Lonely, Always
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Capítulo 3
Sasuke continuava a tentar se aproximar de mim, mesmo após eu ter o batido. Bem, ele mereceu o tapa. Ele não pode simplesmente sair por aí e forçar outra pessoa a beijá-lo!
Ele vinha lentamente em minha direção, e quanto mais se aproximava, mais cenas de quando éramos crianças eu lembrava. Tudo vinha muito rápido. Mais nada fazia sentido e eu já estava ficando cansada de empurrar Sasuke. Ele parecia cada vez mais determinado a não me deixar fugir.
Agora eu podia ver nós dois nitidamente, brincando quando crianças. Nós estávamos sempre juntos...
— Sakura, se acalme – ele dizia enquanto se aproximava – Eu só quero poder conversar com você...
Por que ele insiste em ficar tão próximo a mim? Não vê que não quero sua presença? São tantas perguntas que rodeiam minha mente que nem sei o que deveria falar. E talvez não fosse uma boa ideia falar sobre a Akatsuki, mas eu ainda queria entender porque eles eram tão perigosos assim...
Enquanto Sasuke me olhava com a mão estendida não podia parar de pensar no quanto ele se parecia com Itachi, e como era bastante bonito! Seus cabelos não eram longos como os de Itachi, batiam na altura no queixo e seus olhos lhe davam um ar mais jovial.
Peguei sua mão que pendia no ar e ele me levou até o sofá, mas ainda me mantive em estado de alerta. Nos sentamos e ele parecia pensar no que dizer primeiro.
— Sakura, eu me lembro de como fiquei devastado quando soube o que havia acontecido com a sua família – sua mão ainda segurava firmemente a minha e seus olhos não desgrudavam dos meus – Eu não podia acreditar que a menina por quem eu estava apaixonado havia morrido.
Sasuke parecia triste ao contar sobre o passado. Como só agora eu consegui me lembrar dele? E por que eu só me lembro dele? E ele era apaixonado por mim? Será que eu também nutria sentimentos por ele? Confusão era pouco para o que eu estava sentindo, também sentia um misto de raiva no momento. Só queria poder ir embora dali.
— O que aconteceu com a minha família, Sasuke? Perguntei soltando minha mão da dele.
Minha voz sai fraca ao perguntar sobre minha família. Ele pareceu surpreso ao ouvir minha fala, mas ainda assim pude ver um pouco de tristeza em seus olhos.
— Sua família foi envenenada, Sakura. Até hoje ninguém sabe quem fez isso ou como você sobreviveu. Eu me lembro de que eles não haviam encontrado seu corpo, mas disseram que você também estava morta. Eu devia ter ido atrás de você, devia ter procurado melhor. Me desculpe...
Sasuke estava realmente triste. Por mais que eu não me lembrasse de muita coisa do meu passado, me senti mal por vê-lo assim. Coloquei minha mão livre em seu rosto e ele desviou o olhar.
— Depois que meu irmão assassinou todo o meu clã, eu fiquei cego por vingança e desisti de te procurar, Sakura.
Como assim o próprio irmão havia assassinado todo o clã? Que tipo de monstro faria uma coisa dessas? Talvez fosse algum sentimento de muitos anos atrás, mas não consegui me conter e abracei Sasuke. Sua pele estava gelada e ele me abraçava como se nunca mais fosse me abraçar de novo. Ele deve ter sofrido muito e era só uma criança. Eram tantas mortes para se lidar. Ninguém deveria ter que passar por isso.
Não consigo me conter e digo:
— Mas por que seu irmão faria uma coisa dessas? Só um monstro faria algo assim...
Sinto nojo por existir pessoa tão má assim no mundo. Não é possível que tais monstros existam! Ao mesmo tempo não entendo o porquê de estar agindo assim com um desconhecido. Pelo visto não éramos tão desconhecidos assim um para o outro, mas ainda assim, esta não era eu.
Minha fala faz com que ele se afaste de mim lentamente e diga:
— Eu nunca entendi o motivo dele ter feito isso. Mas jurei que um dia mataria Itachi para vingar minha família! Ele disse com a voz firme.
Meu corpo inteiro gelou. Seria o mesmo Itachi? Mas isso não é possível! O meu Itachi nunca seria capaz de fazer algo assim... Ou seria? Talvez seja por isso que eles consideram a Akatsuki tão perigosa! Não acredito que vivi todos esses anos admirando um monstro. Agora minha vida havia virado totalmente de cabeça para baixo. Ele não pode ter feito isso...
