Lonely Mind
3 Capítulo 2 - Cor Esmeralda
Notas iniciais
Capítulo 2 — Cor Esmeralda
Gerogina a olhava curiosa, com rolinhos em sua cabeça que prendiam seus fios grisalhos ela tentava ser o mais amistosa possível com a enfermeira recém chegada.
–Minha querida, teve um pesadelo? – ela acariciou o rosto de Natasha e instintivamente a espiã se afastou, mas logo se arrependeu.
–Me perdoe senhora Grint, eu tive um pesadelo horrível, peço desculpas – Natasha levantou da cama e viu que o capitão a olhava da porta. Uma espécie de vergonha por não controlar seus próprios pensamentos instalou por sua mente – Peço desculpas ao senhor também senhor Rogers, isso não irá se repetir.
–Pesadelos são pesadelos, não os controlamos – ele falava de modo militar – Senhorita Grint por favor traga uma xícara de chá de camomila para a senhorita Rushman, ela ira se acalmar – mudou sua atenção para Natasha – Boa noite e tenha bons sonhos senhorita – e deu as costas sem dizer mais nenhuma palavra.
–Não ligue para ele querida, ouço o senhor Rogers ter pesadelos quase todos os dias, acho que quase sempre com a senhora Rogers, que Deus a tenha – exclamou Georgina antes de se retirar para buscar o tal chá.
Natasha se dirigiu a porta e notou que o capitão não havia ido para o seu quarto, mas sim ao quarto do Bucky. Natasha caminhou delicadamente de forma inaudível até onde pudesse ouvir o que ele falava.
–... Deus sabe o quanto esses sonhos me assombram Bucky, não posso culpar a moça por tê-los, mas você sabe que você é minha única preocupação, já não posso me preocupar com Peggy, mas tenho você meu amigo – ele respirou fundo, ele não era o tipo de homem que chorava, Natasha sabia disso, mas era o tipo de homem que lamentava – Malditos soviéticos, acabam com vidas, famílias e sonhos...
Apesar de se sentir ofendida Natasha se controlou, ela sabia muito bem deixar a emoção a parte de suas missões e iria fazer isso de todas as maneiras possíveis. Ela voltou para o seu quarto e em poucos minutos a senhora Grint apareceu trazendo o chá. Ela tomou calmamente enquanto a senhora Grint falava:
–Você é uma moça tão bonita, acho que isso incomodou o capitão, ele amava tanto a esposa que em sua mente só existe ela como mulher nessa casa. Eu sou velha e Louise é apenas uma mocinha órfã que adotei, se for ver nada ameaçador, mas a senhorita, puxa vida, é tão linda quanto um raio de sol.
–Isso não é verdade – a falsa modéstia de Natasha não se deixava transparecer.
–Claro que é – Georgina pegou a xícara da mão de Natasha já vazia e antes de sair e apagar a luz disse palavras que ficaram na mente de Natasha até o amanhecer – O capitão confiava sua vida nas mãos de Peggy, seria bom se houvesse outra pessoa em que ele pudesse confiar.
[...]
No dia seguinte Natasha se arrumou de forma mais modesta e antes de descer para tomar seu café cuidou de todos os ferimentos e deu banho de esponja em Bucky, para qualquer outra pessoa aquilo seria repugnante, mas não para Natasha que já havia visto de tudo e ainda de certa forma sentia como se Bucky de alguma forma fosse apenas um colega de guerra inofensivo.
–Bom dia senhora Grint – Natasha disse cordialmente, notou que a mesa já estava posta e que alguém, no caso seu “chefe” havia tomado seu café bem cedo.
–Bom dia senhorita Rushman, por favor, me chame de Georgina, o senhor Rogers não gosta, porém eu prefiro.
–Então me chame de Natalie – Natasha não se importava com que nome a chamasse, desde que não fosse o seu verdadeiro.
