Londres: Uma Primavera
11 Cap. 11 - Pétala por Pétala.
Notas iniciais
"Explicações" nas notas finais e faz tempo que eu escrevi esse capitulo, que eu nem vou comentar sobre ele.
Betagem: Ed.
Enfim, espero que aproveitem.
Aquela afirmativa rondava a cabeça de Kanda. Variando entre o assunto da prova de Urbanismo e o tempo livre no banho. Era algo que lhe assustava porque acabaria perdido se não encontrasse uma solução.
“Um dia você vai acabar odiando o Allen”
Novamente, agora sentado em sua cama, olhando o livro que deveria estar lendo para a prova da semana que vem. A afirmativa lhe causava arrepios, pois se perdesse o amor o que faria? Percebera que o albino desde o maldito dia naquela biblioteca, alguns anos atrás, sempre estivera povoando sua mente como uma razão de viver. Algo que lhe movia, seja para repudiá-lo, seja para aproximá-lo. Se o sentimento desintegrasse, escapasse pelos seus dedos... Como seria? Viver sem o peso de amar? Sem o peso de sentir-se culpado?
Sentira-se livre?
Sentira-se bem?
Ou seria... Vazio?
Lembrava-se da sensação que teve com Sophia, de como não sentiu nada. Após descobrir todo o relacionamento com Marcus, de como se trancara até mesmo para Alma. Não fora algo da noite para o dia, fora progressivo, a cada vez que ela lhe machucava e tudo eclodiu quando ela se foi. Sua mente gritou para que fosse ouvida, para que parasse com toda a besteira de amar. Sua razão sempre fora mais forte, aprisionou a paixão, deixou-a minúscula e imperceptível até ela sumir com o aparecimento do albino. Conhecia a si, sabia que era capaz de fazer esse tipo de coisa se sua consciência percebesse que no final não se sairia bem. Ela tomaria as rédeas da situação como um “segundo eu”. E os primeiros estágios eram os espasmos corporais, os mal-estares e as lembranças confusas.
Como um alerta.
Estava se arriscando demais.
Contudo... Perder esse amor não seria bom? Poderia continuar, não era? Terminar seu curso, conseguir um emprego... Seguir. E a pergunta para depois dessas era sempre a mesmo.
E se ele não conseguisse?
Parado em um tempo morto. Vivendo algo inexistente. Ou nem estaria vivendo. Apenas vegetando uma vida que queria ter. Ou se escondendo, pois não queria mais machucados.
Tinha a quase certeza de que... Ele não conseguiria.
E então, talvez, nem sua consciência conseguisse viver com isso.
Nem sua razão que suprimia paixões, conseguisse prosseguir.
AWYK
Alma sabia desde o momento que conhecera aquele mal-humorado que iria acabar cuidando dele. E vice-versa.
Só que esse fora justamente o motivo para serem amigos.
E por mais difícil que fosse de acreditar, sempre estaria ao lado dele. Cuidando e protegendo. Por mais que tivesse seus momentos a sós, seus momentos com outras pessoas, socializando mundo a fora, sempre teria um tempo para aquele japonês. Era uma promessa cuidar um do outro, um contrato silencioso.
E era por isso que estava ali.
Combinaram de almoçar juntos no restaurante da universidade, algo que quase sempre faziam. Seu estágio no laboratório havia acabado e estava apenas a espera do seu amigo para poderem ir. Apenas para matar o tédio, mexia no seu celular, comprado com o dinheiro do estágio, via as novas notícias do dia e, somente por pura curiosidade, via alguns laboratórios em Nova York. Tinha um pequeno sonho de poder trabalhar em um desses grandes laboratórios por pelo menos um ano, seu estágio feito há uns dois meses despertara essa paixão. Fechou a aba de pesquisa do Google ao toque de um dedo. Precisaria adiar isso por um tempo, sabia que não conseguiria se afastar num momento tão crítico como esse. Tinha preocupações demais.
