Longa Noite
2 Experiências
Notas iniciais
Jon
—Você acredita mesmo nesse Senhor da Luz?- perguntou Jon para quebrar o silêncio do local e também porque tinha curiosidade de saber.
Melisandre disse que sim e começou a contar o porque de acreditar. Ela falou muito e quase não dava abertura para ele falar. Melhor assim. Jon não saberia o que dizer.
Jon nunca tinha visitado uma pessoa em um manicômio antes. A verdade era que ele tinha medo desses lugares e principalmente das pessoas que estavam neles. Seu avô Aerys era louco e o pouco de convivência que teve com o avô foi o suficiente para o deixar com medo de manicômios para toda vida. Seu avô ainda estava vivo e morando em um lugar como aquele em que Melisandre estava, mas ele nunca mais havia ido o visitar. Principalmente porque a última visita que fez a ele havia sido muito traumática tanto para ele como para sua mãe Lyanna.
Apesar do medo ele resolveu ir visitar Melisandre. Ele lhe devia isso. Uma coisa que ela havia visto nas chamas havia salvo a sua vida e ele precisava lhe agradecer. E a melhor forma de lhe agradecer era fazendo uma visita e lhe dando apoio durante esse período difícil.
O manicômio em que Melisandre estava era muito diferente do que seu avô ficava. Pelas lembranças que tinha o ambiente do manicômio do seu avô era mais claro e moderno.A sala de visitas era mais espaçosa. Além de mais espaçosa a sala destinada as visitas estava sempre cheia de gente. Haviam muitos familiares e amigos que vinham ver os pacientes. A deste manicômio estava vazia e era meio escura. De visitantes apenas havia ele e uma moça que estava sentada na mesa próxima eles. Em resumo, tudo no manicômio parecia ter saído de um filme de terror antigo. Ele não entendia como Melisandre parecia não está desesperada por está em um lugar como este. Talvez os remédios que ela tomava a desligassem da realidade ao redor dela ou talvez a fé dela fosse tanta que a confortasse. Eram as únicas explicações.
—Sempre tem tão poucos visitantes?- perguntou ele depois de um tempo dela ter terminado de falar do porque dela ter fé.
—Sim... As vezes tem menos. Ninguém quase vem aqui.
Jon sentiu uma tristeza. Devia ser muito triste está em um lugar como este e não receber nenhuma visita. Lembrou do avô.
—Você foi a primeira pessoa a me visitar. Obrigada.- falou ela tocando em sua mão. Jon sentiu um arrepio percorrer seu corpo.- Você vem aqui de novo?
—Venho. Vou ficar lhe visitando até você melhorar e sair desse lugar.
—Devo sair logo. A Longa Noite se aproxima e com ela os Outros. Não posso ficar muito tempo aqui. Tenho que cumprir a minha missão e achar o Azor Ahai.
Jon ficou em silêncio. Não sabia o que dizer. Foi nessa última frase dela que ele lembrou o porque dela está onde estava. Ficou meio nervoso. Tinha medo de dizer algo que a ofendesse, mas também tinha medo de dizer algo que a apoiasse nessa loucura de Longa noite e Outros. A apoiar na loucura apenas iria a fazer ficar mais tempo no lugar em que estava.
Ela deve ter percebido a sua cara de medo e o silêncio, pois disse com um ar triste:
—Você também me acha louca.
—Não acho não.- Jon achava, mas não queria dizer e a deixar ainda mais triste.
—Está mentindo. Não sou louca. Um dia você e todos verão que a Longa Noite realmente se aproxima. Além disso, o motivo para eu está aqui não tem nada a ver com eu afirmar essas coisas. Talvez tenha um pouco, mas o principal motivo não foi esse...
Jon ficou curioso. Várias pessoas tinham lhe falado que o motivo era esse. Ele foi embora com essa curiosidade, pois não perguntou. Sabia que não seria delicado perguntar. Talvez um dia ela lhe falasse sem ele precisar perguntar.
Qyburn
Doutor Qyburn estava lendo com cuidado as suas anotações. Ele havia aprendido muito nas experiências que fez no último paciente.
Ele sempre fez experiências proibidas. Tanto que por várias vezes quase teve o seu registro de médico caçado. Se ele não tivesse os contatos certos nos lugares certos já teria deixado de ser médico e provavelmente estaria preso há muito tempo.
Doutor Qyburn achava que o que fazia não era errado. Era um mal necessário para que se atingisse um conhecimento mais elevado. Na mente dele muitas vezes era necessário que alguns morressem para que um conhecimento maior fosse atingido e um método fosse aperfeiçoado. A prova disso era como suas técnicas de lobotomia haviam evoluído com o passar do tempo. A medida que ele foi testando nos pacientes. Com o passar do tempo o número de mortes diminuiu e os resultados foram os mais variados possíveis.
Ele sabia que na atualidade a lobotomia era uma pratica proibida e considerada cruel por muitos. Sem falar que falavam que ela não curava ninguém. Mas mesmo com tudo isso ele continuava a praticando. Até porque o seu objetivo não era curar e sim testar o que ela causa nas pessoas. Testar qual dos métodos causa menos mortes.
Ele tinha várias técnicas para fazer a lobotomia, porém a sua favorita era a que era feita com um triturador de gelo com o auxilio de um martelo. Essa era a que se mostrava mais eficiente, pelo menos no quesito de deixar a pessoa viva.
Suas experiências não se limitavam somente a isso. Ele também testava a eficácia de choques elétricos no tratamento dos pacientes e de algumas drogas que ele mesmo produzia misturando vários remédios. Ele anotava todos os resultados de suas experiências em um bloco de notas.
Depois de quase ser preso várias vezes, doutor Qyburn passou a ser cauteloso na escolha dos pacientes para as suas experiências. Para as experiências que envolviam risco de morte ele escolhia somente pacientes que não fariam muita falta ou que estavam em estado grave. Os outros pacientes ou ficavam de fora das experiências ou eram utilizados em alguma que não envolvesse morte ou risco muito grande.
Ele planejava usar uma paciente chamada Melisandre em uma experiência que envolvia uma nova técnica de lobotomia, mas mudou de idéia quando viu que ela recebeu uma visita. Se ela morresse a pessoa que a visitou poderia sentir falta dela e mesmo se ela não morresse o visitante repararia na possível cicatriz que ficaria no rosto dela. Era melhor não arriscar. Ele escolheria outro paciente. Haviam muitos. Quando ele fosse realizar uma experiencia que não envolvesse risco de morte ou de cicatrizes poderia usar a mulher. Por algum motivo ele tinha um interesse nessa paciente.
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