Notas iniciais
* Lonely Hearties Club foi uma oneshot que escrevi e publiquei originalmente em fevereiro desse ano em comemoração ao Valentine's Day.

* Essa história super fofa e levinha é sobre um shipp que muitos podem considerar aleatório, mas que faz sentido na minha cabeça ksks.

Boa leitura! ♡

A atmosfera estava agradável em Hogwarts, com a escola inteira decorada com balões, fitas, faixas, e um monte de coisas que a magia pode proporcionar. Todas com as cores rosa e vermelho. E, claro, todos os casais aproveitando, pois o Valentine's Day era a única época do ano em que podiam trocar carícias livremente pela escola.

Menos em sala de aula, é claro!

Todos estavam felizes, com exceção de Lilá Brown, cujo coração havia sido partido apenas uma semana antes da data comemorada.

Bufou cansada, sentada na arquibancada ela procurava fugir do ambiente agradável para chorar e lamentar, não suportava ver os outros felizes enquanto estava triste, se sentia um peso morto á felicidade alheia.

E principalmente, fugia para não precisar ver Rony Weasley, que agora desfilava feliz com Hermione Granger pela escola após ter quebrado um coração alheio.

—IDIOTA! -gritou, a plenos pulmões. Estava triste, mas também estava com raiva, de estar sofrendo por um garoto que claramente não a merecia.

Mas, ela o amava, e isso piorava tudo!

—Está tudo bem aí, Lilá? -uma voz conhecida se fez presente ao seu lado, a garota apenas olhou para cima para encarar seja lá quem for.

Era Dino Thomas.

Recolheu imediatamente o olhar, além de triste e com raiva, agora também estava com vergonha, de só pensar em sua própria dor e esquecer de Dino, que também havia tido o coração partido por um Weasley.

Ou melhor, A Weasley, já que Gina era a única garota do rebanho de Arthur e Molly.

—Está, claro! -mentiu, mais para sí do que para o rapaz, que arqueou uma sobrancelha e se sentou ao seu lado.

—Olha, você não precisa mentir para mim, nós dois sabemos bem o que voce faz sozinha aqui enquanto todos os outros estão lá dentro, curtindo.

Não havia repreensão em sua voz, apenas um sentimento muito profundo de empatia e carinho. Lilá sorriu e olhou para ele, como quem agradecesse pela atenção.

—Como você consegue?

—Consigo o que?

—Lidar com a Gina andando com o Harry por aí sabendo que machucou você.

Dino desviou o olhar para as mãos em seu colo e se permitiu pensar na pergunta por alguns minutos. Quanto enfim terminou, olhou novamente para Lilá.

—Eu... eu não sei... acho que é porque ela terminou comigo já tem dois meses e de certa forma eu sou obrigado a lidar com a situação. Então...

—Mesmo assim, está recente! Olha, eu sei que os garotos são estranhos quando se trata de emoções mas, saiba que não é vergonha admitir que você ainda se sente no mínimo triste pela situação.

—É, eu ainda estou triste, admito... principalmente porque o Harry é meu amigo então isso foi realmente um golpe de faca de dois gumes... mas, sabe o que eu faço para espantar esse sentimento ruim?

—O que?

—Eu me distraio fazendo coisas que eu eu gosto. Ouço música, escrevo alguns artigos, estudo, converso com amigos, essas coisas...

Lilá sorriu.

—Que legal! Mas isso me fez lembrar que eu não posso mais ouvir minha banda favorita porque também é a banda favorita do Rony... -deixou o olhar cair rapidamente para o all-star rosa em seus pés.

—Sério? E qual é?

—Fleetwood Mac! Uma banda trouxa, não sei se você conhece...

—Conheço sim, minha mãe é super fã! Ela tinha até um poster do Lindsey Buckingham na parede do quarto dela quando era adolescente.

—Sério? -disse Lilá, que imediatamente começou a rir.

—Sim! -Dino também se permitiu sorrir. –Olha, é injusto você não poder mais ouvir as maravilhosas músicas deles por causa daquele salsicha, então meu conselho é: rê-signifique a banda!

Lilá arqueou as sobrancelhas.

—Como assim?

—Tente pensar em outras coisas e outras pessoas quando você a ouvir... por exemplo, esse fato que eu te contei agora, espero que a imagem da minha mãe adolescente pregando o poster na parede fique na sua mente quando você ouvir Dreams, porque aquilo era realmente um sonho adolescente. -tornou a rir.

—Obrigada pelo conselho, Dino, eu vou tentar!

Ele sorriu.

—E por falar em se distrair, quer vir comigo para a sala precisa?

—Fazer o que lá?

—Você vai ver, mas já te adianto que você vai gostar muito!

—Ah, tudo bem então. Se você diz...

Dino se levantou e estendeu a mão direita para ajudar a garota a se levantar, e em seguida, caminharam juntos até o destino.

{...}

O caminho até a sala precisa foi tranquilo. Continuaram conversando, subiram as escadas, falaram com os fantasmas que os disseram coisas que acharam completamente sem noção. E também se depararam com muitos casais de mãos dadas, se beijando nos corredores e trocando bilhetinhos.