Continuava a olhar suas redes sociais, rindo de algumas postagens, compartilhando e reblogando outras. Usava o ponto do sinal do wi-fi da sala do Yuu, todas as salas tinham gratuitamente para qualquer aluno e os pontos se espalhavam pelas salas. O celular vibrara, uma mensagem, um convite para um lanche a tarde. Pensou um pouco e achava que não teria problemas, o japonês ficaria ocupado com o projeto e estudando um pouco. Respondeu confirmando com um sorriso no rosto. Sumindo progressivamente quando a porta a sua frente foi aberta e vários alunos de jalecos brancos saiam.
Um pessoalmente chamou sua atenção, com um sorriso peculiar no rosto, enquanto conversava com um moreno alto de olhos castanhos escuros. O menor coçava a cabeça e parecia envergonhado, ou embaralhado com as palavras que diziam. O moreno alto parecia acreditar nisso, pois mantinha um sorriso agradável no rosto, gesticulando no tempo em que falava. Cerrou os olhos prestando atenção à cena, encerrando os aplicativos de seu celular e guardando-o em seu bolso. O quão longe aquilo iria...? Um sorriso envergonhado da parte do menor.
Quase acreditava nele.
Se não fosse o pequeno advérbio de cinco letras, poderia sorrir daquela situação e não apertar os punhos com força. Alma era uma pessoa tranquila e paciente, sempre tentava ver o lado do outro primeiro. A coisa mudava de figura quando isso envolvia seu amigo, principalmente quando ele estava sendo seriamente machucado. Isso quebrava o contrato, a promessa. O moreno recebeu uma mensagem de texto e com um pedido de desculpas rápido se retirou, sumindo no corredor e posto que isso aconteceu, a máscara caiu. O sorriso envergonhado sumiu dando lugar a uma aparência frustrada, jogando mechas do cabelo branco para trás. Liberou os punhos do aperto e foi se aproximando suavemente do outro ser, o pegou pelo pulso puxando-o para outro corredor próximo.
- HEY! – o albino se assustou com o pegar, mas ao olhar a cabeleira soltou um sorriso de canto – Ah, é você— AUCH! – o castanho pressionou o outro contra a parede, segurando as bordas do jaleco – Isso doí, Alma!
- Eu realmente espero que doa... – Karma declarou a frase entre os dentes.
- Heeeh, você está zangado, por quê? Eu fiz alguma coisa para você, Alma? – Allen pronunciou o nome do outro com desdém, sorrindo irônico logo após.
- Você sabe muito bem o que fez, então para com esse fingimento! – declarou quase esbravejando.
- Eu realmente não sei do que está falando e peço que me solte, esse jaleco é novinho – Walker adquiriu uma expressão mais séria.
- Eu acho que o Yuu já pagou por todos os seus erros... Ele já sofreu o suficiente, você não acha? – o castanho declarou como se pedisse para que tudo aquilo acabasse e o albino escutasse a razão. Porém, diferente do esperado o garoto de cabelos alvos sorriu se deliciando da informação.
- O suficiente?! Não me faça rir, Alma! Ele ainda nem viu o verdadeiro inferno! Eu estou sendo até bonzinho com ele... O deixando ir à minha casa, continuar a me ver... Tocar-me... – o inglês parecia contar nos dedos as coisas “boas”.
- Você sabe que do jeito que esta no momento só está aumentando o sofrimento, não sabe? Que tudo o que você faz está o infectando, não sabe? – Karma encarou profundamente aquelas íris cinza, procurando a verdade. Vendo que elas tremeram por segundos.
Eu sei! Pare-me, Lírio!
Rosa?
Faça-me parar, Lírio!
Rosa!
Eu não... Quero...
Rosa!
- O infectando? Eu não sabia... Mas fico muito feliz em estar sabendo agora... – o sorriso sarcástico, o sorriso de quem não se importava fez-se presente. Foi o suficiente para fazer Alma largar o outro, que arrumou suas veste e começou a andar.
