Notas iniciais
Enjoy

Capítulo 7

— Espero que minhas vestes estejam mais agradáveis agora.

Era até um pouco cômico, minha blusa estava bem apertada nele e minha bermuda parecia mais um short agora, mas a máscara continuava no mesmo lugar de sempre.

— Beba seu chá, Kakashi. Disse tentando esconder o riso.

Nós ficamos em silêncio enquanto eu bebia o chá e Kakashi parecia bem tranquilo. Mais uma vez fiquei me perguntando o porquê daquela máscara cobrindo quase que seu rosto inteiro. Ela provavelmente estava molhada, então por que ele não a tirava pra secar?

— Não vai beber, Kakashi-sensei? Minha curiosidade transbordava por minhas palavras.

— Vou sim – ele virou de costas para mim e bebeu todo o chá em menos de um segundo – Ahhh. Estava muito bom.

Ele se virou para que eu não o visse sem máscara e ainda por cima bebeu tudo em menos de um segundo? Qual o problema desse cara? Minha boca devida estar aberta de tanta indignação e Kakashi riu de mim.

— Por que nunca tira a máscara? Sofreu algum acidente na infância e não quer que vejam suas cicatrizes?

Ele continuava rindo, dava para ver pela máscara.

— Não. Eu não sofri nenhum acidente que me deixou com cicatrizes no rosto.

Ele estava se divertindo às minhas custas. Mas isso era bom, isso significa que estou um passo à frente de conquistar sua confiança.

Ficamos mais algum tempo conversando, e então disse que estava cansada e que iria dormir. Por mais estranho que pareça, Kakashi era alguém muito fácil de se conversar.

— Se quiser pode ficar para tomarmos café da manhã juntos, Kakashi-sensei. Amanhã temos que ir treinar juntos mesmo.

Forcei uma voz meiga e isso o pegou desprevenido. Podia sentir seu olhar pesar em mim enquanto subia para meu quarto.

Seria eu uma pessoa ruim por estar o usando deste modo? E ao Sasuke também? Argh. Não devo ficar pensando essas coisas, a culpa é deles que estou presa aqui.

No dia seguinte, Kakashi havia ido embora, mas em cima da mesa da cozinha havia um bule de chá fresco. Bebi um pouco e fui em direção ao campo de treino.

O céu estava azul e sem nuvens, não combinava em nada com a solidão que sentia por dentro. Por Deus, até o barulho dos pássaros estava me dando nos nervos.

— Sakura!

Ouço alguém chamar meu nome e me viro para ver um Sasuke dando uma leve corrida para chegar até onde eu estava.

— Oi, Sasuke. O sorriso no meu rosto era falso, mas Sasuke não pareceu perceber e também sorriu para mim.

— Tudo bem se eu te acompanhar?

— Nem é como se estivéssemos indo pra o mesmo lugar.

Só depois que eu começo a rir que Sasuke entende minha piada e muda para uma expressão mais alegre.

— Sabe, Sakura. Eu... Eu estava imaginando se você...

— Teme! Espere por mim!

Ouvimos os gritos e logo Naruto já estava pulando em cima de Sasuke com sua alegria matinal de sempre. Argh. Assim você estraga meus planos, baka.

Depois de algumas horas de treino, Naruto decidiu que nós todos deveríamos ir comer lámen. Incrível como pode ser difícil rejeitar um bom lámen, mesmo sendo obrigada a estar na presença de pessoas que odeio.

Talvez não seja tão forte quanto ódio, mas raiva. Ah sim, definitivamente sinto muita raiva de meus raptores. Acho que se me deixassem trancafiada numa cela seria menos pior, deste modo não teria que fingir ser alguém que não sou. Com a Akatsuki nunca precisava fingir, afinal, eles eram minha família, pelo menos a única de que me lembro.

— Sakura! – a voz estridente de Naruto chamou minha atenção enquanto comia – Nós vamos no bar amanhã. Você deveria vir com a gente!!

Argh. Tão estridente....

Pelo canto de olho pude ver Kakashi e Sasuke parando para ouvir minha resposta.

— Eu vou se o time 7 todo for. Sorri para eles para soar mais convincente e tentei parecer tímida.

Naruto, como sempre, gritou de animação, mas pude ver Sasuke e Kakashi tentando se manter impassíveis.

Naquela noite chorei até adormecer, não me lembro de ter sonhado, mas por algum motivo acordei com uma sensação ruim. Talvez fosse apenas algo da minha cabeça ou talvez fosse realmente um sinal. Onde está você, Itachi? Já estou nesse lugar há tempo demais.

Decidi usar um vestido meio curto para ir ao bar com os meninos. O jogo tinha que continuar, mesmo que eu não quisesse...

Já estava há tempo suficiente – infelizmente – na vila para saber andar sozinha tranquilamente, então fui sozinha até o bar.

— Sakura! Você chegou! — Naruto veio gritando para me abraçar.

Temari, Lee, Ino, Shikamaru, Choji, Neji, Sasuke e Kakashi estavam sentados em uma grande mesa, e pareciam já estar bebendo há um tempo. Por sorte, Temari acenou para que sentasse ao seu lado. Ino estava preocupada demais tentando chamar a atenção de Sasuke que nem percebeu minha presença.