Fiquei congelada no lugar e tantas memórias de Itachi passavam na minha cabeça que não conseguia me concentrar em nenhuma sequer. Não queria acreditar no que Sasuke estava dizendo, aquilo tinha que ser um engano!
— Por que está chorando, Sakura? – ele limpou as lágrimas que eu nem sabia que estavam caindo, seu toque me dava repulsa – Não chore, por favor.
Sasuke me tratava com a mesma gentileza que Itachi. E doía ainda mais saber que sentia algo por Itachi, que confiava e devotava minha vida a ele.
Deve ter sido por isso que Itachi nunca me deixava sair da base, ele não queria que eu descobrisse o monstro que é! Não posso acreditar que quis tanto aquele beijo e que fiquei tão devastada quando Deidara o interrompeu. O choque era tão grande que eu nem conseguia sentir raiva, só podia sentir as lágrimas salgadas escorrendo em minhas bochechas.
Os soluços aumentavam cada vez mais e Sasuke parecia um pouco confuso, ele não devia estar entendendo o motivo do meu choro descontrolado, mas é claro, ele não sabia que eu vivia com a Akatsuki, não sabia que eu vivi esses anos todos admirando Itachi! E por que eu estava descontrolada deste modo? O choque foi grande, sim, mas fui treinada por anos para ser uma ninja e não demonstrar minhas emoções deste modo.
Ele me abraça para tentar me acalmar, mas não surte efeito. As lágrimas continuam a escorrer e eu nem consigo dizer nada. Não posso contar nada para Sasuke sobre a minha vida, ele vai achar que sou realmente algum tipo de criminosa ou algo do tipo.
— Vai ficar tudo bem, Sakura – ele diz enfiando o rosto em meus cabelos e me apertando forte – Você está em casa agora...
Sasuke me pega no colo e me leva para o meu mais novo quarto. Ele me deita gentilmente na cama e logo em seguida faz menção de sair, mas algo me fez segurar sua mão o impedindo de me deixar sozinha.
— Não vá – eu começo com a voz manhosa de choro – Fique comigo, por favor.
Sasuke não disse nada e deitou ao meu lado. Rapidamente nossos corpos se entrelaçaram – não fazia a menor ideia do porquê estava fazendo aquilo — e cai num sono profundo.
De repente acordo e ouço alguém entrar pela janela. Passo a mão pela cama e não sinto Sasuke, ele deve ter saído assim que peguei no sono. Fecho os olhos fortemente esperando o que a pessoa faria, mas nada acontece. Então abro os olhos e vejo Itachi sentado ao meu lado na cama.
Por um momento eu não podia estar mais feliz e queria correr para abraçá-lo, mas logo em seguida lembrei-me do que Sasuke havia me contado sobre ele ter matado o clã inteiro e não consegui fazer nada além de ficar parada o encarando no escuro.
— Não está feliz em me ver, Sakura? Itachi perguntou com um leve sorriso no rosto que pela falta de claridade parecia macabro.
— Itachi... – eu tento falar, mas não consigo parar de pensar nas atrocidades que ele cometeu – Me diga que é mentira!
Minha voz saia entrecortada pelos soluços e rapidamente várias lágrimas se acumulavam em meus olhos.
— Vejo que conheceu meu irmão... Eu sinto muito por não ter te contado antes, minha flor. Eu pretendia te contar no seu aniversário, mas houve um imprevisto.
Itachi se aproximou mais de mim e eu tentei inutilmente ir mais para longe, mas acabei batendo na parede. Ele veio mais para perto e me abraçou. Me senti tão mal por gostar tanto daquele abraço que não consegui conter as lágrimas.
— Então é tudo verdade? Eu perguntei.
Tentava olhar em seus olhos e ver algo a mais, mas ele continuava o mesmo. Nada parecia ter mudado. A pessoa que eu mais confiava havia traído minha confiança e mentido para mim por todos esses anos. Meu coração doía ao pensar em tudo o que estava acontecendo e o que aconteceu no passado.
— Não, Sakura – parecia que um peso enorme havia saído de minhas costas – Meu irmão não sabe o que realmente aconteceu.
— Então me conte tudo, Itachi. Eu preciso saber! Disse firme enquanto me afastava dele e enxugava as lágrimas. Eu não podia parecer fraca.