- Então, quando será suficiente para você?! – o castanho declarou com uma cabeça baixa, encarando o chão. A pergunta fez o Walker parar e virar o rosto, colocando o indicador sobre o lábio inferior pensando na pergunta.
- Eu ainda não pensei sobre isso... Será quando eu me sentir satisfeito – e deu sorriso saindo do corredor.
Então, até você, Rosa Negra... Até você está se despedaçando.
Ela sente a dor de fazer isso, Lírio. Só a ignora.
E o que a fará perceber, Mãe Natureza?
Karma deixou o outro ir depois da afirmativa. Ele viu naqueles olhos cinza que o Kanda não era o único que estava morrendo, que estava quebrando e se despedaçando. Os dois estavam juntos nisso. Allen sentia o sofrimento de machucar o amado, ele, no fundo não queria fazer isso, mas... Estava dominado por ódio, um sentimento de traição... Uma decepção tão forte que escondia isso. Porém, ao encarar aquelas orbes pode ter a certeza, não seria somente o Yuu que teria que proteger... Até mesmo o inglês precisava de proteção de si mesmo.
Estava em uma prisão de vidro.
A linda Rosa branca.
Presa, desejando que tudo acabasse.
- Eu não quero machucá-lo! Deixe-me sair! Por favor...
- Neeko-chan~ – Alma escutou a voz um pouco abrandada até mesmo podia ser considerada infantil. Saiu do corredor, encontrando Walker segurando o pulso do moreno – Neh, quero que você vá à minha casa hoje... Pegue a minha chave, eu tenho algo a fazer primeiro, me encontre lá à tarde. Depois das cinco... – e somente com isso ele partiu deixando o japonês atordoado para trás.
- Ele lhe deu a chave? – Alma perguntou se aproximando, assustando pouco o amigo.
- Hun... – respondeu fechando a peça de metal em seu pulso e depois colocando no bolso – Isso é bom ou ruim, Alma? – os olhos negros perguntaram encarando fundo os do amigo.
- Só tempo dirá, Yuu... – e começou a andar – Ainda temos que almoçar, lembra?
AWYK
E como o albino dissera, não havia ninguém em casa. O silêncio e um grande breu dominava o local, tentou enxergar que horas seriam, mas mal pode ver o relógio em seu pulso, era momento de ligar as luzes. Tateou na parede próximo a porta de entrada, achando pouco tempo depois o interruptor. O clarão fez seus olhos arderem, contudo rapidamente se acostumou, caminhando até o sofá e jogando suas coisas sobre ele. Foi até a geladeira, na liberdade de tomar alguma coisa, havia uma caixa de leite aberta, encheu até a metade do copo sentindo a bebida um pouco azeda em sua boca. Lavou o copo e o colocou no lugar, notando novamente a sala de estar, percebendo o quão vazia aquela casa era. Perguntou-se se era esse o motivo dele nunca passar tanto tempo ali.
Sentou-se no sofá aproveitando a maciez do mesmo, sentindo aquela pontada de sono espalha-se pelo seu corpo. Há algumas noites não dormia bem, certas visões estranhas lhe assombrava. Não gostava muito delas, pois o significado mais claro por tê-las era algo que não lhe agradava nem um pouco. Deixou o corpo ceder sobre a almofada, ficando de bruços, sentindo lentamente o sono puxar-lhe para a porta dos sonhos.
Você está ficando sem tempo, Flor de Lótus.
Apresse-se.
Corra.
Aja.
AWYK
Kanda sentiu um leve afago em sua cabeça.