— Que bom que você veio! Vamos beber?

Nem tive tempo de responder e Temari já colocou um pequeno copo na minha mão, e depois serviu um para si mesma, virando goela abaixo quase na mesma hora. Fui fazer o mesmo, mas não estava acostumada com bebidas tão fortes e acabei fazendo careta ao engolir.

Temari riu de minha situação e disse que com o tempo seria mais fácil.

Pude ver Sasuke me observando e sorri para ele, o mesmo pareceu sem graça e virou para terminar sua bebida.

Não estava prestando atenção na conversa da mesa, mas de repente ouvi meu nome ser chamado.

— Sakura? Sakura?

Era Temari chamando.

— Hm? Sibilei confusa e vi que todos à mesa esperavam minha resposta.

— Ela nem ouviu o que disse, Teme. Disse Shikamaru para Lee, que começou a fingir choro na mesma hora.

— Por que não casa comigo, Sakura?? Sua voz soava desesperada e chorosa, devo dizer que era cômico demais para descrever em detalhes.

— Eu não disse que não casaria com você, Lee.

Todos olharam com olhos arregalados pelo que havia dito, incrédulos provavelmente imaginando a cena de nós nos casando.

— Mas também não disse que casaria com você. Sinto muito.

E voltou a choradeira. Queria me fazer de séria, mas não conseguia evitar de rir.

— O que está achando do time 7 até agora, Sakura? Perguntou Temari, ignorando totalmente o desespero de Lee.

— Ah sim. Estou gostando bastante.

— Aqui. Bebe outro.

De vez em quando via Temari tentando olhar disfarçadamente para Shikamaru, mas o triste é que não parecia ser recíproco. Shikamaru nem mesmo olhava em nossa direção e parecia entediado, o lado bom é que Temari não parecia abalada por isso.

4 doses depois e eu já estava me sentindo alegre e mais leve que o usual.

Ficamos conversando e rindo um dos outros até o dono do bar dizer que estavam fechando e que deveríamos sair.

— Poxa. Eu não queria ir para casa agora! Estava me divertindo tanto.

Talvez fosse a bebida falando, mas eu estava mesmo me divertindo.

Alguém deu a ideia de irmos para a casa de Ino porque era grande e poderíamos continuar a festa lá. Ela fez aquele draminha todo e apenas concordou quando Sasuke também disse que iria. Então fomos eu, Temari, Ino, Neji, Sasuke, Shikamaru e Naruto. Choji disse que estava com dor de barriga e por isso iria para casa. Kakashi-sensei disse que levaria Lee para casa, pois o mesmo já havia passado do limite com a bebida. Kakashi o carregando foi muito engraçado, Lee não para de resmungar e ficava entre chorar e rir. Cômico.

Nós fomos fazendo bagunça na rua até chegarmos na casa de Ino, que era muito grande por sinal. Seus pais deviam ser realmente ricos para ter uma casa daquelas. Tudo dentro da casa era de melhor qualidade e esbanjava riqueza.

— Vamos jogar verdade ou consequência!! Naruto gritou quando nos sentamos na sala.

Sentamos em um círculo e alguém colocou uma garrafa vazia deitada no meio. O problema era: eu não sabia como jogar, nunca nem mesmo havia ouvido falar do jogo.

Por sorte Temari estava do meu lado. Falei para que apenas ela ouvisse:

— Eu não sei jogar, Temari. Tentei soar calma, mas a bebida já estava me afetando e meu corpo parecia mole.

— Calma, Sakura – ela riu de mim, mas logo começou a explicar como funcionava – Uma pessoa vai girar a garrafa e vai parar apontando para alguém. A pessoa que girou tem o direito de fazer uma pergunta onde em que a outra tem que responder verdadeiramente ou pode obrigar a fazer algum desafio.

Ok, essa explicação não acalmou muito meus ânimos.

— Eu começo! Disse Ino já pegando a garrafa. Sua cara não era muito boa, ela estava definitivamente planejando algo.

— Por que você quem tem que começar? Naruto reclamou igual uma criança.

— Porque sou a dona da casa, baka! Ela gritou de volta para ele.

A garrafa girou e girou, até parar apontada para Shikamaru. A princípio, Ino fez careta com a escolha da garrafa, mas a vi piscar discretamente para Temari.

— Shikamaru! Você escolhe verdade ou consequência.

Ela estava fazendo todo um suspense e pude ver Temari segurar a respiração.

— Escolho consequência.

Hmm. Escolha interessante. Por que ele escolheria consequência de cara e ainda mais com Ino ditando o que deve fazer?

— Então eu te desafio a dar um selinho na menina que você acha mais bonita na roda.

Temari já estava com o rosto vermelho e vi todos na roda olharem para Shikamaru com expectativa. Eu mesma estava nervosa para saber se ele iria beijar Temari, parte de mim queria que sim. Ela parecia genuinamente gostar dele e se ele o fizesse, mostraria que não era tão alheio assim aos sentimentos da loira.

