London by Night
16 Capítulo 16
Notas iniciais
"Não vai se esconder por muito tempo..." Max ouviu a voz sussurrante e, quase instintivamente, conjurou a espada e as sombras. Sabia, de alguma forma, que tratava-se dele. Mordred. Não via ninguém, então moldou as sombras em tentáculos, preparando-se para o pior. No entanto, seus tentáculos não eram controlados por ele como de costume. Tinham vida própria e lhe agarravam e precipitavam-se contra ele, agarrando-o e enrolando-se ao seu redor. O peso de sua força dificultava-lhe a respiração, e agora ele só conseguia gritar.
— Vá embora! Deixe-me em paz, Mordred!
Os gritos não o ajudavam, e sentiu a ponta de um tentáculo forçar-se contra seu olho, adentrando lhe o corpo. Em meio a gritos distantes de "Max!" Ele viu seus lábios enrolando-se num sorriso zombeteiro e malicioso. O som distante chamando por ele ficava mais alto, até que ele identificou a voz de Alex.
***
Max acordou assustado, com gotas de suor molhando-lhe a fronte e a respiração ofegante. Do seu lado, Alex o olhava apreensiva.
— Max, hey, o que está acontecendo? — Alex o encara preocupada.
— Eu... — Max fala, olhando ao redor e recobrando a calma aos poucos. — Não foi nada. Tive um sonho ruim.
— Pela sua cara foi um sonho péssimo. Quer compartilhar?
— Não sei... foi bem confuso. Na verdade não foi nada de mais, só acho que o estresse dos últimos acontecimentos me fez... — E enquanto ele falava, a urgência em falar crescia, o que o fez mudar de ideia. — Eu sonhei com o Mordred.
— O que?! Com o Mordred?!
— Bem... — O jovem se explicou. — Eu não o vi. Eu o ouvi. E então meu poder se voltou contra mim e ao final... Eu era ele.
— Ele está controlando sua mente. — Alex coça a cabeça. — Mas como ele pode fazer isso?
— Não é possível. Nós nunca nos vimos e.... E o Mike e o Fred deixaram ele muito ferido. Deve ter sido só um pesadelo.
— Bom, talvez por ter atacado o Fred e ele ser próximo de você, ele deve ter achado um meio disso, não sei, pode ser uma possibilidade.
— Sabe quem pode saber de algo? O Fred. Depois de a Aladiah ajudá-lo ele deve acordar logo. Que tal checarmos lá na Olivia?
— Vamos, claro. — Alex se aproxima e sela seus lábios com os de Max. — Fique tranquilo, resolveremos isso juntos.
Max só teve tempo para aceitar o beijo e docemente repousar a mão sobre a nuca dela. Ainda cheio de vergonha, puxou o cobertor para cobrir-se até a cintura e sorriu.
— Talvez ele possa esperar um pouco mais.
— Acho que você leu meus pensamentos. — Ela sorri.
***
Aladiah estava sentada na cama, ao lado de Fred, suas mãos acariciavam o rosto do rapaz.
— Fred... Você precisa voltar... — Ela sussurra.
Olivia estava sentada na poltrona do quarto e observava os dois.
— Aladiah, você precisa descansar.
— Demônios não se cansam criança. Eu estou bem.
— Não, você não está. — Olivia suspira. — Estou preocupada com você.
— Eu estou bem e vou ficar melhor quando ele acordar.
— Mas, e se ele não acordar?
— Não diga isso Olivia! — Aladiah se exalta.
— Desculpe Ala, eu não...
— Eu não posso e não vou perdê-lo. — Os olhos de Aladiah ficam marejados. — Ele não vai me deixar.
Olivia se aproxima e abraça a mulher.
— Ele não vai fazer isso. Vocês foram predestinados a ficarem juntos e vocês ficarão.
— Ah criança, como pode ser tão sabia? — Aladiah permite que as lágrimas escorram pelo seu rosto. — Obrigada.
Elas se afastam e Aladiah limpa seu rosto.