Alguém tocava os lindos fios escuros, alisando e ao mesmo tempo mexendo neles, com se fizesse algum penteado. Deixou ser tocado por que só sabia de uma pessoa que o tocaria assim e há muito tempo ela não fazia isso. Sentiu o rabo-de-cavalo ser desfeito com maestria, com uma leveza que somente aqueles dedos possuíam, eles adentraram a cabeleira, enroscando-se nas mechas que conseguia engatar. Brincavam. Perguntou-se se ele teria algum sorriso brincalhão. Depois, sentiu algo ser colocado em sua cabeça, algo que não precisou de muito esforço e fora justamente nesse instante que virou o rosto.
Tudo o que via era o albino com o rosto sem demonstrar qualquer coisa lhe encarando um pouco perplexo por estar acordado. As retinas encararam-se por um longo tempo, piscando várias vezes até o menor levantar-se sem qualquer explicação aparente, como se tivesse cansado de encarar.
- Meu contrato com você envolvia usar esta tiara... Há algum tempo você fica tão sedento que nem nos lembramos de usá-la... – Kanda ficou de joelhos sobre o sofá, encarando os movimentos do outro, vendo-o retirar um pote de sorvete da geladeira e deixá-lo sobre o balcão.
- Achei que não fosse necessário... – Allen voltou a caminhar e entrou no quarto, demorando alguns instantes e voltando depois com uma coleira em sua mão.
- Sim, ainda é... Eu recebi o pacote completo do Neko, quero aproveitá-lo como um todo – no fim da frase, o inglês estava próximo o suficiente para beijar o outro. Sem perder tempo com mordidas, ou sucções, colocou a língua dentro da concavidade bucal dele, tocando o céu da boca e incitando a outra língua a participar da brincadeira.
Obviamente, o japonês não demorou muito a se juntar. Enroscando sua língua na dele, tentando fazer mais contato de alguma forma, puxando-o para mais perto. O maior utilizou as mãos para agarrar a cintura do britânico e trazê-lo para perto, mas o sofá estava bem no meio. Por isso, aproveitava-se do beijo para manter o maior contato o possível, chegando a quase devorá-lo, porque abria e mordia a língua dele algumas vezes. Enquanto isso, o menor divertia-se com todo esse desejo, usando as mãos para outros propósitos, como colocar aquela coleira. Retirava o laço preto rapidamente substituindo pela outra peça, com uma destreza de quem fizera isso outras vezes. Obviamente o clima esquentava ali, mas fora duramente cortado pelo inglês, que se separou bruscamente do outro com uma exclamativa.
- Meu sorvete! – quase correu de volta à cozinha pegando o pequeno pote e logo depois uma colher pequena. Kanda lutou para não fazer uma expressão frustrada, totalmente falha – Eu sei o quê meu Neko-chan quer, não se preocupe... Eu te darei em breve... – o moreno apenas suspirou e desviou o olhar, sentando-se logo em seguida.
- Não tem problemas... Eu posso esperar por você... Sempre estive – o japonês tocou nas orelhas em sua cabeça, sentindo as memórias de algum tempo atrás lhe assombrar.
- Haah... – de repente, o mais velho sentiu seu pescoço ser enlaçado por braços finos e que seguravam um pote, lábios encostaram-se na sua orelha – Mas que Neko-chan paciente eu tenho... Você é assim com todas? – declarou encarando os olhos negros.
- Você é especial... É o único... Sempre será – as íris nem piscavam... Encaravam-se tão duramente como se batalhassem por essa verdade dita.
- Único?! – os segundos em que os orbes tremeram se desfez no momento que a mão do britânico pegou com força o maxilar do outro – Único para você?! Acho melhor mudar essa frase! – Allen havia se irritado, por algum motivo àquela frase inquietava seu ser.
Nós somos únicos, Negra! Únicos!
Cale a boca, Branca!
- N-não... Vo-você... Sempre... Foi especial – Yuu levantou o braço tocando na face do outro, acariciando, vendo os belos orbes cinza arregalaram-se diante da surpresa das palavras e do toque. Sentiu a mão em seu maxilar afrouxar.