–Vou colocar seu café na mesa, fique a vontade – Georgina se retirou e Natasha se sentou observando com mais atenção a sala de jantar com mais claridade – Aqui está querida – ela serviu o café de Natasha e colocou a sua disposição alguns pães e bolinhos.
–Obrigada – Natasha agradeceu formalmente e puxou assunto sorrateiro com a velha senhora – Sabe senhora Georgina, o senhor Rogers deve gostar mesmo do amigo, afinal o senhor Barnes não tem uma família que possa cuidar dele?
–Não senhora, os dois foram criados juntos, mas o senhor Barnes ficou órfão ainda pequeno quando ainda estavam no mesmo internato. O senhor Rogers é sua única família, são praticamente irmãos.
–Puxa, pobre rapaz – mentiu – E o senhor Rogers não tem mais ninguém?
–Ele tem alguns parentes, mas os odeia, principalmente depois que seus pais foram assassinados por um espião russo – Natasha se quer mudou seu semblante, apenas parecia chocada com a historia de tragédia que era a vida do capitão. “Nada que eu também não havia passado” – pensou. – Ele acha que seus parentes tiveram alguma coisa haver, como se estivessem trabalhando com o inimigo.
–Vejo suas razões – Natasha pensou que poderia entrar em contato com seu comandante mais tarde pedindo informações sobre esses parentes traidores – Que vida difícil tem sido a do senhor Rogers.
–E a sua minha querida? Como foi passar a vida em um campo de batalha cuidando de feridos? E que mal lhe pergunte, por que escolheu essa vida?
–Digo desde já senhora que essa vida que me escolheu, também perdi meus pais na guerra, mas eram apenas civis, nossa casa foi bombardeada e eu fui escondida pela minha mãe debaixo de um pequeno porão de concreto em que só cabia eu – Georgina pareceu comover-se e Natasha tinha prazer em contar sua verdadeira história, isso dava mais realidade ao seu personagem e mais razão a sua missão – Fiquei desacordada dois dias até que um militar me achou e me tirou dos escombros, fui levada para um orfanato onde recrutaram crianças que queriam servir mais, como estava aprendendo o oficio de enfermeira me voluntariei e fui escolhida para servir nos campos. Foi horrível de fato, mas salvei muitas pessoas.
–Tenho certeza que sim – Georgina secou uma lagrima involuntária – Me desculpe, me emociono fácil e essa maldita guerra tem acabado com meus nervos.
–Fique tranqüila – Natasha levantou e colocou a mão nos ombros de Georgina – Ela acabara em breve.
–Que Deus a ouça – Georgina começou a recolher a mesa.
–Vou ver como está o senhor Barnes, com licença – Natasha subiu as escadas, mas não se dirigiu ao quarto de Bucky, ela tirou seu salto e os colocou num canto, seus pés descalços apenas amparados pela fina meia calça não faziam barulho algum. Ela discretamente entrou no quarto de Rogers.
Ela se deparou com um quarto bem iluminado, com finas cortinas brancas esvoaçantes e uma cama de casal comum, mas com um belo jogo de lençóis. Ela passou seus olhos rapidamente pelo criado mudo e viu apenas um abajur e um retrato formal do casal em seu casamento, o capitão parecia outra pessoa, alegre e um pouco mais rejuvenescido, ela sabia o quanto a guerra era capaz de envelhecer uma pessoa.
Aos poucos seus olhos de águia foram passando por cada pequena parte do quarto como se o fotografasse, Natasha sabia que Georgina estava ocupada com a mesa e Louise com a cozinha, o senhor Grint estava cuidando do jardim e o senhor Rogers estava bem longe dali. Ela abriu o guarda roupa de madeira e não notou nada de diferente, apenas roupas do capitão, nada mais de sua falecida esposa. Antes de Natasha fechar a porta ela notou um pequeno bilhete preso entre o vidro, ela leu rapidamente: “Tranque a porta ao sair”. Aquilo não parecia um bilhete de um marido para a esposa e nem o inverso, ela sabia que aquilo era um código. Com muito cuidado ela tentou ver se havia algo no verso, mas não havia mais nada. Natasha fez uma nota mental para escrever para seu comandante para caso ele tivesse alguma informação a respeito desse código, isso deveria esperar até o dia em que ela iria fazer suas “Compras pessoais”, talvez mais uns dois ou três dias.
