Lonely

1 Inconscientemente pediu que ela estivesse ali...


Desde que tudo aquilo havia começado, Wolfgang nunca tinha se sentido tão só. Ele pensava que se houvesse um jeito, desfaria essa ligação. Ele sentia que cada um deles era parte sua, assim como ele compunha o todo que eles eram. Mas ele estava apenas esperando para o momento que sua vida deixaria de ser gentil e voltaria ao inferno habitual. Haveria sangue e dor, e ele não queria que ninguém tivesse que passar por aquilo. Eles seguiriam melhor sem ele. Porém não é como se ele tivesse escolha. Felix foi sua única família por tanto tempo, e quando decidiu agir sem pensar nele, quase o perdeu. Talvez amor fosse uma fraqueza, por isso ele era sozinho.

Se algum deus existisse, como Kala pensava, a única coisa que havia feito por ele até aquele momento, foi colocar Felix em sua vida. O que não era algo generoso com o próprio Felix. Mas agora, Wolfgang tinha uma família, pessoas com que ele se importava e gostava. Sun, Will, Lito, Capheus, Riley, Nomi... Ele conseguia sentir sua dor, e suas tristezas, as coisas que eles amavam e o seus motivos para continuar em frente. Mas se ele pudesse... Se ele pudesse, ele se afastava, afastava para um lugar que nunca mais seria capaz de colocá-los em risco. Ele tomou mais um gole de sua cerveja, pensando se estava mesmo sendo honesto consigo mesmo. Talvez parte daquilo fosse apenas egoísmo, porque talvez se aquela ligação fosse desfeita, ele poderia esquecer Kala.

Era insano a forma como ela brotara em sua vida. E não insano como ter sete pessoas em sua cabeça, mas insano como um ser tão bom poderia ter aparecido para ele. Ela era tão linda, linda, exótica, sexy... Wolfgang a quis desde o primeiro segundo em que a viu. Ele a queria mais que tudo. Quando ficou claro que ele não a teria daquela forma, ele se viu querendo-a de outras, e ainda mais. Estar com ela, conversar com ela, aprender sobre seu mundo, aprender sobre ela, e mostrar para ela como ele era. Doce Kala, gentil e furiosa, com uma fé inabalável. Ele gostaria de olhar o mundo pelos olhos dela, ver tanta beleza, tanta coisa boa e que vale-se a pena. Ele queria ela, e por um momento, ele estava tão perto de conseguir... Mas ele estragou tudo, como ele sempre fazia.

E ali estava ele novamente, pensando nela. Ele se recusava a pensar em Kala, tentava ocupar sua mente com qualquer outra coisa, porque se ele pensasse muito nela, em quanto ele queria ela, queria estar com ela... Ela apareceria. E foi ele quem a mandou embora, em primeiro lugar. Foi ele quem estragou tudo e mostrou a ela que ele era um monstro, alguém que ela nunca poderia amar, ela não merecia alguém como ele. Foi ele quem a jogou direto nos braços de Rajan.

Wolfgang suspirou, tomando mais um gole de sua bebida. Ele merecia isso, e ele conseguia viver com isso. Sentiu-se solitário, como se as outras sete vozes tivesse dado um espaço para seus próprios pensamentos. Não sentiu nada além da neve caindo e aquele sentimento conhecido, o de que estava sozinho... Pensou em Kala, em todas as vezes que esteve a ponto de realizar a vontade que o consumia, e beijar seus lábios. Em como ele queria ter ficado com ela e não ter que dizer adeus. Como ele a adorou quando ela foi brilhante, e forte. Como, mesmo chateado como ele estava, como se algo quente estivesse constantemente atravessado em seu peito, ele queria estar com ela. Porque com ela, tudo desaparecia. O jeito como ela o fazia se sentir... Inconscientemente, Wolfgang pediu para que ela estivesse ali.

E como sempre, ela estava. Uma alegria genuína, uma beleza genuína, uma inocência genuína... Como ele poderia ficar triste? Como ele poderia não querer estar com ela? Ela parecia maravilhosa com aquele sorriso. Assim que eu anjo devia parecer, ele pensou. Wolfie não conseguiu conter o sorriso, ele nunca conseguia quando se tratava de Kala. Era uma luta perdida, como se esconder de alguém que consegue derrubar todos os seus muros? No final das contas ele sabia, sabia que não seria capaz de esquecê-la, e nem de se afastar. Amor era uma fraqueza, mas amá-la o fazia sentir-se forte. Isso tinha que bastar.

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