“Ele é diferente, Mana... Ele não é como os outros caras que encontrei por aí... Ele é especial”
Apesar das mentiras que você está fazendo
Seu amor é meu para ser conquistado
Meu amor está
Apenas esperando
Para transformar suas lágrimas em rosas[1]
O futuro arquiteto viu a expressão do outro se suavizar, transformando-se da raiva para um acesso. Os olhos ficaram nublados como se tivesse perdido em algum ponto de sua mente, como uma memória, uma lembrança. Finalmente, a mão saiu de seu maxilar e o corpo saiu de perto do seu, o pote de soverte em sua mão caiu fazendo barulho; pode ver que parte do conteúdo espirrara pelo chão da casa. Kanda analisou atentamente o Moyashi, tentando descobrir o que estava passando em sua mente, mas não consiga saber nada além de um distúrbio... Algo que o afetara e o fizera perder aquela pose pervertida. Será que... Ele... Fora... Ouvido?
Conseguira penetrar naquela barreira criada por ele?
Ouça meus sussurros na escuridão
Não!
Você nunca estará só
Quando a escuridão vier
Eu iluminarei a noite com estrelas
Ouça meus sussurros na escuridão[1]
- Você... – o moreno levantou-se, indo para frente do albino e tocando seu rosto encarou os orbes que tremiam – Não importa o que você faça... Você sempre será a única pessoa na minha vida... – calmamente, como se tivesse medo de assustá-lo, o japonês aproximou-se do futuro médico, tocando-lhe suavemente seus lábios num beijo terno.
Sem envolver línguas, levou longos segundos com apenas aquele toque. Durante todo esse tempo Yuu ficou com os olhos abertos, encarando o seu pequeno Moyashi, vendo a surpresa e de alguma forma um desespero. Ele estava conseguindo o que queria, estava o despertando. As íris tremiam e iam de um canto ao outro dos olhos, as mãos levantavam-se e abaixavam-se como se procurasse o que fazer com elas. O moreno só fechou os olhos após iniciar uma leve sucção no lábio inferior do outro, introduzindo com calma sua língua, tentando não assustá-lo ou dar a entender um beijo malicioso.
Suas mãos seguraram a cintura e a nuca dele, guiando o beijo com maestria, pelo único motivo de não sentir a participação do outro. Ele estava imóvel, apenas recebendo as caricias em seu corpo e sua boca. Então, Walker levantou as mãos novamente e desta vez, depois de um piscar forte de seus olhos, sabia o que fazer com elas. As levou até o pescoço de seu Neko-chan, apertando fortemente enquanto o empurrava contra o sofá.
Eu ainda... Sou... Um belo Jardim!
Não me destrua!
Não de novo.
- Você está bem atrevido hoje... – apertou mais seus dedos, os sentindo afundarem na carne macia, automaticamente, o moreno levou as mãos ao pulso dele, porém não fez força para retirá-los. Apenas esperou – E com certeza, será punido por isso... Suas palavras são repugnantes... Fazem-me ter um embrulho no estômago, além do fato de você ter derramado meu soverte favorito – e mais um aperto, Kanda sentiu a visão embaçar e não conseguiu puxar mais nenhum ar sequer.
Foi então, que decidiu que devia pará-lo, porém antes mesmo de tomar a iniciativa, sentiu as mãos afastarem-se e o ar entrou ardendo em seus pulmões. Começou a tossir, pois o oxigênio entrara rápido demais e levou uma das mãos ao pescoço para tentar aliviar a dor do aperto. Olhou pelo canto os olhos, a expressão zangada que o inglês tinha, apesar de acreditar que era somente uma fachada para esconder o abalo que sofrera.
Devagar, Flor de Lótus.
Pétala por pétala você limpará essa flor.
Flor por flor você tornará esse Jardim... Branco.
- Vá para o quarto e fique quieto, por hoje não quero ouvir mais nada de você... Senão, chuto-o para fora... Não quero brinquedos malcriados... – só restou a Kanda obedecer, levantando-se e indo para o quarto.
