Londons Sin
20 Chapter Twenty
- Eu andava pela floresta e... acabei tropeçando em uma fogueira.
- Não acredito que não viu uma fogueira, Srta. Moore.- Não peço que acredite em mim, Sr. Iero. Não o peço nada. Sempre me virei sozinha e agora não será diferente.Gwen, orgulhosa, levantou-se e o encarou, mas não durou muito tempo em pé, sendo amparada pelo baixinho.- Sozinha? Srta., sinto lhe informar, mas vista tais condições não a deixarei “se cuidando sozinha”. – Levantou-lhe a barra do vestido com cuidado e analisou o ferimento. – Infelizmente, preciso trabalhar agora. É capaz de superar a dor até que eu volte?A vontade era em dizer “Não.”, mas...- Sim. – não queria lhe parecer fraca.- Okay. Prometo não demorar a voltar. – lançou-lhe um ultimo olhar e saiu apressadamente dali.Lauren chorava em seu quarto. Sentia-se presa. Triste. E... sozinha! Belo momento para Rebecca desaparecer!Estaria viajando novamente? Mas fora sem se despedir?Levou as mãos aos cabelos e soltou um gritinho.- Estou ficando louca!Jogou um objeto na parede, fazendo-o cair quebrado ao chão.Olhou para sua pequena caixinha de musica, um presente de Ryan, em cacos.- Não era nada mesmo...Deitou-se novamente, afundando o rosto no travesseiro, e chorou. Adormeceu. Não sabia exatamente quantas horas ficou ali. Quando acordou, já era noite. Lucy acabava de deixar o quarto, deixando uma travessa com o jantas sobre uma mesinha existente no quarto.Lauren levantou-se e foi até a travessa. Ao olhar para a comida e sentir o cheiro, sua fome anunciou-se em seu estomago. Comeu, desceu até a biblioteca e pegou um livro. Precisava de algo para fazer, preferencialmente em seu quarto. Pegou qualquer um e subiu novamente, tentando concentrar-se no que lia, mas o que lhe abordava a mente era um par de olhos verdes inesquecíveis.Behwi observava o sono de Rebecca. Vampiros eram criaturas estranhas. Pensou em Michael.- Podem ser encantadoras também... Ah! Cala a boca, Behwi!Suspirou. Como era tola. Michael nunca a havia dado esperanças. Ao contrário, sempre fora sincero ao extremo. Confiou a Behwi seus maiores segredos, seus medos e rancores. Ela sabia sobre seus sentimentos e teorias sobre o amor, sentimento o qual ele não acreditava em sua existência.Como poderia não existir se o sentia ali cravado em seu peito? E como explica-lo a Michael?Não! Não podia. Não deveria...Rebecca virou-se na cama. Parecia ser uma mulher frágil e sonhadora. O tipo de mulher a quem Michael considerava a pior armadilha. Então... Por que ele a beijou? E por que foi embora em seguida?- Michael, Michael... Meu querido! Por que me machucou tanto, se eu não teria coragem de fazê-lo derramar uma lágrima sequer? – Depois de muitos anos, Behwi chorava. Não gostava daquele sentimento. Não gostava do ciúme... Não gostava do amor...Rebecca acordou com o por do sol. Sentia-se revigorada. Sentia-se bem e pronta para ver seus pais.Ao mesmo tempo sentia-se estranhamente forte. Seus sentidos estavam mais aguçados e seu grau de percepção não muito diferente. Olhou para o lado e surpreendeu Behwi a olhando novamente de um jeito estranho.- Boa...noite.- Boa noite. – a feiticeira respondeu friamente. – Está com fome?- Não posso mentir, estou faminta.- Okay. Prepararei seu alimento.Rebecca sentou-se na cama, animada, enquanto observava Behwi e seus movimentos. A viu pegando um coelho em uma pequena gaiola. Iria prepará-lo? Estava tão faminta que temia não suportar tanto tempo.Mas, para sua surpresa, a viu, de uma forma curiosa, retirar todo o sangue do animal e coloca-lo em uma cuia.Ao ver o liquido vermelho, Rebecca sentiu uma vontade irresistível de voar sobre o animal e retirar-lhe o sangue com sua própria boca, mas conteve-se em sua cama, segurando fortemente na armação na mesma.Behwi se aproximou e entregou-lhe a cuia. Rebecca a olhou de uma forma curiosa e tomou-lhe o alimento, saciando sua fome e sua sede por aquela preciosa bebida.- Em poucas horas, seu anjo da guarda chegará.Rebecca sentiu um frio na espinha e quase engasgou. Forçou-lhe um sorriso e pôs-se a terminar a refeição. Ao terminá-la, certificou-se de que não havia sujado o rosto com o sangue. Não queria que a cena da noite anterior se repetisse. Ou queria?- Teria algum problema se eu observasse a noite? Ou a Lua também me faz mal?- Não há problema, menina. Pode ir.Rebecca assentiu e saiu. Sentou-se no mesmo tronco ocupado por Michael e Behwi na noite anterior. Esperava por Michael, enquanto sentia suas mãos tremerem e seu coração cada vez mais acelerado.Michael não conseguira dormir, ao contrario de Mia que dormia profundamente sobre seu peito. Propositalmente, o prendera ali. Seria uma forma de pagamento por não tê-la visitado na noite anterior.Ficou olhando para a parede por longas horas, até que os cantos dos grilos o fez perceber que já havia anoitecido.Com cuidado, levantou-se e foi até a janela, constatando o fato. Vestia-se com todo o cuidado para que não acordasse Mia.