Agradeceram aos céus por não terem visto Rony com Hermione, nem Gina com Harry.

Até que finalmente chegaram.

—Chegamos! -disse Dino, parando em frente a enorme porta. -Pronta?

—Sim!

O garoto abriu a porta e Lilá foi atrás, não conseguindo conter sua surpresa quando entrou na sala.

O ambiente estava todo decorado com as cores rosa e vermelho, haviam flores e balões também, e logo a sua frente uma enorme faixa flutuando no ar escrito: "Bem-Vindo ao Clube dos Corações Solitários."

Sorriu, nunca havia passado pela sua mente que tal coisa fosse possível.

—Dino, o que é isso?

—Ué, não está vendo? É o Clube dos Corações Solitários, um lugar onde todos os solteiros de Hogwarts comemoram o Valentine's Day, afinal, nós somos tão merecedores quanto os casais!

Lilá deixou escapar uma risada sincera, não acreditando no que seus olhos estavam vendo. Beliscou discretamente seu pulso direito, para se certificar de que aquilo era real.

Nunca, nem em seus melhores sonhos, havia imaginado que esse tipo de coisa era possível em Hogwarts, apesar de saber que em uma escola mágica, tudo era possível!

—Desde quando tem isso? -perguntou, voltando a olhar para Dino.

—Não faz muito tempo, acho que esse é o terceiro.

—E você já veio aqui? Como descobriu?

—Eu só vim no do ano passado porque o Simas me arrastou para cá depois que uma menina da Corvinal se recusou a sair com ele, mas também não faço ideia de como ele descobriu.

—E você nunca perguntou?

—Só uma vez, mas ele não respondeu.

—É estranho imaginar o Simas chorando por causa de uma garota, sempre achei que ele tivesse um pomo de ouro no lugar do coração.

Dino riu ao ouvir o que a garota dissera. Por incrível que pareça, ele estava gostando de conhecer um pouco mais de Lilá Brown, a "princesinha" de Hogwarts.

Ele pegou a mão dela.

—Vem, vou te mostrar mais desse lugar incrível!

E a puxou com delicadeza para outros cantos daquela grande sala.

Havia muitas pessoas ali, algumas que Lilá nunca nem tinha visto ou cogitado ser capaz de sentir amor, como Pensy Parkinson, cujas mãos estavam ocupadas com um copo de cerveja amanteigada enquanto ela olhava para o ambiente encostada em um canto. Pensou em ir até a garota para conversar, mas achou melhor não, considerando a personalidade completamente agressiva de Pansy.

Havia também duas garotas da Lufa-Lufa conversando perto da fonte de chocolate, um garoto da Corvinal conversando com uma garota da grifinória e mais algumas pessoas.

—O que você quer fazer? -perguntou Dino.

—Ah, eu não sei... mas vi alguns cupcakes na mesa de doces e parecem estar deliciosos!

—Então vamos lá.

Lilá estava certa, os cupcakes estavam maravilhosos! Seus favoritos foram o de morango e o de framboesa. Mas, algo que estava tão maravilhosa quanto os cupcakes, era a conversa.

Durante todos os seus quatro anos de Hogwarts, Lilá nunca pensou que algum dia estaria comemorando o Valentine's Day em uma festa na sala precisa acompanhada de Dino Thomas. Nunca havia sequer conversado com ele, a não ser as conversas normais do dia a dia que consistia basicamente em cumprimentos e dever de casa, o que era estranho pois ambos eram da Grifinória e se viam todos os dias. Mas, agora, ela percebia o quão agradável era a companhia daquele garoto e o quão lindo ele ficava sorrindo. Não conseguia entender como Gina Weasley teve coragem de quebrar o coração de uma pessoa assim.

Ao final da festa, todos se recolheram, mas Lilá chamou Dino para subir com ela na torre de astronomia, algo que deixou o garoto surpreso mas também animado porque, a verdade é que a companhia de Lilá Brown era muito melhor do que ele pensava.

—E então, por que você me chamou pra vir pra cá?

—Ah, eu só queria retribuir a gentileza que você me fez.

Se sentaram no chão, um de frente para o outro.

—É que você me ajudou... tipo, eu estava super triste lá na arquibancada e daí você chegou e me levou para a festa, isso me animou. Me fez esquecer o meu coração partido, e agora eu me sinto melhor para encarar a realidade. Obrigada!

As palavras da garota surpreenderam Dino, que sorriu ao ouvi-las, e por algum motivo, sentiu seu coração acelerar, como há tempos não acontecia!

Não sabia ao certo o que fazer então, em um impulso, pegou a mão direita dela, que repousava no colo.

—Eu... fico feliz em ter te ajudado! Você é muito mais legal do que eu pensava, Lilá, será que podemos ser amigos?

—Pensei que já fossemos, Dino!

E começaram a rir, enquanto a noite tomava forma e seus amigos e colegas da Grifinória nem desconfiavam aonde eles estavam.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Até mais! ♡
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!