Londons Sin

10 Chapter Ten


Foram longas horas de trabalho e a febre não abaixava. Behwi já se sentia cansada.

- Não entendo você... – Michael disse repentinamente, quebrando o silencio de longas horas.

- Por quê?

- Por que não usa suas magias e encantamentos?

- Você mesmo disse que não acreditava nisto...

- Mas você acredita.

- Tenho medo. Há anos não uso minha magia para curar enfermos...

- Você deve acreditar em suas capacidades. Eu confio em você.

- Você é um doce. – se aproximou e o beijou intimamente. – Sua opinião é um tanto suspeita... – Michael sorriu e Behwi se sentia cada vez mais derretida. Não deveria ter começado a se envolver com ele. Sabia que era arriscado se apaixonar. Michael era um homem livre. Ela não queria prendê-lo. – Okay. Então espere lá fora. Não quero que sua negatividade me atrapalhe, sim? – Michael assentiu com a cabeça e saiu em silêncio. Behwi olhou para a jovem, ainda desacordada, à sua frente. – Bom, vamos lá!

Colocou sua mão sobre a ferida e concentrou-se o máximo que podia. Pronunciou algumas palavras alternadas entre latim e francês e esperou.

De repente uma forte luz surgiu de sua mão, iluminando tudo a sua volta antes de focalizar sobre o ferimento. Behwi continuou mantendo a luz, mas ao invés de cicatrizar, como o previsto, o ferimento sangrava cada vez mais, para seu desespero. Interrompeu a magia imediatamente, enquanto procurava por panos e mais panos que pudessem conter aquela hemorragia.

- Oh shit! O que eu fiz?

Lá fora, Michael sentou-se sobre um velho tronco, onde ficou observando o que restava da noite. Não havia estrelas e nem lua. Era uma noite sombria. Tão sombria quanto seu próprio coração. Por mais que tentasse se envolver mais profundamente com Behwi, sentia que naquele relacionamento faltava algo, que tentava descobrir o que era...

Uma luz vinha da cabana, iluminando-o. Pela janela, pôde vê-la de olhos fechados, compenetrada no que fazia e falava. Behwi era diferente... Não por ser uma feiticeira, mas sim por seu enorme coração. Poderia ter fechado as portas para a estranha, mas em nenhum momento negou-lhe assistência.

A luz fora interrompida. Teria conseguido? Behwi se movimentava cada vez mais rápido dentro da pequena cabana. Parecia até... Desespero!

Michael até lá.

A jovem feiticeira andava de um lado a outro. Nada o que fazia conseguia parar com aquela hemorragia.

- O que houve Behwi?

- Eu sou mesmo uma incapaz, Michael.

O coração de Michael disparou apenas com o pensamento e a possibilidade de ter ocorrido o pior.

- O que aconteceu?

- Poder Contraditório.

- E o que diabos é isso?

- Quando a magia é reversa. Não consegui fazer o que eu queria: cicatrizar o ferimento. O que consegui foi uma grande hemorragia.

Michael olhou para o corpo da jovem, cada vez mais branco e inerte sobre a cama.

- O que faremos? Ela perde muito sangue...

- Eu... Eu não sei! – Behwi se abraçou a Michael, chorando compulsivamente.

Michael ficou por um tempo pensativo. Tinha uma solução em sua mente, mas não julgava sensato. Só ele sabia o quanto sofria, não desejava aquilo a ninguém, mas seria fazê-lo ou deixá-la sangrar até morrer. Optou pela primeira. Afastou Behwi de seus braços e a olhou nos olhos.

- Você confia em mim?

- S-sim. Por que isso agora, Michael?

- Preciso que me deixe sozinha com ela.

- Você não...

- É preciso.

- Você não pode dar a outra pessoa uma carga que nem você suporta.

- Tenho a consciência disto. Mas se eu não o fizer me sentirei inútil. Como que se todo o trabalho que tivemos até aqui tivesse sido pouco... em vão. – Behwi o olhava apreensiva. – Por favor! Confie em mim.

Behwi lançou um ultimo olhar para o corpo quase morto da jovem.

- Se você realmente sabe o que faz, eu confio em você. – sem dizer mais nada, se retirou da pequena cabana, ocupando o lugar que antes fora de Michael.

Ele, ainda olhava para a inocente garota. Transformou-se e em um único gesto tomou-lhe o pescoço, intimando-a a um caminho sem volta, repleto de sombras e sofrimentos.

Behwi permanecia impaciente do lado de fora. Ele conseguiria salva-la a tempo? Pobre moça! Mal sabia ela o que a aguardava, se Michael conseguisse a ultima tentativa de salva-la.

Minutos depois, Michael surge em sua frente com dois filetes de sangue ao canto de sua boca bem desenhada. Os olhos verdes estavam mais sombrios que habitualmente, o que a deixou um tanto intrigada.

- Conseguiu?

Michael soltou um grande suspiro.