre quis entrar para o time de basquete da escola, mas nunca conseguiu e por dois motivos: ele não é popular e ele não joga bem. Mas ele quis entrar para deixar de ser tão rejeitado e humilhado pelas pessoas.
—Como jogador? —Cirilo pergunta surpreso.
—Reserva...
Cirilo abaixa a cabeça.
—Porém, se você for bem nos treinos, podemos colocar você como titular... —Paulo finaliza.
Cirilo levanta a cabeça e olha bem nos olhos de Paulo e então eles apertam as mãos.
—Agora? —Cirilo pergunta.
—Sim, agora! —Paulo diz analisando o sanduíche de Cirilo que já estava juntando de formigas.
Cirilo se levanta, ajeita sua blusa que estava enfiada dentro da calça e então vai andando até a Maria Joaquina.
Paulo está olhando aquela cena e não se aguenta. Ele quer muito rir, mas não até o seu plano dar certo.
—Coitado desse Cirilo, acha mesmo que vai entrar no time de basquete, coitado!- Paulo ri olhando a cena.
Cirilo se aproxima de Maria Joaquina e todos olham para ele, então ele respira fundo.
—Maria Joaquina, eu gosto de você e eu sempre gostei. Eu acho você linda, talentosa, incrível e maravilhosa. Eu te amo, Maria Joaquina.
Maria Joaquina não estava acreditando nisso. Ela engasga e então começa a rir na cara do Cirilo que não entende o porquê dela estar rindo. Ela então percebe que ele está sério e para de rir.
—Sério mesmo tudo isso? —Maria Joaquina pergunta sem acreditar nisso tudo.
—Sim! Você acha que a gente poderia sa...
—Garoto, eu nem sei o seu nome direito e você pagou um mico enorme de ter vindo falar isso pra mim na frente de todo mundo. —Maria Joaquina olha em volta.
—Mas... —Cirilo fica sem reação.
—Parabéns, Cirilo! Conseguiu! —Paulo aparece filmando a cara do Cirilo que estava sem ação. —Você se rebaixou ao ridículo! Não imaginava que você chegaria a esse ponto só para entrar no time de basquete! —Paulo ri.
—Agora que você me humilhou e eu já fiz o que você disse, pelo menos pode me dar o uniforme? —Cirilo pergunta quase chorando.
—Uniforme? Que uniforme? —Paulo finge que não sabe de nada.
—O uniforme do time de basquete...
—Você achou mesmo que era se humilhar na frente de todo mundo que ia conseguir um lugar no time de basquete? Você é ridículo, Cirilo! —Paulo começa a rir da situação. —Agora cai fora daqui que eu já me diverti com você por hoje!
Cirilo sai de lá, vai até a mesa onde estavam suas coisas, as pega com pressa e sai do refeitório.
—Droga! —Cirilo diz socando a porta do seu armário do colégio.
—O que foi, Cirilo? —Alicia, sua amiga de infância, chega espantada com Cirilo batendo na porta do armário.
—Eu sou um idiota, Alicia! Idiota! —Cirilo fica encarando a porta do armário com ódio nos olhos.
—Mas o que houve? —Alicia insiste na pergunta.
—Paulo Guerra e seus amigos foi o que houve... —Cirilo bufa.
—O que ele fez agora? —Alicia pergunta olhando uma lágrima descer pelo rosto do Cirilo.
—Você não tá sabendo? Ele fez eu passar vergonha na frente do colégio inteiro! —Cirilo abre a porta do armário pegando seu material
—Putz... —Alicia fica quieta, pois sabe que Cirilo não gosta de conversar nesses momentos.
—O pior foi que eu fiz papel de bobo na frente da Maria Joaquina... —Cirilo diz e tudo se esclarece para Alicia.
—O que você vai fazer, Cirilo? —Alicia pergunta temendo sua resposta.
—Eu vou mostrar a eles que eu não vou mais tolerar eles me tratarem assim! —Cirilo diz fechando a porta do armário.
—Como assim?
—Eu vou mudar, Alicia! Eu vou conseguir entrar no time de basquete e mostrar que posso ser melhor que eles!
—Você já tem problemas demais para ainda se importar com isso, Cirilo... —Alicia diz olhando no fundo dos olhos de Cirilo que estava agora de frente para ela.