Enquanto isso, o jovem Walker pegou seu pote de soverte do chão e levou a pia, pegando um pano para limpar a bagunça.
E quando a primeira pétala se limpa, é tão fácil purificar as outras.
AWYK
Allen olhou para seu brinquedo com um pouco de interesse... Jazia desmaiado sobre o colchão. Sua expressão que finalmente relaxara depois de consecutivos orgasmos, parecia aliviada em poder descansar. Tocou sua bochecha levemente com um dedo e o empurrou contra pele, logo em seguida. Nenhuma reação do outro. Também pudera, tudo o que fizera depois que o mandara para o quarto fora ejacular várias vezes, penetrando em posições diferentes e estranhas, abusando um pouco da crueldade em fazer mordidas e arranhões com sangue. Estava realmente irritado pelas palavras e ações de hoje, era bom que ele jamais as repetisse, não saberia o que fazer quando as recebesse. Saiu de dentro dele, o tinha visto desmaiar logo após liberar toda a sua essência, retirou a camisinha e deu um nó, juntando-a as outras que estavam no lixo.
Encarou o relógio digital perto do seu criado-mudo, notando ser perto da meia noite. Não tinha sono e se tivesse um pouco mais de forças, abusaria um pouco mais daquele brinquedo. Após sair em cima dele, revirou-se para o lado, ajustando-se numa melhor posição, poderia acordá-lo, mas... Teria que usar a sala. Saiu da cama, decidido que quando o amanhecer chegasse trocaria o lençol, praticamente não havia um lugar sem marca de sêmen. Porém, iria fazer uma coisa de cada vez, como um banho para retirar toda e qualquer impureza daquele ato. Passou longos minutos, talvez mais do que deveria, na água quente – aquele horário não permitia banhos frios – relaxando.
Saiu do banho com a toalha no ombro e enxugando os cabelos, sem qualquer roupa cobrindo sua masculinidade. Foi até as gavetas de seu guarda-roupa e pegou uma cueca confortável, vestindo depois um pijama azulado de mangas compridas e uma calça folgada. Retirou-se para a sala, prepararia uma garrafa de chocolate quente, sabia que precisava dormir, mas certas noites... A insônia era mais forte, algo não lhe deixava fechar os olhos e aproveitar o clima noturno. Era algo que não saberia explicar e vinha acontecendo com frequência depois de sua mudança para Londres.
Após o delicioso liquido cremoso marrom ficar pronto, o colocou na garrafa e o levou para sala, sentando no sofá, esticando as pernas enquanto lia um pouco sobre cirurgias de emergências. Talvez, a maciez do sofá e de suas almofadas, o chocolate quente e aqueles nomes complicados fizessem-no dormir. Passou algumas horas lendo e bebendo em sua bela xícara branca que possuía um slogan: “I love medicine” com um coração no lugar da palavra “love”, até chegar na metade de sua garrafa e perceber algo...
Não iria conseguir dormir. Seu cérebro ainda estava ativo demais. Decidiu fechar o livro e colocá-lo sobre a mesinha de centro, voltou a encher a xícara até a borda, bebendo alguns goles para não derramar. Levantou-se e começou a caminhar pela casa, acabou voltando ao quarto, notando que seu brinquedinho mudara de posição. Pensava que quando o sono chegasse, dormiria no sofá, afinal não queria dormir num lençol todo “gozado”. Era altamente asqueroso. Caminhou mais um pouco até sua vista, abrindo as cortinas e vendo as linhas, os picos da Universidade à sua frente. Notando que na mais alta torre havia uma cruz, mesmo no escuro da noite, ela era bem visível. Saberia dizer o porquê dela ali, a Universidade era uma antiga Igreja Católica, que mais tarde tornou-se Anglicana.