Itachi me contou a história toda de como seu pai havia enlouquecido por ter perdido a posição de líder dos ANBU para o meu pai. O pai de Itachi ficou cada vez pior e depois que começou com as drogas tudo piorou. Ele também me contou que sempre fez de tudo para que Sasuke não percebesse a situação em que o pai se encontrava. Mas no dia que ele foi expulso dos ANBU resolveu se vingar dos Haruno, minha família, e os envenenou. Alguns dias depois a mãe de Sasuke havia descoberto que o próprio marido havia feito tal monstruosidade e ameaçou falar a verdade para toda a vila. Mas tomado pela loucura, o pai de Itachi em uma só noite matou todo o seu clã. Não todos, é claro. Na vez de Itachi e Sasuke, ele não conseguiu matar os próprios filhos e fugiu.
Itachi também me contou que ficou louco por vingança e caçou o pai por dias e noites até matá-lo. Mas por ter saído da vila presumiram que Itachi havia sido o assassino do clã Uchiha. Envergonhado por ter largado seu irmão mais novo para ter sua vingança, Itachi não conseguiu mais voltar para vila, preferindo que Sasuke odiasse a ele e não ao pai...
Não consigo conter as lágrimas ao ver a decepção estampada no rosto de Itachi. Não acredito que acreditei nas coisas que Sasuke me contou. Me sinto péssima por isso.
— Me perdoe por nunca ter contado sobre isso, Sakura – Itachi começou enquanto me puxava para um abraço – Eu quis tanto te proteger e olha no que deu...
Eu o abraçava tão forte que era capaz de quebrar suas costelas. Eu queria ir para casa com Itachi. Eu queria minha vida de volta com ele.
— Me leve para casa, Itachi... Por favor. Imploro para ele, mas o mesmo me separa do abraço.
— Me desculpe por isso também, minha flor. Mas ficar em Konoha é o melhor para você. Aqui você vai ter a chance de ter uma vida, vai poder ser finalmente uma médica e ajudar as pessoas como sempre quis!
Itachi sorria para mim, mas eu sabia que por trás daquele sorriso ele estava também triste. Eu não queria ter que ficar naquele lugar. Eles me arrastaram como uma prisioneira e ainda depois de verem o erro, continuo presa. Colocaram até um segurança (Sasuke) para me vigiar. Eu queria poder voltar com Itachi. Sentia um aperto no peito só de pensar que não poderia ficar com ele.
— Eles sabem que a Akatsuki está aqui. Se eu te levar comigo vão atrás de nós e devo lembrar que você é a única que sabe a verdade...
Seu sorriso era lindo e poderia convencer a qualquer um, mas eu sabia que ele também sofria. Eu ainda não podia aceitar a ideia de que ele não me levaria junto. Meu mundo desabaria se não pudesse ficar com Itachi. Doía só de pensar na hipótese de não ter meu salvador ao meu lado.
— Por favor, Itachi. Não me deixe aqui – eu implorava aos prantos – Eu não quero ficar aqui, Itachi.
Eu sabia que isso o afetaria e muito, mas eu tinha que tentar. Não podia ficar aqui, sem ele...
— Sakura... Isso é mais difícil para mim do que imagina.
Seus olhos brilhavam pelas lágrimas acumuladas e senti uma pontada no peito por vê-lo assim.
— Me prometa que vai vir me buscar, Itachi.
Eu olhava em seus olhos enquanto esperava por sua resposta, só assim saberia se estava mentindo ou não.
— Eu prometo – meu corpo inteiro se iluminou ao ouvi-lo – Fique bem, minha flor.
Itachi rapidamente se aproximou e selou nos lábios. O beijo não durou mais que 5 segundos, mas bastou para me deixar o resto da noite pensando nele. Seus lábios eram quentes e macios, e era impossível não notar aquele cheiro maravilhoso tão característico dele. Eu ainda estava triste por ter que continuar aqui, mas eu iria esperá-lo pelo tempo que fosse. Eu esperaria ansiosamente pelo dia que Itachi voltaria para me buscar.
À noite sonhei com Itachi, ele vinha correndo em minha direção, parecia ainda mais lindo do que poderia ser. Mas a poucos centímetros de nos encontrarmos, ele é atingido e cai. Fico chorando ao seu lado até depois que seu corpo se torne frio e seus olhos, sem vida. Tentava procurar quem havia jogado a kunai, mas não conseguia ver ninguém. E de repente eu estava sozinha, o corpo de Itachi havia sumido assim como o sangue em minhas vestes. Não havia nenhum sinal dele nem de ninguém por perto. Levanto-me para olhar ao redor e posso ver de longe a figura de meus pais, eles pareciam tristes, mas eu não sabia o motivo. E quando tentava ir para seu encontro, meus pés não saiam do lugar. Tentava gritar, mas minha voz havia morrido e eles não conseguiam me ver.
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