—Eu sei... —Cirilo suspira. —Mas eu preciso fazer isso, Ally... Eu não aguento mais...
—Você não pode dar mais preocupação para sua mãe, Cirilo...
—Você acha que eu não sei, Ally? —Cirilo se altera, mas depois acalma —Com tudo que tá acontecendo lá em casa, eu não posso dar mais preocupação a ela. A minha irmã e meu pai já são preocupações demais para ela...
—Então? Foca em continuar dando aulas pro pessoal que precisa para ganhar um dinheiro e ajudar a sua mãe e foca em passar despercebido aqui no colégio, como eu faço... —Alicia diz tentando ajudar.
—Mas é que eu tô realmente muito cansado disso tudo...
—Eu sei, Cirilo... Eu sei... Vamos fazer o seguinte? Você é como um irmão pra mim e eu vou te ajudar... Todas as tardes vamos treinar basquete aqui no colégio...
—Você sabe jogar basquete, Alicia?
—Não, mas você também não, então pior não fica. —Alicia ri.
Cirilo abre um sorriso.
—Tá bom! Começamos quando?
—Hoje, Cirilo! Você não quer entrar pro time de basquete? A próxima escolha eu acho que é daqui a duas semanas, então precisamos correr. —Alicia enfatiza.
—Nossa, daqui a duas semanas? —Cirilo se preocupa.
—O que foi?
—Não vamos conseguir em tão pouco tempo assim...
—Já vai desistir, Cirilo? —Alicia levanta uma sobrancelha.
—É... Acho qu... —Cirilo não consegue dizer.
—Nada disso! Vamos mostrar a eles quem é Cirilo Rivera ou não? —Alicia anima.
—Tá bom! Vamos mostrar a eles!
—Assim que se fala! —Alicia faz o toque de mão com o Cirilo.
O sinal toca.
—Nos falamos depois, Ally! —Cirilo tranca o armário e vai para a aula de geografia.
Alicia chega para sua aula de química e seria em dupla hoje. Para a surpresa dela, adivinha quem é da sala dela e vai sentar com ela? Sim, Paulo Guerra.
—Eu não acredito que você tem a cara de pau de sentar comigo, garoto! —Alicia diz revoltada por tudo que ele fez e faz com Cirilo.
—Que? Quem é você, menina? Eu só sentei aqui porque não tem mais aonde sentar, tá louca? —Paulo olha assustado para Alicia.
Alicia olha em volta e vê que todos os outros lugares já estavam ocupados mesmo.
—Só para você saber, isso é só por hoje! Depois não fala comigo... —Alicia se vira para pegar o material.
—Nossa! O que eu fiz pra você? Eu nem te conheço, só sei que você é nerd. —Paulo diz ainda olhando para Alicia.
—Primeiro, eu tenho orgulho de ser "nerd" —Alicia faz as aspas com o dedo. —Segundo que é melhor você nem me conhecer mesmo e terceiro que você mexeu com o meu irmão, então você mexeu comigo! Resumindo: você fez tudo! Você nasceu, garoto! —Alicia desabafa.
—Caraca! Você tem mesmo raiva de mim!
—Raiva não! Pena. Pena porque você é tão fútil que precisa humilhar os outros... —Alicia diz olhando para o caderno de química analisando a capa do Harry Potter, que ela por sinal é grande fã.
—Ouch! Então você é irmã do rejeitado? —Paulo provoca.
Alicia não responde e abre o caderno.
—Não sabia que ele tinha irmã... Ele devia ter puxado a sua beleza... —Paulo começa com brincadeiras.
—Ele não é meu irmão de sangue, mas nos consideramos irmãos porque somos amigos desde crianças, mas não sei porque estou te contando isso. Você não merece saber de nada e nem vem com gracinhas, porque eu nunca vou me interessar por você! Você é repugnante! —Alicia o olha com cara de nojo.
—Uau! Mas você está errada! Todas as meninas se interessam por mim, sou o menino mais popular do colégio! —Paulo se engrandece.
—Eu não sou todas as meninas, Paulo Guerra. —Alicia pega o lápis e começa a fazer os exercícios.
Paulo fica abobalhado, sem saber o que dizer e então pega o único caderno que levou para todas as aulas e finge que está copiando e fazendo os exercícios.
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