As paredes mais antigas, as originais que receberam apenas reparos possuíam anjos e dizeres da bíblia esculpidos. O prédio principal, no qual ficava toda a administração da Universidade tinha em seu acervo obras de artes e esculturas magnificas das duas épocas religiosas. Allen costumava passear por lá para admirá-los, porém agora tudo o que podia ver, eram telhados antigos, outros novos construídos recentemente. Pois a Igreja fechara e a partir dela fora construída toda uma Cidade Universitária. Perdeu-se tentando discernir o que era uma ponta de torre, ou apenas o breu do céu, enquanto tomava dose moderadas de chocolate.
E nessa paisagem que Kanda acordara, vendo o Moyashi em pé, segurando a cortina admirando algo que dali não podia ver. Ele parecia entretido, porém olhou para o relógio e era realmente tarde. Tentou levantar-se para puxá-lo de volta à cama, contudo em vão e tudo o que fizera fora travar seus músculos de dor, pelo esforço indevido. Sem querer, deixou um suspiro baixo escapar e pelo silêncio que fazia, o albino escutou virando-se para trás, sorrindo logo em seguida.
- Ora, ora... Parece que o Neko-chan não consegue se levantar... – o inglês aproximou-se, sentando no colchão e colocando a xícara sobre o criado-mudo. O japonês estava de bruços sobre a cama, por isso o outro abaixou-se para sussurrar em sua orelha – É normal... Depois de ser comido tantas vezes, seria bem estranho se pudesse se levantar... – o britânico suspendeu o corpo, soltando uma risadinha. Surpreendendo-se em seguida que sentiu o pulso ser puxado e o rosto fora de encontro com o travesseiro, sua orelha ficara perto dos lábios do Neko.
- Você... – o moreno sentiu a garganta arranhar, depois de tantos gemidos – Você devia dormir... – não soltou o pulso, mas deixou o outro livre para levantar-se novamente e sorrir.
- Eu iria se um Neko não tivesse ocupado e gozado em toda a minha cama... – dita a frase o futuro médico volta a tentar se levantar. Em um esforço sobrenatural, Yuu o manteve preso e voltou a puxar o outro, trazendo o rosto para seu peito, enlaçando seu pescoço.
- Então, durma... Aqui... Pelo menos, por hoje... Comigo... – beijou o topo da cabeleira alva, sentindo os músculos dele tencionarem e paralisarem como da outra vez, para logo em seguida tentar livrar-se do abraço.
E fora nesse instante, que a força sobrenatural aumentou, pois Walker não conseguia se libertar, por mais que tentasse não chegava nem perto das mãos que o prendiam ali. Continuou a se debater sem dizer uma palavra, sentindo o abraço aumentar e vários beijos em sua cabeleira, sua respiração também começava a ofegar.
- Apenas durma... Você precisa dormir – Yuu repetia aquilo como um mantra sagrado, como se aquelas simples palavras fizessem o corpo que abraçava acalmar-se.
Pétala por pétala.
Amor por amor.
É assim que se purifica um Jardim.
Com amor.
Inacreditavelmente, quando as forças do moreno estavam acabando, o pequeno se acalmou, relaxou naqueles braços. Reduzindo suas forças e tentativas de fugas a zero. Kanda somente para ter certeza continuou o pressionando contra si, mas após longos minutos resolvera afrouxar um pouco e o Moyashi não fugira, pelo contrario agora que encarava o rosto, via a expressão serena que ele fazia ao dormir. Pegando o ultimo filo de força que possuía, ajeitou-o na cama e o abraçou. Sentindo segundos depois o abraço sendo retribuído
E essa fora a primeira vez desde Nova York que dormiram abraçados.
Notas finais
E outra coisa, eu tô sem internet... Por tempo indeterminado. Então, vocês terão que ser pacientes.
O Ed disse que era para por culpa nele too, to colocando também u.u Ele demorou a betar.
God!Castiel sabe quando virá outro capitulo. E quero pedir muitas desculpas por isso, sério, vocês são maravilhosos em continuar comentando e acompanhando.
Hendric
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