Londons Sin

32 .Chapter Thirty Two.


- Eu o quê?

- Você só sabe perguntar isto?

- É que não sou capaz de acreditar no que meus ouvidos escutam. Você acredita que eu matei os seus pais?

- E não foi? — Rebecca perguntou ironicamente.

- Claro que não! De onde tirou esta idéia absurda?

- Não trata-se de uma idéia, Michael. É uma constatação. Me diga o que um ramo de jasmim do jardim da minha casa fazia em sua roupa ensangüentada?

Michael estacou por alguns segundos. Não conseguia pronunciar nenhuma palavra, por mais que tentasse abrir a boca. Na verdade, ele não acreditava no que ouvia.

- Jasmim?

- Sim, Michael, jasmim. Se eu mesma não tivesse ajudado a cultivar as plantas do jardim de minha casa, eu poderia até acreditar que foi um engano, mas as circunstâncias me levam a acreditar no contrário...

- Rebecca...

- Por que fez isso, Michael? Que mal o fiz?

- Rebecca...

- Não, Michael! Não! Não acredito mais em você. Não confio mais em você. Não mais.

- Por favor, Rebecca, me escuta. Eu não...

- Não quero ouvir nada, Michael. Só peço-lhe para me deixar ir embora.

- Não posso...

- Por quê? Ainda não está satisfeito? Quer matar-me também?

- Não. Nunca! Jamais seria capaz de machucá-la, muito menos magoá-la.

- Seus atos não condizem com suas palavras...- Michael ficou pensativo por alguns minutos. De repente, se virou e já saía quando a voz de Rebecca o fez parar. — Aonde vai?

- Buscar seu café-da-noite. — assim dizendo, saiu.

Rebecca praguejou alto e correu até a porta, ouvindo o barulho da chave, que a trancava naquele quarto.

- O que tem a dizer, Frank?

- Sente-se. — apontava para uma cadeira vazia. Ela se sentou sem desviar os olhos dos dele. Frank pigarreou antes de começar a falar: — Bom... Muitas coisas aconteceram neste ultimo mês. Coisas sobre as quais prefiro não comentar, mas quero que saiba que mudei muito...

- Frank...

- Deixe-me terminar de falar. — ele a interrompeu. — Mudei um pouco da minha personalidade também, Madeline, e... Me tornei uma pessoa mais fria e calculista. Uma pessoa que age, agora, pela razão. Por isso, não posso me envolver emocionalmente com ninguém...

- Frank... — os olhos de Madeline se encheram de lágrimas.

- Por favor, Madeline. Não quero magoá-la. Você não merece isso... Você merece uma pessoa como Scott, para protegê-la, amá-la e respeitá-la. Eu preciso ficar sozinho... Peço que me compreenda... — com um dedo, limpou-lhe uma lágrima. — ...e me perdoe por estas lágrimas.

Frank se levantou e saiu de lá. Madeline olhava-o se afastar mais e mais, enquanto sentia que seu coração, aos poucos, se desfazia.

- Lauren está muito linda, aliás, ela é linda... Uma beleza hereditária...

Georgia levantou os olhos e avistou Donald, sorridente, à sua frente.

- Obrigada.

Ele se sentou ao lado dela e, disfarçadamente, dizia-lhe:

- Quem diria... Nossos filhos repetindo nossa história...

- Na verdade não desejo que a repitam. Não tivemos um final feliz, Donald...

- Porque você não quis...

Georgia suspirou e desviou o olhar.

- Pensei que tivesse me compreendido, mas vejo que não...

- É difícil compreender quando a mulher a quem amamos nos troca por outro.

- Eu não o troquei, Donald! Não o troquei... Eu... você sabe como sofri por perder você? — Georgia virou-se para Donald e encarava-o nos olhos. — Você sabe quantas noites chorei por sua causa? Você sabe o vazio quem tem sido a minha vida desde a nossa separação? Não Donald. Você nem faz idéia. Você sim está feliz... Possui um filho lindo e gentil. Na verdade, não desejo que nossa história se repita. Desejo que minha filha seja mais determinada do que fui, ao permitir que me afastassem de você...

Georgia se levantou e saiu apressadamente dali, deixando Donald surpreso diante daquelas palavras. Nunca esquecera aquela tarde que se tornou marcante por toda a sua vida.

\"Donald esperava Georgia no lugar de sempre. Um lugar único e secreto. Apenas os dois sabiam acessar o local. Chovia. Uma chuva fria e fina. Os cabelos lisos e negros de Donald encontravam-se encharcados, tais como suas próprias roupas, mas ele não se importava. Faria tudo para estar com seu grande amor. Sabia que ela também faria o mesmo, com chuva ou sol.

Ela demorava. Donald ficou debaixo daquela chuva por horas a fio. Georgia não havia aparecido. Resolveu, então, ir até a casa dela e verificar o que tinha acontecido. Ao chegar lá, Steve, irmão de Georgia e seu melhor amigo, o recebera.

- É melhor ir embora...

- Mas... Por quê?

- Georgia não quer vê-lo mais.

- C-como?

- Ela se casará, Donald...\"

Aquelas palavras ficariam marcadas para sempre em sua memória. Levantou-se. Pegou um copo de vinho e se sentou ao lado de Donna, sua esposa e companheira, mesmo que não a ame, como era amado, sabia que ao lado de Donna, ele não se sentiria sozinho no mundo de solidão, criado em seu interior.

Georgia subiu as escadas correndo e se trancou no quarto, onde permaneceu durante o que restava da festa.

Frank caminhava, decidido, por entre as árvores. Havia tido uma idéia que poderia ajudá-lo a colocar seu plano em prática. O sentimento de vingança havia tomado o lugar de todos os outros. Ele comia este sentimento, bebia este sentimento e respirava o mesmo.

Sentia-se traído, e a traição, para ele, era a pior coisa do mundo. Ele havia confiado em Gwendolyn. Havia aberto as portas de sua casa para ela, e o que ela fez? Trouxe-o para uma vida de sombras e tristeza...

Enfim, chegou aonde queria. O local onde a havia visto pela primeira vez. Seu sexto sentido aflorava. Sabia que se procurasse pela redondeza, encontraria a casa dela ou qualquer pista que o levasse a ela.

Um esquilo havia surgido em uma das árvores e olhava curioso para Frank, que estava faminto. Frank odiava matar para se alimentar, mas não havia outro jeito de se alimentar se não fosse este. Com um movimento único, capturou o pequeno animal e, com enorme pesar, sugou-lhe quase todo o sangue, o que havia aprendido após uma quase morte ao beber a última gota do sangue de um gambá, quinze dias antes.

Alimentado, Frank começou a andar pelos arredores. Andou por quase toda noite até encontrar o que queria: uma enorme mansão, que ocupava um grande espaço do setor sul da floresta. No portão os dizeres \"Moore\'s Hell\" o fez sorrir. Condizia exatamente com a personalidade de Gwendolyn Moore.

Estudou os movimentos, quase nulos, daquela casa por algumas horas. Quando deu por si, já amanhecia. Teve de correr contra o tempo para voltar à aldeia dos Werewolves. Agiria no dia seguinte. Finalmente colocaria sua vingança em prática.

- Gwendolyn Moore, finalmente, me pagará com lágrimas e sangue...