— Vou tentar curá-lo de novo, talvez ajude ele a voltar mais rápido.
— Certo, eu vou na cozinha, essa angustia toda ta me deixando com fome.
— E quando você não sente fome criança? — Aladiah ri enquanto Olivia a deixa sozinha. — Vamos lá Fred... — A demônia coloca suas mãos sobre o homem e a luz rosa é emanada novamente na tentativa de curar o conjurador.
Fred sente seus olhos iluminarem-se através das pálpebras e o calor característico da cura de Aladiah se espalhando pelo seu corpo. Ainda com os olhos fechados ele dá um leve sorriso.
— Aí está você.
— Fred! — Aladiah interrompe a luz e o abraça.
— Au! — Ele exclama, risonho. — Vai com calma nesse abraço.
— Ai, desculpa. — Ela se afasta. — Nunca mais me assuste assim.
— Eu tinha um plano, na verdade. E depois... Não é como se eu tivesse ido atrás dele.
— Porque ele tem tanto ódio de você? Eu não entendo.
— Porque... — Fred para de falar, assumindo uma expressão de angústia. — Porque ele me responsabiliza pelo Max e tem medo de que graças a minha ajuda o Max acabe derrotando-o.
— Você acha que o Max é capaz de derrotar o Mordred? — Aladiah olha nos olhos de Fred e faz carinho no rosto dele.
— Acho. Espero. Torço. Não sei mais. Quero dizer, os poderes dele estão crescendo mas não tem como prever.
— Entendo. — Ela sorri.
— Ô de casa! — Alex ri ao entrar no apartamento de Olivia com Max.
— Na cozinha. — Olivia avisa eles.
— Hum, Oi Liv. — Max falou quando adentraram o cômodo. — A gente veio ver se o Fred já está melhor.
— A Ala está com ele, ela está desolada. — Olivia suspira.
— Eu também estaria se fosse o Max no lugar do Fred. — Alex confessa.
Maximillian desenha um leve sorriso desajeitado na face.
— Umm... Vamos até lá, então?
— Vai vocês, vou tomar uma água. — Alex sorri amarelo e vai até a geladeira.
— Vem Max. — Olivia puxa o amigo em direção ao quarto.
— Olha só quem acordou — Max fala num misto de ânimo e surpresa quando entram no quarto e veem o conjurador conversando com a Lorde.
— Hey. — Aladiah sorri.
— Acordei, mas a recuperação completa ainda vai demorar. E isto é o que me preocupa. — Fred desabafou, com uma expressão tensa. — Agora mais do que nunca estamos vulneráveis.
— Mas eles também, não? — Max emenda. — Quer dizer, você também feriu o Mordred bastante.
— Sim. Usei um feitiço para enfraquecer a defesa dele e desacelerar a sua cura. Assim, quando o Michael chegou conseguimos pegar ele em cheio.
— Mas teremos que dar um jeito nisso. Não tem como o Max enfrentar o Mordred e acabar com esse pesadelo? — Olivia olha para eles.
— Criança, não se desespere assim. Nós pensaremos em algo. — Aladiah tenta tranquiliza-la.
— Não! E se ele atacar de novo?! O Fred não pode nos defender e você deixou claro que não fará nada contra o Mordy!
— Olivia, acalme-se! — Alex entra no quarto. — Max conseguirá derrotar o Mordred, com ou sem a ajuda da Aladiah e do Frederick.
— É isso aí. Só precisamos de um plano. — Max sorriu, tentando se convencer de que acreditava nas próprias palavras. Nesse momento ele olhou para o Frederick e viu, por um segundo, os lábios do conjurador enrolarem-se no mesmo sorriso cheio de escárnio do seu sonho e balançou a cabeça para distanciar a visão tenebrosa, sentindo um leve tremor. — Por falar em plano... Onde está o Mike?
— Faz tempo que ele não aparece aqui. — Aladiah olha para Olivia.
— Ele deve estar evitando a Olivia, afinal ele gosta dela, mas ela não dá bola. — Alex dá de ombros.