Ele veio até nossa direção, segurou o rosto de Temari e a beijou. Não foi bem um selinho como Ino havia proposto e nem um dos dois parecia ir contra o beijo. Depois que Shikamaru se sentou, pude sentir a mão de Temari segurar a minha e quando olhei para a mesma, parecia prestes a saltar e correr de felicidade.

— Ok! Agora você tem que girar a garrafa, Shikamaru! Ino já gritou cortando o clima.

Shikamaru girou e caiu virado para Naruto.

— Verdade ou consequência? Shikamaru perguntou entediado para o loiro.

— Verdade!

— Hmm. É verdade que você gosta da Hinata?

Todo mundo fez um ‘uhhhh’ com a pergunta de Shikamaru e pela primeira vez vi Naruto ficar vermelho igual a um pimentão.

— Não vale mentir, baka. Shikamaru disse ao amigo.

Quem era essa tal de Hinata? Acho que eu ainda não a havia conhecido. Também não me lembro de tê-la visto no festival.

Naruto respondeu um ‘sim’ baixinho e a próxima coisa que vi foram várias almofadas sendo jogadas em direção ao Naruto.

— Agora gira a garrafa, Naruto! Ino gritou.

Ele foi resmungando até a garrafa, mas mesmo assim a girou e parou em... mim? A garrafa parou apontada para mim. Agora que o efeito do álcool estava começando a dissipar fiquei com bastante vergonha de todos estarem me olhando.

— Verdade ou consequência, Sakura?

— Hmm. Verdade? Minha resposta soou mais como uma pergunta

Naruto ficou um bom tempo pensando em algo para me perguntar e toda vez que abria a boca para falar algo, logo a fechava. Uma certa Ino, percebeu que a atenção de Sasuke estava toda na rosada e se não por malícia, por qual outro motivo ela faria a seguinte pergunta?

— Sakura! – ela gritou para que todos prestassem atenção nela – É verdade que você e o Kakashi-sensei já fizeram...? Você sabe o que quero dizer. O sorriso em seu rosto era diabólico e todos me olharam esperando minha resposta.

Só consegui negar quando senti Temari tocar meu braço.

— Não vale mentir, Sakura. Eu sei que você o levou para dentro da sua casa no meio da madrugada.

E mais uma vez, lá estava aquele sorriso diabólico. Vaca! Qual o problema dessa garota? Aposto que em um soco arranco todos os dentes da sua boca. Se acalme, Sakura. Já pensou nas consequências que uma coisa dessa traria?

Então eu simplesmente corri, que nem uma criancinha. Sai correndo até chegar ao final da rua. Podia sentir o ódio crescendo em meu corpo. Pra que ela faria algo assim? Pra que tentar me humilhar na frente de todos? Eu nunca nem fiz nada para ela se sentir constrangida.

Argh. Que ódio. E por que eu não me defendi? Estúpida.

Pulei de susto quando senti uma mão em meu ombro. Por uma fração de segundo, quando me virei, vi meu precioso Itachi, mas na verdade era só Sasuke.

— Hmm. Sua casa é para o outro lado.

Burra. Burra. Burra.

— Posso te acompanhar?

Apenas assenti e fomos andando silenciosamente. O ar frio da noite me ajudou a acalmar os nervos e aos poucos fui desistindo de quebrar todos os dentes de Ino.

— Chegamos... Hmm. Acho que já vou indo então.

— Sasuke. Espera, por favor.

Segurei sua mão para que ele virasse para mim novamente.

— Você acreditaria em mim se dissesse que a Ino mente? Não sei porque ela fez aquilo, mas o fez apenas para me machucar...

Ele apertou minha mão e olhou em meus olhos.

— Eu acredito em você, Sakura. E... Me desculpa por não ter te defendido. Aquilo foi tão a cara da Ino, não sei como não tinha esperado que algo assim fosse acontecer.

Nós ficamos nos encarando e uma ideia surgiu em minha mente.

Fui lentamente me aproximando e quando estávamos perto o suficiente encarei seus lábios, lábios carnudos para lábios de homem, mas que ainda o deixavam lindo. Podia sentir sua respiração em meu rosto e olhei de volta seus olhos, sempre tão sérios, mas agora demonstravam um misto de confusão e excitação.

Mas eu não iria o beijar, teria que partir dele.

Sasuke continuava uma batalha dentro de si mesmo, podia ver dentro de seus olhos, que ora encaravam meus lábios e ora encaravam meus olhos.

Deixo um leve beijo no canto de seus lábios e o deixo petrificado, perdido em seus próprios pensamentos, creio eu.

— Obrigada... Sussurro em seu ouvido e rapidamente entro em casa, o deixando sozinho do lado de fora.

Agora, por que me sinto... forte? Não, poderosa é a palavra. Brincar com os sentimentos dos outros é sempre assim? Hmm. Acho que estou gostando de jogar este jogo, talvez a malícia sempre esteve dentro de mim, esperando para ser usada.

Sinto muito, Ino, mas parece que você só está se prejudicando assim, sorte a minha...

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não sei se vou poder postar o próximo cap amanhã xoxo