Natasha saiu do quarto já pensando que cada dia analisaria um pouco para não levantar suspeitas, e que o capitão era esperto o suficiente para não deixar nenhuma pista aparente para qualquer pessoa que se infiltrasse em sua casa.
[...]
Steve estava cansado e irritado pelo fato de não conseguir organizar seus próprios pensamentos, seu general havia ordenado que tirasse um dia de folga, o que para Steve era inconcebível, visto que precisavam tanto dele em operação.
Steve girou a maçaneta da porta e foi arrebatado pelo aroma floral da nova moradora, ele queria que ela parasse de usar perfume em sua casa, porém isso não era algo que pudesse simplesmente proibi-la. Resolveu subir as escadas e verificar como sempre seu melhor amigo antes do jantar. Pela primeira vez me meses Steve o viu vestido com roupas incrivelmente limpas, seu cabelo apesar da atadura estava penteado e a barba feita, seu curativo estava impecável, suas unhas aparadas e exalava uma colônia suave. Steve estava orgulhoso de sua nova enfermeira e o cuidado com seu amigo.
–Puxa vida – ele comentou sentando ao lado do amigo – Você está todo arrumando, vai algum encontro? – ele sabia que Bucky ainda não era capaz de responde-lo, mas tinha esperança que quando acordasse rissem juntos como nos velhos tempos – Sua nova enfermeira está cuidado muito bem de você, acho que vamos ficar com ela por aqui, certo? – Bucky era a única pessoa com que Steve ainda era o mesmo, e ele nunca mudaria com ele – Peggy ficaria orgulhosa de mim. Eu sei que tenho que parar de ficar pensando que ela vai voltar e me dar os parabéns por ter escolhido certo dessa vez, mas talvez pensar que tem alguém me observando não me faça errar de novo. Não posso errar com você de novo, nem com ninguém – ele observou em volta e o quarto de Bucky estava completamente limpo, até mesmo as ataduras antigas não se encontravam mais no lixo ao lado – Ela até mesmo fez a Louise entrar e limpar aqui, é de impressionar – ele deu um sorriso ao amigo que estava completamente inconsciente, porém sereno – Vou jantar, volte logo pra jantar comigo, ok? – Steve encostou novamente a cadeira na parede e se retirou para um banho antes de ir jantar.
Naquela noite Steve jantou sozinho, como ordenado Natasha havia jantado antes dele e se retirado para seu quarto, mas sempre a disponibilidade de Bucky. Steve sentiu falta de companhia, desejou ser um pouco menos hostil com a bela enfermeira, afinal ela também já havia passado por tantas coisas quanto ele.
Assim que terminou seu jantar Steve subiu as escadas, e ao observar as luzes acesas no quarto de Natasha se sentiu tentado a bater na porta e pedir desculpas por seu comportamento nada hospitaleiro, porém ao levantar a mão para bater na porta perdeu a coragem, deu um passo para trás e voltou ao seu quarto.
Steve não era um homem covarde, mas sim um homem orgulhoso, Peggy o repreendia diariamente por isso, mas ele não se importava, não queria que a nova moradora achasse que ele era um fraco, que não seguia regras. Por isso apenas esqueceu o assunto e deitou em sua cama tentando afastar os pensamentos da moça.
Naquela noite sonhou com Peggy, porém seus olhos castanhos haviam sido substituídos por um belo par de olhos verdes esmeralda, e seus lábios normalmente cor nude estavam vermelhos cor sangue. Apesar de achar estranho a nova forma física de sua mulher ele se agradava, e até quis que fosse realidade assim que abriu seus olhos de manhã.
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