- Aonde pensa que vai, Michael?- Preciso passar em casa. Dar algum sinal de vida.- Sei...Ele abotoou o colete e foi em direção a Mia.- Eu voltarei.- Assim espero. Já sabe o que acontecerá se por acaso pensar em me enganar, não sabe Michael?- Sim, Mia. Eu sei. Agora eu realmente preciso ir.Ele já se afastava, mas Mia o segurou pelo braço e, facilmente, o puxou, aproximando, assim, seus rostos.- Nem um beijo me dará?Ele a beijou com volúpia. Terminando o beijo, saiu dali a caminho da pequena cabana de Behwi. Sim, havia mentido para Mia. Mas precisava ver aquela garota. Não me refiro a feiticeira, se é que me entendem...Ao chegar lá, encontra Rebecca sentada no tronco olhando para o céu. A meia-lua iluminava-lhe a pele clara e lisa. À luz da lua era ainda mais atraente. Muito mais atraente. Dadas as circunstancias de que ele a viu quase falecendo.Aproximou-se da moça e sentou-se ao seu lado, vendo a expressão de espanto dela:- Desculpe-me. Não queria assustá-la.- Não me assustou. – sorriu. E que sorriso. Seria uma tarefa difícil manter-se afastado o bastante dela. “E que tarefa, Michael!”, pensava.- Precisava ver como estava. Vejo que está bem melhor.- Sim. Sinto-me ótima. Pronta para ver meus pais.- Infelizmente não poderei levá-la hoje. – Ela o olhou desanimada, mas nada o disse. – Não poderei, também, vir vê-la todos os dias. Durante a próxima semana não poderei vir. Peço desculpas desde já.- Tudo bem. – foi tudo o que disse, enquanto retornava sua atenção para o céu. – Noite linda, não?- Sim. Muito linda... – ele olhava-a intensamente. Ela sentiu o olhar e o encarou. Por um momento, sentiram-se encantados. Um encantamento quebrado, ironicamente, por uma feiticeira.- Michael! Não o vi chegar.Ele desviou os olhos de Rebecca para Behwi. Lançou um ultimo olhar para Rebecca e seguiu com Behwi para dentro da cabana.Gerard passou o dia matando a saudade dos pais. Ouvindo sua mãe e suas lamentações e os assuntos extremamente políticos de Donald, pouco satisfeito com o Rei.Por mais que tentasse participar dos assuntos, e conseguir às vezes, em sua cabeça uma preocupação: Michael. Seu irmão ainda não tinha voltado para casa. Estava quase anoitecendo e não havia nem notícias do jovem.Gerard, por sua vez, tentava distrair os pais até a chegada do irmão, que até então não havia aparecido. Já era tarde. Todos pareciam estar cansados. Thomas já havia se retirado. E Gerard sentia que já era a hora de todos se retirarem também. Não prenderia mais seus pais.- Bom, já está tarde. – ele disse.- Sim. Estou exausta.- Eu também, querida. – Donald disse.- Então vamos descansar. Amanhã falaremos com Michael. Boa noite, meu filho. – Donna se aproximou de Gerard e beijou-lhe a face.- Boa noite mamãe.- Boa noite, Gerard.- Boa noite papai.Gerard observava os pais subirem as escadas abraçados. Por um momento sentiu-se triste. Nunca poderia amar a alguém. Nunca poderia se casar, formar uma família com a mulher que ama. Sentiu-se muito triste.Deitou-se no sofá, enquanto pensava e esperava pelo irmão.
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