— Nossa Alex, você está azeda hoje. — Olivia revira os olhos. — E não tem nada disso, ele é bem-vindo, se não quer vir, eu não posso fazer nada.
— Eu posso. — Maximillian dá um sorriso e põe a mão no bolso puxando o pequeno espelhinho.
— Claro. — Olivia sorri.
Aladiah observa eles e balança a cabeça, Alex e Olivia lembravam suas filhas.
— Michael. — Maximillian sussurra para o objeto.
Não o mais que dez segundos depois a porta do quarto se entreabre, e Michael põe a cabeça pra fora. Ele sai um tanto desconcertado e ruborizado lá de dentro, sem abrir totalmente a porta, e a fecha atrás dele. Todos, no entanto puderam sentir o cheiro floral misturado ao de grama recém cortada encher o ambiente.
— Oi gente. — Ele sorri. — Fred! Já acordou.
— Olá Michael. — Aladiah acena a ele.
— Oi Mike. — Olivia sorri.
— Estava cavando buraco? Você está imundo! — Alex ri.
— Não, eu estava... Praticando a minha magia. Agora que o Fred está ferido imaginei que precisasse acelerar meu treinamento. Com o Mordred também ferido, Essa é a nossa chance de atacar.
— Gosto de ver como está levando a sua magia a sério. — Frederick sorriu, mas o sorriso desvaneceu quando pousou os olhos sobre Aladiah. — Mas não esqueça de viver.
— Não abra mão da sua vida Michael. — Aladiah olha para ele e depois sorri a Frederick.
— Eu sei, eu só... Está tudo bem.
— Tudo bem, se me dão licença... — O especialista ri e sai da sala, dando um leve tapinha no ombro do amigo ao sair. — Volto num segundo.
— Então... — Olivia fala sem graça. — Como fez o Fred acordar Ala? Um beijo?
— Isso não é conto de fadas Olivia. — Alex ri.
— Não foi um beijo, mas poderia ser. — Aladiah pisca a Olivia. — Emanei minha luz de cura novamente, acho que ajudou ainda mais.
***
Maximillian fora até o banheiro. Sentia uma ansiedade sem explicação e ficava muito aflito com tanta gente por perto. Vez ou outra via estampar-se nos seus rostos o mesmo sorriso maquiavélico. Arrepiava-se só de lembrar. Decidiu lavar o rosto para ajudar a esquecer esses medos infundados.
Jogou a água na face, e quando levantou-se para pegar uma toalha, a visão do espelho fê-lo pular assustado.
Vira, por uma fração de segundo, não o seu reflexo, mas um homem totalmente diferente. Nunca o tinha visto, mas algo no negro daqueles olhos inexpressivos que pareciam rasgar-lhe a alma... Aquela risada cheia de sadismo... Ele sabia instantaneamente de quem se tratava.
***
— Você está bem? Precisa de algo? — Aladiah sorri a Fred enquanto tira uns fios de cabelo da testa dele.
— Talvez... de um beijo pra adoçar a vida.
Ela se aproxima de Fred e sela seus lábios com os dele, estava com saudade dele e não saberia o que fazer se Fred não resistisse aos ferimentos.
***
O sono do garoto ruivo não fora menos conturbado essa noite do que na passada. Mais uma vez sonhou com figuras sibilantes e sorrisos escarnecedores, e, mesmo sem a voz de Alex, acordou assustado.
— Eu definitivamente preciso de ajuda. — Ele suspirou num sorriso envergonhado.
— Ainda bem que eu estou aqui, então. — A voz grave o fez olhar gelado para frente, e, parado perto da cama, ele viu o dono dela. O mesmo sorriso, os mesmos olhos maliciosos. O mesmo que vira no espelho.
— Mordred. — Maximillian tirou coragem sabe-se lá de onde para falar. Por dentro tremia e tinha que esforçar-se simplesmente para encarar o demônio sem virar o rosto ou encolher-se sob o cobertor.
— Olá, Maximillian.
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