Long life for the king!

3 Canções contarão a história de um jovem rei injustiçado.


Notas iniciais
Okay, voltei com "Long life for the king!", dessa vez com um capítulo na visão de Jaime Lannister sobre a morte de Robb Stark. Sinceramente, eu acho que esse é bem menos sentimental que os outros dois porque foca muito mais na reação dele com a morte do Robb e tal, mas, falando sério, eu adorei escrever isso da perspectiva do Jaime que é um cara de moral muito ambígua e tal. Espero que gostem e o próximo estará sobre o POV do vira-casaca que eu mais amo e odeio: Theon Freaking Greyjoy.

Jaime Lannister estava surpreso quando recebeu a notícia que de que Robb Stark, o grandioso Jovem Lobo, morreu. Da última vez que vira o rapaz, ele parecia invencível com sua coroa de bronze quase sumindo entre os cachos cor de sangue, a pose de rei inabalável e o lobo gigante trotando ao seu lado, aguardando pacientemente um único comando para rasgar sua garganta ou algo assim. Ele parecia indestrutível e imortal como todos os garotos de sua idade e, admitia apenas para si mesmo, era mais ousado e brilhante do que uma grande maioria de homens feitos com quem esteve lutando ao longo de seus anos como Guarda Real.

Por outro lado, não parecia inteiramente errado. O menino já havia perdido seu reino gélido e nevado para os homens de ferro – aquilo não estava certo, da última vez que o vira, o Stark era um só com o herdeiro Greyjoy –, suas espadas diminuíam à cada dia por conta de deslizes políticos e Jaime sabia, sabia bem, que os Frey não eram de perdoar assim tão facilmente quanto fizeram parecer. Ele se sentia mal pelo garoto, mas existia uma diversão irônica que uma casa de traidores das Terras Ocidentais fora a principal causa da morte do Lobo Stark, absurdamente invicto em batalha até então.

Ouvira histórias sobre a carnificina nomeada o Casamento Vermelho, muitas histórias assombrosas e sem nexo. Ele podia facilmente acreditar que houvera um banho de sangue comparável ao de uma batalha tradicional, mas não que Robb se transformara em um lobisomem e atacara o velho Frey e que toda a sua tropa de três mil homens cansados e bêbados seguira o seu exemplo. Era o típico boato que se espalhava pelas cozinhas, e provavelmente iniciado pelos próprios detentores das Gêmeas para amenizarem a culpa que era, sem sombra de dúvidas, deles.

O Lannister não era tolo. Era um conhecido íntimo do papel de sua Casa naquele massacre, quase tão palpável quanto o dos Frey e dos Bolton, vassalos dos Tully-Stark. Jaime não podia deixar de pensar que era previsível que fossem eles os traidores mais sanguinolentos da armada nortenha, o histórico era bastante claro. E um sorriso amargo dominou seu rosto, afinal, não deveria estar focando seus pensamentos naquele rapaz morto que, provavelmente, haveria arrancado sua cabeça se não fosse a intervenção de Lady Stark. O Jovem Lobo não pensaria duas vezes se não fosse um refém tão valioso.

Ainda assim, era trágico. Ele podia ser o maldito Regicida, haver participado de uma cota de batalhas considerável e ser pai dos supostos filhos do rei com a irmã gêmea, entretanto, era claramente uma história triste, e se perguntou se algum cantor já inventara uma canção sobre as vitórias, o amor e a derradeira noite da morte do Rei do Norte. O Lannister sabia que se tornaria uma lenda muito bem contada para todos os lados de Westeros, mas não agora que as Terras Fluviais estavam em farrapos, que o Norte era massa revoltosa, que as Terras Ocidentais haviam sido saqueadas e queimadas em retaliação e que ainda havia um aspirante à rei na Muralha.

Continuava estranho pensar em Robb Stark morto porque, detestava admitir, o garoto parecia realmente imortal e invencível acompanhado do Greyjoy, sua mãe e lobo cinzento. O Jovem Lobo tinha uma história que dificilmente chegaria inteira aos ouvidos das próximas gerações, e ninguém saberia de verdade o que acontecera nos anos que ascendera em revolta para vingar seu pai assassinado injustamente – Jaime sabia que fora, contudo, não sentia nada além de uma vaga irritação para com o falecido Lorde Stark –, recuperar as irmãs — ele não precisava saber que uma delas provavelmente estava morta – e libertar o Norte do resto do reino, talvez até mesmo conseguir a cabeça de cada Lannister que pudesse encontrar.

Oh, deve haver sido uma tragédia para um nortenho tão ousado e determinado morrer ao som de uma canção Lannister, pensou com uma diversão medonha ao recordar-se que o começo de tudo fora as Chuvas de Castamere e sua triste melodia. Para alguém de estandarte branco de neve e cinza de lobo, terminar sua gloriosa história em vermelho carmesim e em incapacidade fora um golpe amargo, imaginava. Mas o que ele próprio podia falar sobre aquele assunto tão estupidamente complicado? Robb Stark morrera invicto, honrado e como uma lenda, enquanto Jaime seria para sempre o Regicida aleijado, quebrador de promessas e um homem sem honra.

Talvez aquilo doesse mais porque um garoto arrogante e teimoso de meros dezesseis dias de nome seria lembrado com aplausos e festivais, e ele seria para sempre aquela mancha nos Mantos Brancos. Ainda assim, era com uma compreensão funesta que encarava o destino do Jovem Lobo – sabia, sabia bem, que ele nunca possuiria sua vida entendida completamente, e embora fosse ser um histórico personagem de canções, seria eternizado de uma maneira diferente do que era. Talvez Jaime Lannister aparecesse naquelas músicas, ou ganhasse as suas próprias, mas nenhum cantor entoaria versos sobre como sua traição havia salvado a cidade de Porto Real inteira.

Mas era aquela a diferença entre um rei jovem e ousado e um Guarda Real aleijado e aparentemente desonrado, certo? As músicas raramente falavam sobre os homens que vestiam o branco e os reis sempre vivem de uma maneira mais heroica ou monstruosa, bestial ou trágica. Ao menos, pensou com mais satisfação do que poderia imaginar ser capaz de sentir por um rapaz um pouquinho arrogante e que ameaçara o matar, o menino vai ter suas canções contando quantas injustiças sofreu nas mãos dos cruéis e amorais Lannister, e essa deve ser sua última vitória. Terminou por rir de tanta ironia; era sempre o nome da família que vivia, nunca as pessoas.

O mundo, no entanto, não era uma grande ironia? Cersei provavelmente terminaria com um fim dourado de ouro e escarlate de sangue, ele próprio pagaria por tantos pecados na frente de um carrasco, Catelyn Stark nadou uma última vez em seus preciosos rios e Robb Star teve seu corpo mutilado com a cabeça de seu fiel lobo colocada no lugar da sua própria, retratando com perfeição como todos os outros que não faziam parte de sua armada de rebeles insubordinados o viam: metade homem, metade besta ou algo assim.

Era trágico, mas a realidade sempre é.

Notas finais
Então, gostaram da minha divagação sobre a morte de Robb Stark sob o POV de Jaime Lannister? Por favor, deixem suas opiniões nos comentários e, posso fazer uma pergunta, ficou muito OCC a parte do Jaime? Abraços, Palavra Perdida.